Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Acordes...

Sentando em um canto, vendo o escuro de seu lar a sua volta, e a seu lado apenas as 6 cordas de um violão e seu corpo duro e oco. Deitando o corpo em seu colo como quem deita uma mulher amada ele, solitário em sua essência dedilha levemente sua canção favorita.
E com tempo a musica toma conta de todos cantos de seu lar, e a escuridão vai tornado-se menor, e menor, e vê que não esta mais tão sozinho, e se estivesse não seria tão errado... ele é sua melhor companhia, e mesmo nas horas em que sua força se vai, e ele fica segue seus joelhos ao chão, ele sabe percebe que não esta tão sozinho, não ele não é mais uma criança abandonada...
Tocando seu violão como quem toca uma amante, ele encontra o som perfeito, aquele que coloca um sorriso em seu rosto, e sorri ali, mesmo sozinho ele sorri, e deixa sua boca se abrir e mesmo assim com a voz embargada canta e se embala em uma canção... quem sabe a sua favorita...
La fora o mundo alheio a sua canção dança silenciosamente e se embala em seu ritmo e ele fragilizado ou não, sentado no chão cantarola sua canção favorita e sabe que não esta mais sozinho ele tem os doces acordes de sua canção favorita.
A porta fechada os pedaços de papel rasgado a pouco a sua volta, trabalhos de meses largados como ele se sentiu antes, mas ele percebe que nada disso importa, e isso nem é muito importante... ele agora esta cantarolando sua canção favorita...
O solo mais logo do que o de costume, as notas mais suaves do que o esperando e ele cantarolando, sua canção favorita se da conta que a noite esta indo, talvez já na metade e ele continua ali, cantando e dedilhando sua canção favorita... e por fim.. com o sol inundando o ambiente ele sorri sentindo o abraço quente de mais um dia e não se sente cansado ou solitário...
No banho com o sol se tornando cada vez mais forte, ele sorri e sabe que não esta sozinho... mesmo não tendo ninguém a seu lado, e tendo apenas ele mesmo em seu peito, ele continua a cantarolar a sua canção favorita...
Indo a suas obrigações diárias e seus afazeres enfadonhos ele continua a cantarolar para ele mesmo a sua canção favorita..
E ao se deitar, finalmente cansado e feliz ele pensa...que mesmo sozinho, mesmo sem ninguém ele nunca esta sozinho... e sem misticismos ou crenças ele fecha os olhos... e em seus sonhos. Ele canta e dança a sua canção favorita.

