Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

...

O que é?

Com o tempo as pessoas passaram a olhar para os sentimentos como uma competição, uma forma de se ganhar algo dando algo em troca, uma competição onde quem vence é quem faz mais, ou sente mais, ou ama mais... porém amor não é isso.. Amor não é um fogo, não é um ardor amor não é algo que move montanhas, muito menos te faz voar... amor é um sentimento.
E sentimento é algo que não se mede, não se vê, apenas se sente, ok, talvez a metáfora da chama esteja correta, queima sem se ver, mas vai além disso, amor é respeito, amor é vontade amor é dedicação.
A mesma vontade, o mesmo respeito e a mesma dedicação que você da a você, só que você faz isso para quem é importante para você. importante e especial.

O amor não é cego, ele apenas suporta certas coisas por ter esperança, o amor não é a causa do sofrimento, a causa do sofrimento é amar quem não sabe amar, ou quem não quer amar...

O amor verdadeiro surge do nada, fica por tanto tempo que a gente passa a achar que ele não existe, como aquele perfume que tu colocou de manhã e acostumou-se com o cheiro, mas quem passa parto de ti sente... assim é um amor verdadeiro... você pode nem sentir ele toda hora... mas quem passa do seu lado ou esta do seu lado.. sente.

O amor é assim... uma infinidade de possibilidades e um mar de duvidas... todo mundo sabe o que é amor, todo mundo sente isso... mas ninguém explica de verdade o que é amor...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fim de ano.

Não importa a religião, se você reza ou ora, se você acredita em um único deus, ou em um panteão de deuses, não importa, se vê o natal de uma forma cristã, pagã, ou politeísta, pouco importa se você não se empolga com canções natalinas, se decora ou não sua casa, se gasta fortunas em presentes, pouco importa se acredita que nasceu alguém nessa data a 2 ou 5 mil anos...

O que importa é que bem ou mal, certo ou errado nessa época do ano todos, independente da crença olham para si mesmos e para o ano que passou analisando, entrando e um período de inverno onde mergulham fundo em si mesmos para ver se foram ou não “bons Meninos” e esperançosos de serem melhores no próximo ano.

O que importa é saber entender que o outro pode não compartilhar sua fé, mas nem por isso ele deixou de ser bom, de tentar ser bom, e assim como você ele pode ter errado, pode ter acertado, mas assim como você ele passou pelos 12 meses do ano, assim como você ele respirou fundo nos últimos segundos do ano passado e desejou de verdade que o próximo ano fosse melhor...

O que importa é que todo mundo deseja sempre isso.
Boas festas, e um Feliz ano novo a todos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

...

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarisse Lispector

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Taj Mahal

Nunca foi tão importante para ela passar aquelas poucas horas com ele no fim do dia, Pouco se importava se ao sair da escola ela tinha que cruzar a cidade toda para sentar-se em uma cadeira ao lado dele e ter ali as poucas horas que a faziam sorrir por horas depois.
Ela era jovem, mais que jovem, ainda era uma criança mas a tempos já convivia com a separação de seus pais, e sabia bem que já não era mais um “menina” como sua mãe dizia e nem uma mocinha como o pai a elogiava, ela estava ali, perdida no meio das duas pontas, Não era mais menina, e nem era uma “mocinha” .
A mochila em suas costas, o passe livre pelo ônibus e a longa jornada até o trabalho de seu pai, Sempre que chegava lá era recebida com olhares curiosos das pessoas que trabalhavam com ele, e com um sorriso amplo de seu pai, esse, aquecia qualquer dia, e ela mesmo sendo muito novinha já sentia e sabia a importância desse sorriso.
- Oi Pai
- Princesa!! - Disse ele sorrindo abertamente e a abraçando como se não houvesse amanhã.- Então como foi a escola hoje?
- Da mesma forma que ontem, de ônibus – falou olhando nos olhos dele, como se fosse zangar mas a brincadeira que ele tinha começado com ela a tempos o fez sorrir ainda mais
- Danadinha hein? , Sua mãe sabe que esta aqui?
- Sabe pai, eu disse que vinha ontem , eu posso ficar um pouco?
- Claro princesa, vem vamos lá pra minha sala.

