Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

APELO A VIDA

Um apelo, é estranho começar assim mas é verdade, hoje venho fazer um apelo, o ano esta acabando e com ele vem surgindo a esperança de realizar sonhos, de buscar algo novo, de fazer algo que não foi feito, muitos e eu me incluo nesse grupo, pensam e planejam as coisas muitas vezes baseando-se no material, no que quererem conseguir, nas conquistas materiais. Bem não é errado querer uma estabilidade financeira, não é errado querer um bom carro ou casa claro que não é... mas e o que pensa em relação a sentimentos? Em relação ao outro?
Com tanto pai matando filho por ai, com tantas Isabela, Pedro, Mercia e Elisa eu me pergunto o que passa pela cabeça de cada um hoje, as vésperas de um ano se fechar? Será que a soma de fim de ano foi positiva? Meu apelo é simples.
Vamos na hora da virada pensar em quem não pode completar mais um ano de vida, quem não pode ver os fogos, brindar o ano novo, ou ano bom, vamos comer as uvas saltar as ondas subir na cadeira, fazer as oferendas por essas pessoas, esses seres que foram privados de comemorar junto aos seus, essa data.
Vamos olhar a quem esta do e imaginar se gostaríamos de comemorar um ano sem um filho, esposa, pai, mãe, se seria a mesma coisa... vamos sim comemorar a virada do ano, vamos ser positivos vamos olhar para essas pessoas e pensar que muitos anos vão vir, e muitos outros depois, mas não vamos fechar os olhos ao lado negro da nossa sociedade.
A gente já passa o ano todo de olhos fechados, julgando tanto o desabrigados, os sem teto sem posses, sem família, sem afeto sem comida... então no ano novo, quando a mesa estiver farta eu faço o apelo de que pense no fim da violência, que pai nunca mais mate um filho, que filho não mate pai, que não tenha mais esse mundo louco... mas peço também se me for permetido, que pegue um ou dois pedaços de seu pernil, de seu chester, faça um ou dois pratinhos de comida. Va a rua, procure perto de sua casa, certamente deve ter alguém encolhido no canto sem ninguém saudando a ele bom ano. Faça isso. Quebre a corrente de descaso e abra os olhos a VIDA abra os olhos aos SERES VIVOS...
Meu apelo pode ser entendido mais diretamente assim...
VAMOS VOLTAR A VIVER, VAMOS VOLTAR A SORRIR A SAUDAR A QUEM PASSA NA RUA VAMOS VOLTAR A SER SERES HUMANOS... NÃO APENAS SERES VIVENTES.
DESEJO A TODOS SERES HUMANOS UM FELIZ ANO NOVO, UM FELIZ ANO BOM
E UM FELIZ REGREÇO A VIDA.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

12 meses.

