Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

APELO A VIDA

Um apelo, é estranho começar assim mas é verdade, hoje venho fazer um apelo, o ano esta acabando e com ele vem surgindo a esperança de realizar sonhos, de buscar algo novo, de fazer algo que não foi feito, muitos e eu me incluo nesse grupo, pensam e planejam as coisas muitas vezes baseando-se no material, no que quererem conseguir, nas conquistas materiais. Bem não é errado querer uma estabilidade financeira, não é errado querer um bom carro ou casa claro que não é... mas e o que pensa em relação a sentimentos? Em relação ao outro?
Com tanto pai matando filho por ai, com tantas Isabela, Pedro, Mercia e Elisa eu me pergunto o que passa pela cabeça de cada um hoje, as vésperas de um ano se fechar? Será que a soma de fim de ano foi positiva? Meu apelo é simples.
Vamos na hora da virada pensar em quem não pode completar mais um ano de vida, quem não pode ver os fogos, brindar o ano novo, ou ano bom, vamos comer as uvas saltar as ondas subir na cadeira, fazer as oferendas por essas pessoas, esses seres que foram privados de comemorar junto aos seus, essa data.
Vamos olhar a quem esta do e imaginar se gostaríamos de comemorar um ano sem um filho, esposa, pai, mãe, se seria a mesma coisa... vamos sim comemorar a virada do ano, vamos ser positivos vamos olhar para essas pessoas e pensar que muitos anos vão vir, e muitos outros depois, mas não vamos fechar os olhos ao lado negro da nossa sociedade.
A gente já passa o ano todo de olhos fechados, julgando tanto o desabrigados, os sem teto sem posses, sem família, sem afeto sem comida... então no ano novo, quando a mesa estiver farta eu faço o apelo de que pense no fim da violência, que pai nunca mais mate um filho, que filho não mate pai, que não tenha mais esse mundo louco... mas peço também se me for permetido, que pegue um ou dois pedaços de seu pernil, de seu chester, faça um ou dois pratinhos de comida. Va a rua, procure perto de sua casa, certamente deve ter alguém encolhido no canto sem ninguém saudando a ele bom ano. Faça isso. Quebre a corrente de descaso e abra os olhos a VIDA abra os olhos aos SERES VIVOS...
Meu apelo pode ser entendido mais diretamente assim...
VAMOS VOLTAR A VIVER, VAMOS VOLTAR A SORRIR A SAUDAR A QUEM PASSA NA RUA VAMOS VOLTAR A SER SERES HUMANOS... NÃO APENAS SERES VIVENTES.
DESEJO A TODOS SERES HUMANOS UM FELIZ ANO NOVO, UM FELIZ ANO BOM
E UM FELIZ REGREÇO A VIDA.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

12 meses.

12 meses se passaram , e outros tantos vão vir e hoje eu me pergunto qual pesa mais? Os 12 passados ou os tantos que estão a vir? E realmente não sei...
Hoje poderia ser um dia comum, um dia qualquer, onde crianças estariam correndo com seus brinquedos nos parques, se divertido com jogos eletrônicos ou traquitanas modernas, e eu provavelmente estaria penando nisso e sorrindo, e quem sabe escrevendo uma ou duas linhas sobre a felicidade de ser criança, mas hoje não... hoje é um dia diferente... hoje faz um ano que ela se foi, e ela, não é uma personagem de um conto... ela é uma grande amiga que faleceu neste dia ano passado... 1 ano...
Lembro que final do ano passado foi terrível para mim, pesado por perder ela permanentemente, por saber que não voltaria a vê-la, nem a ouvir o telefone tocar e ouvir a voz dela me dizendo um alo inconfundível, ou nas tardes horas da noite receber um sms solto com uma frase de um filme qualquer... era assim que éramos amigos, as vezes mais que amigos, a gente se falava tanto, sobre as coisas da vida e sobre os sonhos que éramos como irmãos... só no fim descobri que o que era existente entre a gente não tinha nome era inconfundivelmente sem nome por ser absolutamente claro...ambos amavam um ao outro de forma que ninguém poderia descrever, respeitando e acompanhando em toda jornada...
Mas a 12 meses ela se foi, não sem antes me dar um ultimo puxão de orelha, não sem antes me deixar um “recado” perdido, não sem antes dizer a mim o que ela carregava no peito.
Eu lembro que nunca disse a ela a mesma coisa, nunca disse de forma clara o que sentia por ela, e como ela era e ainda é uma figura singular em minha vida, e provavelmente se estivesse aqui hoje me diria com a voz com um misto de riso e choro, “wbriuzito meu querido, e precisa falar?” realmente não precisa falar.
Hoje eu lembrei por muitas horas cada conversa cada papo que tivemos até a ultima vez que a vi, e lembrei das tantas vezes que não falamos nada apenas ficamos olhando um ao outro, ela La deitada em seu canto eu com Sancho e Quixote nas mãos...
Bem. Hoje faz um ano doce amiga, que esteja ai, no seu canto, quieta sem falar muito, eu estou aqui fazendo de tudo para cumprir o que me pediu...
Seja o anjo que era... saudades de ti amiga.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Falta

Falta, estranha palavra que ninguém consegue preencher,
Falta sentido no que se diz e no que se quer dizer,
falta verdade nos atos, nas vontades e no querer.
Falta base pra suportar, falta ar para respirar, falta fazer
Da falta algo bem menos vazio do que antes fez falta
tornar baixo pequeno miúdo o descaso que esta em alta.
Falta pouco eu sei que falta, mas é isso no esporte erro é falta
a dispensa vazia, na hora da ceia, o espaço de sobra é falta
Maldita, maldita a pessoa que inventou a falta.
sentir falta de algo é sentir grande o espaço pequeno que falta.
é mergulhar no oceano e sair molhado e deixar nele a falta
Das gotas pequenas que traz a areia e que pra ela não faz falta.
Falta nesse mundo uma coisa que por faltar a todos não faz falta
falta essa rima pobre rima seca terminar em alta
e até sem rimar dizer a verdade que no mundo faz realmente falta
é assim antítese da rima, quebrando métrica verso, digo o que falta.
Falta respirar
ao pulmão sem ar
falta alimento
ao estomago sedento
falta coração
ao povo sem emoção
falta no peito por
um punhado de amor
falta realmente calma
se sabemos que ao mundo falta alma.

Tentativas.

A menina de vestidos sujos sentada no gramado sorria com o sol suave que mas parecia um abraço carinhoso, ela de joelhos na grama brincava ainda com suas bonecas e miniaturas de fogão e armários, sentados no banco o jovem casal ria cada um a sua maneira com os trejeitos desajeitados da menina sob o sol suave.
- A gente tem que decidir logo, não da para esperar mais, não esta sendo bom pra gente, muito menos pra ela. – disse a jovem sorrindo ao ver a filha acenar.
- Eu sei, também não tenho gostado do jeito que esta, acha que gosto de ir toda semana para La e deixar vocês sozinhas aqui? Acha que gosto de ficar longe dos abraços, e beijos?
- É ela sente sua falta.
- E eu sei, mas e você?
-... Você sabe... é difícil.
- Sabe ela me ligou esses dias, pegou seu celular e me ligou, sem querer eu sei, mas foi bom, por 5 minutos fiquei ouvindo ela brincar com as bonecas... mas ao fundo...
- O que tem?
- Eu ouvi você falando com sua amiga... Você esta mais infeliz que ela não é?
-...
Os dois se olharam por um minuto até que sentiram as mãos pequenas de sua princesinha tocando as mãos deles, quase como ensaiada mente olharam ao menina e disseram.
-O que foi princesa?
-HE HE HE. Pai, mãe. A gente se ama muito né?
- Sim – disseram novamente na mesma hora.
-Por que a gente não mora junto?
-...
Os dois jovens não sabiam responder a essa pergunta e nem as outras tantas que vieram anos depois, nem tão pouco souberam lidar com as mudanças da puberdade, nem com as crises por não conquistar o garoto da escola, ou por não ter o vestido certo na noite de formatura... mas o importante é que mesmo sem respostas, mesmo achando que não saberiam como fazer ou se poderiam fazer eles fizeram...
Hoje a princesinha tem seus filhos, e tem nos pais, a imagem perfeita de quem vive não somente com conquistas e vitórias mas sim as tentativas... e na tentativa que se conquista mais do que apenas uma vitória... e sim um aprendizado...
Hoje os jovens avós sabem como lidar com todas mudanças, perguntas e puberdade de seus netos... e dos filhos que vieram depois... e hoje puderam responder a velha princesa
- A gente morava longe por que não sabíamos que você amava a gente junto...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eclipse

O garoto corria pelo campo com o vidro cheio de vagalumes a noite começava a cair escura e fria e o jovem menino de olhos brilhantes corria velozmente para casa, ao longe a imagem de seu velho avô sentando na varanda da casa de sape pitando seu cigarro de palha e o som suave do “nheee nheee” da cadeira de balanço no assoalho de madeira.
- Vôoo peguei um monte de vagalume, olha só?
- É pegou mesmo, um tanto de estrelinha.
-Estrelinhas?
O velho sentou o garoto no colo com o pote cheio de vagalumes e alguns besouros, e começou a contar.
A muito tempo atrás, antes dos homens esquecerem como falar com as plantas e o vento, existiu um jovem que era apaixonado por uma moça, essa moça era filha do vento, irmã da manhã e sendo ela a noite ninguém a segurava, ninguém a conquistava. Ela andava por ai, seguindo longe seu amor, sem perceber que o jovem era apaixonado por ela, mas ela amava um outro, amava um bicho arrogante que sempre dava as costas a ela, e se afastava dela... mas ela a noite sempre seguia o dia... sempre.
“o jovem menino de olhos brilhantes olhava atentamente o seu avô contando a história enquanto a noite vinha chegando”
Mas certo momento, o jovem apaixonado gritou a noite que ela olhasse para ele, que percebesse a ele, ela olhou e com seu vestido negro chegou perto dele, e perguntou
- O que uma pessoa como você pode me dar? Eu escureço sua imagem, apago seus passos, você não tem força para segurar e nem me manter em meu lugar... o que pode oferecer um simples homem a noite?
- Eu sempre pensei que a noite já tinha tudo que quisera, vejo ela caminhar atrás do egocêntrico dia que brilha e queima a quem o segue como os homens , eu porem vivo sempre olhando seu vazio vestido negro me se sinto mais feliz andando em sua companhia mesmo que não me note, eu estou sempre sorrindo a teus cabelos negros.
A noite sorriu, e passou a reparar que toda vez que ela se aproximava ele, o jovem estava La sentado na pedra esperando ela chegar atrás do sol que já se ia do outro lado...
- O que posso te dar bela noite?
-Me de algo que anuncie a minha cegada, quem sabe assim eu perceba que tu realmente me ama.
E assim a noite foi passando por esse jovem e ele pensou e pensou, passou o dia trancado em seu quarto escuro enquanto o dia ardia em ciúmes, mas a noite vinha chegando e ele sentado com um grande embrulho no colo esperou a noite chegar
-O que tens pra mim jovem?
- Não sei bem, se vai te anunciar aos outros, mas a mim sempre me fará te ver chegando ao longe. – Desembrulhou um grande broche feito de prata pura, que assim que saiu do embrulho brilhou refletindo a luz do dia que ia do outro lado.
A lua pegou seu broche e pois no vestido negro, e sorrindo disse.
-Me deu algo que me faz ser notada, e ainda ilumina um pouco sua face, assim posso ver que sorri quando eu chego, mas e quando esquecer seu presente? Como vai me ver? Como vou ver você?
Novamente o rapaz passou o dia pensando e o chegar da noite com grandes potes a seu lado gritou a lua.

- Não se apresse noite, pois eu vou decorar seu vestido com brilho vindo de seu sorriso...
E dito isso abriu os potes, e grandes vagalumes voaram por sobre a noite e pousaram em seu vestido, cada vagalume brilhava forte, e assim a lua pode ver o jovem sentado na pedra tinha os olhos mais lindos que ela já viu, e sorria apenas por ver a noite chegar agora com um vestido cintilante de brilhos, e um broche redondo brilhante.
A noite apaixonou-se por esse jovem, e deu a ele o nome de eclipse, pois ele apagou o brilho do dia.
O avô olhou o jovem menino que saltava do colo do avô e corria para o quintal enquanto a noite chegava soltou os vagalumes dizendo
- Vai estrela, a noite precisa de estrelas...
O velho avô percebeu ele mesmo faria isso se ainda tivesse sua dama de vestido negro como a noite. E o nheee nheee continuou até tarde da noite... e era uma noite de lua cheia, a mais linda noite que já se viu... e umas tantas estelas novas foram vistas em seu vestido novo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tente outra vez...

