Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

domingo, 27 de junho de 2010

Pré Sentido sentimento

Não existe razão, é um pensamento solto mas é verdade, não existe razão para alguns acontecimentos...

Ele estaciona o carro na garagem, sentindo o frio agudo em sua barriga, as costas ardendo em calor, a velha sensação de que algo ruim esta para acontecer... ele fica ali sentado com as mãos no volante por alguns minutos antes de decidir sair do carro e subir o pequeno lance de escadas.

A nuca se arrepia, os olhos fechados e na mente o pensamento... o que é?.. com tempo uma imagem se forma... ela... sentada em um sofá, com uma das pernas dobrada sobre o sofá e a outra pisando o mesmo, abraçada a perna e de cabeça baixa, os cabelos lindos como sempre caindo sobre o rosto, e no rosto uma linha brilhante e triste... uma lagrima.
O nó se torna maior em sua garganta, o frio mais insuportável e as costas mais ardidas... nem mesmo o banho resolve...
Ele se senta no chão frio do Box e deixa que lagrimas corram por seu rosto, e se juntem as gotas quentes do chuveiro.
“Por que isso?” pensa ele... e antes de pensar a voz dele ecoa em seu ouvido, ela voz tensa, ele percebe e diz apenas um “conte comigo, estou aqui” uma frase dita muda entre outras...
Mas a pergunta se repete “por que isso?” ...
Ele se deita, puxa a coberta... e suando frio pensa...
“ Droga... tudo que já aqueceu um peito pode esfriar a barriga?”
O dia passa, e depois outro... e outro... e durante esses dias o frio se estende fixo em seu ventre...

No ele descobre... que sempre vai sentir isso... por que o frio é causado pela falta...
E toda falta gela o futuro mas apenas as lembranças aquecem o passado...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Borboleta

O jovem menino chega correndo, passa pela mãe, a passos avançados, os olhos maternos que sabem ler em linhas limpas, traduzem as passadas largas e pesadas como amarguras de adolescência, novo porem aos olhos da mãe foi o fato do jovem entra correndo trancar-se em seu quarto por alta a musica de sempre.
Duas batidas a porta, e ao abri um rosto pode ser visto, a mãe olha, ternura pura em seus olhos e vê deitado na cama de costas a porta o jovem, a mochila largada no chão, os sapatos quase que por sobre um do outro, o aparelho no volume alto, e os pés bambos do jovem sacudindo ao som do violão.
- O que aconteceu meu filho?
- Nada
-Nada é bem grave, já que te deixou assim. – Disse a mãe sentando-se ao lado dele na cama.
- Eu tenho pensado, existe mesmo um deus? Se existe onde ele esta? E por que permite que quem pouco cuida do que conquistou seja feliz enquanto quem se dispõem a cuidar é por vezes presenteado com lágrimas... as dele mesmo.
- Não tenho como te responder isso. Talvez ninguém tenha... essa talvez seja uma conversa sua com ele... – Dito isso a senhora deu um beijo suave na testa do adolescente e acrescentou – Mas com ele, meu filho, não existe um contrato feito, de que se agir de tal forma será feliz.
A porta se fecha as costas e o jovem se senta a cadeira, a mesa a frente e um pequeno lápis e inúmeras folhas de papel, ele vestindo-se de advogado escreve linha a linha um contrato, um acordo cordeal entre ele e deus...
“ Não importa se vai demorar um ou dois mundos, serei eu sempre esse que te fale, que sempre busca como foi dito meu velho avô ( viver as linhas certas de um mundo errado) que sempre busca dizer a verdade, e seguir os mandamentos mais validos, amar ao próximo como a ti mesmo, e ser verdadeiro a cada segundo, assumir as falhas, erros e culpas não se envergonar de seus erros, mas aprender com eles.
Mas em troca, na verdade não em troca mas se for justo e merecedor peço que se cumprir minhas tarefas de homem eu seja premiado com a companhia de uma jovem assim como eu, feliz e que saiba o valor de um amor, que reconheça as minhas virtudes e eu reconheça nela as virtudes dela, que seja bela não somente aos olhos do mundo, mas principalmente aos meus olhos, e que os seus seja para mim a verdadeira janela.
Que a gente se entenda sem dizer muito, e que ao nos encontrarmos o nosso mundo seja abalado e percebamos que era destino nos encontrarmos... e que assim seja, se eu for merecedor.”
O jovem em um canto da folha assina seu nome, e no outro lado um desenho, uma jovem, com uma flor na mão uma orquídea, ela sentada em uma pedra de baixo de uma arvore olhando por sobre os ombros, com olhos fortes e um sorriso largo e belo...
Dobrado o contrato, fechado em envelope e selado o jovem diz ao vento
- Se eu sei que sou assim e que vou sem duvida cometer erros em minha vida, mas como espero ter aprendido... assumir as conseqüências e agir sempre com respeito, espero encontrar essa pessoa, por que eu sou homem, humano, e hoje fiz um contrato com deus...
A carta foi posta em um baú, e na janela uma borboleta de asas azuis pousa suavemente....