12 meses se passaram , e outros tantos vão vir e hoje eu me pergunto qual pesa mais? Os 12 passados ou os tantos que estão a vir? E realmente não sei...
Hoje poderia ser um dia comum, um dia qualquer, onde crianças estariam correndo com seus brinquedos nos parques, se divertido com jogos eletrônicos ou traquitanas modernas, e eu provavelmente estaria penando nisso e sorrindo, e quem sabe escrevendo uma ou duas linhas sobre a felicidade de ser criança, mas hoje não... hoje é um dia diferente... hoje faz um ano que ela se foi, e ela, não é uma personagem de um conto... ela é uma grande amiga que faleceu neste dia ano passado... 1 ano...
Lembro que final do ano passado foi terrível para mim, pesado por perder ela permanentemente, por saber que não voltaria a vê-la, nem a ouvir o telefone tocar e ouvir a voz dela me dizendo um alo inconfundível, ou nas tardes horas da noite receber um sms solto com uma frase de um filme qualquer... era assim que éramos amigos, as vezes mais que amigos, a gente se falava tanto, sobre as coisas da vida e sobre os sonhos que éramos como irmãos... só no fim descobri que o que era existente entre a gente não tinha nome era inconfundivelmente sem nome por ser absolutamente claro...ambos amavam um ao outro de forma que ninguém poderia descrever, respeitando e acompanhando em toda jornada...
Mas a 12 meses ela se foi, não sem antes me dar um ultimo puxão de orelha, não sem antes me deixar um “recado” perdido, não sem antes dizer a mim o que ela carregava no peito.
Eu lembro que nunca disse a ela a mesma coisa, nunca disse de forma clara o que sentia por ela, e como ela era e ainda é uma figura singular em minha vida, e provavelmente se estivesse aqui hoje me diria com a voz com um misto de riso e choro, “wbriuzito meu querido, e precisa falar?” realmente não precisa falar.
Hoje eu lembrei por muitas horas cada conversa cada papo que tivemos até a ultima vez que a vi, e lembrei das tantas vezes que não falamos nada apenas ficamos olhando um ao outro, ela La deitada em seu canto eu com Sancho e Quixote nas mãos...
Bem. Hoje faz um ano doce amiga, que esteja ai, no seu canto, quieta sem falar muito, eu estou aqui fazendo de tudo para cumprir o que me pediu...
Seja o anjo que era... saudades de ti amiga.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Falta

Falta, estranha palavra que ninguém consegue preencher,
Falta sentido no que se diz e no que se quer dizer,
falta verdade nos atos, nas vontades e no querer.
Falta base pra suportar, falta ar para respirar, falta fazer
Da falta algo bem menos vazio do que antes fez falta
tornar baixo pequeno miúdo o descaso que esta em alta.
Falta pouco eu sei que falta, mas é isso no esporte erro é falta
a dispensa vazia, na hora da ceia, o espaço de sobra é falta
Maldita, maldita a pessoa que inventou a falta.
sentir falta de algo é sentir grande o espaço pequeno que falta.
é mergulhar no oceano e sair molhado e deixar nele a falta
Das gotas pequenas que traz a areia e que pra ela não faz falta.
Falta nesse mundo uma coisa que por faltar a todos não faz falta
falta essa rima pobre rima seca terminar em alta
e até sem rimar dizer a verdade que no mundo faz realmente falta
é assim antítese da rima, quebrando métrica verso, digo o que falta.
Falta respirar
ao pulmão sem ar
falta alimento
ao estomago sedento
falta coração
ao povo sem emoção
falta no peito por
um punhado de amor
falta realmente calma
se sabemos que ao mundo falta alma.

Tentativas.

A menina de vestidos sujos sentada no gramado sorria com o sol suave que mas parecia um abraço carinhoso, ela de joelhos na grama brincava ainda com suas bonecas e miniaturas de fogão e armários, sentados no banco o jovem casal ria cada um a sua maneira com os trejeitos desajeitados da menina sob o sol suave.
- A gente tem que decidir logo, não da para esperar mais, não esta sendo bom pra gente, muito menos pra ela. – disse a jovem sorrindo ao ver a filha acenar.
- Eu sei, também não tenho gostado do jeito que esta, acha que gosto de ir toda semana para La e deixar vocês sozinhas aqui? Acha que gosto de ficar longe dos abraços, e beijos?
- É ela sente sua falta.
- E eu sei, mas e você?
-... Você sabe... é difícil.
- Sabe ela me ligou esses dias, pegou seu celular e me ligou, sem querer eu sei, mas foi bom, por 5 minutos fiquei ouvindo ela brincar com as bonecas... mas ao fundo...
- O que tem?
- Eu ouvi você falando com sua amiga... Você esta mais infeliz que ela não é?
-...
Os dois se olharam por um minuto até que sentiram as mãos pequenas de sua princesinha tocando as mãos deles, quase como ensaiada mente olharam ao menina e disseram.
-O que foi princesa?
-HE HE HE. Pai, mãe. A gente se ama muito né?
- Sim – disseram novamente na mesma hora.
-Por que a gente não mora junto?
-...
Os dois jovens não sabiam responder a essa pergunta e nem as outras tantas que vieram anos depois, nem tão pouco souberam lidar com as mudanças da puberdade, nem com as crises por não conquistar o garoto da escola, ou por não ter o vestido certo na noite de formatura... mas o importante é que mesmo sem respostas, mesmo achando que não saberiam como fazer ou se poderiam fazer eles fizeram...
Hoje a princesinha tem seus filhos, e tem nos pais, a imagem perfeita de quem vive não somente com conquistas e vitórias mas sim as tentativas... e na tentativa que se conquista mais do que apenas uma vitória... e sim um aprendizado...
Hoje os jovens avós sabem como lidar com todas mudanças, perguntas e puberdade de seus netos... e dos filhos que vieram depois... e hoje puderam responder a velha princesa
- A gente morava longe por que não sabíamos que você amava a gente junto...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eclipse