Ele se levantou, apoiou pesadamente as mãos no joelho e a cabeça parecia mais pesada do que nunca, os olhos ainda vermelhos e o rosto ardido, era cada vez mais difícil sorrir, era cada vez mais difícil seguir em frente era impossível olhar para o vasto desconhecido e não lembrar do passado doloroso ... olhar por sobre os ombros era mais fácil do que levantar os olhos e ver o horizonte.
Caminhou apoiando-se em moveis até o banheiro, e por fim de olhos vermelhos fixos no espelho viu seu rosto, pareciam anos, que ele não se olhava assim, mas foram apenas alguns dias, para ser honesto algumas semanas... passou a mão suavemente pelo rosto e sentiu a barba especa entre seus dedos e por pouco não caiu de joelhos... o toque foi como uma passagem a algum lugar do passado, onde era fácil sentir-se tocar por ela... mas não... era sonho... era lembrança fantasmagórica.
Ela tomava seu café, ao menos era o que ela pensava ser, já que biscoito recheado e café não são bem vistos como café,os olhos dela calmos e quietos olhavam a sua volta, no chão as roupas de ontem, na mesa o jornal de hoje, na TV um programa de anos... o telefone ao lado as mensagens dele, as chamadas não atendidas as tentativas de se manter contato... mas já faziam algumas semanas que ele não ligava... faz já algum tempo que ela não ouvia a voz dele... e agora começava a fazer falta... agora ela sentia falta do calor cuidadoso que derramava de suas frases e preocupações...
Os dois sentados olhando a tela da TV vendo cada um algum programa que não dizia nada de importante e servia apenas para anestesiar seus pensamentos e medos, e assim impediam os dois de perceberem que nada mais fazia sentido... nada mais é correto ... por que a cada segundo existe alguém sentindo ausência de outro alguém... eles não são diferentes e não serão os últimos...
Mas nos momentos a sós cada um olhava para seu teto e nesse momento lembravam-se cada um dos momentos certo de sua vida...
Ela levantou-se, se vestiu e saiu... seguiu seu rumo, foi cuidar de sua vida foi andar com quem ela queria...
Ele , sentou-se a sua mesa, começou a trabalhar, e algumas vezes seu telefone tocou, ou ele ligou para quem agora falava bem algo a suas vontades...
É fato que tudo tem um fim, mas o fim não é o termino de tudo... apenas uma forma que o mundo arrumou para dizer
“Hey... vamos La... tente outra vez...”

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma carta

Sua família reunia os pertences dele, as ultimas lembranças que faltavam ser empacotadas e enviadas para o sótão, o velho solitário não mais caminhava por aquela casa, não mais sentava-se a varanda e tocava seu violino, não alegrava as crianças com suas histórias e tão pouco alimentava os pássaros em seu jardim, hoje o velho solitário estava mais solitário que nunca em uma diminuta caixa, em pó finalmente era ele companhia dele mesmo.
Os irmãos, mas velhos que o velho, as cunhadas, um ou outro sobrinho e sobrinho neto vasculhavam a casa recolhendo fotos, livros discos e filmes, mas tudo parecia perdido e fora do lugar, tudo estava como ele, velho e sozinho.
Em uma das tantas caixas a sua cunhada encontrou um envelope fechado, uma carta, dele para ela... uma carta que nunca foi entregue...
Involuntariamente ela abriu a carta, e mais involuntariamente ela fechou, selou e mandou entregar ao destinario.
A jovem senhora receberá a carta com um susto, o nome do remetente chegara junto com a noticia de que ele morrera de infarto, e ela sentada agora em sua poltrona tremia os dedos para abrir o velho e amarelado envelope.
Mesmo que os olhos dessa senhora não estivessem acostumados a vazar, hoje, assim que abriu a carta e pode ver a data uma nascente muda iniciou.

Minha pequena cereja,


Não sei ao certo quanto tempo a gente não se diz coisas boas, vivemos assim entre nossos enganos e medos, nossas incertezas e vontades mas são esses meses que estamos juntos que me faz ter certeza de que algo bom existe entre nos, talvez seja a loucura desse bobo que por tantas vezes se vestiu de inseguro e assim calou a voz suave de um sentimento que nascia em seu peito, ou talvez seja apenas o eco de uma verdade que repetia tantas vezes em minha cabeça, era eu insuficiente a ti?
Hoje eu tenho certeza de que fiz o melhor, joguei de certa forma e de forma clara com você, porem errei, e meus erros são de certo imperdoáveis, pois hoje esta ai, distante de mim, talvez quem sabe com alguém ao lado e sorrindo, enquanto eu caminho ainda aqui calado e só.
Não por que não tenha tido motivos para ter alguém do lado, ou por que não tenha me faltado oportunidades, mas por que ainda acredito que se algo for verdadeiro o tempo que separa uma duvida de um reencontro é efêmero e vale a pena esperar.
Não vejo teu sorriso, e isso é de certo o meu pior castigo, pois hoje mesmo o sol nascendo, mesmo eu vendo as cores e as formas de tudo que existe, nada disso tem a menor importância sem o seu sorriso a meu lado. Certamente dirá, exagerado, com os olhos fechados e o sorriso aberto como fazia quando estava tímida a meu lado, mas digo eu, não é exagero algum dizer a verdade a quem merece.
E você merece, por cada noite que passamos juntos, por cada beijo que demos, e por cada beijo que sonhei em dar, por seus fios de cabelos revoltos em sua nuca, por sua mão apertando a minha e por nossa ultima noite juntos... e um eu te amo dito como nunca antes ouvi.
A verdade minha pequena é que desde que se foi, me sobra tempo para pensar o quanto eu sou infeliz por ter te perdido... infeliz não no sentido de vitima, mas no sentido de erro, pois esse é sem duvida o erro que carregarei para sempre.
Deixo aqui minha derradeira vontade de te dizer quem sabe a ultima vez
Te amo, “
As mãos da senhora tremiam e mal agüentavam a carta, talvez o peso das frases, talvez outras tantas que ela não leu, talvez fosse cada vogal ali formando junto com as demais letras uma única certeza... ele realmente a amava...
Mas o tempo passou, e hoje ela de olhos vermelhos e mãos tremulas segura a única lembrança que tem dele, a carta e dentro do envelope uma foto dela e dele ainda jovens, abraçados em um momento feliz... que o tempo fez questão de amarelar...

sábado, 4 de dezembro de 2010

metro

O jovem apoiado nos braços se segura ao bastão de ferro do metro, as estações passavam rápidas e ele pouco se importava com isso, não tinha pressa alguma em chegar em casa, queria apenas um lugar para apoiar a cabeça e deixar os pensamentos vagarem, diferentes dos trens, sem trilhos, apenas deixar os pensamentos seguirem seus caminhos escolhidos.
Ele sempre se cobrava muito, sempre pensava que devia fazer o melhor possível, ser o mais verdadeiro, honesto e entregue ao que sente, mas hoje ele não estava muito assim, o cansaço de seu corpo o balançar do trem e seus pensamentos faziam ele pensar que era melhor dar valor a quem reconhece o valor que ele da ao mesmo, e não ficar ali apostando e se jogando em coisas que parecem mais paredes e portas fechadas... e era isso que ele sentia... uma porta tinha se fechado...
Finalmente um casal de jovens se levantou e ele pode sentar-se a janela a seu lado não mostrava nada alem dos tuneis escuros do metro, mas ele mesmo não pensava em nada muito claro... lembrava-se dos dias que passou junto a uma pessoa, da hora que conversou com uma criança no parque, ou dos pássaros que pousaram a sua frente em uma tarde quente de sábado. E pensava que muito esforço as vezes não é reconhecido, as vezes os menores são mais percebidos como ele mesmo tinha pensado certa vez.
“Quando a gente faz uma coisa diferente ela é única, quando a gente faz sempre algo diferente ela passa a ser comum, e o comum perde a graça, da mesma forma mostrar carinho uma vez é diferente, mostrar sempre que se sente é demasiado e perde a importância, perde o valor... talvez por isso eu diga tão pouco (eu te amo), e se digo muitas vezes a ela é por que é verdade e eu não agüento segurar, mas perde a importância para ela?”
Ele se sentia perdido, sem saber onde ia ou que devia fazer, mas a voz no alto-falante o lembrou, era ali que ele devia descer, ele deveria voltar a casa sentar-se no sofá, ligar a tv e se hipnotizar pelo brilho azul bruxurelante da tela... e quem sabe não pensar em mais nada...
Nem mesmo nela...
Nem mesmo na sua pequena cereja...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adeus

Já era tarde e chovia um pouco, as malas sobre a cama ainda abertas e entulhadas de seus pertences, a mala já parecia pequena para tantas lembranças, mas ela queria levar todas, inclusiva as ruins.

Ele recostado no sofá, garrafa de vinho em uma mão e uma taça na outra, a garrafa pela metade e o rosto vermelho de lagrimas, em silencio ele chorava, sabia que assim que ela saísse pela porta tudo estaria pedido, nada mais adiantaria, e em sua cabeça ele buscava uma maneira de manter a porta fechada... ao menos mais um pouco.

O som seco e continuo do zíper, uma, duas três vezes apertava ainda mais o seu coração, e até mesmo o dela, o adeus seria imediato... e breve.
Novamente, uma duas três vezes, a segunda mala estava fechada... ele fintou a porta, imaginando como mane tela fechada. pensou em correr e se postar na porta, mas ante disso ela já estava ali, arrastando as malas, seus olhos também vermelhos de lagrimas deixavam claro que nada que ele fizesse iria adiantar.

- To indo.
-...
- Eu to indo...
Ele calado de olhos baixos não consegui fazer nada a não ser levantar os olhos e olhar suavemente ela em seus olhos tão doces como mel, era fato que ela já não gostava dele, ele mesmo se sentia sujo e baixo, mas ainda assim dos olhos dela ainda escapavam centelhas de um carinho um tanto sufocado por loucuras que ele vinha cometendo. E mais uma vez ela disse.
- Eu to indo, não deu pra pegar tudo, peguei o que deu, talvez eu venha buscar o resto, se não vier... bem faz o que quiser... – disse ela olhando a imagem fraca do homem que ela um dia disse amar, mas hoje sente um misto de tristeza e pena, e até pensou em perguntar se ele ia ficar bem... mas seria uma atitude que poderia causar um certo desconforto a ambos.ela se vira e sai.

Pronto, a porta se abre, e se fecha. tão rápido que ele mal pode dizer. "- Te amo"
o som dos paços foram desaparecendo e por fim tornaram-se apenas lembranças.

E a fina chuva tornava-se forte, e as lagrimas escoriam na janela bem mais leve do que no seu rosto.

Ele levantou-se caminhou até o quarto, um ou outro vestido no cabide, um conjunto de maquiagem e na cama... 3 fotos deles juntos... mas antes eram 4... ele baixou a cabeça.. e soube que era um adeus e não um até logo... e as lagrimas correram ainda mais fortes em seu rosto ardido...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

14,50 - sem troco

Ela caminhava para casa, os passos apressados, sentindo em seu peito uma inquietação, a angustia de estar perdendo algo... mas o que seria? Em suas lembranças os olhos do rapaz, a boca e a mania que ele tinha de sorrir sem motivos... e de ficar olhando para ela vez após vez, talvez fosse isso... talvez ela estivesse perdendo as lembranças.
Do outro lado da cidade, ele rabiscava uma carta, para alguém que já foi a muito tempo a caneta parecia feita de chumbo e cada palavra escrita era tão densa e pesada como uma bigorna, ele sofria por escrever aquilo, era fato deixar alguém não era algo bom, mas nessa situação parecia ser o melhor a ser feito, a garçonete traz seu café e percebe a mão tremula do jovem rapaz.
- Muito nervoso? – Diz ela.
- Como se hoje fosse o dia da minha morte. – respondeu o jovem.
- Engraçado, meu avô sempre me disse que na hora da morte a gente fica calmo... tem certeza que esta nervoso?
-Eu estou sim, é que hoje morre uma coisa que eu não gostaria que morresse nunca...
-Mas o que seria?
-Hoje morre minha fé no amor, nas pessoas e na certeza de que algo pode ser bom... mas me enganei...
-Desapontado?
-Desiludido na verdade.
Dito isso a garçonete o olha nos olhos e diz
-Desilusão é a destruição de um mundo pessoal, você se iludiu não tem por que ficar assim a culpa é sua. Levante a cabeça e siga em frente.
-De certa forma a culpa é minha sim, mas a ilusão foi outra.
A menina chega a frente de sua casa o prédio com corredores largos, e colunas no térreo parece mais vazio do que nunca, a casa fria os olhos dos vizinho e ela calada entra no elevador, o medo de que ao chegar em casa esteja exatamente como ela deixou... sem cor sem sabor... sem por que.
A porta, a chave e finalmente a sala, o tapete e a parede, a certeza de que tudo esta como ela queria, mas ao mesmo tempo não esta... ela sente que esqueceu algo... e descobre..
O telefone toca, o rapaz atende sem entender bem e do outro lado.
- Oi... saudade de você, tudo bem?
-Sim tudo bem, o que quer?
-Queria falar com você sei La, amenidades.
-Não sei se é uma boa, hoje eu não to bem e acho que é melhor a gente não se falar mais.
-... Ela conquistou mesmo você não é?
-... não... ninguém me conquista mais.
-Como assim?
-Meu tempo de acreditar acabou... virei gelo, na água quente eu sumo me misturo não mudo a mim de forma alguma, não viro café, nem um ovo duro ou cenoura mole... eu apenas me misturo e desapareço.
-Eu acho que vou sentir falta...
-Não ache... tenha certeza e quando tiver certeza tente fazer algo diferente.
-... Você esta chateado comigo... tem motivos... mas..
-Não tem mais... fica bem – Disse ele secamente desligando o telefone.