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eternidade

Ele abriu os braços, e um largo sorriso a pequena criança correu sorrindo ainda mais em sua direção, ele sorria por ver a euforia infantil e a infante pessoa sorria por ver um rosto amigo, e sempre divertido.
O abraço longo o beijo suave no rosto rosado, a voz eufórica e os relatos intermináveis das descobertas da criança fizeram do dia dele se tornar mais aceitável, ao longe ela observa os dois, os carinhos os sorrisos a verdade sentida em cada risada da pequena criança.
- Ola, ela estava com saudades suas. Disse a jovem de cabelos em cachos negros.
- Oi, é ela me disse, eu também estava (disse ele sorrindo para a pequena), e você? Como esta? – Perguntou o jovem rapaz de olhos cansados.
- Estou bem... Tudo se acertando.
- Mesmo? Que bom, e a casa nova?
- Velha, mas tem espaço pra ela e isso é bom.
- Muito bom. – disse ele pegando a criança no colo e andando ao lado da jovem de cabelos negros – Faz tempo que não nos falamos, eu devo pedir desculpas, o trabalho os problemas e tudo que aconteceu. Desculpe minha ausência.
- Não me peça desculpas, ela sentiu mais do que eu.
- Mas ela já me desculpou, espero agora as suas desculpas.
- Não me peça isso.
-...

Os dois caminhavam pelo parque o sol suave na face. O vento fresco e a jovem menina correndo na grama com seu vestido branco com detalhes vinho era observado agora por 2 pares de olhos encantados com sua beleza e simplicidade, uma margarida... um pássaro e um gato que corria longe faziam ela sorrir e rir deliciosamente na tarde em que eles pouco se lembravam deles...
- Ela é muito inteligente, esses dias começou a me fazer perguntas... Me perguntou sobre os peixes, como eles respiram de baixo da água, e completou “Eles são espertos, não tem problemas com poeira”
- HAHAHA, a rinite dela né? Figurinha... linda... sabe, esses dias eu pensava nela, que antes dela nascer eu pensava que certas coisas são eternas, por que duram muito tempo, mas hoje... eu vejo que eterno é um segundo, um único segundo, um momento que se repete inúmeras vezes, infinitas vezes... até o fim dos tempos.
- E que segundo é esse?
- Tenho algumas memórias que são eternas pra mim, o primeiro encontro com você, o nascimento dela, seu sorriso quando ela apertava seu dedo, e quando ela me disse papai a primeira vez... essas lembranças não saem da minha tela de lembranças.
- Eu lembro dela correndo com o sorriso mais lindo que já vi, para seus braços e do calor que vi derramar deles para ela, hoje... acho que vou guardar isso pra sempre.
- ... Eu...
- O que? Fala – Perguntou ela com um sorriso suave no rosto.
- Eu ainda te amo, esse sentimento esta fixo nos segundos que te falei a pouco.
-Eu sei... pena as coisas não serem simples como um segundo não é mesmo?
- É as vezes a gente perde nossa hora... por alguns segundos...
-É acontece
- E ai passamos uma eternidade apenas lembrando de dois ou 3 segundos e deixamos de viver uma vida...