Ele passou com ela por um longo corredor enquanto todos Diziam o nome dela, e uma ou outra em tom eufórico diziam “que linda cresceu tanto” ela pensava que não podia ser verdade, uma semana não é tanto tempo assim, mas o que a fazia esquecer de tudo era ver o sorriso no rosto dele enquanto ele dizia “ É... Cresceu muito, minha princesa já é uma mocinha, vem sozinha da escola pra cá, acredita? Já já vai querer meu carro para ir passear com as amigas”
Na sala dele, as uma ampla bancada e duas mesas uma para os desenhos e outra com o computador, ela corria e sentava-se na cadeira da mesa de desenho, ela adorava, pois ela girava, girava e girava.. e ele sentava-se seu lado.
- Já fez a lição de casa?
- Não
-E por que não?
-Por que acabei de sair da escola? – Disse colocando a língua para fora
-HAHAHAh é verdade... mas é que eu tenho que fingir que sou um bom pai, sabe como é né?
- Pai... você é o melhor pai do mundo
- E você a melhor filha que o melhor pai do mundo poderia querer, mas você não vai me enrolar, já fazer sua lição, assim a gente passa mais tempo junto no fim de semana.
-E o que a gente vai fazer?
- Não sei, pensa ai e me diz.
-Já sei... que tal a gente ficar em casa, Jogar vídeo game e comer pizza?
- Não vai querer sair não?
- Eu não... mamãe sempre me leva pra sair... não aguento mais...e eu gosto de ficar com o senhor
- Você.
-Como?
- Não me chama de senhor que eu não sou tão velho assim né?
- HEHEH Ta bom pai.
Ela no alto de seus 7 anos sorria e o fazia sorrir como se não houvesse nunca existido momentos tristes em suas vidas, e ao mesmo tempo, carregava com ela a tristeza de ver os dois, pai e mãe, separados e mesmo que não dissessem abertamente infelizes.
- Mas se “você” Quiser ir la no parque que a gente ia sempre... eu vou adorar.
-O que minha princesa quiser eu faço.
-Taj mahal!!!
- O que? – pergunto um tanto assustado.
- “Você” disse que faria tudo que eu quisesse, eu quero um Taj Mahal, eu li sobre ele esses dis.
- Minha princesinha nerd.... vem ca me da um naco desse “bacon” - Disse segurando ela no colo e olhando bem nos olhos.
- Pai... Te amo.
- ... Eu também filha... eu também te amo.
Assim sentados ladeados a tarde, cada um fazendo suas tarefas eles compartilharam risos, musicas e Brincadeiras.

Conselho de um velho apaixonado

Carlos Drummond de Andrade

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Isso ja diz tudo..

... certa vez.

Eu hoje digo em poucas linhas o que quer dizer muita coisa..
Eu queria dizer a uma certa pessoa um “eu te amo”
Mas o mundo e seus joguetes de tempo e formas me impedem disso.
Dizer um “gosto muito de ti” para mim é tão complicado como dizer um “eu te amo”...
Mas para ela... para ELA eu diria e disse certa vez...
Certa vez é um tempo que não volta... que se foi...
Certa vez eu tive todo o mundo entre meus braços...
Certa vez eu fui tudo que queria ser... mesmo que por pouco tempo.
Certa vez eu a tive... hoje... nem a vejo...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Florbela

HOJE, DIA 08 DE DEZEMBRO É O ANIVERSÁRIO DE FLORBELA ESPANCA. MARAVILHOSA POETA PORTUGUÊSA, DONA DE UMA POESIA SENSUAL, DE UM LIRISMO FORTEMENTE MARCADO POR SUA TERRA, A FIGURA FEMININA MAIS IMPORTANTE DA LITERATURA PORTUGUESA! PARABÉNS!

NOSSO LIVRO
Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.
Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!
Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
Versos só nossos, só de nós dois!...

AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e a toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder... pra me encontrar...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

apenas uma

Verdades absolutas,
assim são as loucuras
Não importa como diga
elas sempre aparecem
Sempre agindo hora com ou
Sem sentido algum,
apenas acontecendo.

Depois, quando tudo parece
incerto, me pergunto
“Assim que deve ser!?”
Sem resposta eu fico
Ao menos penso...
besteiras pensar assim

remoendo uma solução sem solução
existe solução para isso?
uma que seja final?

Eu penso que não
Talvez seja loucura
Eu, me forço a
Aceitar em algo assim
Mas acredite, no que digo
ou ao menos preste atenção

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

em paz...