O garoto corria pelo campo com o vidro cheio de vagalumes a noite começava a cair escura e fria e o jovem menino de olhos brilhantes corria velozmente para casa, ao longe a imagem de seu velho avô sentando na varanda da casa de sape pitando seu cigarro de palha e o som suave do “nheee nheee” da cadeira de balanço no assoalho de madeira.
- Vôoo peguei um monte de vagalume, olha só?
- É pegou mesmo, um tanto de estrelinha.
-Estrelinhas?
O velho sentou o garoto no colo com o pote cheio de vagalumes e alguns besouros, e começou a contar.
A muito tempo atrás, antes dos homens esquecerem como falar com as plantas e o vento, existiu um jovem que era apaixonado por uma moça, essa moça era filha do vento, irmã da manhã e sendo ela a noite ninguém a segurava, ninguém a conquistava. Ela andava por ai, seguindo longe seu amor, sem perceber que o jovem era apaixonado por ela, mas ela amava um outro, amava um bicho arrogante que sempre dava as costas a ela, e se afastava dela... mas ela a noite sempre seguia o dia... sempre.
“o jovem menino de olhos brilhantes olhava atentamente o seu avô contando a história enquanto a noite vinha chegando”
Mas certo momento, o jovem apaixonado gritou a noite que ela olhasse para ele, que percebesse a ele, ela olhou e com seu vestido negro chegou perto dele, e perguntou
- O que uma pessoa como você pode me dar? Eu escureço sua imagem, apago seus passos, você não tem força para segurar e nem me manter em meu lugar... o que pode oferecer um simples homem a noite?
- Eu sempre pensei que a noite já tinha tudo que quisera, vejo ela caminhar atrás do egocêntrico dia que brilha e queima a quem o segue como os homens , eu porem vivo sempre olhando seu vazio vestido negro me se sinto mais feliz andando em sua companhia mesmo que não me note, eu estou sempre sorrindo a teus cabelos negros.
A noite sorriu, e passou a reparar que toda vez que ela se aproximava ele, o jovem estava La sentado na pedra esperando ela chegar atrás do sol que já se ia do outro lado...
- O que posso te dar bela noite?
-Me de algo que anuncie a minha cegada, quem sabe assim eu perceba que tu realmente me ama.
E assim a noite foi passando por esse jovem e ele pensou e pensou, passou o dia trancado em seu quarto escuro enquanto o dia ardia em ciúmes, mas a noite vinha chegando e ele sentado com um grande embrulho no colo esperou a noite chegar
-O que tens pra mim jovem?
- Não sei bem, se vai te anunciar aos outros, mas a mim sempre me fará te ver chegando ao longe. – Desembrulhou um grande broche feito de prata pura, que assim que saiu do embrulho brilhou refletindo a luz do dia que ia do outro lado.
A lua pegou seu broche e pois no vestido negro, e sorrindo disse.
-Me deu algo que me faz ser notada, e ainda ilumina um pouco sua face, assim posso ver que sorri quando eu chego, mas e quando esquecer seu presente? Como vai me ver? Como vou ver você?
Novamente o rapaz passou o dia pensando e o chegar da noite com grandes potes a seu lado gritou a lua.