A tarde segue seu caminho, e eles se despedem, ele abraça e beija a testa da pequena menina, enquanto ela finge não sentir um nó se formar em sua garganta, a pequena menina deixa uma torrente de lagrimas correrem em seu rosto, e pede vez por vez que ele vá com ela.
- Eu não posso meu anjo, mas vou te ver em breve ta?Prometo.

As duas se afastam, os olhos vermelhos da pequena mantém os olhos dele fixos, ela abre a porta do carro, senta a criança e ai ele percebe que os olhos dela também estão vermelhos, e ele ali protegido pela distancia pode agora soltar o nó de seu peito e deixar as lagrimas lavarem e gravarem mais alguns segundos na eternidade...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ao entardecer

O dia já chegava ao fim e a sala se iluminava com um tom laranja, tornando ela quente, com os tons de madeira dos moveis e as cortinas vinho, a velha poltrona de encosto alto e o puff a frente era o lugar que ele mais gostava de ficar, a pequena mesa ao lado sustentava um ou dois copos, uma xícara de café e um livro ele apoiava a cabeça no encosto enquanto sentia-se aquecer pelo sol suave que batia em seus pés e pernas.
Mas a idade avançada, beirando seus 80 anos e as lembranças de sua vida eram como bolas de gelo em seu peito.. um livro aberto apoiado nas coxas os olhos perdidos no teto e na parede azul escuro, as memórias longe iam e demoravam a voltar... a escada para o segundo andar, e depois o sótão eram um convite, voltar a mexer no velho baú... rever, revirar e reviver os 3 R da sua vida...
Olhando o gato, quase tão velho quanto ele que se esticava nos sol que passava pela janela ele pois seus pensamentos em ordem e tomou coragem... subindo os lances de escada abrindo o baú revirando seu passado
Um pequeno lenço e no canto um tubo... um cilindro de papelão , a mão tremula toca o tubo e ao tirar ele do baú, um pedaço de papel enrolado sai suavemente por uma das extremidades. Um bilhete escrito a tempos atrás por ele mesmo... e uma gota de lagrima rescente...
“ Já faz muito tempo que te prometo isso, hoje aqui no meu trabalho tenho tempo de fazer, ele é único, ninguém tem igual e a cada centímetro dele estão centenas de (eu te amo) que quero te dizer, espero que goste e que esquente seu peito como tem aquecido o meu nessa distancia”
Dentro do tubo enrolado, um grande pedaço de papel e nele, centenas de pontos, milhares de pontos, se amontoam e formam o rosto dela, ela... nova cabelos ondulados olhos vividos e fortes, um sorriso contido... e talvez vendo os pontos, talvez por isso ele comece a se lembrar de cada um deles, de onde fez, e por que fez. E por que demorou tanto a entregar o desenho... ele, velho e cansado apóia a cabeça em uma mão, a outra inconscientemente acaricia o desenho como se isso fosse trazer o calor de sua pele... mas apenas o papel frio... e empoeirado.
Ajoelhado o velho senhor tenta colocar o desenho de volta a embalagem, mas... la dentro algo o impede. Uma outra folha de papel... um pequeno cartão... e nele...
“ Quando recebi esse desenho, meu querido, meu anjo estava longe de mim, trabalhava, lutava para conquistar tudo que sonhávamos e mesmo assim nos poucos momentos que tinha para descansar ele empunhava sua caneta e fazia a minha face em pontos, teria prova maior de amor? Lembro que ele traça meu rosto em qualquer canto de papel... mas esse eu nunca vou mostrar a ninguém, não por vergonha, não por egoísmo... mas porque cada vez que vejo um pontinho lembro dele e meu peito se aperta de saudades, é sem duvida o meu anjo”
Os olhos do velho se enchem, e se estão vermelhos talvez seja pelo calor de seu peito, um calor de saudades, mas um calor vindo inda mais forte das palavras de sua linda e querida que reconhecera mesmo que caladamente o seu amor... mesmo que poucas vezes tenham trocado essa verdade...
Ele desce... agora na parede azul um quadro de pontos em moldura de madeira e protegido por um vidro fino emoldura o rosto de sua amada... eternamente em infinitos pontos... em infinitos “eu te amo”...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Chuva