A pele suave da ponta de seus dedos percorreram toda a extensão da lateral do rosto dela, mesmo com o peso dos anos, mesmo com tantas marcas causadas pelo dias vividos ela estava ali, agora ainda mais linda do que no primeiro dia que a viu, ela em um gesto felino alinha a o rosto nas mãos rugosas e macias dele e assim segurando suavemente diz
- Sabe, nunca pensei te ver aqui... dessa forma...
- E nem eu pensei que tu viesse aqui... quanto tempo faz? 12? 15 anos!?
- Não.... acho que é um pouco mais que isso – disse sorrindo e passado suavemente a mão nas mãos dele.
- Pouco importa não é? O tempo parece que não passa pra você.
-Exagerado.... eu estou mais enrugada que uva passa.
- Para mim esta ainda mais linda... – A frase saiu como que acompanhando o polegar dele que acariciava a costas da mão dela relembrando um carinho tão antigo como o próprio carinho.
- Você Diz isso pra todas – Sorrindo como que evocando as lembranças de um tempo que a muito passou... e talvez passou rápido de mais.
-Nada... eu só falo isso pra quem merece.
- Como esta se sentindo hoje?
- Hoje? Como sempre, mas agora... agora eu sou capaz de correr uma maratona... ao menos meu coração já esta batendo como se tivesse feito isso.
- Seu bobo, não mudou em nada hein? Continua o mesmo ... com umas rugas a mais mas o mesmo bobo de sempre.
- É eu me esqueci que isso não muda...
-O que não muda? - tirando o cabelo ralo dele que teimava em cair sobre os olhos dele.
- O que sinto por você não muda, nem com meio século entre a gente... mesmo com tantos anos...
-Hei... você tem mais anos do que eu - Tentou assim com uma brincadeira mudar o rumo da conversa, mas ela mesmo queria continuar ouvindo a anos não sentia uma verdade dita assim tão francamente sem medo e sem receio.
-Eu sei... o que comprova que eu sei bem o que digo... nunca mudou...
- Mas me fala... nesses anos todos... o que fez da vida? Deve ter novidades né? São 50 ANOS
- Bem deixa eu ver... a ultima vez que nos falamos pra cá o que aconteceu? A sim.... eu soube de seu casamento... torci para que tu fosse feliz, e toquei a minha vida, conheci muita gente boa, tive algumas namoradas...
- Eu sabia, você sempre fazendo de bom moço mas é um mulherengo.
-Eu tentei foi te esquecer, afinal... você estava casada... e você sabe... como eu sou.
- Sim eu sei... apesar de as vezes você ser meio “inconsequente “ né?
- É mas eu culpo o amor por minha inconsequência.
- Mas não vamos falar disso não é?
- Não... claro que não, só deixa eu dizer pra você tudo que eu sempre pensei em dizer esses anos todos?
- ... E por que tem que ser agora?
-...Não sei... só quero dizer... posso?
- Pode...
- Eu passei muito tempo procurando alguém que pudesse chegar perto do que você é pra mim..
- Fui..- disse ela corrigindo
- Não... do que é! Como disse não mudou nada... e eu como te disse a 50 anos atrás, te trouxe comigo todos os dias da minha vida.
- Deixa de ser bobo... você ainda é “garoto” vai viver muito e vai acabar me esquecendo.
ele se senta na cama e esticando os braços abre uma gaveta, e tira um grupo de cadernos e entrega a ela.
- Leia... já que eu não consigo terminar de falar...
- Desculpe...
-Você nunca saiu de minha vida, e a prova esta ai nessas folhas, folha por folha tu vai ler que eu não digo coisa diferente ...
Ela abre um caderno e vê que de tempos em tempos, as vezes uma vez ou mais por dia ele escrevia ali alguma coisa, pequenos textos, pensamentos e frases e todas ela era citada, mas o que mais a espantou foi o fato da primeira data ser 1 dia depois deles terem se afastado...50 anos atrás.
- Você escreveu todos os dias!?
-Era a única forma de te dizer o que eu sinto por você...mas me diz... e você? Foi feliz esses 50 anos?
- Eu tentei muito, consegui umas vezes, outras nem tanto... e você foi?
- Eu sobrevivi... sabe... Por mais que eu tenha vivido com uma ou outra pessoa... eu descobri uma coisa.
- O que?
- Nunca vai existir na minha vida alguém como você...
- ... Já faz muito tempo... esquece isso...
-É complicado... se eu esquecer de você vou estar apagando de minha memória todos os dias de minha vida, eu vou estar esquecendo da minha vida... vou estar esquecendo de mim...
- Teve netos?
- Não, nem filhos...
- E por que?
- Por que sempre quis ter uma família com você...
-Eu tenho um casal de filhos e 5 netos.
-Invejo eles
- odeio essa palavra... mas por que inveja?
- Por que quando eles te abração eles conseguem ter nos braços todo meu mundo...
-...
O médico entra e avisa que o horário de visitas esta acabando, e que ele precisa descansar.
- Olha eu prometo voltar pra gente se falar mais. Ok?
-Não prometa... Mas vou tentar te espera um pouco mais. – disse sorrindo e beijando suavemente as mãos rugosas dela, e ela teve a certeza de ter voltado no tempo por alguns instantes.

