Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

sábado, 31 de julho de 2010

Gente Grande não se entende.

- Pai? – Disse a voz infantil sacudindo a perna do jovem que olhava atentamente pela janela, os cotovelos apoiados e o rosto ao vento..
- Opa, diga lá Campeão, o que foi? – Disse ele abaixando e olhando o pequeno garoto nos olhos, um sorriso fácil sempre cortava seu rosto quando ele via pequeno menino correndo ou então assim de braços unidos a frente do corpo segurando seu próprio rosto...
- Por que vovô diz que é errado dizer que o copo esta meio vazio? - O garoto disse isso inclinando a cabeça curiosamente, como quem espera ouvir uma resposta inteligente, diferente das “por que sim” que algumas “gente grande” costumam dizer a ele.
- Sabe filho, é uma boa pergunta, é que para muita gente dizer que algo esta “Meio vazio” é uma coisa ruim que a gente chama de Pessimismo, sabe, é como repetir que algo vai dar errado antes mesmo de começar a fazer, mas não é por que você já viu dar errado e sim por que você não “acredita” que possa dar certo... então se a gente diz que algo esta “meio vazio” ou “meio chato” estamos vendo o lado ruim, a chance ruim das coisas, poderíamos dizer que esta “meio cheio” e “estava quase bom” entende? Assim trazemos uma coisa boa ao invés de algo ruim entendeu?
- Entendi que Gente grande não se entende....
Ele parou, agora era o jovem que inclinava a cabeça e curioso para entender o que ele quis dizer com isso..
-Como assim filhão?
-A Pai, Gente grande que da nome a tudo, né?
-Sim, mas alguma coisas foram vocês que deram nomes.
-Humm... fala serio... é sempre alguém adulto que deu nome...
- Ta ok é sim foi sempre um adulto que deu o nome mas por que a gente não se entende.
-A, vocês dizem que é ... pe...perci...
-PE...SI...MIS...TA..- Disse lentamente para o filho entender a pronuncia.
- Pessimista, que não é legal dizer meio vazio, mas quando é em doce é Meio azedo, Meio amargo.. e logo doce que é tão bom... não da pra entender....
Dito isso o menino saiu correndo, e deixou ali um jovem de joelhos, próximo a janela... pensando com um sorriso ainda maior no rosto...
O menino tem razão... a gente.. GENTE GRANDE NÃO SE ENTENDE...
O jovem se levantou... correu atrás do filho e fazendo cócegas em sua barriga disse uma vez mais... Filhão eu te amo....
E ouviu dele entre as risadas eufóricas um também te amo pai...
E assim a tarde que estava quase boa... terminou perfeitamente perfeita...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Por do Sol

Não passavam das 17 horas e ela caminhava na areia, o sol já rumava para se esconder atrás do morro dos irmãos mas ainda aquecia suas costas, a sua frente o Arpoador e o vento soprando mexia em seus cabelos como ele costumava fazer, ela algumas vezes até fechou os olhos, e pode sentir os dedos dele sendo envoltos por seu cabelo e seu cachos... em outras tantas riu-se por dentro e deixou escapar um “vai embaraçar ele todo” seguido de um suspiro...
Nas mãos as sandálias não pesavam mais do que as lagrimas em seu rosto, ela nem devia chorar, mas chorava, e seu peito sufocava seus olhos com torrentes de lagrimas e lembranças. As nuvens se pintavam de dourado e lilais, comum nessa época do ano ao por do sol, mas ela mantinha os olhos fixos no arpoador... as rochas brilhavam quase como se fossem de ouro.. e a vegetação rala nas pequena colina era como um manto verde... suave... ela pode lembrar de uma vez, uma ligação no fim da tarde... e a voz embargada ele dizendo “estou aqui... mas sinto sua falta... tudo seria melhor se estivesse comigo” mas ela não podia estar...
Os pés afundavam na areia e em alguns momentos uma onda mais atrevida tocava sua canela, e ela poderia até jurar que eram os dedos dele tocando suavemente... e pode até sentir os seus dedos acariciando levemente seu joelho e depois um beijo... frio de um vendo de fim de tarde..

Apequena escada, a rampa.. a trilha e finalmente ela pode se sentar em uma rocha que parecia em muito com o abraço acolhedor dele... alguns casais se beijavam, outros conversavam sobre a vida, ela podia jurar ter ouvido alguém pedir alguém em casamento... mas talvez fosse o canto da gaivota, ou as ondas tocando as rochas a seu lado...

o sol agora era visto por trás das montanhas, lançando raios suaves de luz e deixando uma cor única... ela suspirou forte, e lembrou dos olhos dele, de como ele se punha a frente dela para falar, das coisas que dizia, dos cabelos negros dele e da primeira vez que ele disse “eu te amo” a ela...
Lembrou-se de que ele a descrevera depois como olhos assustadoramente lindos, mas ainda assim mais assustados que felizes ao ouvir... era cedo ela pensava... para ele... era hora...
Lembrou-se de tantas vezes que ao se declarar a ela ele deixava as lagrimas correrem no rosto não por dor ou por besteira infantil, mas por que era assim que deveria ser, um peito apaixonado, amando fala mais alto quando traz junto das verdade uma lagrima para lubrificar a vida....
Suas mãos apertaram forte um pequeno pedaço de papel, um guardanapo na verdade, e nele alguns desenhos e rabiscos... mas para ela era a lembrança de como tudo começou...
- Queria que estivesse aqui... – disse ela...e completou.... – Mas é impossível... você não pode...