segunda-feira, 29 de março de 2010

poeta? que nada sou verdadeiro

Poesia algumas pessoas tendem a complicar poesia. Tendem a gastar horas em busca de uma rima e uma métrica justa e certa, e de certo academicamente isso é perfeito, e digno de respeito mas cair em clichês é o fim de um poeta ou alguém dedicado ao romance.
Algumas vezes vemos poemas com métrica esmerada e estudada a cada silaba, o que de fato é um trabalho longo, mas ao perceber os clichês utilizados pelo poeta, perde o poder, perde a força.
Quantos poetas já comparavam o sorriso a estrelas ou lua? Quantos já derramaram mares de lagrimas? Quantos já se puseram eternamente em clausura? Tantos que as rimas se tornam previsíveis. E os temas inda mais monótonos.
Vejo, vez por outra um esforço profundo de um aventureiro ao romance em ser galanteador mas por fim torna-se previsível e fadado a mesmice.
Então, sem ter a pretensão de ser um mestre ou o portador da verdade, eu deixo aqui umas dicas, umas formas de dizer o que quer dizer com a poesia da verdade. Sem buscar palavras que sejam belas separadamente, mas que as simples juntas formem a verdade que cabe ser dita.
Comparações devem ser feitas de modo pessoal, nunca diga, que o sorriso dela é tão belo quando a lua e as estrelas. Ela pode não achar belo o que você acha. Comente, e diga o que ele causa em você
Neruda tem um poema sobre o riso “ Teu Riso “ que é a máxima da simplicidade. Nos versos ele diz que pode ser privado do pão, da água mas nunca do riso dela. Posto assim o riso toma a importância maior, e sem comparação a nada.
Ao falar de seus sentimentos não quantifique, não diga sinto por você, ... mais do que grãos de areia do deserto ou gotas de um mar. Ou estrelas no céu, sentimentos são sentidos e não podem ser quantificados, diga apenas como se sente, ao falar de amor Camões disse que “ é o fogo que queima, a ferida que doi é não se sente, é estar contente em descontente. É se por como escravo por vontade” e novamente sem comparar, apenas dizendo o que sente foi poético sem ser previsível.
Se quiser falar do que sente ao vela, não busque objetos ou similares, os parnasinistas certa vez comparam os dedos de uma mulher a castiçais, delgados e longos.. seria isso um elogio? Será que a dama em cena gostou de ser comparada a isso? E será que ele gostava dos dedos dela? Ok se quer falar diga algo leve... sem comparar.
E por ultimo seja você, de que vale decorar padrões e formas de dizer algo que tudo que sair de sua boca ou da ponta de seus dedos for de outros? Ou comum? Até o comum é mais perdoável do que utilizar de métricas rimas e frases alheias a tua verdade. Tente de verdade despir-se da vergonha de dizer o que sente de verdade. Se sente falta diga se sente raiva grite, se for amor... ame... o mundo é feito em sua maior parte de sentimentos a serem sentidos. O vento o calor, a raiva, o ardor de uma mágoa, a dor aguda de uma traição, o corte fundo de uma separação ou privação, e transformar em poesia pessoal o dia a dia é o que te faz de fato um poeta. Dizer ao mundo como vê o mundo é o que te faz artista, por que o mundo já esta cansado de se ver com seus próprios olhos.
A verdade é negada
(Weverson Garcia )
A quem cabe dizer uma verdade? A mim? Loucura
Não cabe a ninguém a verdade, incabível de ser vista
a verdade não tem tamanho e cega a quem procura
Assim como mulher do mundo, a verdade não se conquista
Toda verdade, em verdade, é uma mentira bem contada
vale ver isso por completo em uma noite maldita
aos olhos enciumados de uma bem amada
Que mesmo dizendo a verdade, fica sempre uma mentira dita.
Aos ouvidos enamorados, seja a verdade como espinho a pé descalço
espeta, diz que existe, e como verdade até magoa com todo ardil
mas ouvidos enamorados, as sombras da verdade vão a encalços
e ali na escuridão da não existência, criam uma verdade débil
A verdade negada, de sua verdade ser contada
vestida de mentira em carnaval de alma
que de dor mais parece alma torturada
não se senta, nem se tranqüiliza ou acalma
A verdade negada, é como uma mentira bem contada
pode até calar o peito que se veste de inquisidor na cruzada
de desmascarar uma verdade de mentira mascarada
e no fim é só uma verdade, negada e mais nada
Uma verdade escondida, pelo peito torturado
de um peito torturador, em prantos e dores afogado
é só uma verdade de um peito enamorado
que não acredita na verdade dita pelo peito torturado.

sábado, 27 de março de 2010

Desacreditando.