- Não se apresse noite, pois eu vou decorar seu vestido com brilho vindo de seu sorriso...
E dito isso abriu os potes, e grandes vagalumes voaram por sobre a noite e pousaram em seu vestido, cada vagalume brilhava forte, e assim a lua pode ver o jovem sentado na pedra tinha os olhos mais lindos que ela já viu, e sorria apenas por ver a noite chegar agora com um vestido cintilante de brilhos, e um broche redondo brilhante.
A noite apaixonou-se por esse jovem, e deu a ele o nome de eclipse, pois ele apagou o brilho do dia.
O avô olhou o jovem menino que saltava do colo do avô e corria para o quintal enquanto a noite chegava soltou os vagalumes dizendo
- Vai estrela, a noite precisa de estrelas...
O velho avô percebeu ele mesmo faria isso se ainda tivesse sua dama de vestido negro como a noite. E o nheee nheee continuou até tarde da noite... e era uma noite de lua cheia, a mais linda noite que já se viu... e umas tantas estelas novas foram vistas em seu vestido novo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tente outra vez...

Ele se levantou, apoiou pesadamente as mãos no joelho e a cabeça parecia mais pesada do que nunca, os olhos ainda vermelhos e o rosto ardido, era cada vez mais difícil sorrir, era cada vez mais difícil seguir em frente era impossível olhar para o vasto desconhecido e não lembrar do passado doloroso ... olhar por sobre os ombros era mais fácil do que levantar os olhos e ver o horizonte.
Caminhou apoiando-se em moveis até o banheiro, e por fim de olhos vermelhos fixos no espelho viu seu rosto, pareciam anos, que ele não se olhava assim, mas foram apenas alguns dias, para ser honesto algumas semanas... passou a mão suavemente pelo rosto e sentiu a barba especa entre seus dedos e por pouco não caiu de joelhos... o toque foi como uma passagem a algum lugar do passado, onde era fácil sentir-se tocar por ela... mas não... era sonho... era lembrança fantasmagórica.
Ela tomava seu café, ao menos era o que ela pensava ser, já que biscoito recheado e café não são bem vistos como café,os olhos dela calmos e quietos olhavam a sua volta, no chão as roupas de ontem, na mesa o jornal de hoje, na TV um programa de anos... o telefone ao lado as mensagens dele, as chamadas não atendidas as tentativas de se manter contato... mas já faziam algumas semanas que ele não ligava... faz já algum tempo que ela não ouvia a voz dele... e agora começava a fazer falta... agora ela sentia falta do calor cuidadoso que derramava de suas frases e preocupações...
Os dois sentados olhando a tela da TV vendo cada um algum programa que não dizia nada de importante e servia apenas para anestesiar seus pensamentos e medos, e assim impediam os dois de perceberem que nada mais fazia sentido... nada mais é correto ... por que a cada segundo existe alguém sentindo ausência de outro alguém... eles não são diferentes e não serão os últimos...
Mas nos momentos a sós cada um olhava para seu teto e nesse momento lembravam-se cada um dos momentos certo de sua vida...
Ela levantou-se, se vestiu e saiu... seguiu seu rumo, foi cuidar de sua vida foi andar com quem ela queria...
Ele , sentou-se a sua mesa, começou a trabalhar, e algumas vezes seu telefone tocou, ou ele ligou para quem agora falava bem algo a suas vontades...
É fato que tudo tem um fim, mas o fim não é o termino de tudo... apenas uma forma que o mundo arrumou para dizer
“Hey... vamos La... tente outra vez...”