Enquanto caminha para fora do hospital, e acenava para o taxi, pensou que devia voltar no dia seguinte... talvez todos os dias seguintes...
No taxi abriu os livros e folheou-os rapidamente, eram muitos cadernos, então teve a ideia de ler a última folha escrita.

E assustou-se... a data era de hoje. E dizia

“ Hoje, não sei por que mas acordei lucido, uma certa alegria, as dores menores, mas ainda sentindo o peso de nunca mais ter a visto, essa noite sonhei que a via entrando pela porta do meu quarto, ainda vestindo aquele vestido florido, ainda com os cabelos soltos, e os fios revoltos em sua nuca...
Talvez seja isso mesmo... talvez ela seja o anjo, a valquíria que me leva para o valhalla, eu só peço os deuses que eu possa ver ela uma ultima vez e dizer tudo que quis dizer esses anos todos... embora tudo se resuma em uma única frase... Eu te amo, depois disso... ok... depois disso eu posso ir em paz.”

E foi assim, com os olhos boiando em sentimento que ela atendeu o telefone que dizia que ele tinha realmente ido em paz.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Escolheu Esperar.

O jovem rapaz lutava conta a tristeza ao descer os últimos degraus do velho ônibus, a sua frente a vila onde morava e no fim da rua sua casa, a casa dos sonhos, a casa que ele sempre voltava com um sorriso largo no rosto, depois de um dia de trabalho ou uma viagem para visitar seus pais, mas hoje... hoje ele voltava triste sem o sorriso e sem os acenos aos vizinhos.
O fim de tarde frio parecia feito especialmente para ele, uma garoa fina e triste, sem crianças nas ruas, sem gritos de “Tio” muito embora ele não tivesse a sorte de ter tido sobrinhos, ele voltava pra casa sem a alegria de costume, apenas um andar pesado as mãos afogados nos bolsos e os olhos baixos... vistoriando os passos próximos.
Sua casa que antes ao final do dia se iluminava com luzes no jardim, musica e algumas vezes ele mesmo sentado a varanda tocando um violino ou gaita, hoje mergulhou-se em uma escura onda de silencio... os vizinhos acostumados a ver o jovem na janela até tarde mirando as estrelas espantaram-se ao ver as mesmas janelas fechadas, e quando não, apenas uma brecha de luz pálida e um vulto sorumbático a olhar por ela.
Ele andava pela casa recolhendo em si mesmo forças para não deixar o grito subir a garganta, mas... a força que fazia era gigante e mesmo negando o grito, um gemido e lagrimas não podiam ser evitadas, principalmente ao segurar ou apenas lembrar do envelope que abriu aquele dia...
Um envelope branco, com adornos prata, letras bem feitas em uma tinta escura, letras feitas a mão, por algum grafista... era sem duvida um convite... e as letras escreviam seu nome, mas quem convidava? E pra que?... ao abrir.. a resposta... ela o convidava para seu casamento... com Aquele rapaz... ele desde então não sorriu mais... e teve a sensação de que o céu sobre sua cabeça tornava-se cinza.
A Anos não a via pelas ruas, a anos não tinha noticias, a anos ainda guardava a esperança de um reencontro... a anos guardava a imagem dela... Mas hoje...
As letras bem feitas e desenhadas, o convite com as iniciais dela e daquele rapaz, o endereço e a hora... Faltava pouco... Pouco mais de uma semana.. e ele sabia que não poderia fazer nada... E se pudesse o que faria? Entraria a igreja aos berros dizendo não case? Ligaria para ela e passaria hora dizendo o que sente para no fim ter a resposta que já ouviu umas tantas vezes?
ou escreveria uma carta longa com tantas verdades quanto lagrimas que ou a faria acreditar ou afogar-se nelas? Restava a ele o que sempre restou... Deixar a vida seguir seu rumo.
Sempre fora assim, desde o primeiro momento lembrou ele, a vida sempre teve que seguir um rumo, hora ele dizia a ela que ela deveria olhar a frente e perceber quem acenava a ela, hora ele se dizia para fazer isso, muito embora não visse ninguém acenando para ele, lembrou-se e com uma certa culpa de ter argumentado algumas vezes que ela se prendia a um passado, e que deveria dar-se a chance de viver, embora ele agora não conseguisse fazer o mesmo... percebeu assim que não adiantaria escrever, ir ou ligar... Percebeu então que não adiantaria então esperar, sonhar ou pedir a quem quer que seja por um reencontro ou retomada... Percebeu que não a perdia aquele dia... Percebeu que a perdeu anos antes... Antes mesmo de tê-la conhecido.