Diga, Somos humanos? Diga por favor, de forma clara somos realmente seres racionais?
Nos dias de hoje eu tenho duvidas, de verdade, me falta uma certeza de que somos realmente seres dignos de serem chamados racionais e que podem viver bem em sociedades. E o motivo é a meus olhos os mais tensos possíveis, os mais pesados os mais hediondos. Pai soltando filhas por janelas, mulheres esganando crianças, e voltando alguns anos, crianças postas em sacos de lixo e soltas em rios... onde mora a humanidade em uma alma assim?
Quando era criança e me machucava ou me assustava só encontrava abrigo e proteção nas braços de meu pai e minha mãe, eram nas mãos cuidadosas deles que encontrava conforto e hoje? Seria assim com os Pais Nardoni? Não... nunca.
Seria A Madrasta a personificação dos contos infantis? Seria que toda madrasta é má? Não, não posso julgar todas por um exemplar torto de caráter e mentalmente desequilibrada, a falsidade de um caráter posto em rede nacional em um programa de TV de domingo, com tantos erros de ensaios de discurso emocionais que era visivelmente ali a culpa dos dois.
Eu realmente perdi a esperança no ser humano, agredir e privar de uma vida um criança? Bem, tantas outras são privadas de uma vida não por pais, ou madrasta, mas por ocultação por assim dizer de ações de nossa parte, crianças violentadas, direitos mais violentados ainda... e tanta gente, se é que se pode se dar esse nome a pessoas que passam cegas a tantas “isabelas “ pelas esquinas. Sufocadas pelo descaso agredidas pelo preconceito e lançadas ao mundo por todos nós ditos seres humanos.
Confesso que deixei umas tantas lagrimas rolarem de meu rosto grosseiro e rude, confesso que chorei sim não por euforia em uma condenação, em um veredicto, em uma sentença, mas por perceber que eu, você e todos os ditos seres humanos somos tão culpados por um caso “Isabela” como os próprios envolvidos.
São 31 anos, bem aplicado, em uma pena a um pai, não... não era um pai. Acho que pai de verdade não soltaria uma filha por uma janela, na verdade pai nem solta um filho ao mundo, sofre ao ver ele se afastar mais que os olhos possam ver, essa pena, talvez seja o que a justiça possa dar a ele. Mas a nossa? A que quando colocarmos a cabeça no travesseiro a noite e tentarmos dormir... será que vamos nos sentir “ Seguros” de crimes assim? E o Ives Ota? Quanto crimes mais a essas pequenas mostras de seres humanos vamos presenciar?
Que exemplos damos a eles vendo tantos e tantos crimes assim? É tenho medo de ser humano tendo visto essas mostras hediondas e horrendas de seres humanos.
Um Notebook pode custar a vida de uma adolescente, um tênis, ou um to de pele ou orientação sexual podem fazer com que grupos loucos obriguem a jovens a saltarem de um trem em movimento... genocídios e atentados por ideologia religiosa ou por um amor louco a uma bandeira, ondas e ondas de seres ditos “humanos” se jogam em outro país outra sociedade... e é isso ser humano?
Se for... prefiro ser um cão, que é mais socialmente estabelecido, e até fiel, e se isso for ser um ser racional eu prefiro ser planta... e ficar ali, parado apenas produzindo o que vou consumir..
A cada segundo eu penso... será que vale mesmo a pena ser um ser vivo? Racional? Emocional? Humano?
É como diz a frase... errar é humano...
Parabéns a justiça, que apenas aceitou o que já era visto a olhos nus. Mas e a gente? Vamos continuar cegos as “Isabelas” das esquinas e da nossa cidade?

terça-feira, 23 de março de 2010

Saudades.com.muitas

Liga o computador, um copo de café, a musica baixa e muitos amigos virtuais... Virtuais?
Penso eu, são mesmo virtuais? Ou seriam apenas amigos não conhecidos? Ou melhor não tocados?
É, a virtualidade não existe no mundo virtual, ali nas janelinhas de icq, MSN, skype e tantos outros meios de comunicação a gente conhece PESSOAS e as vezes, nos deparamos com algumas pessoas que acreditam que do outro lado da linha na verdade existe apena suma maquina, que tudo que aparece ali é um joguinho. Mas eu não.
Ontem após uma cerveja e um papo com amigos inicialmente virtuais, ou não conhecidos e não tocados, eu comecei a pensar nesse amigo que venho fazendo nos últimos anos de minha vida, e pensando, “ São realmente amigos?” e minha resposta louca foi... Sim.. são
Tenho amigos assim que são tão presentes em minha vida que ligo e falo com eles a tanto tempo que acredito que se eu os encontrar na rua vai ser um encontro tão comum como uma conversa no MSN.
Tenho tantos amigos assim e uns mais virtuais, ou ainda não tocados, mas muito presentes, uma amiga em especial que por vezes me ouviu falar no telefone coisas de minha vida, e que me deu lições de moral com as coisas da vida dela, nunca a vi falar, nunca a vi mexer a mão, ou arruar o cabelo, nem nunca a vi rir, mas sei muito dela, e logo ela não é virtual. Ela é uma pessoa
Uma amiga de longe, um laço criado em o toque, sem apertos, sem culpas ou pedidos... com algumas horas no MSN, e outras tantas no telefone.
Amigos de verdade são feitos em qualquer hora, lugar, pode ser feito em uma ligação cruzada no telefone, ou em uma fila de banco... por que não em um chat ou comunidade?
Alguns puritanos podem vir e ler isso e dizer que eu não vivo, que não saio de casa, e quem disse que não?
Saio, encontro meus amigos, bato papo dou risada, e as vezes ligo para os que não podem estar do meu lado, dou risada e bato papo. E as vezes quando menos espero recebo uma mensagem na hora que to pensando em uma dessas amigas distantes... a que me motiva com os atos de sua vida.
Bem.
Então esse texto é pra todos os amigos virtuais, ou não, na verdade eu digo...
São todos amigos.com.verdade

