Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

terça-feira, 27 de abril de 2010

4EVER

De olhos fechados ele aperta os braços contra o peito a dor é grande e dos olhos correm lagrimas, se torna cada vez mais difícil abrir os olhos e voltar a ver as coisas a sua volta, vez por vez, uma atrás da outra as ondas de dor, e frio o fazem fechar mais e mais os olhos, suas unhas já marcam a pele, e seus dentes já arrancam sangue dos lábios.
Mas ele sabe que nada é para sempre...
Quando era mais novo acreditava no eterno, em coisas que eram feitas para serem indivisíveis, indestrutíveis, como diamantes e átomos mas hoje a ciência já provou que átomos podem ser partidos e diamantes não são eternos... nada é.
Quando criança ouvi certa vez seu avo dizer que amor, o verdadeiro amor era como uma jóia, um diamante único, mas tarde disse isso a uma amiga, e depois a uma paixão, mas diamantes não são eternos, e nem os átomos são indivisíveis, a amiga se foi e a paixão se desfez.
Abraçando a sim mesmo, com olhos vermelhos mas com a face ardida pelas lagrimas salgadas, ele não abre os olhos e se mantém ali, olhos fechados, dedos cravados em seus braços, respiração densa...
Mas nada é para sempre e na manhã seguinte, ao acordar, as marcas nos braços e o lábio cortado, são as únicas coisas que sobraram do dia que passou. Nem magoa, nem tristeza nem rancor... apenas uma marca, talvez a única que o tempo, nem os cientistas possam destruir ou dividir.
Uma marca que vai durar para sempre.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

AI ai

- Não te entendo, juro que não te entendo... – disse ela de costas a ele sentada na beira da cama.
- Como assim não me entende?
Ela olha por sobre o ombro e fala suavemente.
- A tempos a gente se conhece e sai, a mais tempo ainda você vem me procurando me fazendo acreditar em coisa que eu não queria mais acreditar, me faz voltar a olhar as coisas como novidade, mas depois de eu te dizer o que sinto tu só me diz... “ai”... como se te tivesse causado uma dor, uma terrível dor, como se fosse ruim que eu te diga que te amo, que te quero... e que preciso de você.
- Mas..
-Não tem mais, passamos o dia juntos, depois de tanto tempo, de tantas falhas, de tantas farpas e ferimentos, dos dois lados, e ai eu volto a te ver como via antes, volto a me entregar e quando eu me abro pra você... quando eu solto tudo que sinto, tudo que mais me é importante... você geme, gemeu apenas e não disse nada alem disso... nada alem de um ai.. mas me diz eu te causo dor? Eu te faço mal, por que se faço me larga vai viver tua vida, vai ser feliz, me esquece... eu não sei se vou te esquecer mas ao menos vou vivendo também...
- Olha, - disse ele em tom solene – A gente tende a analisar as coisas com base em uma pequena parte da vida que a gente conhece, um pouco do que lemos, ou um tanto do que ouvimos por ai. Ai tiramos nossas conclusões, eu não disse apenas “ai” eu disse Tu é meu “ai”...
- E o que ISSO quer dizer?
- Se eu te falasse “Je t'aime” tu ia sorrir e me abraçar e morder, se falasse em ingles tu ia sorrir e fazer o mesmo ou alemão , não importa... mas eu disse “Aishiteru” ou melhor disse AI..
- O que é isso?
- Sabe, quando a gente ama a gente sente um monte de coisas, muita gente descreve como fogo que queima, como um ardor, como uma dor, quem ama fica susipirando pelos cantos, e quando ve a pessoa que ama diz “ AI AI” em suspiros... e sabe o que é mais incrivél? Os japoneses, eles entendem bem disso e para eles AMOR é AI...
- AI...
- É linda... eu também te amo...tanto que não sei dizer outra coisa a não ser AI... ai... ai...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CotidiANO