Abriu a carteira, e tirou ali de entre os cartões uma foto, uma pequena foto dela sorrindo a seu lado em um domingo feliz, uma foto roubada... uma foto que ela nunca sequer soube que existia... logo as horas passaram e era hora de voltar pra casa... Enfrentar o ônibus, as cotoveladas o que fosse... nada iria doer mais do que a frase.
“convidam você para a cerimonia a realizar-se”... e a data... nada o fez mais mal...
A lembrança do envelope e até mesmo as horas com ele na mão aquele dia pensando se deveria ou não ir e se despedir o tornavam cada vez mais triste... mas não..
Fechou a janela, desligou as luzes, e sentou-se a varanda... escuro e triste
Afinal hoje, uma semana depois do convite... ela se casava com aquele rapaz... e não existia para isso um “fale agora ou cale-se para sempre”... ele não tinha o que falar... ela escolheu o outro rapaz...
E ele escolheu... esperar...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

É estranho

É tão estranho quando se sente saudades de coisas simples... na verdade não é saudade...é falta... quando se sente falta de coisas simples como um sorriso de canto de lábio, um olhar de rabo de olho apenas para constatar que você estava olhando para ela, alguns fiapos de cabelo arredios na nuca e uns outros nos lençóis...
São coisas simples que na hora podem passar despercebidas, na verdade para muitas pessoas passaria mas quando se sente algo realmente forte você acaba percebendo a grandiosidade dessas minúsculas lembranças... são como pontinhos... milhares de pontinhos que juntos fazem um quadro grande e lindo...
Algumas vezes, até sem querer, a gente se pega sentindo falta até de uma briga, uma birra que teve, lembra-se com exatidão quase que filmo gráfica as brigas, as vezes que bateu a porta, ou que levantou-se nervoso... ri... ri muito por lembrar que era tão idiota o motivo, mas... aconteceu e você lembra... e relembra e lembra de novo como quem busca uma forma de voltar no tempo e ao invés de dizer um “isso” dizer um “aquilo que faria tudo mudar”... mas o tempo não volta... e o tempo é ainda mais estranho.

O tempo é uma força estranha, que pode te fazer amar loucamente uma coisa em poucas horas e não esquecer dela por anos depois... tempo pode fazer com que anos sejam gastos construindo uma imagem e esta mesma se destrua em poucos segundos... mas o mais estranho do tempo é que mesmo passando freneticamente e cada vez mais “rápido” para alguns momentos da vida eles esta completamente congelado... talvez seja culpa da falta que a gente sente destes momentos.
Outrora eu fechava os olhos e lembrava com exatidão o meu avô, lembrava dos fios bancos em sua barba, da voz pesada e forte... mas cresci, o tempo passou e eu passei a lembrar de outros momentos, me lembrava dos olhos perdidos procurando, das frases loucas nas conversas, das musicas trocadas como segredos e dos segredos trocados pela madrugada.

Lembrar é uma arte, acredite, não é essa que se ensina em dvd´s de métodos para memória, eu falo das lembranças, que as vezes tem pegam no metrô e te fazem lembrar de um pé solto balançando suavemente antes de dormir... ou de um gesto um ato que repetidas vezes viu e esperou se repetir... ou que por sorte ou azar aconteceram uma única vez, com um beijo no peito e selar a mão sobre o lugar onde beijou...