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma carta

Sua família reunia os pertences dele, as ultimas lembranças que faltavam ser empacotadas e enviadas para o sótão, o velho solitário não mais caminhava por aquela casa, não mais sentava-se a varanda e tocava seu violino, não alegrava as crianças com suas histórias e tão pouco alimentava os pássaros em seu jardim, hoje o velho solitário estava mais solitário que nunca em uma diminuta caixa, em pó finalmente era ele companhia dele mesmo.
Os irmãos, mas velhos que o velho, as cunhadas, um ou outro sobrinho e sobrinho neto vasculhavam a casa recolhendo fotos, livros discos e filmes, mas tudo parecia perdido e fora do lugar, tudo estava como ele, velho e sozinho.
Em uma das tantas caixas a sua cunhada encontrou um envelope fechado, uma carta, dele para ela... uma carta que nunca foi entregue...
Involuntariamente ela abriu a carta, e mais involuntariamente ela fechou, selou e mandou entregar ao destinario.
A jovem senhora receberá a carta com um susto, o nome do remetente chegara junto com a noticia de que ele morrera de infarto, e ela sentada agora em sua poltrona tremia os dedos para abrir o velho e amarelado envelope.
Mesmo que os olhos dessa senhora não estivessem acostumados a vazar, hoje, assim que abriu a carta e pode ver a data uma nascente muda iniciou.

Minha pequena cereja,


Não sei ao certo quanto tempo a gente não se diz coisas boas, vivemos assim entre nossos enganos e medos, nossas incertezas e vontades mas são esses meses que estamos juntos que me faz ter certeza de que algo bom existe entre nos, talvez seja a loucura desse bobo que por tantas vezes se vestiu de inseguro e assim calou a voz suave de um sentimento que nascia em seu peito, ou talvez seja apenas o eco de uma verdade que repetia tantas vezes em minha cabeça, era eu insuficiente a ti?
Hoje eu tenho certeza de que fiz o melhor, joguei de certa forma e de forma clara com você, porem errei, e meus erros são de certo imperdoáveis, pois hoje esta ai, distante de mim, talvez quem sabe com alguém ao lado e sorrindo, enquanto eu caminho ainda aqui calado e só.
Não por que não tenha tido motivos para ter alguém do lado, ou por que não tenha me faltado oportunidades, mas por que ainda acredito que se algo for verdadeiro o tempo que separa uma duvida de um reencontro é efêmero e vale a pena esperar.
Não vejo teu sorriso, e isso é de certo o meu pior castigo, pois hoje mesmo o sol nascendo, mesmo eu vendo as cores e as formas de tudo que existe, nada disso tem a menor importância sem o seu sorriso a meu lado. Certamente dirá, exagerado, com os olhos fechados e o sorriso aberto como fazia quando estava tímida a meu lado, mas digo eu, não é exagero algum dizer a verdade a quem merece.
E você merece, por cada noite que passamos juntos, por cada beijo que demos, e por cada beijo que sonhei em dar, por seus fios de cabelos revoltos em sua nuca, por sua mão apertando a minha e por nossa ultima noite juntos... e um eu te amo dito como nunca antes ouvi.
A verdade minha pequena é que desde que se foi, me sobra tempo para pensar o quanto eu sou infeliz por ter te perdido... infeliz não no sentido de vitima, mas no sentido de erro, pois esse é sem duvida o erro que carregarei para sempre.
Deixo aqui minha derradeira vontade de te dizer quem sabe a ultima vez
Te amo, “
As mãos da senhora tremiam e mal agüentavam a carta, talvez o peso das frases, talvez outras tantas que ela não leu, talvez fosse cada vogal ali formando junto com as demais letras uma única certeza... ele realmente a amava...
Mas o tempo passou, e hoje ela de olhos vermelhos e mãos tremulas segura a única lembrança que tem dele, a carta e dentro do envelope uma foto dela e dele ainda jovens, abraçados em um momento feliz... que o tempo fez questão de amarelar...