A garçonete olha para ele novamente e diz.
-Foi melhor que escrever?
-Não... foi pior... me iludi de que tudo que disse é verdade, um dia eu vou descobrir que não é...
- Pois é, isso é amar, quando se esta apaixonado como você esta a gente nem percebe as ilusões que criamos, mesmo que seja apenas para esquecer a paixão... mas ela volta a tona... como toda verdade.

A conta deu 14,50 e ele pagou com 20...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tempo, uma volta.

Ele entrou no elevador, os seus movimento eram quase que instintivos, o dedo aperta o 10 e ele caminha até próximo ao espelho, a face no espelho é sua mas ele só vê os olhos dela... e chora.
Dias antes ele entrou em casa e tal como fazia sempre ligou para ela sem perceber, ela, do outro lado da linha atendera tão friamente e secamente que ele sentiu vontade de desligar mas manteve sua postura e falou sobre amenidades, ela cada vez mais seca e fria disse de forma distante.
- Talvez eu não queira mais falar com você.
-Então me diz sem o talvez.
-Não sei se quero mais falar com você.
-Me diz com certeza.
- ... Eu não sei o que quero.
-Já me basta....
O telefone volta pro gancho antes de um ultimo adeus, e te adoro, o som agudo do telefone reconhecendo a base e ele se joga no sofá e se afoga em pensamentos.
Ele revira as gavetas, buscando fotos e fatos, mas a única coisa que lembra é da frase dela.
“- Eu não sei o que quero agora”...
E outra que ele tantas vezes não quis ouvir ...
Ele hoje sai do elevador, abre a porta, senta-se no sofá e olhando o telefone sem chamadas e vendo os utimos números discados lembra...
- Eu sempre ligo pra ela... mas hoje... hoje não...
E deita a cabeça no braço duro de seu sofá e sonha acordar meses antes..
Mas o tempo só anda para frente... ele nunca volta...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Café com destino

Sentados no sofa, ele com sua caneca de café e um ou dois biscoitos, ela com seu achocolatado e apenas isso, observavam a TV como quem olha por uma janela, nada alem de imagens e sons saiam da tela, eles apenas deixavam o pensamento vagar, mas foi ela quem falou primeiro.
- Acredita em Destino? – disse ela recostada no sofá olhando a nuca dele que se estendia para buscar mais um biscoito sobre a mesinha de centro.
- Destino? Não sei, complexa essa pergunta para essa hora não é? – Respondeu ele olhando por sobre o ombro e sorrindo um pouco desconcertado.
- É eu sei, mas essa noite pensei muito em destino. Será que existe? Sabe em algum lugar alguém escreveu o que vai acontecer comigo e com você... que iríamos nos conhecer, e tudo isso iria acontecer assim...
-Não sei se existe destino, acaso talvez seja melhor, afinal é a teoria do caos, nada é previsível nada é correto, e certo se existir destino não existiria livre arbítrio. – disse ele se repetindo já que a tempos tinham falado sobre isso. E continuou – Talvez Destino seja o acaso agradável, e o destino desagradável é acaso não sei.
- Eu acredito em destino...
- Imaginei isso, já que perguntou sobre.
- Mas você esta muito sarcástico comigo hein?
- Destino, eu não pude evitar estava escrito isso.
-...
-Serio. Destino? Acredita mesmo?
- Acredito, por que gosto de pensar que te conhecer foi um acaso... e meu destino esta vindo ai...
-... então foi ruim me conhecer?
-...
- É talvez seja ..
- Desculpe... não queria dizer isso assim...
- Mas disse, talvez seja destino ou acaso eu ouvir isso agora talvez exista mesmo um destino um plano pra todo mundo... mas se existe um destino o meu já acabou
-Como assim?
- O meu destino acabou quando conheci você, acho que nada melhor pode acontecer na minha vida depois disso, nada vai superar seus olhos, sorrisos, nada vai superar seu toque seu perfume seu beijo... nada vai ser melhor que isso, acho que tudo o que vier agora vai ser acaso.
-... por que faz isso comigo?
- isso o que?
- Me deixa assim sem saber o que dizer...
- Por que te amo... e não é por acaso...
Eles se olharam por mais alguns minutos até perceberem que era um ato do destino que eles iriam ter que se beijar mais uma vez antes de partirem para o mundo do acaso, ele de olhos fixos nos lábios dela, e ela, de olhos marejados olhando seus olhos...
Por acaso, o telefone toca
E o destino volta a ficar em segundo plano...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Reportagem...

Ele debruçou sobre os papeis, as fotos e recados de um tempo que passou, juntou ali em poucos minutos todas as lembranças que tinha dela, o telefone tinha tocado a pouco e o repórter já estava a caminho, seu ultimo livro fez muito sucesso e ele tinha que tirar uma foto e dar uma entrevista a um jornal local.
A repórter chegou e logo o aparato estava todo montado, a luz os microfones e a cadeira pronta, a repórter foi direto ao ponto. “seus textos são fictícios ?” a resposta não foi diferente da que dera antes “tudo é real e ficcional, a vida é tão imprevisível como qualquer obra de arte” mas a repórter queria sangue... e depois de algumas perguntas tolas conseguiu fazer a fatídica pergunta.
- Existiu realmente a mulher, “ela “ que você tanto se refere nos textos?
-Bem, acho que posso dizer que sim existiu. – disse ele baixando a cabeça e coçando a nuca como que antevendo a próxima pergunta.
- E como ela é?
- Como ela é? Eu poderia passar horas descrevendo ela para você e mesmo assim seu fotografo não iria conseguir imaginar como ela é, e tenho certeza que teria em suas mãos o maior parágrafo da história. Mas se fosse resumir diria que ela é Encantadoramente Perfeita, mas perfeição é um conceito muito estranho, em alguns lugares do mundo deformidades é que são perfeições, bem ela tem seus defeitos, mas até eles me mantinham feliz.
- Tinha? Ela não esta mais com você?
O jovem senhor baixou a cabeça, apoiando os braços nos encostos da poltrona coçou a barba suavemente e disse.
- Não, a tempos ela não esta comigo, na verdade muitos anos.
-E o senhor não teve mais nenhum amor depois dela?
- Existe como ter um amor depois de ter “O AMOR”? ninguém tem ninguém nuca teria, você a pouco me perguntou como ela era, bem te digo agora como ela não era... ela não era uma pessoa comum, não era substituível não era... uma ex...
-... O senhor ainda a ama?
- “ainda” é aceitar que um dia vai acabar... eu SEMPRE a amei...
A repórter anota em um caderno, aperta a ultima vez o botão de pause do seu gravador, o fotografo bate um ou dois crhomos e saem calmamente pela porta.
A repórter se vira e antes do elevador chegar faz uma ultima pergunta.
-E por que ela o deixou?
-Ela nunca me deixou... Eu que deixei ela ir, as vezes a gente ama muito e afoga a quem se ama em um abraço sufocante, mas ela me acordou a isso e eu abri os braços... estou esperando que ela volte, como borboletas para um jardim florido...
- E se ela não voltar? Vale a pena esperar?
- Vale a pena sorrir? Sonhar? Sim vale a pena...
O senhor fecha as portas senta-se em sua poltrona e do vão entre a almofada e o braço da poltrona retira uma foto com uma dedicatória dizendo “ para você não esquecer o quanto gosto de ti”
- Eu nunca esqueci minha pequena cereja... nunca esqueci...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

não entendo

Romantismo
É fato que os dias de hoje o romantismo vem perdendo força, a tempos na verdade um ato romântico é visto como piegas e bobo, tolo muitas vezes ridículo, mas eu sempre me pergunto. Por quê?
Hoje em dia o romance é visto como fraqueza, o romântico é o fraco que deixa o peito jorrar e os olhos boiarem, é quem diz a verdade e muitas vezes se entrega por isso, e outras tantas recebe duras ou frias conseqüências por isso.
O romantismo e um esporte, por assim dizer, que cansa e principalmente quando se joga sozinho ou quando se percebe ou sente uma ausência de vontade no jogo do romance.
O romântico vem perdendo espaço, campo para os falsos, os brutos, os canalhas e isso vem fazendo com que grandes românticos mudem de preferência e assim passem a fazer parte de grupos como canalhas ou falsos.
Mas por que isso? Simples as pessoas não dão valor aos atos românticos, aos sentidos reais de ser romântico e as verdades de um homem romântico.
Flores, chocolate, bombons ou o que seja sempre são vistos como lembranças ou apenas uma forma de se pedir desculpas, mas o romântico vê isso como marcos de um dia especial uma hora única e principalmente da grandiosidade de seu romance.
Os dias de hoje um romântico não tem chance, é muitas vezes iludido por ser romântico, já que é fácil por um sorriso em seu rosto e fazer ele acreditar e render-se ao romance. Mas alguns românticos aprendem a se segurar e aprendem a se proteger. E sabe como é essa proteção?
Tornando-se cada vez menos romântico, antigamente se via a cada 3 quarteirões uma floricultura hoje em dia... nada. É difícil encontrar uma a cada bairro, cada vez mais complexo ser romântico, já que pequenas lembranças como flores e telefonemas no meio da tarde são perdidos ou menosprezados, e em muitos casos visto como fraqueza ou chatice.
Hoje em dia a cada 5 minutos morre um romântico.
Hoje em dia a cada 5 minutos nasce um canalha ou falso.
Hoje em dia ser romântico é muito antiquado, retrogrado e estranho.
E não tem valor... o importante é ser ausente e deixar a duvida em peitos vazios de romance.
Queria viver em um mundo romântico... queria que todos fossem verdadeiramente homens e dessem valor aos valores verdadeiros de ser homem...
Romance, amor e fidelidade são valores... esquecidos?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Simples

Diga o que quiser, mas eu acho que o mal de nosso mundo não é uma doença, e sim a solidão.
É visível que hoje em dia todos estão sozinhos, buscando sucesso na profissão, são engenheiros, arquitetos médicos ou qualquer outra profissão.
São jovens que enchem a cara toda noite, chegam nos lugares sozinhos e voltam pra casa sozinho.
A sim , existe quem volte acompanhado, por uma noite, tem a sua dose de sexo, mas seria isso suficiente?

Eu acho que não, ninguém mais da valor , ou melhor tem gente que paga para ter uma falsa idéia de companheirismo, tem gente que paga para receber uma noite de sexo, ou algumas horas.
Eu acho que sou mais simples, Eu vejo as pessoas dando tanta importância a coisas tão sem importância como o modelo do celular que tem, o tipo de roupa, o carro. Ao vinho que vão tomar as ações da bolsa, e nem olham para o lado
Nós estamos é sem dar valor a coisas simples como andar de mãos dadas, um telefonema no meio do nada pra dizer apenas um oi, falta... falta sentimento mesmo.
Alguns podem pensar que sou um solteiro, encalhado e triste, mas acho que pra dizer isso que to dizendo é preciso ser bem resolvido.
Eu acredito que ao invés de dar valor ao cinema que vai com a pessoa, se é o mais caro ou o restaurante o de maior nome, e se vai terminar a noite no motel, devia-se dar valor ao fato de passar algumas horas olhando nos olhos enquanto come um jantar que você fez, ou assiste um filme dublado na TV, e saber que a noite vai ser perfeita quando dormir, apenas dormir abraçadinho com ela.
Tu pode ser o mestre no que faz e ainda assim lamber os dedos de doritos,
Pode ser a melhor advogada e ainda assim chorar com comercial de manteiga
Quem disse que ser bom, ser adulto é ser chato?
A gente se cala, não diz o que sente, segura com medo, e quando vê, assim como a pessoa que passou rindo por sua frente, a vida passou, e o tempo de ser feliz é bem curto, viver é um tempo curto...
Muita gente diz que mostrar sentimentos é um sinal de fraqueza, te faz parecer bobo, infantil, ridículo, louco...
Mas e dai?
O que deveria ser evitado é essa mania de achar que um banho de chuva vai estragar o alisamento, ou que se jogar no chão e brincar com uma criança vai te deixar sujo e sem graça, e nunca dizer a uma pessoa importante pra você...