Pode dizer o que quiser, pode apontar e pensar que este é um tolo que se prende em lembranças, mas pense comigo, conhecimento não é lembrança? E eu amo conhecimento... eu amo minhas lembranças sejam elas de uma tarde de domingo que nunca aconteceu, ou das longas horas de espera da sexta que chegava...
Pouco importa.

Lembrar não muda o passado e não aproxima o futuro ou reescreve um presente... lembrar serve apenas para acalmar um peito que triste pelo hoje e desacreditado do amanhã busca o conforto de um ontem...

domingo, 27 de novembro de 2011

Bem...

A fria estação já existia a muito tempo, muitos anos, mas nunca havia visto ali, correndo em seus grandes salões um jovem tão preocupado como aquele, o cabelo desarrumado os olhos buscando e procurando um detalhe, uma cor, uma forma uma pessoa em especial, o relógio grande no centro da plataforma mostrava que já eram pouco mais das 10h da noite e de alguma forma isso afetava ainda mais o jovem rapaz.
Ele para próximo a plataforma 22, olhando ao redor e alheio as pessoas a sua volta, e sem ser percebido por elas suspira ao reconhecer ao longe a pequena mulher que arrumava suas bolsas sobre um conjunto de malas.

- Hey... espera. – disse ele em alto tom correndo para próximo a ela.
-O que... o que você esta fazendo aqui?
- Eu vou com você.
- ... Não.. você sabe... você não pode vir comigo... para... me deixa ir.
- ... Então... me da tua mão... vem vamos pra casa... vamos esquecer isso.
- Eu estou indo pra casa... – Disse ela olhando a passagem em sua mão e tentando-se convencer disso, já esta na hora, Meu lugar não é aqui...
- Não – disse ele segurando as mãos dela, - Por que a gente não troca suas passagens, para mais tarde um pouco, vamos conversar e se você ainda achar que tem que ir eu espero com você... o que me diz!?
- Me desculpe, eu lamento...
- O que? O que lamenta?
- Ter que ir, mas eu vou ter sempre boas lembranças...
- E que lembranças são boas?
- ... Vou me lembrar dos passeios de fim de tarde, dos presentes sem motivo, das flores todos os meses, das ligações só pra dizer “ola” das mensagens, dos nossos sonos fujões que fizeram a gente se conhecer um pouco mais, vou me lembrar dos carinhos e dos sorrisos...
- É... você pode lembrar, pode lembrar como foi divertido, como foi bom, como é bom, e ai vai se lembrar de que não tentou um pouco mais, de que desistiu na primeira duvida... ou então pode nem lembrar... e logo esquecer, e as lembranças podem virar apenas um eco no vazio dos pensamentos antes de dormir.
- ...
- É... as lembranças podem ser cureis, podem te fazer olhar pra frente com esperança ou para trás com saudades, eu acho que você vai é se lembrar de mim como um idiota.
-Não... você é uma pessoa especial, Eu prometo que vou me lembrar de você, de coisas boas de você.
- ... E o que eu digo? Obrigado?
-... e por que não?
- Por que serão apenas lembranças, presas a duas coisas.
- Que coisas?
- Ao que já foi, e vão sempre se repetir iguais, mesmo com temperos de sentimentos diferentes, como melancolia, remorso, carinho, mas ainda assim vão ser iguais, sempre as mesmas memórias.
- ... e a segunda coisa – disse ela abaixando a cabeça com o peso do que ele havia dito.
- É que assim como as coisas boas você também vai sempre lembrar dos erros, das falhas e das magoas, e elas vão sempre se repetir, sem nunca me permitir corrigir, fazer diferente... – Tocou o rosto dela e segurando o queixo levantou até que seus olhos se tocassem uma vez mais – Você é uma mulher incrível, e eu sempre quis ter você comigo, e acho que lá no fundo você também queria estar comigo, Queria ter mais tempo com você e quem sabe te provar que nem todo mundo é idiota, nem todo mundo é igual.
- Por que “vocês” fazem tudo igual sempre? Por que “Eles”sempre erram assim?
- Não sei... você, ... você é especial.
- E por que todos me deixaram ir?
- ... Porque... – Disse girando em seus calcanhares e voltou a olhar para ela.. – Porque eram estúpidos, e não conseguem ver a pessoa maravilhosa que você é mesmo estando a frente deles, eu te conheço a o que? 3 meses? E posso ver, e eu nem sou esperto, mas posso ver, posso ver isso por que é claro... Você é a mulher mais amável do mundo, a mais fácil de se apaixonar... de amar... e eu te amo ...
- ... – os olhos dela tentavam represar uma ou outra lagrima, queria ser mais forte do que seu corpo permitia, e seus olhos fecharam-se uma vez e uma vez mais lentamente.
- E quer saber?...
- ?...
- Eu acho que você me ama também, você tem isso ai dentro de você e por mais que coloque um monte de coisas sobre, por mais que jogue outras tantas memórias por cima, por mais que volte para um passado, que eu não posso ir, você vai sempre saber disso... Eu te amo, e se você entrar naquele ônibus... você... você pode estar indo pra casa, mas eu não vou ter pra onde voltar... Eu te amo, e é você que é meu Lar... eu não volto a noite todo dia para casa para encontrar uma TV grande, uma geladeira cheia ou filmes... eu volto por você.
- ...
- Se os outros idiotas deixaram você ir, se um ou outro te procuram apenas quando tem vontade, eu não quero saber, porque eu... eu nunca...jamais, de forma alguma, vou deixar você ir sem lutar, sem te mostrar que você é especial para mim, e que não existe sequer a possibilidade de um dia eu encontrar uma outra pessoa que chegue perto de ser o que você é pra mim, mesmo agora, mesmo depois de uma briga, mesmo depois de tudo e mesmo com a possibilidade de você me dar as costas e ir para um lugar que eu não vou poder ir...
- E se eu for? Vai ser o fim disso? Você vai me odiar? Vai me deixar e nunca mais falar comigo?
- ... Eu vou correr o mundo todo procurando o meu Lar..
- Eu não posso...
- ?
- Eu não posso, desculpe... Preciso ter certeza de que EU tentei... eu tenho que ir pra casa... eu tenho que voltar...