terça-feira, 16 de março de 2010

181

Ele caminhou até o elevador, o som de suas batidas a porta ainda ecoavam no corredor, ele achou ter ouvido o som de alguém chorando do outro lado mas não era nada alem de sua imaginação, o elevador chega e o sinal, o sinal que ele ouvira tantas vezes e se alegrava ou sentia vontade voltar e não embarcar, e agora era para sempre, um ou dois paços e já esta no centro, o térreo e a porta se fecha...

Ela sentada vendo a foto e o bilhete, e tendo as lagrimas correndo no rosto, a foto da melhor tarde a tarde de um domingo, ela sorria, ele sorria, no fundo o céu azul e algumas nuvens. Mas o abraço da foto e o sorriso ainda a ferem como mil punhais, e o pequeno bilhete com a frase “ EU TE AMO” e nada mais alem disso, o papel branco, e a foto... e ela chorando...
Ela solta um ultimo suspiro, um tanto mais alto que esperava e pouco depois o som do elevador e depois o silencio....

Ele encosta no espelho se olhando bem de perto, seus olhos vermelhos e sangrando dele as lagrimas de algo que nunca será o que deveria ser... uma, duas, três batidas no espelho, e ele se vira para a porta, olhar baixo os olhos ardendo, a mão vai ao bolso... a pequena caixa...

Ela se arrasta até o sofá, ainda com as pernas bambas de receios bebe os últimos goles do seu copo de suco.. mas o sandwish não mais a apetece... a foto agora prende sua atenção, ele sorri tão infantilmente, e ela o olha, ela percebe que seus olhos diziam que ela estava feliz, talvez não completa mas feliz...

Ele aperta novamente o andar dela, no térreo uma senhora entra., olhares. A senhora abaixa a cabeça, e apenas pergunta, você esta fazendo ela feliz? E ele responde... Eu apenas estou tentando... a senhora descendo no andar dela diz... “Tentar muitas vezes já é o suficiente... e ela? Esta te fazendo feliz?” ele se cala... e a senhora completa...
- Se a resposta sempre for uma duvida, desista... agora se tiver mais certeza... – disse ela se virando e olhando fundo nos olhos vermelhos do rapaz. – Diga a ela a verdade e faça ela feliz.

Ela se levanta.. caminha até a porta segura a maçaneta... respira fundo... e abre os cabelos caindo sobre o rosto, o olhar embargado e embaçado pelas lagrimas ela caminha até o elevador...

A porta se fecha e ele pensa... eu não sei se ela me faz feliz... mas eu não me vejo feliz sem ela.... e ai como faço senhora?....
Ele respira fundo, se apóia no batente da porta do elevador... o elevador para... a porta se abre...

Ela olha o elevador a porta se abre...

- Eu te amo... diz ele ao ver ela parda a sua frente...
- Eu te amo... – ela escuta e levanta a cabeça...

Ela estende a mão, com o foto um tanto amassada, ele de olhos vermelhos a olha, e agora ela esta inda mais encantador, mais encantadora do que nunca... cabelos desarrumados.. e ela fala...

- Desculpe... mas eu não posso te fazer feliz...
- Não seria eu que deveria decidir isso?
- Não, não é... eu sei que não posso te fazer feliz, e não mereço a felicidade que você me da.
- E eu te dou é por que merece...
Aporta ameaça fechar e ele sai do elevador.. pouco mais de um palmo os separam,
- Mas eu não posso aceitar... não sei se mereço... e não sei se posso te dar o que você merece...
- Eu mereço você?
- Como assim?
- Você diz que não pode me dar o que mereço... eu mereço você?
- Merece coisa melhor.
- Então já tenho sua resposta, mereço, e se mereço mais... por que não posso ficar com você e assim tu vai saber que escolhi você não por falta de opção, mas por eu não desejo nenhuma outra.
- ... Mas...
- Mas, sem mas... – ele segura as mãos dela e coloca uma mão sobre a sua espalmada. Ela o olha nos olhos e mais lagrimas correm em seu rosto...ele tira a mão e na palma da mão ela um anel...
- Casa comigo, e não me importa se você não se acha o suficiente... para mim tu é o bastante...e vivo minha vida feliz com isso.