Vamos viver boms e maus momentos, pode ser que um de nós, ou os dois pulem fora, mas se eu não disser pra você agora, o quanto você me é querida, eu vou passar a vida toda pensando que poderia ser diferente, e eu posso me arrepender e querer voltar atrás... mas isso é complicado...e EU, eu prefiro as coisas simples...

sábado, 23 de outubro de 2010

tic tac

La fora o vento suave sacudia as roupas no varal, o sol morno acariciava o gato deitado nas pedras, lajotas com a pancinha para cima, e ela, sentada na degrau da entrada de sua casa fumava um cigarro, um tos tantos que ela escondia no fundo de sua bolsa como reserva para momentos duros da vida, ou o fim de uma noite de muita bebida.
Olhava atentamente o tempo passar, sem muita pressa afinal o tempo não tem pressa de nada, faz tudo a sua vontade, as pessoas andavam na rua e algumas até acenavam a ela no degrau da entrada, enquanto o gato agora esticava-se ao sol, e de súbito ela pensa.

- Faz tempo.. tanto tempo que não o vejo... como ele esta? – levanta-se rapidamente e caminha ao telefone, “Qual é mesmo o numero?” pensa ela, mas os dedos cegos já digitaram metade do conjunto de números e os outros tantos ela desenha com os olhos umas 3 vezes antes de digitar...
Uma chamada... duas.... 3 vezes e em fim ,
- Alo
- ...
- AlOUU!
- oi... – Disse um tanto timida..
- Oi, nossa, quanto tempo hein?
- É acho que....
- Não... não nem importa, tempo é besteira.. mas como esta? A que devo o prazer de seu telefonema?
- Haaa deu Saudade... pensei em você hoje e quis ligar
- A que bom que ligou, fico feliz, trabalhando?
- Não, ainda não, só depois que terminar tudo que quero fazer nos estudos, sabe como sou.
- Sei, Mas e de resto? Como esta? Casou?
- Não, não casei, ... e você?
- Sim
Um raio corres sua espinha... ela segura um suspiro de desapontamento e diz com a voz disfarçando tristeza em meio a surpresa .
- Serio? Que bom, você sempre quis né?
- É, casei, semana passada.
- Serio? Taão pouco tempo
-Mas por que não casou? Você gostava tanto dele..
- Mas ele não... com tempo vi que não era o que eu queria, sabe... deixei o tempo passar e nem me dei conta das coisas...
-Tempo...é complicado isso.
- Poxa mas que bom que casou...de verdade... fico feliz
-Pode mentir pra mim, mas sei que não vai mentir pra você... esta surpresa né?
- Bem sim, e quem não ficaria? Saber que um grande amigo casou e nem te convidou ao casamento!?
- E como ficaria em saber que esse grande amigo, não teve coragem?
- Por que? Por que faltou coragem, nem tinha motivo né?
- Porque até 3 semanas antes eu ainda esperava você me ligar, ainda esperava você me dizer um oi, meio sem jeito, e me perguntar como eu estava, eu diria que estava noivo, e você me diria que estava com saudades, se poderíamos tomar um café, eu diria que sim, e lá olhando você e você me contando sobre sua vida que estava novamente solteira eu diria pra você que ainda te amo, e que se tu me sorrisse como antes eu Largaria tudo por você.
- Mas você estaria noivo...
- É eu ESTARIA até a hora de sua ligação...
- E o que seria diferente?
-A diferença esta que eu agora, tenho um laço que é pra sempre, você me conhece, casei e estou aprendendo a amar a ela a cada dia...
-E a me esqeucer...
-Eu não... mas você me esqueceu por todo esse tempo
-Eu pensei muito em você.
-Eu não deixei de pensar em você, quis te ligar, mas de que adiantaria? Você sempre me pareceu certa de tudo, eu fiz o que podia... esperei você me ligar
-E eu liguei
-Um pouco tarde agora...
-Você me disse uma vez que me esperaria pra sempre...
-“Se você não se atrasar demais, posso te esperar por toda a minha vida.” Oscar Wilde, foi o que eu disse.
-E eu me atrasei?
-Eu disse, SIM e você não se levantou no publico dizendo que tinha algo contra...
-... Você não me avisou que ia casar
-Teria feito diferença?
-Provavelmente sim
- ... uma duvida para uma certeza?
- E não foi sempre assim?

Caminho sem volta...

Caminho sem volta...
Weverson Garcia de oliveira
Já sentiu que teve um amor de verdade
já fechou os olhos e confiou, apenas confiou
Já teve a certeza de que era real, como o ar a sua volta
já se olhou no espelho e teve medo, mas mesmo assim pensou... “Eu agüento!” ?
É , você chegou no ponto sem volta, não tem como evitar
é a ponta de um iceberg, é o frio depois de queimar
é puxar o fôlego e mesmo assim faltar ar
é gritar bem alto, e mesmo assim ninguém te ouvir falar
Alguma vez você já se sentiu assim?

Já se odiou por ficar horas olhando o telefone, ou por ter ligado
quando não devia nem ter se importado?
ficou ali esperando o toque que te fizesse sentir que não esta sozinho
Já chorou só em sentir um toque suave do polegar?
é você chegou ao ponto sem volta, não tem como evitar
alguma vez você já se sentiu assim?
É o cair da areia da ampulheta, é o tempo que não contenta
é o primeiro passo de uma jornada, que não tem fim
é o suspiro antes do beijo, é desejo de nunca parar
é por a mão no fogo sem medo de se queimar...
alguma vez você já se sentiu assim?
É,um olhar solto, com os lábios de chocolate
uma frase suave, um chamar de anjo
chamando de anjo

Alguma vez você já desejou que a tarde não tivesse fim?
ou esperou que a noite fosse ainda melhor
é, você chegou no caminho sem volta, não tem como evitar
alguma vez você já sentiu como se o ar fosse embora e mesmo assim desejou ficar mais e mais!?
alguma vez você já se sentiu assim?
alguma vez já sentiu se assim perto de mim?
É eu já cruzei o caminho sem volta.. é só a ponta do iceberg...
eu espero o toque que me prove que eu não sou sozinho...
é... estou cruzando esse caminho sem volta...

alguma vez você já se sentiu assim?

sábado, 31 de julho de 2010

Gente Grande não se entende.

- Pai? – Disse a voz infantil sacudindo a perna do jovem que olhava atentamente pela janela, os cotovelos apoiados e o rosto ao vento..
- Opa, diga lá Campeão, o que foi? – Disse ele abaixando e olhando o pequeno garoto nos olhos, um sorriso fácil sempre cortava seu rosto quando ele via pequeno menino correndo ou então assim de braços unidos a frente do corpo segurando seu próprio rosto...
- Por que vovô diz que é errado dizer que o copo esta meio vazio? - O garoto disse isso inclinando a cabeça curiosamente, como quem espera ouvir uma resposta inteligente, diferente das “por que sim” que algumas “gente grande” costumam dizer a ele.
- Sabe filho, é uma boa pergunta, é que para muita gente dizer que algo esta “Meio vazio” é uma coisa ruim que a gente chama de Pessimismo, sabe, é como repetir que algo vai dar errado antes mesmo de começar a fazer, mas não é por que você já viu dar errado e sim por que você não “acredita” que possa dar certo... então se a gente diz que algo esta “meio vazio” ou “meio chato” estamos vendo o lado ruim, a chance ruim das coisas, poderíamos dizer que esta “meio cheio” e “estava quase bom” entende? Assim trazemos uma coisa boa ao invés de algo ruim entendeu?
- Entendi que Gente grande não se entende....
Ele parou, agora era o jovem que inclinava a cabeça e curioso para entender o que ele quis dizer com isso..
-Como assim filhão?
-A Pai, Gente grande que da nome a tudo, né?
-Sim, mas alguma coisas foram vocês que deram nomes.
-Humm... fala serio... é sempre alguém adulto que deu nome...
- Ta ok é sim foi sempre um adulto que deu o nome mas por que a gente não se entende.
-A, vocês dizem que é ... pe...perci...
-PE...SI...MIS...TA..- Disse lentamente para o filho entender a pronuncia.
- Pessimista, que não é legal dizer meio vazio, mas quando é em doce é Meio azedo, Meio amargo.. e logo doce que é tão bom... não da pra entender....
Dito isso o menino saiu correndo, e deixou ali um jovem de joelhos, próximo a janela... pensando com um sorriso ainda maior no rosto...
O menino tem razão... a gente.. GENTE GRANDE NÃO SE ENTENDE...
O jovem se levantou... correu atrás do filho e fazendo cócegas em sua barriga disse uma vez mais... Filhão eu te amo....
E ouviu dele entre as risadas eufóricas um também te amo pai...
E assim a tarde que estava quase boa... terminou perfeitamente perfeita...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Por do Sol

Não passavam das 17 horas e ela caminhava na areia, o sol já rumava para se esconder atrás do morro dos irmãos mas ainda aquecia suas costas, a sua frente o Arpoador e o vento soprando mexia em seus cabelos como ele costumava fazer, ela algumas vezes até fechou os olhos, e pode sentir os dedos dele sendo envoltos por seu cabelo e seu cachos... em outras tantas riu-se por dentro e deixou escapar um “vai embaraçar ele todo” seguido de um suspiro...
Nas mãos as sandálias não pesavam mais do que as lagrimas em seu rosto, ela nem devia chorar, mas chorava, e seu peito sufocava seus olhos com torrentes de lagrimas e lembranças. As nuvens se pintavam de dourado e lilais, comum nessa época do ano ao por do sol, mas ela mantinha os olhos fixos no arpoador... as rochas brilhavam quase como se fossem de ouro.. e a vegetação rala nas pequena colina era como um manto verde... suave... ela pode lembrar de uma vez, uma ligação no fim da tarde... e a voz embargada ele dizendo “estou aqui... mas sinto sua falta... tudo seria melhor se estivesse comigo” mas ela não podia estar...
Os pés afundavam na areia e em alguns momentos uma onda mais atrevida tocava sua canela, e ela poderia até jurar que eram os dedos dele tocando suavemente... e pode até sentir os seus dedos acariciando levemente seu joelho e depois um beijo... frio de um vendo de fim de tarde..

Apequena escada, a rampa.. a trilha e finalmente ela pode se sentar em uma rocha que parecia em muito com o abraço acolhedor dele... alguns casais se beijavam, outros conversavam sobre a vida, ela podia jurar ter ouvido alguém pedir alguém em casamento... mas talvez fosse o canto da gaivota, ou as ondas tocando as rochas a seu lado...

o sol agora era visto por trás das montanhas, lançando raios suaves de luz e deixando uma cor única... ela suspirou forte, e lembrou dos olhos dele, de como ele se punha a frente dela para falar, das coisas que dizia, dos cabelos negros dele e da primeira vez que ele disse “eu te amo” a ela...
Lembrou-se de que ele a descrevera depois como olhos assustadoramente lindos, mas ainda assim mais assustados que felizes ao ouvir... era cedo ela pensava... para ele... era hora...
Lembrou-se de tantas vezes que ao se declarar a ela ele deixava as lagrimas correrem no rosto não por dor ou por besteira infantil, mas por que era assim que deveria ser, um peito apaixonado, amando fala mais alto quando traz junto das verdade uma lagrima para lubrificar a vida....
Suas mãos apertaram forte um pequeno pedaço de papel, um guardanapo na verdade, e nele alguns desenhos e rabiscos... mas para ela era a lembrança de como tudo começou...
- Queria que estivesse aqui... – disse ela...e completou.... – Mas é impossível... você não pode...