sábado, 4 de dezembro de 2010

metro

O jovem apoiado nos braços se segura ao bastão de ferro do metro, as estações passavam rápidas e ele pouco se importava com isso, não tinha pressa alguma em chegar em casa, queria apenas um lugar para apoiar a cabeça e deixar os pensamentos vagarem, diferentes dos trens, sem trilhos, apenas deixar os pensamentos seguirem seus caminhos escolhidos.
Ele sempre se cobrava muito, sempre pensava que devia fazer o melhor possível, ser o mais verdadeiro, honesto e entregue ao que sente, mas hoje ele não estava muito assim, o cansaço de seu corpo o balançar do trem e seus pensamentos faziam ele pensar que era melhor dar valor a quem reconhece o valor que ele da ao mesmo, e não ficar ali apostando e se jogando em coisas que parecem mais paredes e portas fechadas... e era isso que ele sentia... uma porta tinha se fechado...
Finalmente um casal de jovens se levantou e ele pode sentar-se a janela a seu lado não mostrava nada alem dos tuneis escuros do metro, mas ele mesmo não pensava em nada muito claro... lembrava-se dos dias que passou junto a uma pessoa, da hora que conversou com uma criança no parque, ou dos pássaros que pousaram a sua frente em uma tarde quente de sábado. E pensava que muito esforço as vezes não é reconhecido, as vezes os menores são mais percebidos como ele mesmo tinha pensado certa vez.
“Quando a gente faz uma coisa diferente ela é única, quando a gente faz sempre algo diferente ela passa a ser comum, e o comum perde a graça, da mesma forma mostrar carinho uma vez é diferente, mostrar sempre que se sente é demasiado e perde a importância, perde o valor... talvez por isso eu diga tão pouco (eu te amo), e se digo muitas vezes a ela é por que é verdade e eu não agüento segurar, mas perde a importância para ela?”
Ele se sentia perdido, sem saber onde ia ou que devia fazer, mas a voz no alto-falante o lembrou, era ali que ele devia descer, ele deveria voltar a casa sentar-se no sofá, ligar a tv e se hipnotizar pelo brilho azul bruxurelante da tela... e quem sabe não pensar em mais nada...
Nem mesmo nela...
Nem mesmo na sua pequena cereja...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adeus

Já era tarde e chovia um pouco, as malas sobre a cama ainda abertas e entulhadas de seus pertences, a mala já parecia pequena para tantas lembranças, mas ela queria levar todas, inclusiva as ruins.

Ele recostado no sofá, garrafa de vinho em uma mão e uma taça na outra, a garrafa pela metade e o rosto vermelho de lagrimas, em silencio ele chorava, sabia que assim que ela saísse pela porta tudo estaria pedido, nada mais adiantaria, e em sua cabeça ele buscava uma maneira de manter a porta fechada... ao menos mais um pouco.

O som seco e continuo do zíper, uma, duas três vezes apertava ainda mais o seu coração, e até mesmo o dela, o adeus seria imediato... e breve.
Novamente, uma duas três vezes, a segunda mala estava fechada... ele fintou a porta, imaginando como mane tela fechada. pensou em correr e se postar na porta, mas ante disso ela já estava ali, arrastando as malas, seus olhos também vermelhos de lagrimas deixavam claro que nada que ele fizesse iria adiantar.

- To indo.
-...
- Eu to indo...
Ele calado de olhos baixos não consegui fazer nada a não ser levantar os olhos e olhar suavemente ela em seus olhos tão doces como mel, era fato que ela já não gostava dele, ele mesmo se sentia sujo e baixo, mas ainda assim dos olhos dela ainda escapavam centelhas de um carinho um tanto sufocado por loucuras que ele vinha cometendo. E mais uma vez ela disse.
- Eu to indo, não deu pra pegar tudo, peguei o que deu, talvez eu venha buscar o resto, se não vier... bem faz o que quiser... – disse ela olhando a imagem fraca do homem que ela um dia disse amar, mas hoje sente um misto de tristeza e pena, e até pensou em perguntar se ele ia ficar bem... mas seria uma atitude que poderia causar um certo desconforto a ambos.ela se vira e sai.