Ela caminhava de volta pra casa, seu dia não era dos melhores, a chuva fina encharcava suas bostas, o vento frio a deixava com uma aparência mais triste, o nariz vermelho, as bochechas rosadas, mas eram os olhos que mais se notava seu estado. Ela passou horas de seu dia sentada em uma cadeira vendo e revendo sua vida, pensando nas esquinas que virou quando poderia seguir seu caminho reto, ela saiba que se sua bota estava agora tão molhada e seu sobretudo encharcado pesava em seu corpo era por suas escolhas, e isso a fazia pensar no que deixou passar...
Ele sentado na cafeteria olhava a chuva molhando o vidro e as pessoas apressadas andando na calçada, todos com seus guarda chuva abertos e seus passos largos, e ele saboreava pesadamente o seu café, gole a gole ele pensava nas horas que passou pensando em ser alguém diferente, em tentando acertar uma ou duas vezes ao menos na vida... mas eram seus erros que ele mais lembrava... eram suas falhas que mais o assombrava.
O Outro entrava em um ônibus, alheio ao mundo sentando cansado no banco com o guarda chuva pingando a sua frente, as gotas se juntavam e formavam logo depois pequenos veios no chão metálico do ônibus, era certo que seu caminho iria ser longo até a casa, o transito lento deu a ele tempo suficiente para pensar na vida, e por vezes até deixar uma ou outra lagrima correr pelo rosto e juntar-se as gotas do guarda chuva, ele temia nunca mais poder sorrir, por culpa dele mesmo...
A outra voltava a casa, em seu carro novo, sem notar jogava água em pedestres, mas a cada sinal fechado ela perdia tempo de sua vida ouvindo musicas de radio e percebendo quão solitária era sua vida, nem mesmo os cães que ela comprava e cuidava como filhos lhe davam o que faltava... ao olhar para o lado viu um homem sozinho tomando café em uma cafeteria, ele sorvia o café como se ele fosse tão pesado como chumbo, e baixava a cabeça cansadamente depois de cada gole, “talvez ele seja mais solitário que eu”pensou ela... saindo mais uma vez do sinal vermelho.
O outro olha pela janela um carro no sinal uma motorista olhando a janela e dentro de uma cafeteria um homem toma penosamente sua ultima gota de café, ele olhando os dois, deixa escapar um sorriso e pensa.”tanta gente esta no lugar errado na hora certa... e eu na hora errada no lugar certo...” reclina a cabeça, apóia no banco e deixa uma ou duas culpas tornarem-se lagrimas.
Ela andando sem medo na calçada passa por uma cafeteria, esbarra em um homem que saia apressadamente da cafeteria arrumando seu casaco, desculpas sorrisos sem jeito, ela se vira e vê um homem em um ônibus com a cabeça reclinada deixando umas lagrimas escapar por seu rosto, ela da dois ou três passos para a rua, e um carro passando por ela joga água em suas botas já encharcadas...
“seria bom estar nesse ônibus... ao menos teria alguém que vive para poder conversar”
Todos chegam em casa, uns mais molhados que outros, uns mais cansados que outros, mas todos tem o mesmo pensamento em mente...
“seria bom ter alguém hoje.... seria bom te ELE, (a) para falar um pouco sobre nada... seria bom poder sentir de novo... “ a noite segue, as horas se passam e eles dormem sabendo que
Nada é como a gente gostaria... mas a gente não é obrigado a gostar de como é.

sábado, 12 de junho de 2010

pegadas.