Sua cabeça abaixou e o pequeno pedaço de papel foi levado pelo vento... ele se fora de vez... A rocha agora, como um ciclo liberava o calor materno e amoroso que o sol lhe dera durante o dia, ela agora... recolhia das lembranças o mesmo calor... porem... amanha a rocha teria novamente o sol... e ela... nunca mais o veria...
Com o vento nos cabelos, e o pequeno guardanapo flutuando como gaivota ele se lembrou, do gesto simples de dizer “adeus” das frases, das verdades... e principalmente se lembrou das tantas vezes que ele disse “te amo” depois da primeira...
Mas o sol se punha... e agora era noite pra ela... iluminada apenas pela luz da lua... refletindo as memórias de um sol.. e os pontinhos felizes... “minha estrela solitária” ... sorriu ela ao lembrar...
E depois... bem... depois era noite... e as lembranças sempre vivem nesta hora...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Preso em uma lembrança

Deitou-se novamente, De que adiantaria ficar de pé? Nada o fazia relaxar e o frio em sua barriga era agora uma lembrança o que antes ardia no peito... as costas ardendo como se gelo estivesse ali a horas..
A coberta da noite agora parecia uma manta de aço que o prendia a uma realidade que ele não queria, não adiantava lutar contra, o tempo não era seu aliado nem mesmo o destino parecia ser agradável a ele. De olhos abertos ou fechados a imagem suave dela percorriam os cantos de sua memória e ele, agora respirava lentamente tentando se manter nesse mundo... e não nos sonhos...
- Você bem que podia vir aqui me ajudar não é? - Um arrepio sobe por sua coluna, e inclinando a cabeça e olhando para o banheiro a imagem suave dela penteando os cabelos e alisando com sua chapinha... ele suspira e se levanta... parando a porta..
- Você sabe que não sei fazer isso...
-Mas seria bom aprender, pra não ficar reclamando que eu me atraso sempre..
-Eu esperaria você para sempre... sabe disso.. – Nesse instante ele percebe que falou algo diferente.
-Mas se você me ajudar a gente sai na metade do tempo sem duvida.
Ignorando suas lembranças deixa seu peito falar...
- Sabe, queria que estivesse aqui, muitas e muitas vezes imaginei as conversar que gostaria de ter com você, mas você não esta aqui... e nem falar com você eu consigo... não consigo ouvir sua voz, olhar seus olhos... afundar minha mão em seus cabelos... que mesmo você não concordando... são os cachos mais lindos que já tive o prazer de tocar... e esses pelinhos revoltos em sua nuca... me apaixonei por eles você sabe disso... já te disse inúmeras vezes... quando dormia a meu lado...
- Ta bom ao menos me passa o creme?
- Tu é linda sabia? E eu ainda te amo...
- Obrigado seu bobinho neurótico.
- Eu adorava quando me chamava assim...
-Vai ficar ai me olhando? Sem falar nada?
- Te amo
- Eu também te adoro...
Ela se vira... ele toca suavemente a nuca dela.. enquanto ela desaparece...
- É Pequena... eu te amo...
“eu também te adoro....” ele repete em sua mente...
E um fio de cabelo ruivo ainda brilha no pente...

sábado, 10 de julho de 2010

Sombras

Tarde, o sol estendia as sombras pelo chão, longas compridas as vezes até demais, as crianças brincavam em um parque ao alcance dos olhos do velho, e ele sentado nos degraus da entrada de sua casa observava calmamente as sombras crescerem mais e mais...
No colo dele um pequeno álbum de fotos, e na mente o desejo de fazer as sombras ficarem cada vez menor, cada vez mais próximas de sua origem... mas as sombras não paravam de crescer. E as crianças já eram chamadas a suas casas... e ele a folheava o velho álbum, uma ou outra criança passava por ele, e com um suave “boa noite vovô” acenava do outro lado da rua, ele sorrindo docilmente acenava de volta e retornava as fotos...
O céu ia escurecendo as luzes da rua acendendo assim como as estrelas, e ele ali ainda, olhando a rua vazia com as fotos nas mãos, e filmes na cabeça...
Já se iam muitos anos desde que ela faleceu, ele ainda se sentia um tanto culpado por isso, não pode nem ao menos sentar-se ao lado dela nos últimos momentos, nem dizer o quanto sentiria sua falta... ele longe impossibilitado de qualquer prova de afeto dizia apenas nos telefonemas, “melhore logo” ... e seria o bastante se ela tivesse melhorado..
Os olhos vermelhos dele eram o prelúdio de uma noite longa a frente da lareira, com cartas e fotos, e tantas lagrimas no rosto...
“Pensava que eu já estava seco, não tinha mais nada para chorar” pensou ele levantando-se e caminhando lentamente para dentro de casa enquanto as lagrimas corriam em seu rosto rugado.
A frente da velha lareira, ele praticamente relembrou todos os anos que viveram juntos, cada café da manhã, cada beijo no portão, cada sorriso, lagrima, vontade, felicidade, desejo, angustia e contentamento que tiveram juntos... mas foi uma foto, a ultima foto que ele viu na noite que o fez pensar mais ainda...
Ele suspendia a menina sobre a cabeça no fundo a frase de parabéns pra você o nome de sua filha, Ela, a filha sorrindo alegremente, os parentes ele olhava para o lado, e ali quase saindo do enquadramento da foto... ela... mandando um beijo, com um gesto quase mudo e uma mão no sobre o peito... ele lembrou-se que ela tinha os olhos vermelhos, era aniversário de sua filha, ele jovem e ela também... Mas por que ela chorava?
Virando a foto, viu em letras infantis. A data da foto e uma frase “Meu presente mais querido” e abaixo as letras inconfundíveis dela “ Nesse dia, minha filha ganhou o presente que ela me pediu o mês todo, e eu ganhei meus carinhos sonhados a tantos meses...”

De súbito seu peito gelou, e ele lembrou-se que ele não ia a sua casa a tempos por que estava preso em seu trabalho, e sua esposa dizia que sua filha pedia unicamente a presença de seu pai... sua cabeça pesou tanto... uma breve olhada para o relógio... e depois...
- Alô
-Filha...
-PAI.... Quanto tempo, que saudade..
-Eu também filha...
-Tudo bem com o senhor? Aconteceu algo?
-Não, nada, to bem sim, é que... hoje...
-Eu sei pai... também tava pensando nela..
-Como esta o garoto?
-Pai... vou levar ele ai para ver o senhor... ele esta pedindo pra ver o senhor o mês todo... e eu também...
A conversa se estendeu por mais alguns minutos, e ao desligar o telefone, a casa não parecia tão vazia e fria... e as lagrimas agora corriam ao encontro de um sorriso feliz de avô...pai... e mesmo não vendo.. ele sabia que ela também sorria...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Apenas mais um.

Ando sempre acompanhado, por vezes da saudade que me mostra sempre onde já andei e com quem vivi, me faz mergulhar nesse lago de lembranças e sair sempre seco... as vezes seco de mim mesmo.
Não me queixo da saudade, é saudável sentir saudades, assim sei sempre que estou vivo, e que vivi bem, ou ao menos tentei viver bem.
As vezes a saudade me deixa, apenas para ter saudade dela mesmo, e quem anda a meu lado é o desapego, essa sim uma companhia fria, até nos dias mais quentes, nada do que diga ou mostre a ela tem sentido ou valor aos olhos frios, só se sente bem quando sai de meu lado e vai caminhar com seu companheiro descaso.
Não gosto de andar com o Remorso, é áspero e sempre de mal humor, sempre criticando a outros, e negando a si mesmo a certeza de que se algo torna a morder é por que você ainda não se livrou dele, ou não quer se livrar, e ai a culpa é só sua, então teria um remorso seu mesmo? Para que o mal humor?
Eu confesso, as vezes as pessoas não me entendem quando chego, frio e olho bem lá dentro do peito, posso estar acompanhado de um ou dois desses meus amigos, mas eu ando também sem eles. Apenas comigo, a procura dele.
Eu ando sempre a procura do amor, esse rapaz não para quieto, sempre correndo e saltando, e tornando a queimar peitos alheios a ele mesmo, a paixão vem antes, sempre dizendo que ele esta por vir, poucas pessoas dão ouvidos a isso, e as vezes ignoram a paixão, e ai... acabam virando moradia do Remorso... é triste ver alguém assim.
A tristeza me visita as vezes, damos uma ou duas voltas na pracinha aqui de perto, e alimentamos a esperança que fica sempre ali... a quem quiser ver.
Mas o amor... esse menino atrevido nunca me deixa andar a seu lado... o Ódio já tentou ser meu amigo, andar comigo fazer uma dupla... mas confesso que não gostava muito de suas artimanhas calculistas prefiro andar desacompanhando.
Nem ela a dama de negro, a morte que anda por ai ceifando companheiros e vidas me quis a seu lado... ela apenas me disse. A morte nunca anda sozinha... já tenho meus 3 companheiros...
Quem sou eu? Bem eu sou apenas mais um... desses tantos sentimentos que por tantas vezes povoam os peitos de tantos homens e mulheres. Eu sou apenas a solidão...

domingo, 27 de junho de 2010

Pré Sentido sentimento

Não existe razão, é um pensamento solto mas é verdade, não existe razão para alguns acontecimentos...

Ele estaciona o carro na garagem, sentindo o frio agudo em sua barriga, as costas ardendo em calor, a velha sensação de que algo ruim esta para acontecer... ele fica ali sentado com as mãos no volante por alguns minutos antes de decidir sair do carro e subir o pequeno lance de escadas.

A nuca se arrepia, os olhos fechados e na mente o pensamento... o que é?.. com tempo uma imagem se forma... ela... sentada em um sofá, com uma das pernas dobrada sobre o sofá e a outra pisando o mesmo, abraçada a perna e de cabeça baixa, os cabelos lindos como sempre caindo sobre o rosto, e no rosto uma linha brilhante e triste... uma lagrima.
O nó se torna maior em sua garganta, o frio mais insuportável e as costas mais ardidas... nem mesmo o banho resolve...
Ele se senta no chão frio do Box e deixa que lagrimas corram por seu rosto, e se juntem as gotas quentes do chuveiro.
“Por que isso?” pensa ele... e antes de pensar a voz dele ecoa em seu ouvido, ela voz tensa, ele percebe e diz apenas um “conte comigo, estou aqui” uma frase dita muda entre outras...
Mas a pergunta se repete “por que isso?” ...
Ele se deita, puxa a coberta... e suando frio pensa...
“ Droga... tudo que já aqueceu um peito pode esfriar a barriga?”
O dia passa, e depois outro... e outro... e durante esses dias o frio se estende fixo em seu ventre...

No ele descobre... que sempre vai sentir isso... por que o frio é causado pela falta...
E toda falta gela o futuro mas apenas as lembranças aquecem o passado...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Borboleta

O jovem menino chega correndo, passa pela mãe, a passos avançados, os olhos maternos que sabem ler em linhas limpas, traduzem as passadas largas e pesadas como amarguras de adolescência, novo porem aos olhos da mãe foi o fato do jovem entra correndo trancar-se em seu quarto por alta a musica de sempre.
Duas batidas a porta, e ao abri um rosto pode ser visto, a mãe olha, ternura pura em seus olhos e vê deitado na cama de costas a porta o jovem, a mochila largada no chão, os sapatos quase que por sobre um do outro, o aparelho no volume alto, e os pés bambos do jovem sacudindo ao som do violão.
- O que aconteceu meu filho?
- Nada
-Nada é bem grave, já que te deixou assim. – Disse a mãe sentando-se ao lado dele na cama.
- Eu tenho pensado, existe mesmo um deus? Se existe onde ele esta? E por que permite que quem pouco cuida do que conquistou seja feliz enquanto quem se dispõem a cuidar é por vezes presenteado com lágrimas... as dele mesmo.
- Não tenho como te responder isso. Talvez ninguém tenha... essa talvez seja uma conversa sua com ele... – Dito isso a senhora deu um beijo suave na testa do adolescente e acrescentou – Mas com ele, meu filho, não existe um contrato feito, de que se agir de tal forma será feliz.
A porta se fecha as costas e o jovem se senta a cadeira, a mesa a frente e um pequeno lápis e inúmeras folhas de papel, ele vestindo-se de advogado escreve linha a linha um contrato, um acordo cordeal entre ele e deus...
“ Não importa se vai demorar um ou dois mundos, serei eu sempre esse que te fale, que sempre busca como foi dito meu velho avô ( viver as linhas certas de um mundo errado) que sempre busca dizer a verdade, e seguir os mandamentos mais validos, amar ao próximo como a ti mesmo, e ser verdadeiro a cada segundo, assumir as falhas, erros e culpas não se envergonar de seus erros, mas aprender com eles.
Mas em troca, na verdade não em troca mas se for justo e merecedor peço que se cumprir minhas tarefas de homem eu seja premiado com a companhia de uma jovem assim como eu, feliz e que saiba o valor de um amor, que reconheça as minhas virtudes e eu reconheça nela as virtudes dela, que seja bela não somente aos olhos do mundo, mas principalmente aos meus olhos, e que os seus seja para mim a verdadeira janela.
Que a gente se entenda sem dizer muito, e que ao nos encontrarmos o nosso mundo seja abalado e percebamos que era destino nos encontrarmos... e que assim seja, se eu for merecedor.”
O jovem em um canto da folha assina seu nome, e no outro lado um desenho, uma jovem, com uma flor na mão uma orquídea, ela sentada em uma pedra de baixo de uma arvore olhando por sobre os ombros, com olhos fortes e um sorriso largo e belo...
Dobrado o contrato, fechado em envelope e selado o jovem diz ao vento
- Se eu sei que sou assim e que vou sem duvida cometer erros em minha vida, mas como espero ter aprendido... assumir as conseqüências e agir sempre com respeito, espero encontrar essa pessoa, por que eu sou homem, humano, e hoje fiz um contrato com deus...
A carta foi posta em um baú, e na janela uma borboleta de asas azuis pousa suavemente....