Sua cabeça abaixou e o pequeno pedaço de papel foi levado pelo vento... ele se fora de vez... A rocha agora, como um ciclo liberava o calor materno e amoroso que o sol lhe dera durante o dia, ela agora... recolhia das lembranças o mesmo calor... porem... amanha a rocha teria novamente o sol... e ela... nunca mais o veria...
Com o vento nos cabelos, e o pequeno guardanapo flutuando como gaivota ele se lembrou, do gesto simples de dizer “adeus” das frases, das verdades... e principalmente se lembrou das tantas vezes que ele disse “te amo” depois da primeira...
Mas o sol se punha... e agora era noite pra ela... iluminada apenas pela luz da lua... refletindo as memórias de um sol.. e os pontinhos felizes... “minha estrela solitária” ... sorriu ela ao lembrar...
E depois... bem... depois era noite... e as lembranças sempre vivem nesta hora...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Preso em uma lembrança

Deitou-se novamente, De que adiantaria ficar de pé? Nada o fazia relaxar e o frio em sua barriga era agora uma lembrança o que antes ardia no peito... as costas ardendo como se gelo estivesse ali a horas..
A coberta da noite agora parecia uma manta de aço que o prendia a uma realidade que ele não queria, não adiantava lutar contra, o tempo não era seu aliado nem mesmo o destino parecia ser agradável a ele. De olhos abertos ou fechados a imagem suave dela percorriam os cantos de sua memória e ele, agora respirava lentamente tentando se manter nesse mundo... e não nos sonhos...
- Você bem que podia vir aqui me ajudar não é? - Um arrepio sobe por sua coluna, e inclinando a cabeça e olhando para o banheiro a imagem suave dela penteando os cabelos e alisando com sua chapinha... ele suspira e se levanta... parando a porta..
- Você sabe que não sei fazer isso...
-Mas seria bom aprender, pra não ficar reclamando que eu me atraso sempre..
-Eu esperaria você para sempre... sabe disso.. – Nesse instante ele percebe que falou algo diferente.
-Mas se você me ajudar a gente sai na metade do tempo sem duvida.
Ignorando suas lembranças deixa seu peito falar...
- Sabe, queria que estivesse aqui, muitas e muitas vezes imaginei as conversar que gostaria de ter com você, mas você não esta aqui... e nem falar com você eu consigo... não consigo ouvir sua voz, olhar seus olhos... afundar minha mão em seus cabelos... que mesmo você não concordando... são os cachos mais lindos que já tive o prazer de tocar... e esses pelinhos revoltos em sua nuca... me apaixonei por eles você sabe disso... já te disse inúmeras vezes... quando dormia a meu lado...
- Ta bom ao menos me passa o creme?
- Tu é linda sabia? E eu ainda te amo...
- Obrigado seu bobinho neurótico.
- Eu adorava quando me chamava assim...
-Vai ficar ai me olhando? Sem falar nada?
- Te amo
- Eu também te adoro...
Ela se vira... ele toca suavemente a nuca dela.. enquanto ela desaparece...
- É Pequena... eu te amo...
“eu também te adoro....” ele repete em sua mente...
E um fio de cabelo ruivo ainda brilha no pente...