Pronto, a porta se abre, e se fecha. tão rápido que ele mal pode dizer. "- Te amo"
o som dos paços foram desaparecendo e por fim tornaram-se apenas lembranças.

E a fina chuva tornava-se forte, e as lagrimas escoriam na janela bem mais leve do que no seu rosto.

Ele levantou-se caminhou até o quarto, um ou outro vestido no cabide, um conjunto de maquiagem e na cama... 3 fotos deles juntos... mas antes eram 4... ele baixou a cabeça.. e soube que era um adeus e não um até logo... e as lagrimas correram ainda mais fortes em seu rosto ardido...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

14,50 - sem troco

Ela caminhava para casa, os passos apressados, sentindo em seu peito uma inquietação, a angustia de estar perdendo algo... mas o que seria? Em suas lembranças os olhos do rapaz, a boca e a mania que ele tinha de sorrir sem motivos... e de ficar olhando para ela vez após vez, talvez fosse isso... talvez ela estivesse perdendo as lembranças.
Do outro lado da cidade, ele rabiscava uma carta, para alguém que já foi a muito tempo a caneta parecia feita de chumbo e cada palavra escrita era tão densa e pesada como uma bigorna, ele sofria por escrever aquilo, era fato deixar alguém não era algo bom, mas nessa situação parecia ser o melhor a ser feito, a garçonete traz seu café e percebe a mão tremula do jovem rapaz.
- Muito nervoso? – Diz ela.
- Como se hoje fosse o dia da minha morte. – respondeu o jovem.
- Engraçado, meu avô sempre me disse que na hora da morte a gente fica calmo... tem certeza que esta nervoso?
-Eu estou sim, é que hoje morre uma coisa que eu não gostaria que morresse nunca...
-Mas o que seria?
-Hoje morre minha fé no amor, nas pessoas e na certeza de que algo pode ser bom... mas me enganei...
-Desapontado?
-Desiludido na verdade.
Dito isso a garçonete o olha nos olhos e diz
-Desilusão é a destruição de um mundo pessoal, você se iludiu não tem por que ficar assim a culpa é sua. Levante a cabeça e siga em frente.
-De certa forma a culpa é minha sim, mas a ilusão foi outra.
A menina chega a frente de sua casa o prédio com corredores largos, e colunas no térreo parece mais vazio do que nunca, a casa fria os olhos dos vizinho e ela calada entra no elevador, o medo de que ao chegar em casa esteja exatamente como ela deixou... sem cor sem sabor... sem por que.
A porta, a chave e finalmente a sala, o tapete e a parede, a certeza de que tudo esta como ela queria, mas ao mesmo tempo não esta... ela sente que esqueceu algo... e descobre..
O telefone toca, o rapaz atende sem entender bem e do outro lado.
- Oi... saudade de você, tudo bem?
-Sim tudo bem, o que quer?
-Queria falar com você sei La, amenidades.
-Não sei se é uma boa, hoje eu não to bem e acho que é melhor a gente não se falar mais.
-... Ela conquistou mesmo você não é?
-... não... ninguém me conquista mais.
-Como assim?
-Meu tempo de acreditar acabou... virei gelo, na água quente eu sumo me misturo não mudo a mim de forma alguma, não viro café, nem um ovo duro ou cenoura mole... eu apenas me misturo e desapareço.
-Eu acho que vou sentir falta...
-Não ache... tenha certeza e quando tiver certeza tente fazer algo diferente.
-... Você esta chateado comigo... tem motivos... mas..
-Não tem mais... fica bem – Disse ele secamente desligando o telefone.

A garçonete olha para ele novamente e diz.
-Foi melhor que escrever?
-Não... foi pior... me iludi de que tudo que disse é verdade, um dia eu vou descobrir que não é...
- Pois é, isso é amar, quando se esta apaixonado como você esta a gente nem percebe as ilusões que criamos, mesmo que seja apenas para esquecer a paixão... mas ela volta a tona... como toda verdade.

A conta deu 14,50 e ele pagou com 20...