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eternidade

Ele abriu os braços, e um largo sorriso a pequena criança correu sorrindo ainda mais em sua direção, ele sorria por ver a euforia infantil e a infante pessoa sorria por ver um rosto amigo, e sempre divertido.
O abraço longo o beijo suave no rosto rosado, a voz eufórica e os relatos intermináveis das descobertas da criança fizeram do dia dele se tornar mais aceitável, ao longe ela observa os dois, os carinhos os sorrisos a verdade sentida em cada risada da pequena criança.
- Ola, ela estava com saudades suas. Disse a jovem de cabelos em cachos negros.
- Oi, é ela me disse, eu também estava (disse ele sorrindo para a pequena), e você? Como esta? – Perguntou o jovem rapaz de olhos cansados.
- Estou bem... Tudo se acertando.
- Mesmo? Que bom, e a casa nova?
- Velha, mas tem espaço pra ela e isso é bom.
- Muito bom. – disse ele pegando a criança no colo e andando ao lado da jovem de cabelos negros – Faz tempo que não nos falamos, eu devo pedir desculpas, o trabalho os problemas e tudo que aconteceu. Desculpe minha ausência.
- Não me peça desculpas, ela sentiu mais do que eu.
- Mas ela já me desculpou, espero agora as suas desculpas.
- Não me peça isso.
-...

Os dois caminhavam pelo parque o sol suave na face. O vento fresco e a jovem menina correndo na grama com seu vestido branco com detalhes vinho era observado agora por 2 pares de olhos encantados com sua beleza e simplicidade, uma margarida... um pássaro e um gato que corria longe faziam ela sorrir e rir deliciosamente na tarde em que eles pouco se lembravam deles...
- Ela é muito inteligente, esses dias começou a me fazer perguntas... Me perguntou sobre os peixes, como eles respiram de baixo da água, e completou “Eles são espertos, não tem problemas com poeira”
- HAHAHA, a rinite dela né? Figurinha... linda... sabe, esses dias eu pensava nela, que antes dela nascer eu pensava que certas coisas são eternas, por que duram muito tempo, mas hoje... eu vejo que eterno é um segundo, um único segundo, um momento que se repete inúmeras vezes, infinitas vezes... até o fim dos tempos.
- E que segundo é esse?
- Tenho algumas memórias que são eternas pra mim, o primeiro encontro com você, o nascimento dela, seu sorriso quando ela apertava seu dedo, e quando ela me disse papai a primeira vez... essas lembranças não saem da minha tela de lembranças.
- Eu lembro dela correndo com o sorriso mais lindo que já vi, para seus braços e do calor que vi derramar deles para ela, hoje... acho que vou guardar isso pra sempre.
- ... Eu...
- O que? Fala – Perguntou ela com um sorriso suave no rosto.
- Eu ainda te amo, esse sentimento esta fixo nos segundos que te falei a pouco.
-Eu sei... pena as coisas não serem simples como um segundo não é mesmo?
- É as vezes a gente perde nossa hora... por alguns segundos...
-É acontece
- E ai passamos uma eternidade apenas lembrando de dois ou 3 segundos e deixamos de viver uma vida...

A tarde segue seu caminho, e eles se despedem, ele abraça e beija a testa da pequena menina, enquanto ela finge não sentir um nó se formar em sua garganta, a pequena menina deixa uma torrente de lagrimas correrem em seu rosto, e pede vez por vez que ele vá com ela.
- Eu não posso meu anjo, mas vou te ver em breve ta?Prometo.

As duas se afastam, os olhos vermelhos da pequena mantém os olhos dele fixos, ela abre a porta do carro, senta a criança e ai ele percebe que os olhos dela também estão vermelhos, e ele ali protegido pela distancia pode agora soltar o nó de seu peito e deixar as lagrimas lavarem e gravarem mais alguns segundos na eternidade...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ao entardecer

O dia já chegava ao fim e a sala se iluminava com um tom laranja, tornando ela quente, com os tons de madeira dos moveis e as cortinas vinho, a velha poltrona de encosto alto e o puff a frente era o lugar que ele mais gostava de ficar, a pequena mesa ao lado sustentava um ou dois copos, uma xícara de café e um livro ele apoiava a cabeça no encosto enquanto sentia-se aquecer pelo sol suave que batia em seus pés e pernas.
Mas a idade avançada, beirando seus 80 anos e as lembranças de sua vida eram como bolas de gelo em seu peito.. um livro aberto apoiado nas coxas os olhos perdidos no teto e na parede azul escuro, as memórias longe iam e demoravam a voltar... a escada para o segundo andar, e depois o sótão eram um convite, voltar a mexer no velho baú... rever, revirar e reviver os 3 R da sua vida...
Olhando o gato, quase tão velho quanto ele que se esticava nos sol que passava pela janela ele pois seus pensamentos em ordem e tomou coragem... subindo os lances de escada abrindo o baú revirando seu passado
Um pequeno lenço e no canto um tubo... um cilindro de papelão , a mão tremula toca o tubo e ao tirar ele do baú, um pedaço de papel enrolado sai suavemente por uma das extremidades. Um bilhete escrito a tempos atrás por ele mesmo... e uma gota de lagrima rescente...
“ Já faz muito tempo que te prometo isso, hoje aqui no meu trabalho tenho tempo de fazer, ele é único, ninguém tem igual e a cada centímetro dele estão centenas de (eu te amo) que quero te dizer, espero que goste e que esquente seu peito como tem aquecido o meu nessa distancia”
Dentro do tubo enrolado, um grande pedaço de papel e nele, centenas de pontos, milhares de pontos, se amontoam e formam o rosto dela, ela... nova cabelos ondulados olhos vividos e fortes, um sorriso contido... e talvez vendo os pontos, talvez por isso ele comece a se lembrar de cada um deles, de onde fez, e por que fez. E por que demorou tanto a entregar o desenho... ele, velho e cansado apóia a cabeça em uma mão, a outra inconscientemente acaricia o desenho como se isso fosse trazer o calor de sua pele... mas apenas o papel frio... e empoeirado.
Ajoelhado o velho senhor tenta colocar o desenho de volta a embalagem, mas... la dentro algo o impede. Uma outra folha de papel... um pequeno cartão... e nele...
“ Quando recebi esse desenho, meu querido, meu anjo estava longe de mim, trabalhava, lutava para conquistar tudo que sonhávamos e mesmo assim nos poucos momentos que tinha para descansar ele empunhava sua caneta e fazia a minha face em pontos, teria prova maior de amor? Lembro que ele traça meu rosto em qualquer canto de papel... mas esse eu nunca vou mostrar a ninguém, não por vergonha, não por egoísmo... mas porque cada vez que vejo um pontinho lembro dele e meu peito se aperta de saudades, é sem duvida o meu anjo”
Os olhos do velho se enchem, e se estão vermelhos talvez seja pelo calor de seu peito, um calor de saudades, mas um calor vindo inda mais forte das palavras de sua linda e querida que reconhecera mesmo que caladamente o seu amor... mesmo que poucas vezes tenham trocado essa verdade...
Ele desce... agora na parede azul um quadro de pontos em moldura de madeira e protegido por um vidro fino emoldura o rosto de sua amada... eternamente em infinitos pontos... em infinitos “eu te amo”...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Chuva

Ela caminhava de volta pra casa, seu dia não era dos melhores, a chuva fina encharcava suas bostas, o vento frio a deixava com uma aparência mais triste, o nariz vermelho, as bochechas rosadas, mas eram os olhos que mais se notava seu estado. Ela passou horas de seu dia sentada em uma cadeira vendo e revendo sua vida, pensando nas esquinas que virou quando poderia seguir seu caminho reto, ela saiba que se sua bota estava agora tão molhada e seu sobretudo encharcado pesava em seu corpo era por suas escolhas, e isso a fazia pensar no que deixou passar...
Ele sentado na cafeteria olhava a chuva molhando o vidro e as pessoas apressadas andando na calçada, todos com seus guarda chuva abertos e seus passos largos, e ele saboreava pesadamente o seu café, gole a gole ele pensava nas horas que passou pensando em ser alguém diferente, em tentando acertar uma ou duas vezes ao menos na vida... mas eram seus erros que ele mais lembrava... eram suas falhas que mais o assombrava.
O Outro entrava em um ônibus, alheio ao mundo sentando cansado no banco com o guarda chuva pingando a sua frente, as gotas se juntavam e formavam logo depois pequenos veios no chão metálico do ônibus, era certo que seu caminho iria ser longo até a casa, o transito lento deu a ele tempo suficiente para pensar na vida, e por vezes até deixar uma ou outra lagrima correr pelo rosto e juntar-se as gotas do guarda chuva, ele temia nunca mais poder sorrir, por culpa dele mesmo...
A outra voltava a casa, em seu carro novo, sem notar jogava água em pedestres, mas a cada sinal fechado ela perdia tempo de sua vida ouvindo musicas de radio e percebendo quão solitária era sua vida, nem mesmo os cães que ela comprava e cuidava como filhos lhe davam o que faltava... ao olhar para o lado viu um homem sozinho tomando café em uma cafeteria, ele sorvia o café como se ele fosse tão pesado como chumbo, e baixava a cabeça cansadamente depois de cada gole, “talvez ele seja mais solitário que eu”pensou ela... saindo mais uma vez do sinal vermelho.
O outro olha pela janela um carro no sinal uma motorista olhando a janela e dentro de uma cafeteria um homem toma penosamente sua ultima gota de café, ele olhando os dois, deixa escapar um sorriso e pensa.”tanta gente esta no lugar errado na hora certa... e eu na hora errada no lugar certo...” reclina a cabeça, apóia no banco e deixa uma ou duas culpas tornarem-se lagrimas.
Ela andando sem medo na calçada passa por uma cafeteria, esbarra em um homem que saia apressadamente da cafeteria arrumando seu casaco, desculpas sorrisos sem jeito, ela se vira e vê um homem em um ônibus com a cabeça reclinada deixando umas lagrimas escapar por seu rosto, ela da dois ou três passos para a rua, e um carro passando por ela joga água em suas botas já encharcadas...
“seria bom estar nesse ônibus... ao menos teria alguém que vive para poder conversar”
Todos chegam em casa, uns mais molhados que outros, uns mais cansados que outros, mas todos tem o mesmo pensamento em mente...
“seria bom ter alguém hoje.... seria bom te ELE, (a) para falar um pouco sobre nada... seria bom poder sentir de novo... “ a noite segue, as horas se passam e eles dormem sabendo que
Nada é como a gente gostaria... mas a gente não é obrigado a gostar de como é.

sábado, 12 de junho de 2010

pegadas.

É Tão Divertido quando a gente olha para os passos dados e nos alegramos de ter dado as topadas que demos. É tão bom olhar a ponta do sapato comida ou então o dedão do pé com band-adi´s grudados, pode parecer um pensamento masoquista, mas não é.
Na verdade la no fundo todo mundo sabe que a gente aprende com os erros, todo mundo sabe disso todo mudo entende isso, mas poucas pessoas aceitam isso com o peito aberto. Com o desejo mesmo que estranho de tentar de novo e mesmo que o dedo fique roxo e que as unhas fiquem no caminho... mas e daí? No fim da trilha a gente olha para trás e vendo todas pedras todas as topadas podemos dizer com orgulho, de verdade o orgulho nessa caso vale pena. Orgulho de dizer “Cara eu passei por tanta coisa, errei muito mesmo, e até reconheço agora erros que nem percebi na hora... mas cara... eu to aqui.. vivo, e feliz, feliz de ter topado com aquela pessoa, ou ter esbarrado com aquela situação, cara que bom que não fiquei com aquela farpa, ainda bem que encontrei naquela outra pessoa um rio de carinho e atenção, Nossa que maravilha que eu cai e tropecei com aquela outra pessoa, e que bom que me levantei apoiado nela mesmo... que bom que vivi tudo que tinha pra viver... e que bom que hoje eu acordei pra minha vida e posso dizer sem medo... mesmo com todos os erros que me auto infligi, mesmo com tanta coisa me pesando nos ombros na subida, e com aquela dor no joelho na descida, mesmo com tudo isso foi uma vida boa... toda topada toda dor que passei e senti me fizeram ser melhor, mais maduro mais adulto mais honesto mais verdadeiro, mais educado e amigo... até me ensinou a amar melhor... mesmo que amar já seja o melhor... “
Eu me alegro assumo, assumo que me alegro ao lembrar de cada lagrima despejada em noites solitárias, eu me alegro com todos os meu erros. Por que graças a eles eu acertei depois em outras coisas...
Me alegro de ser esse barbudo besta, romântico e tolo muitas vezes, me alegro mesmo de ter conhecido todos que conheci e só me arrependo de ter deixado de conhecer uns tantos outros que seria muito bom conhecer.
Não espero muito entendimento de meus textos, e sei que tenho erros de gramática e ortografia, mas me apego a uma máxima que diz “ se a mensagem for bem intencionada, pode ser escrita no vento” e é verdade, se for mesmo pode ser, por que quem quiser entender vai saber ler e entender...
Entenda que entender os erros não é aprender com eles, mas aprender com os erros é entender melhor os acertos.