sábado, 10 de julho de 2010

Sombras

Tarde, o sol estendia as sombras pelo chão, longas compridas as vezes até demais, as crianças brincavam em um parque ao alcance dos olhos do velho, e ele sentado nos degraus da entrada de sua casa observava calmamente as sombras crescerem mais e mais...
No colo dele um pequeno álbum de fotos, e na mente o desejo de fazer as sombras ficarem cada vez menor, cada vez mais próximas de sua origem... mas as sombras não paravam de crescer. E as crianças já eram chamadas a suas casas... e ele a folheava o velho álbum, uma ou outra criança passava por ele, e com um suave “boa noite vovô” acenava do outro lado da rua, ele sorrindo docilmente acenava de volta e retornava as fotos...
O céu ia escurecendo as luzes da rua acendendo assim como as estrelas, e ele ali ainda, olhando a rua vazia com as fotos nas mãos, e filmes na cabeça...
Já se iam muitos anos desde que ela faleceu, ele ainda se sentia um tanto culpado por isso, não pode nem ao menos sentar-se ao lado dela nos últimos momentos, nem dizer o quanto sentiria sua falta... ele longe impossibilitado de qualquer prova de afeto dizia apenas nos telefonemas, “melhore logo” ... e seria o bastante se ela tivesse melhorado..
Os olhos vermelhos dele eram o prelúdio de uma noite longa a frente da lareira, com cartas e fotos, e tantas lagrimas no rosto...
“Pensava que eu já estava seco, não tinha mais nada para chorar” pensou ele levantando-se e caminhando lentamente para dentro de casa enquanto as lagrimas corriam em seu rosto rugado.
A frente da velha lareira, ele praticamente relembrou todos os anos que viveram juntos, cada café da manhã, cada beijo no portão, cada sorriso, lagrima, vontade, felicidade, desejo, angustia e contentamento que tiveram juntos... mas foi uma foto, a ultima foto que ele viu na noite que o fez pensar mais ainda...
Ele suspendia a menina sobre a cabeça no fundo a frase de parabéns pra você o nome de sua filha, Ela, a filha sorrindo alegremente, os parentes ele olhava para o lado, e ali quase saindo do enquadramento da foto... ela... mandando um beijo, com um gesto quase mudo e uma mão no sobre o peito... ele lembrou-se que ela tinha os olhos vermelhos, era aniversário de sua filha, ele jovem e ela também... Mas por que ela chorava?
Virando a foto, viu em letras infantis. A data da foto e uma frase “Meu presente mais querido” e abaixo as letras inconfundíveis dela “ Nesse dia, minha filha ganhou o presente que ela me pediu o mês todo, e eu ganhei meus carinhos sonhados a tantos meses...”

De súbito seu peito gelou, e ele lembrou-se que ele não ia a sua casa a tempos por que estava preso em seu trabalho, e sua esposa dizia que sua filha pedia unicamente a presença de seu pai... sua cabeça pesou tanto... uma breve olhada para o relógio... e depois...
- Alô
-Filha...
-PAI.... Quanto tempo, que saudade..
-Eu também filha...
-Tudo bem com o senhor? Aconteceu algo?
-Não, nada, to bem sim, é que... hoje...
-Eu sei pai... também tava pensando nela..
-Como esta o garoto?
-Pai... vou levar ele ai para ver o senhor... ele esta pedindo pra ver o senhor o mês todo... e eu também...
A conversa se estendeu por mais alguns minutos, e ao desligar o telefone, a casa não parecia tão vazia e fria... e as lagrimas agora corriam ao encontro de um sorriso feliz de avô...pai... e mesmo não vendo.. ele sabia que ela também sorria...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Apenas mais um.

Ando sempre acompanhado, por vezes da saudade que me mostra sempre onde já andei e com quem vivi, me faz mergulhar nesse lago de lembranças e sair sempre seco... as vezes seco de mim mesmo.
Não me queixo da saudade, é saudável sentir saudades, assim sei sempre que estou vivo, e que vivi bem, ou ao menos tentei viver bem.
As vezes a saudade me deixa, apenas para ter saudade dela mesmo, e quem anda a meu lado é o desapego, essa sim uma companhia fria, até nos dias mais quentes, nada do que diga ou mostre a ela tem sentido ou valor aos olhos frios, só se sente bem quando sai de meu lado e vai caminhar com seu companheiro descaso.
Não gosto de andar com o Remorso, é áspero e sempre de mal humor, sempre criticando a outros, e negando a si mesmo a certeza de que se algo torna a morder é por que você ainda não se livrou dele, ou não quer se livrar, e ai a culpa é só sua, então teria um remorso seu mesmo? Para que o mal humor?
Eu confesso, as vezes as pessoas não me entendem quando chego, frio e olho bem lá dentro do peito, posso estar acompanhado de um ou dois desses meus amigos, mas eu ando também sem eles. Apenas comigo, a procura dele.
Eu ando sempre a procura do amor, esse rapaz não para quieto, sempre correndo e saltando, e tornando a queimar peitos alheios a ele mesmo, a paixão vem antes, sempre dizendo que ele esta por vir, poucas pessoas dão ouvidos a isso, e as vezes ignoram a paixão, e ai... acabam virando moradia do Remorso... é triste ver alguém assim.
A tristeza me visita as vezes, damos uma ou duas voltas na pracinha aqui de perto, e alimentamos a esperança que fica sempre ali... a quem quiser ver.
Mas o amor... esse menino atrevido nunca me deixa andar a seu lado... o Ódio já tentou ser meu amigo, andar comigo fazer uma dupla... mas confesso que não gostava muito de suas artimanhas calculistas prefiro andar desacompanhando.
Nem ela a dama de negro, a morte que anda por ai ceifando companheiros e vidas me quis a seu lado... ela apenas me disse. A morte nunca anda sozinha... já tenho meus 3 companheiros...
Quem sou eu? Bem eu sou apenas mais um... desses tantos sentimentos que por tantas vezes povoam os peitos de tantos homens e mulheres. Eu sou apenas a solidão...