No falto falante o locutor avisa ~ ultima chamada ~
-Então... vai...
- ... E como você vai ficar?
- ... Vou ficar... bem...
- tenho que ir..
-...
Ela pega suas malas e caminha até o ônibus, colocando as grandes malas na parte de baixo, sobe as escadas e procura sua poltrona, na plataforma ele parado olhando ela parece forte, parece firme e ela pensa que ele vai ficar bem, mas consegue ver os lábios dele se mexerem parece dizer algo... o ônibus liga o motor e logo ele não esta mais ao alcance dos olhos dela.. mas o que ele disse?

Ele a vê colocar as malas no maleiro e subir o pequeno lance de escadas, ela estava tão linda, e ele forçou-se a decorar cada momento, ainda tentando responder a pergunta dela, ainda tentando fazer a ultima palavra subir a boca e sair da garganta a viu sentar-se em sua poltrona e então como um esforço fora do comum disse baixo quase como um gemido..
- ... sozinho. – e repetiu... – Eu vou ficar bem sozinho...

E a estação rangeu fria aquela noite, e houve quem dissesse que ela chorava

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Memórias (2)

Era fim de tarde, a noite começava a se esticar por sobre a cidade e o casal se alinhava entre os lençóis, risos soltos, e uma vontade louca de não parar de se tocar e beijar tomavam conta daqueles momentos, ambos deitados de lado um olhando fixamente para o outro.
- Você tem uma mania engraçada – disse ela tirando uma mecha de cabelo do que teimava em cair por sobre o olho dele.
- Que mania?
- Sempre que ta um pouco estressado você rói a unha do polegar, sempre... da mesma forma, é como se repetisse um filme, acho engraçado isso.
Uma gargalhada curta e forte e ele diz um pouco tímido
- É você me le como facilmente
- Sim – disse sorrindo vitoriosamente
- Mas não é a única, eu também sei muito de você por seus gestos.
- é eu sei... é estranho né?
- Não... não é... isso é perfeito.
- Nhaa... – Os dedos dela tocam levemente o rosto dele, o cabelo desgrenhado e a barba cheia davam a ele um charme a mais.
Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, a luz azul tremula da tv iluminava o rosto dela, e o brilho visível nos olhos dela o fazia se esquentar por dentro.
- O que foi!? - Perguntou ela
- Te amo.
A frase dita assim, perdida em uma tarde a fez tremer, e ele suspirando diz
- Te assustei né?
- Um pouco... eu não sei o que falar...
-Não precisa dizer nada – disse tocando os lábios dela suavemente – Eu falei por que tive vontade, não espero resposta sua, não falei para ouvir em troca, eu falei por que é verdade em mim, e eu tinha que falar, para abrir um pouco de espaço por que já estava apertado aqui.
- ... é que você já me disse que não costuma dizer isso, assim...
-É eu sei... talvez não tivesse que ter dito
- Por que? Ta arrependido?
-Arrependido de te dizer a verdade? não , na verdade agora eu entendi Cecilia Meireles “Nunca tivesse querido, dizer palavra tão louca, bateu-me o vento na boca e depois no teu ouvido, levou somente a palavra deixou ficar o sentido...”
- Não, eu sei o sentido, e só existe um ...
Os olhos dela abertos ainda brilhando pareciam ter agora um pouco mais de brilho, talvez a alma que se fez um pouco liquida e subiu aos olhos fosse a culpada, mas ele não conseguiu ler... e apenas disse
- É... – enfiando os dedos os cabelos dela, suspirou e disse mais uma vez. – Mas é verdade, eu te amo... desculpe se te assusto, ou espanto.
- Não... não peça desculpas.