O elevador chega novamente... e atrapalhando a saída do velho senhor com bolsa de compras, um casal se beija apaixonadamente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Antes de casar sara...

Quando era pequeno ele corri a no quintal despreocupado mas volta e meia um ressalto no chão ou uma pedra o leva a um tombo, os joelhos já ralados ou as vezes um corte lhe eram então as maiores dores que poderia sentir, e doía , os olhos vermelhos, e as lagrimas corriam no rosto. A mãe ao longe ouvia os gritos e com o tempo aprendeu a reconhecer um grave de uma breve dor, as vezes lá da cozinha, dizia um “Dói nada, já já passa” ou “Magoou meu anjo? Corre aqui corre?” e as vezes com abraço e carinho materno a dor se ia...
Ele cresce, e correndo no mundo as vezes um ressalto, um sobressalto ou uma pedra o leva ao chão, ele cai, se machuca se rala se fere, e logo se lembra das dores de um joelho ralado, dos cortes da roseira, das feridas simples e que com um carinho e abraço de mãe quase que instantaneamente paravam de doer... mas hoje, homem, o menino não ouve mais a mãe gritar de dentro da cozia em tom suave o “corre aqui” ou “Meu anjo” ele é quem vai a ela sem muito a dizer e posta a cabeça no colo dela e conta dos arranhões e dores da vida.. e ela olhando nos olhos dele diz “Quando criança, as piores dores que sentia eram dos tombos... mas um coração que cai e se parte dói muito mais... mas meu anjo... assim como os joelhos ralados o coração também sara.” E novamente ali, nos colo da mãe ele, sabe que é verdade e toda dor passa.
Fecha os olhos e lembra com exatidão cada tombo que seu coração infante levou na vida...e com um beijo leve na testa, ele ouve “Dói, mas não há de ser nada... já já passa.” E um carinho o faz esquecer a dor... e dormir novamente como criança... como a muito não dormia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

É... o um único

Sentados ladeados a frente da tv o jovem e o velho pouco se falavam nos últimos dias, O jovem com Pensamentos perdidos em seus últimos dias, na solidão avassaladora que sentia , e o velho olha fixo na novel sentia saudades de seu grande amo... até que ..
- Você já se apaixonou alguma vez? - Pergunta o jovem ao velho.
A boca se abre e se fecha, e mais uma vez... como se a resposta viesse até a ponta da língua mas a razão impedisse de falar... então depois de um longo suspiro o velho fala...
-Quem nunca se apaixonou? Eu me apaixonei muitas vezes, me apaixonei a primeira vez que fui ao cinema, pelo cheiro de tinta no papel, pela textura de papel cannson, pelo cheiro de terra molhada, por um sorriso de criança e pelo som da gargalhada dela, apaixonar é fácil, difícil mesmo foi amar...
- Mas já amou?
- Uma vez...
-Só uma vez?
- E não é o bastante? Bem admito já disse que amava, assumi meu que era amor, ou melhor presumi que era amor... mas era? Não nem era... era uma paixão grande, um desejo, mas amor.. amor mesmo... uma vez..
- ... nossa eu acho que amo a cada dia..
- Você deve pensar assim mesmo, com tempo vai ver que era um amor diferente, depois umas paixões fortes e quando for velho e se olhar no espelho e se questionar se já se apaixonou alguma vez vai se ver pensando que só amou uma pessoa...
- marcou muito né?
- As marcas mais fundas são feitas com cortes rápidos...
-como?
-Foi um amor rápido.. pouco tempo.. me deu bons frutos, os que trago até hoje mas quando ela se foi... deixou saudades e um espaço que ninguém mais conseguiu preencher.
- Nunca mais amou ninguém?
-Amei, meus filhos, meus netos... mas o amor verdadeiro, esse que sempre dei maior importância ... não...
-Que triste...
-Triste? Triste é perder... faria tudo de novo se vivesse tudo de novo...
- é...
- É - respondeu o velho, e ao olhar ao lado se viu sozinho... o jovem com o tempo de vida se torna velho mas o amor, aquele sentido quando jovem nunca se apaga...