É Tão Divertido quando a gente olha para os passos dados e nos alegramos de ter dado as topadas que demos. É tão bom olhar a ponta do sapato comida ou então o dedão do pé com band-adi´s grudados, pode parecer um pensamento masoquista, mas não é.
Na verdade la no fundo todo mundo sabe que a gente aprende com os erros, todo mundo sabe disso todo mudo entende isso, mas poucas pessoas aceitam isso com o peito aberto. Com o desejo mesmo que estranho de tentar de novo e mesmo que o dedo fique roxo e que as unhas fiquem no caminho... mas e daí? No fim da trilha a gente olha para trás e vendo todas pedras todas as topadas podemos dizer com orgulho, de verdade o orgulho nessa caso vale pena. Orgulho de dizer “Cara eu passei por tanta coisa, errei muito mesmo, e até reconheço agora erros que nem percebi na hora... mas cara... eu to aqui.. vivo, e feliz, feliz de ter topado com aquela pessoa, ou ter esbarrado com aquela situação, cara que bom que não fiquei com aquela farpa, ainda bem que encontrei naquela outra pessoa um rio de carinho e atenção, Nossa que maravilha que eu cai e tropecei com aquela outra pessoa, e que bom que me levantei apoiado nela mesmo... que bom que vivi tudo que tinha pra viver... e que bom que hoje eu acordei pra minha vida e posso dizer sem medo... mesmo com todos os erros que me auto infligi, mesmo com tanta coisa me pesando nos ombros na subida, e com aquela dor no joelho na descida, mesmo com tudo isso foi uma vida boa... toda topada toda dor que passei e senti me fizeram ser melhor, mais maduro mais adulto mais honesto mais verdadeiro, mais educado e amigo... até me ensinou a amar melhor... mesmo que amar já seja o melhor... “
Eu me alegro assumo, assumo que me alegro ao lembrar de cada lagrima despejada em noites solitárias, eu me alegro com todos os meu erros. Por que graças a eles eu acertei depois em outras coisas...
Me alegro de ser esse barbudo besta, romântico e tolo muitas vezes, me alegro mesmo de ter conhecido todos que conheci e só me arrependo de ter deixado de conhecer uns tantos outros que seria muito bom conhecer.
Não espero muito entendimento de meus textos, e sei que tenho erros de gramática e ortografia, mas me apego a uma máxima que diz “ se a mensagem for bem intencionada, pode ser escrita no vento” e é verdade, se for mesmo pode ser, por que quem quiser entender vai saber ler e entender...
Entenda que entender os erros não é aprender com eles, mas aprender com os erros é entender melhor os acertos.