O som repetido e estridente o faz voltar a realidade, as horas de sono serviam mais como anestésico do que como conforto e descanso, ele se levanta lentamente, olhos semicerrados, e se estivesse acompanhado poderia ser descrito como um zumbi matinal.
O dedo mínimo buscou masoquistamente a quina da cama, e mesmo assim aos gritos ele não perdeu sua postura matinal, cabelos desgrenhados, olhos agora um pouco mais fechados pela dor, e andar manco e curvado, a mão no rosto, a face desleixada e áspera pela barba por fazer a sua volta o de sempre, a toalha, a escova, pasta o copo plástico portando a escova e a pasta e a pia...
Ele se olha no espelho e como de costume se da bom dia, a mão busca cegamente e instintivamente o registro do chuveiro e logo após mede a temperatura da água. Liga o radio ouvindo as informações matinais de transito e se espanta ao saber que tanta coisa já aconteceu... e nem são 7 horas da manhã...
O banho é como um ritual, dogmático e como se houvesse um script a ser seguido, cabeça, tronco membros, sola, entre os dedos... sempre assim sempre nessa ordem, se fosse gravado seria repetido diariamente e ninguém saberia dizer se estava em looping ou não.
Depois, secar-se era a mesma ação que o banho, uma linha continua e repetitiva de fatos e atos, vez por outra coroadas com um arregalar de olhos e reparando em um roxo ou dedo mínimo dolorido...
O café, na xícara, o pão com manteiga no prato, o radio desligado e a TV fazendo as vezes da mãe que pela manhã não se cala...
Olhando aos lados, a casa vazia, retratos antigos em molduras novas, contas pagas e novas contas chegando... tudo se repete... um dia depois do outro...
Ele se levanta, volta ao espelho, escovando os dentes se olha e diz
“ E você pensou que morreria sem ela hein?”
É... pois é... mesmo assim ele continua vivendo um dia depois do outro...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

AI SE SESSE...

Decisão, Por que algumas vezes é tão complicado tomar uma decisão, fazer uma escolha? O que nos impede de agir, de buscar de seguir um caminho?
Observando bem, a outras pessoas e a mim mesmo, percebo que o que nos impede é algo criado por nos mesmos. O medo.
Mas medo de que?
Nas nossas mentes elucubramos as conseqüências e conquistas, as perdas, pensamos e pensamos sobre ela, mas é o medo da perda, de perder algo que se tem ao se arriscar algo, é o medo de tentar algo a mais e perder o que se tem e o que se almeja.
Bem, quanto a isso eu penso que é uma atitude segura, se proteger, mas penso no mundo animal, ditos irracionais e sem motivações pessoais, a não ser o instinto, eu vejo um pequeno ser, um caranguejo, o caranguejo Eremita, diferente dos outros caranguejos ele troca de concha, não por que tenha um corpo fraco, na verdade ele possui também sua proteção natural, mas ele busca uma melhor. Então é ELE que TOMA a DECISÃO de trocar de concha.
Ele muitas vezes luta com outro por uma concha o que poderia ser um fator que o faria desisitr de sua decisão, mas não , ele segue sua escolha e muda, briga garanto que nos momentos em que ele esta ali, sem sua casca protetora, e indo ao encontro da nova, ele deve se perguntar, “será que fiz a coisa certa? “ ai vemos uma diferença...
Nós seres humanos nos preocupamos, pensamos antes “Será que é a coisa certa?” vivemos guiados não por nossa vontade não por nosso desejo, não por nossa capacidade e sim por um medo, vivemos guiados por um “SE”.
SE eu arriscar posso perder
SE eu for até a pessoa que gosto e disser o que sinto, ela pode não gostar de mim. E SE gostar, Será que vai dar certo?
EU tenho um emprego, recebo meu salário, pago minhas contas, mesmo infeliz eu me mantenho nele por segurança, por que SE eu sair posso não achar outro que me pague o mesmo, e eu posso ser mais infeliz ou menos infeliz...
E eu me pergunto, até quando? Até quando vamos basear e parear nossa vida em um SE?

Eu a poucos dias tomei uma decisão, escolhi sair de minha concha e arriscar minha segurança, por minha cara a mostra, voltar a procurar um concha melhor, mais aconchegante, mais agradável, SE lá fora vou achar algo melhor ou pior não importa, o importante é que de fronte ao medo de perder algo, eu arrisquei, e por que?
Por que estou saindo de minha concha antiga indo não a busca de uma nova, mas sim em busca de minha felicidade, e SE mais a frente eu perceber que foi erro, que perdi, bem ao menos vou poder dizer que tentei, que vivi e que arrisquei por que QUIS algo melhor, e não esperei por nada.
Vivo minha vida, arrisco minha felicidade e infelicidade, com a mesma intensidade, afinal arepender-SE é algo comum ao ser humano. Mas só se Arrepende quem DECIDE FAZER ALGO.
Eu decidi ser feliz. Decidi cuidar de mim, decidi viver minha vida, decidi olhar para frente, decidi não me preocupar com o que os outros dizem a meu respeito e SE dizem algo a meu respeito.
“viva e deixe viver...”