terça-feira, 9 de março de 2010

Clarice Lispector

Poucas vezes eu peguei um texto e me identifiquei, inda mais quando é de alguém famoso, alguém que as linhas, e entrelinha carregam tanto do autor como eu faço com os meus textos, não necessariamente fazendo de seus textos representações de seus dias, mas representações de seu eu.
Hoje vagando como de costume nos escritores e escritoras, eu me peguei lendo um texto que me fez pensar, que eu conhecia alguém assim, alguém como o que ela dizia na linhas... e no fim eu me reconheci... Talvez por que quem me conheça ao ler o texto vá reconhecer frases que digo, sobre mim mesmo e como meu me sinto as vezes, principalmente em se tratando do tema que ela usou...
Tenho também o texto do poeta Fernando Pessoa, Poema em linha Reta . que me descreve em meu lado arrogante e mesquinho mas esse, esse dessa poetisa me descreve como me vejo a tanto e como me vejo a frente...
Confesso que me olhei nu aos olhos dela. E me senti de certa forma feliz em ser como sou... ao menos não fui o único e nem serei o único a me sentir assim.
Algumas pessoas me questionam se eu escrevo sobre mim, e por que escrevo sobre mim. Se eu gosto de me expor, e por que faço isso, bem... segue no texto a explicação...

Rifa-se um coração 

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional 
que abre sorrisos tão largos que quase dá 
pra engolir as orelhas, mas que 
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, 
se recusa a envelhecer" 
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

segunda-feira, 8 de março de 2010

Pois é

Uma pausa nas linhas pensadas e poéticas cobre o peito masculino, uma pausa nas linhas escritas por um peito masculino que bate quase que apanhando da vida, como tantas vezes as mulheres foram subjugadas e maltratadas por peitos masculinos, vamos hoje falar de peitos vivos apenas, da sutileza de um olhar feminino as coisas simples da vida.

Uma mulher olharia uma criança e diria que é um futuro, um ser melhor um homem que poderá tratar melhor a vida de outra mulher...

Uma mulher ao receber uma flor, transborda nos olhos, uma ou duas lagrimas talvez por reconhecer nela, a rosa, uma flor também, um espinho as vezes mas as pétalas suaves sempre são os pontos que nos chamam atenção aos olhos.

Uma mulher ao abraçar alguém entrega mais que os braços, entrega o peito aberto e o coração, um abraço de mulher é mais profundo que abraços de santos...

Uma mulher tem a capacidade de apaziguar uma guerra ou provocar outra com uma simples existência dela mesma. Um sorriso, um olhar, um simples toque...e o mundo se entrega a mulher.

Desejo eu, um peito masculino que admira e respeito os corações femininos, que não somente hoje, ou nos próximos dias, sejam respeitadas não somente como mulheres e mães, ou vistas como poços de sensibilidade, mas por serem fortes, seguras e decididas.

Vencer a vida sendo mulher, é vencer sempre o estigma de ser mais fraca, a força da mulher esta no peito e não nos braços.

Feliz dia Internacional das mulheres

terça-feira, 2 de março de 2010

tantas... tantas...

Tantas
(weverson Garcia)
Tantas vezes a gente se pois em papeis que nem devia
Tantas vezes vivemos soltos tantas vezes andamos a esmo
Tantas vezes andando nem percebemos pra onde se ia
Tantas vezes achou ter mudado, mas descobre que é o mesmo.

Tantas vezes a gente se culpa e se pune
Tantas vezes sem ter motivos se chora
Tantas vezes uma lagrima nos une.
Tantas vezes já passou de nossa hora.

Tantas vezes sorrindo e pensando
Tantas vezes deixamos passar
Tantas vezes já estamos amando
Tantas vezes descobrimos amar.

Tantas vezes a gente se nega
Tantas vezes a gente se impede
Tantas vezes a gente se apega
Tantas vezes a gente não pede

Tantas vezes a gente se apaga
Tantas vezes a gente se traça
Tantas vezes o inocente paga
Tantas vezes choramos,desgraça

Tantas vezes nos encontramos
Tantas vezes nos perdemos
Tantas vezes nos amamos
Poucas vezes nos queremos.