domingo, 6 de junho de 2010

Monólogo da madrugada

O vento uivava nos galhos e ao longe parecia que alguém sentia mais frio que a noite, ele com a cabeça apoiada na vidraça da varanda, observava a calma e gélida noite. Seus pensamentos iam e vinham de um tempo distante a aquele exato momento em poucos segundos. Uma ou outra lagrima vez por outra vertiam de seus olhos escondendo os mananciais de lagrimas que ele teimava em manter ali, guardados e de olhos alheios.
A noite fria era sua única companhia, talvez se ele não tivesse tomando tão rapidamente o vinho, a noite passasse mais lentamente, mas a taça vazia e a garrafa seca eram sem duvida a prova de que ele fora apressado de mais... em tudo...
A mão busca a foto no bolso, e ela de braços abertos saltitando no caminho a frente, parece tão real que ele pode até sentir o calor do sol no rosto e o vento suave nos cabelos... e o perfume... o doce perfume dela...
Mas não... longe disso... ele fecha os olhos, esfrega as lagrimas, e sente o vento frio da noite, e seu peito vazio batendo insistentemente.
Ronronando em uma almofada perto da ali o gato se mantém aquecido enquanto ele olha com uma pergunta se formando, “Seria melhor esquecer?” ninguém sabe. E quem poderia saber? O relógio continua em suas voltas tediosas e ele em sua vida sinonimamente escrita.
“Maldita sorte”, pensa ele, “Que destino tresloucado me obriga a viver uma vida visando um futuro com a mente presa em um passado? É de certo seria melhor esquecer...” suspira ele sentando-se na poltrona velha que range como ele range os dentes... “seria esse o carma de um homem com eu?” passar a vida nas noites frias esquentando apenas com vinho, e ouvindo os gemidos de uma velha poltrona?... Maldita sorte !!” exclama inda mais uma vez antes de por os pés sobre a mesa de cento...
“Não... pensar em esquecer é tentar lembrar... como se fosse difícil, todo dia me vem a mente os olhos, a boca... toda hora me vem aos ouvidos as frases ditas quando nos embaralhávamos nas cobertas como carta de um tarô de cigana a ler o futuro... esquecer... talvez seja fácil tirar do pensamento, mas e tirar um sentimento? Seria igualmente oportuno?” liga a tv apenas como companhia e puxa a coberta fina por sobre o peito...
“Ridiculamente infantil... é essa vontade de pensar que pode se esquecer o inesquecível, e seria mesmo inesquecível? Todo mundo julga o ultimo amor o ULTIMO amor... O amor... e será que é mesmo O amor? Nem mesmo o tempo sabe... ninguém sabe... O TEMPO É O REMÉDIO DE TUDO, quem dera fosse verdade... se fosse assim nasceríamos doentes e morreríamos saudáveis... o tempo é a doença da alma... não foi a ganância, a mesquinheis, a usura e a guerra que puzeram fim a Roma... foi o tempo que se tinha vaga na época, foi o tempo que se gastou pensando ao invés de se fazer algo..”
O gato se alinhava em seu colo buscando dividir um pouco do calor, e de certo modo cedendo uma orelha ao monologo da madrugada...
“Pense comigo felino amigo... a cada segundo que se passa pensando, buscando uma resposta se chega a inúmeras outras perguntas e nessas voltas tortas e tontas de ponteiros, assim como ele, voltamos a mesma pergunta... feita em roupa nova, vale a pena? Se fosse de pensamentos curtos, me diria a velha frase do poeta... TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO FOR PEQUENA... e quem sabe o tamanho de uma alma? Se fosse valido assim, todas atitudes do mundo poderiam ser julgadas e perdoadas pelo tamanho da alma... mas na verdade, na mais pura e fria verdade, o que faz valer a pena não é a alma. E sim a vontade... e esta meu peito se transborda, em dúbias vontades em antagônicas formas de desejo, esquecer e seguir em frente. E lembrar e se fazer presente...
Seria essa a essência de um livre arbítrio? Mas uma vez digo... MALDITA SORTE, que sorte de vida é essa que me da o direito de escolher entre ir ou ficar, aquecer e sentir frio, em comer e minguar de fome... AH! Sorte louca sorte sem dente... sorte demente, sorte amarela... moribunda... por que não cala logo este jogo de vida? Por que não suprime a sublime vida? Seria... pecado?
Aos infernos o pecado... uma eternidade de danação seria menos dolorida que uma vida de lembranças ou esquecidas memórias? E se eu esquecer e viver, dia por dia e até me permitir ser feliz e na hora das badaladas finais de meu coração atrasado ou adiantadamente lembrar dos dias atuais e dos idos... e nessas lembranças lembrar de entes que foram e inda são queridos? Será que ao fechar os olhos vou me perguntar a pergunta sem sentido... E SE TIVESSE SIDO?
Mas não foi... é verdade não foi... por mais que eu tivesse me esforçado e em parte alcançado conseguido, mas a sorte de uma vida me deu as costas... me negou os lábios... antes tivesse me sorrido.
Largado o peito louco de uma verdade sem sentido... a ouvidos atentos da sorte, um gemido é um brado ao longe ouvido....mas me responde felino amigo...falávamos de que mesmo? Não que tenha esquecido, mas pra que lembrar de sombra fraca do que deveria ter sido.”
Acaricia ele o gato que se estica em seu colo como que se tivesse entendido, e olhando nos olhos do rapaz faz a única coisa que lhe era cabido...
Mia, se levanta e sai a andar com o rabo erguido...

domingo, 30 de maio de 2010

sem motivos...

Certa tarde ele abriu os olhos, e de sobre salto sentou-se na cama, como tantas verdades poderiam ter passado despercebidas por seus olhos,como ele poderia viver tanto tempo sem isso como ele poderia aceitar uma verdade menor que essa que ele descobrira agora, deitado na cama de olhos fechados ouvindo o som da rua...
Levantou-se ainda mais de sobre salto, e correu quase tropeçando em seus chinelos, correu ao telefone, e os 10 digitos foram tão rapidamente digitados que ele mesmo não percebeu se tinha feio a combinação certa... toca uma duas 3 vezes a voz caudalosa e saudosa o atende um “alô” suave ele já sorri e antes mesmo de dizer qualquer coisa diz... “obrigado”
No outro lado a sua mãe responde um “por que?” inda mais digno de lagrimas nos olhos de qualquer ser que possua um coração, e ele jovem aperta o telefone com quem abraça um ente querido e apenas diz.
Obrigado por ter me dado uma coisa simples, uma vontade louca de ser melhor..
Ela, depois de um longo, mas... mas.. pergunta.. “E o que eu tenho disso?, o que fiz que te deu essa vontade?”
Me mostrou que se esforçar na vida é o que vale se curvar e aceitar uma culpa não é pecado, sorrir quando te apontam por qualquer motivo é mostrar que não se importa, mas depois tentar sempre fazer que te mirem na rua por bons motivos, em fim... me ensinou a ser humano, no sentido maior da palavra.
Do outro lado, a voz já suspirou lentamente, e com a voz embargada disse
“e quando é que eu vou poder dizer obrigado?”
“e por que faria isso?” perguntou ele.
Por que mesmo eu não acreditando que mereça seu agradecimento eu vejo que tenho um filho HOMEM no sentido completo da palavra..
O telefone é posto no gancho depois de algum tempo e cada um em sua cidade senta em sua cadeira entendem que a maior verdade do mundo é...
“ninguém seria quem é se quem veio antes não fosse quem eles foram”
Exemplos muitas vezes são dados as ruas mostrados em telas, mas poucos são seguidos, poucos são os exemplos que valem a pena ser seguidos.
Nós, você eu e todo mundo que vive se depara com cenas de falta de respeito em novelas, traição, falsidade e mentiras mas poucas vezes nós olhamos para o passado e vemos em nossos pais alguém pessoas que são exemplos, ok ok.. existem pais que não são exemplos de nada, mas e os bons?
Eu sempre admirei uma boa mãe, e um bom pai. Mesmo quando não eram os meus, sempre vi atitudes que são dignas de serem admiradas.
Mas quando despertamos para as simples atitudes familiares que são confiança e respeito a gente descobre que isso é a base de um bom ser humano.
Então, hoje, sem motivo algum, sem ser dia de pai, dia de mãe, dia de sogra, namorada,esposa, filha ou o que seja eu gostaria de desejar aos pais, mães, filhos e filhas, meus parabéns. E meu desejo de que sejam sempre motivos de orgulho, tanto para os que vieram antes, como para os que vão vir depois.

terça-feira, 25 de maio de 2010

estou fazendo a coisa certa?!?

Ele acordou novamente assustado, não com os sonhos antigos, ou pesadelos novos, mas com um receio de que poderia estar cometendo um erro, talvez na mesma hora em outro canto da cidade ela penteava seus cabelos e se preparava para seu dia de momentos repetidos como o dele também é, ela talvez mantinha a vida em seus planos, sem muito o alterado mas ele... agora em frente ao espelho arregalava os olhos... e esfregava forte e repetidas vezes...
“Será que estou fazendo a coisa certa?”

Ela tomava seu café reduzido e ele um banho rápido, mas para espantar os pensamentos da noite que qualquer outra coisa, no radio uma musica antiga tocando e ele com a cabeça enfiada no jato do chuveiro pensava
“será que estou fazendo a coisa certa?”

Ela entrava no ônibus e seguia seu caminho, talvez com a cabeça apoiada na janela tentando não pensar no dia, e ele apoiado na pia olhando seu rosto molhado continuava a se repetir a mesma pergunta.. e a resposta era sempre o medo...
Mas medo de que? Ele já era um homem maduro, velho, com seus fios brancos como troféus orgulhosos de cada ano vivido, mas ela... ele tinha medo de fazer a ela algum mal, ferir de qualquer forma um peito novo... e isso ele nunca desejou fazer.
Sentado no ultimo banco do ônibus ele via todos os passageiros entrarem e saírem e sempre se perguntava a mesma coisa. “será que estou fazendo a coisa certa?” a certo momento levantou-se puxou a corda a porta se abriu e ele desceu...
Não era o ponto... tinha descido antes, o que o fez andar umas 2 ou 3 quadras a pé e sozinho... foi ai que ele sorriu... olhou para os lados e pensou...
“estou fazendo a coisa certa!?!” afinal ele pode continuar seguir o caminho andando com os passageiros do ônibus ou pode saltar e seguir a pé e sozinho até o próximo ponto... mas ele deve sempre seguir o caminho certo... “o melhor caminho é o caminho certo”... lembrou do seu velho pai dizendo...
A Gente nunca sabe se esta fazendo a coisa certa com a gente e sempre teme esta fazendo a cosia errada com outra pessoa, temos medos de magoar e muitas vezes até desiludir alguém, não que tenhamos criado uma ilusão mas por que deixamos alguém criar essa e as vezes quando mostramos a essa pessoa essa ilusão somos nós que saímos culpados por tal ato... e de certa forma somos.
Viver, nunca é e nunca vai ser fácil, é de fato um ato complicado, já que viver sozinho pode parecer fácil, caminhar umas 2 ou 3 quadras sozinho pode parecer acolhedoramente seguro, mas como no ônibus qualquer um pode escolher saltar a hora que quiser, e seguir o caminho que quiser.. basta deixar a cordinha ao alcance de todos...
Espero que todos os passageiros dessa lotação possam escolher e saibam escolher o melhor momento de saltar dela.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

hora certa

Chovia, uma garoa fina e constante a marquise servia como proteção mas ridiculamente insuficiente, a calça de jeans e as botas pesavam com o tempo exposta a constante chuva... isso a fazia pensar que tanto intensidade ou tempo são dispares mas ao mesmo tempo tem o mesmo resultado.