domingo, 6 de junho de 2010

Monólogo da madrugada

O vento uivava nos galhos e ao longe parecia que alguém sentia mais frio que a noite, ele com a cabeça apoiada na vidraça da varanda, observava a calma e gélida noite. Seus pensamentos iam e vinham de um tempo distante a aquele exato momento em poucos segundos. Uma ou outra lagrima vez por outra vertiam de seus olhos escondendo os mananciais de lagrimas que ele teimava em manter ali, guardados e de olhos alheios.
A noite fria era sua única companhia, talvez se ele não tivesse tomando tão rapidamente o vinho, a noite passasse mais lentamente, mas a taça vazia e a garrafa seca eram sem duvida a prova de que ele fora apressado de mais... em tudo...
A mão busca a foto no bolso, e ela de braços abertos saltitando no caminho a frente, parece tão real que ele pode até sentir o calor do sol no rosto e o vento suave nos cabelos... e o perfume... o doce perfume dela...
Mas não... longe disso... ele fecha os olhos, esfrega as lagrimas, e sente o vento frio da noite, e seu peito vazio batendo insistentemente.
Ronronando em uma almofada perto da ali o gato se mantém aquecido enquanto ele olha com uma pergunta se formando, “Seria melhor esquecer?” ninguém sabe. E quem poderia saber? O relógio continua em suas voltas tediosas e ele em sua vida sinonimamente escrita.
“Maldita sorte”, pensa ele, “Que destino tresloucado me obriga a viver uma vida visando um futuro com a mente presa em um passado? É de certo seria melhor esquecer...” suspira ele sentando-se na poltrona velha que range como ele range os dentes... “seria esse o carma de um homem com eu?” passar a vida nas noites frias esquentando apenas com vinho, e ouvindo os gemidos de uma velha poltrona?... Maldita sorte !!” exclama inda mais uma vez antes de por os pés sobre a mesa de cento...
“Não... pensar em esquecer é tentar lembrar... como se fosse difícil, todo dia me vem a mente os olhos, a boca... toda hora me vem aos ouvidos as frases ditas quando nos embaralhávamos nas cobertas como carta de um tarô de cigana a ler o futuro... esquecer... talvez seja fácil tirar do pensamento, mas e tirar um sentimento? Seria igualmente oportuno?” liga a tv apenas como companhia e puxa a coberta fina por sobre o peito...
“Ridiculamente infantil... é essa vontade de pensar que pode se esquecer o inesquecível, e seria mesmo inesquecível? Todo mundo julga o ultimo amor o ULTIMO amor... O amor... e será que é mesmo O amor? Nem mesmo o tempo sabe... ninguém sabe... O TEMPO É O REMÉDIO DE TUDO, quem dera fosse verdade... se fosse assim nasceríamos doentes e morreríamos saudáveis... o tempo é a doença da alma... não foi a ganância, a mesquinheis, a usura e a guerra que puzeram fim a Roma... foi o tempo que se tinha vaga na época, foi o tempo que se gastou pensando ao invés de se fazer algo..”
O gato se alinhava em seu colo buscando dividir um pouco do calor, e de certo modo cedendo uma orelha ao monologo da madrugada...
“Pense comigo felino amigo... a cada segundo que se passa pensando, buscando uma resposta se chega a inúmeras outras perguntas e nessas voltas tortas e tontas de ponteiros, assim como ele, voltamos a mesma pergunta... feita em roupa nova, vale a pena? Se fosse de pensamentos curtos, me diria a velha frase do poeta... TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO FOR PEQUENA... e quem sabe o tamanho de uma alma? Se fosse valido assim, todas atitudes do mundo poderiam ser julgadas e perdoadas pelo tamanho da alma... mas na verdade, na mais pura e fria verdade, o que faz valer a pena não é a alma. E sim a vontade... e esta meu peito se transborda, em dúbias vontades em antagônicas formas de desejo, esquecer e seguir em frente. E lembrar e se fazer presente...
Seria essa a essência de um livre arbítrio? Mas uma vez digo... MALDITA SORTE, que sorte de vida é essa que me da o direito de escolher entre ir ou ficar, aquecer e sentir frio, em comer e minguar de fome... AH! Sorte louca sorte sem dente... sorte demente, sorte amarela... moribunda... por que não cala logo este jogo de vida? Por que não suprime a sublime vida? Seria... pecado?
Aos infernos o pecado... uma eternidade de danação seria menos dolorida que uma vida de lembranças ou esquecidas memórias? E se eu esquecer e viver, dia por dia e até me permitir ser feliz e na hora das badaladas finais de meu coração atrasado ou adiantadamente lembrar dos dias atuais e dos idos... e nessas lembranças lembrar de entes que foram e inda são queridos? Será que ao fechar os olhos vou me perguntar a pergunta sem sentido... E SE TIVESSE SIDO?
Mas não foi... é verdade não foi... por mais que eu tivesse me esforçado e em parte alcançado conseguido, mas a sorte de uma vida me deu as costas... me negou os lábios... antes tivesse me sorrido.
Largado o peito louco de uma verdade sem sentido... a ouvidos atentos da sorte, um gemido é um brado ao longe ouvido....mas me responde felino amigo...falávamos de que mesmo? Não que tenha esquecido, mas pra que lembrar de sombra fraca do que deveria ter sido.”
Acaricia ele o gato que se estica em seu colo como que se tivesse entendido, e olhando nos olhos do rapaz faz a única coisa que lhe era cabido...
Mia, se levanta e sai a andar com o rabo erguido...