O cigarro no canto de boca o fazia lembrar do vicio que gostaria de largar, mas o vicio maior o fazia ficar ali, com as botas molhadas e a calça encharcada em frente a uma janela que não se abria a tempos... os carros passavam alheios a sua presença e a cada tragada do cigarro ele mesmo ia se esquecendo de sua existência... e o frio de fora ia se equiparando ao frio do peito.
Aos poucos as luzes foram se acendendo, e a cortina se abrindo, ele pode ver os contornos dela antes que ela percebesse ele do outro lado da rua, ele apagava o cigarro na sola da bota e com passos decididos atravessava a rua, agora a chuva pouco importava.
Ela por sua vez calçou seus chinelos pegou um casaco e desceu os 3 lances de escada... chegando a porta antes que ele tocasse a campainha e como um gato saltando sobre o rato lançou-lhe a fatídica pergunta.
- O que faz aqui?
- Precisava te dizer uma coisa. – Disse ele mais de conta partida e com olhar baixo.
-Ta, então diz logo, sabe muito bem que não quero que venha aqui.
- Estou indo embora.
-Como? Não entendi.
-Eu estou indo embora, vou sair da cidade, na verdade vou sair do pais.
- ... E daí!? ... o que tenho eu com isso? – Disse ela com a voz iniciando um tom de receios
- Na verdade nada, estou cuidando de mim mas precisava te dizer isso. Precisava olhar uma ultima vez nos seus olhos e dizer isso... e tentar notar neles se o que me diz agora é realmente verdade...- disse ele levantando o rosto e a olhando fundo nos olhos.. – Eu to indo embora...
- ...
- É estranho mas percebo que mesmo dizendo e fingindo uma postura de pouca importância a esse fato, você se incomoda com o mesmo.
-Me incomodo com o que?
- Com eu sair... ainda mais de sua vida.
-Não me incomoda... disse ela segurando seu cotovelo e mexendo com o pé
-Não? Te conheço a tanto tempo que sei bem quando se incomoda... e esta assustada.
-Sim admito que sim, esta indo para longe como quem foge de alguma coisa. E existe algo para fugir? Eu acho que não.
-Sim existe.
-O que?
- Fujo de você...
- De mim?
- Sim, se aqui do pensamento eu não consigo te tirar... quem sabe te tirando dos olhos eu te consiga não pensar tanto em uma coisa que sempre quis te dizer mas nunca achei que fosse a hora certa...
-... e o que seria?
- Não é a hora... de que adianta te dizer agora...
-... nada... ou quem sabe... tudo...
-Lembra do dia em que te levei para o corcovado? Estava uma tarde fria, um pouco parecida com essa, só que não chovia, você me olhou nos olhos e me perguntou “ por que me trouxe aqui em um dia nublado?” bem eu tinha pensado em te dizer um monte de coisas mas seu jeito, e como parecia distante aquele dia me fizeram segurar...
- Me dizer o que?
- Dizer o quanto penso em você, todos os dias, como teu sorriso ilumina mesmo sendo um dia de chuva, como você estava linda com os cabelos soltos, mesmo aquela mecha que teimava em cair sobre seus olhos, e como eu gostaria que aquele dia fosse longo o suficiente para poder dizer tudo que sentia... e principalmente para te fazer uma pergunta.
- Que pergunta homem? Tu me perguntava tanta coisa, aliais repetia as mesmas perguntas sempre...
- essa eu nunca tinha feito... ia te perguntar... “ quer casar comigo?”...
- ...
- Mas a verdade é que mesmo que eu tivesse te perguntado ali, ou no jantar uma semana depois, ou no dia de seu aniversário, na festa de fim de ano, no dia da briga que tivemos, no nosso aniversario de namoro, não importa... não importaria o dia que eu escolhesse nunca seria a hora certa..
-Por que você não perguntou?
-Adiantaria?
-Acho que sim...
- Quer casar comigo?
-...

Na verdade nunca se soube se era ou não a hora certa, e se adiantou ou não ter perguntado, não existiam testemunhas, ninguém viu a porta se fechar, ou o jovem virar as costas, ninguém ouvi uma resposta ou presenciou um beijo... a grande verdade é que a chuva continuou a cair o dia todo, e que em algum lugar alguém pediu alguém em casamento... e lá era a hora certa...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Era uma vez.

Ele estava ali, novamente, de fronte ao seu terrível mal, e não era nem um grande monstro ou um maléfico homem, era apenas uma folha em branco. Uma simples folha em branco o fazia tremer, e temer, em suas costas as ondas de arrepio se seguiam e em sua mente um turbilhão de idéias...
E era esse seu medo... se perder nesse emaranhado de idéias e assim perder todas elas, ecoavam ainda em seus ouvidos as frases ditas tantas vezes por seu mestre em redigir, “ organização de idéias é a chave para um bom conto” mas ele se perdia, ele por si só ocupava dois lugares, era leitor e redator.
E como redator criava as cenas, imaginava muitas vezes até fotograficamente seus textos, e a cada canto um detalhe pessoal ou singular punha, mas como leitor, se encantava com esse mundo, e sempre pedindo mais e mais, punha o leitor em sinuca de bico...
Escrever para ele ou escrever para o mundo?
Duvidas e junto com as duvidas a mão tremia, e a caneta traçava círculos ou então batia ritmada mente apressado no papel. Os olhos se fecham, como um cantor buscando ar para começar a próxima estrofe e verso da musica, então o estalido.
Os olhos se abrem, e as linhas vão brotando, frase após frase, crase, acento, aposto, metonímias e aliterações, e junto com todas as ferramentas e trejeitos vem um texto, um sorriso e um conto...
Ele, sentado em sua escrivaninha, cumprindo com seu dever escolar, também cumpria com sua vontade única, seu desejo mais intimo de criar um mundo.
Ele, ali escrevendo as 100 linhas pedidas contava não como fora suas férias , ele contava um conto do mundo que mais visitava, das idéias que mais se repetiam.
Ele, ali caneta, abajur, folha pautada e já no meio das 50 linhas escrevia sobre coragem, vontade, bravura e amor.
Este pequeno menino que batia a caneta no papel buscando uma idéia coesa, reta, e pronta. Agora criava seus contos de cavaleiros e dragões.. esse menino nunca deixou de ser menino...
E hoje velho, sentado a frente de uma tela branca se lembra saudoso dos dias de menino em que escrevia contos, em um mundo em que era muito fácil ser bom, honesto e justo...
Bastava ter uma espada, uma armadura e coragem para enfrentar os desafios de frente...
Como ele enfrentou a folha ontem e a tela hoje.
Quem sabe um dia eu poste aqui os contos de “ Era uma vez” escritos por ele..
Quem sabe assim volte a ser eu também uma criança e enfrente mais facilmente esse mundo de sombras.
Mas por hoje...deixo apenas uma frase... e peço que deixe ela brotar em sua mente o que quiser...
Era uma vez...

sábado, 8 de maio de 2010

evolução da mulher...

Minha homenagem as mães vai do meu jeito, da forma como costumo falar com amigos e amigas.
Na base da piada...
Mãe é a junção maior elevada de todas as neuras da mulher, serio de verdade, pensa comigo, mulher tem a fama de ser louca... e que mãe que não é? Toda mãe acha o filho lindo, mesmo ele sendo visivelmente uma mistura desforme de Quasimodo com o Sasquash. Mulher é inconstante, uma hora esta toda feliz saltitante e comendo chocolates e depois, geralmente enquanto esta vestindo a calça jeans que acabou de comprar, chorando dizendo que esta gorda.
E mãe? É a inconstância em pessoa, diz que tem que estudar, e quando tu fica estudando diz que tu tem que sair mais viver a vida, quando sai e volta noite apois noite com uma mulher diferente, ela enlouquece... T.P.M - TENSÃO PRA MÃE...
Mulher, quando você chega em casa, bêbado ela te deixa quebrar a casa toda no dia seguinte te olha com aquela cara de puta, e diz... “bonito né?” Já a sua mãe, te diz “bonito né?” quando você chega bêbado, te da um banho gelado um cha de boldo e no dia seguinte ta rindo com você...
É talvez a mãe não seja o lado ruim da mulher... talvez seja a evolução da mulher, como Pokémon, ela nasce menina, cresce vira garotinha, depois mulher... e ai vira a maravilhosa MÃE QUE TODO MUNDO QUER TER. afinal
A sua mãe é ou não é a pior e melhor mãe do mundo?
Beijo a todas as mães. E a minha um ainda maior beijo
Elzorumãe... evolução pokemonica de mulher... a maior.

terça-feira, 27 de abril de 2010

4EVER

De olhos fechados ele aperta os braços contra o peito a dor é grande e dos olhos correm lagrimas, se torna cada vez mais difícil abrir os olhos e voltar a ver as coisas a sua volta, vez por vez, uma atrás da outra as ondas de dor, e frio o fazem fechar mais e mais os olhos, suas unhas já marcam a pele, e seus dentes já arrancam sangue dos lábios.
Mas ele sabe que nada é para sempre...
Quando era mais novo acreditava no eterno, em coisas que eram feitas para serem indivisíveis, indestrutíveis, como diamantes e átomos mas hoje a ciência já provou que átomos podem ser partidos e diamantes não são eternos... nada é.
Quando criança ouvi certa vez seu avo dizer que amor, o verdadeiro amor era como uma jóia, um diamante único, mas tarde disse isso a uma amiga, e depois a uma paixão, mas diamantes não são eternos, e nem os átomos são indivisíveis, a amiga se foi e a paixão se desfez.
Abraçando a sim mesmo, com olhos vermelhos mas com a face ardida pelas lagrimas salgadas, ele não abre os olhos e se mantém ali, olhos fechados, dedos cravados em seus braços, respiração densa...
Mas nada é para sempre e na manhã seguinte, ao acordar, as marcas nos braços e o lábio cortado, são as únicas coisas que sobraram do dia que passou. Nem magoa, nem tristeza nem rancor... apenas uma marca, talvez a única que o tempo, nem os cientistas possam destruir ou dividir.
Uma marca que vai durar para sempre.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

AI ai

- Não te entendo, juro que não te entendo... – disse ela de costas a ele sentada na beira da cama.
- Como assim não me entende?
Ela olha por sobre o ombro e fala suavemente.
- A tempos a gente se conhece e sai, a mais tempo ainda você vem me procurando me fazendo acreditar em coisa que eu não queria mais acreditar, me faz voltar a olhar as coisas como novidade, mas depois de eu te dizer o que sinto tu só me diz... “ai”... como se te tivesse causado uma dor, uma terrível dor, como se fosse ruim que eu te diga que te amo, que te quero... e que preciso de você.
- Mas..
-Não tem mais, passamos o dia juntos, depois de tanto tempo, de tantas falhas, de tantas farpas e ferimentos, dos dois lados, e ai eu volto a te ver como via antes, volto a me entregar e quando eu me abro pra você... quando eu solto tudo que sinto, tudo que mais me é importante... você geme, gemeu apenas e não disse nada alem disso... nada alem de um ai.. mas me diz eu te causo dor? Eu te faço mal, por que se faço me larga vai viver tua vida, vai ser feliz, me esquece... eu não sei se vou te esquecer mas ao menos vou vivendo também...
- Olha, - disse ele em tom solene – A gente tende a analisar as coisas com base em uma pequena parte da vida que a gente conhece, um pouco do que lemos, ou um tanto do que ouvimos por ai. Ai tiramos nossas conclusões, eu não disse apenas “ai” eu disse Tu é meu “ai”...
- E o que ISSO quer dizer?
- Se eu te falasse “Je t'aime” tu ia sorrir e me abraçar e morder, se falasse em ingles tu ia sorrir e fazer o mesmo ou alemão , não importa... mas eu disse “Aishiteru” ou melhor disse AI..
- O que é isso?
- Sabe, quando a gente ama a gente sente um monte de coisas, muita gente descreve como fogo que queima, como um ardor, como uma dor, quem ama fica susipirando pelos cantos, e quando ve a pessoa que ama diz “ AI AI” em suspiros... e sabe o que é mais incrivél? Os japoneses, eles entendem bem disso e para eles AMOR é AI...
- AI...
- É linda... eu também te amo...tanto que não sei dizer outra coisa a não ser AI... ai... ai...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CotidiANO

O som repetido e estridente o faz voltar a realidade, as horas de sono serviam mais como anestésico do que como conforto e descanso, ele se levanta lentamente, olhos semicerrados, e se estivesse acompanhado poderia ser descrito como um zumbi matinal.
O dedo mínimo buscou masoquistamente a quina da cama, e mesmo assim aos gritos ele não perdeu sua postura matinal, cabelos desgrenhados, olhos agora um pouco mais fechados pela dor, e andar manco e curvado, a mão no rosto, a face desleixada e áspera pela barba por fazer a sua volta o de sempre, a toalha, a escova, pasta o copo plástico portando a escova e a pasta e a pia...
Ele se olha no espelho e como de costume se da bom dia, a mão busca cegamente e instintivamente o registro do chuveiro e logo após mede a temperatura da água. Liga o radio ouvindo as informações matinais de transito e se espanta ao saber que tanta coisa já aconteceu... e nem são 7 horas da manhã...
O banho é como um ritual, dogmático e como se houvesse um script a ser seguido, cabeça, tronco membros, sola, entre os dedos... sempre assim sempre nessa ordem, se fosse gravado seria repetido diariamente e ninguém saberia dizer se estava em looping ou não.
Depois, secar-se era a mesma ação que o banho, uma linha continua e repetitiva de fatos e atos, vez por outra coroadas com um arregalar de olhos e reparando em um roxo ou dedo mínimo dolorido...
O café, na xícara, o pão com manteiga no prato, o radio desligado e a TV fazendo as vezes da mãe que pela manhã não se cala...
Olhando aos lados, a casa vazia, retratos antigos em molduras novas, contas pagas e novas contas chegando... tudo se repete... um dia depois do outro...
Ele se levanta, volta ao espelho, escovando os dentes se olha e diz
“ E você pensou que morreria sem ela hein?”
É... pois é... mesmo assim ele continua vivendo um dia depois do outro...