A noite foi se chegando enquanto os dois trocavam olhares e beijos, ele sabia que tinha dito a verdade, sem receio não entendi como dissera tão rapidamente, mas nunca tinha sentido dessa forma . Ela tentava se entender, tentava se entregar... tentava viver o presente... mas os olhos podem estar voltados para frente... mas as memórias estavam presas a um passado
- Vamos comer? – disse ele
- Vamos... – Respondeu sorrindo timidamente
- Já sei... Mc Donalds
- SIMMMMM

E tomaram depois a rua e juntos frente a frente dividiram sabores e sorrisos, e durante esse dia e noite ele disse silenciosamente milhares de vezes “eu te amo” e a cada vez ele sabia que não tinha volta... a porta fechou-se atrás dele... e ele sorriu por isso.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por entre janelas

Ele espremeu-se para passar pela porta enquanto ela se fechava, ali dentro a multidão se aglomerava e ele, não sabendo como, foi parar próximo a porta de acesso ao outro vagão, ali de costas para a porta olhando o vagão a sua frente pensava nela, era incrível como ela não saia de seus pensamentos, nem mesmo quando ele não pensava nela diretamente, ela tangia seus pensamentos.
Recostou a nuca no vidro da porta atrás dele fechou os olhos lentamente e deixou o ar sair lentamente por suas narinas... a próxima estação já estava sendo anunciada quando ele virou o rosto e viu pela janela na porta, de pé no outro vagão, ELA... era ELA... poucos metros separavam ele dela, duas portas uns 4 paços e um vagão especial para mulheres...

Esfregou os olhos como quem tenta acertar os enganos que ve, mas era real, não ilusão, era ela... sorria suavemente enquanto via algo em sua mão, mordia os lábios como sempre fazia quando algo a inquietava, por fim assustada guardou o objeto na bolsa e saiu... ele espremeu-se até a porta de saída e grudou no vidro da porta que agora fechada o afastava dela..
Ela na plataforma olha para o vagão, mas não o vê... ele percebe seu olhar perdido e queima por dentro, era ela.. e ela continua a mesma...

Um lugar vago e ele educadamente sede a uma jovem senhora, não era uma poltrona dura de metrô que iria o confortar... não eram 3 estações , nem os próximos 40 minutos no ônibus...
Ele sentia-se totalmente feliz, inacreditavelmente feliz pelo simples fato de ter a visto uma vez mais, de ter percebido um sorriso em seu rosto uma vez mais, de a ver arrumando os cabelos...
E por todo o dia, por toda semana, por todos os meses e anos que viriam depois, as cenas vistas por entre aquelas janelas foram as cenas que mais se repetiam em sua memória...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Então é natal...

Tenho andado pelas rua e visto cada vez mais a “animação” que esta data traz as pessoas, vejo as decorações , arvores, guirlandas, bolinhas velas, papai noel, bonequinhos de neve, renas e tudo mais... vejo as pessoas felizes, cantarolando dingles de lojas e magazines, repetindo segundo a segundo que “adoram essa época do ano” e eu me pergunto POR QUE?

Certo, é uma data bonita, onde os olhos tem milhares de motivos para se animar com luzes decorativas, mas... e dai? O sentido verdadeiro do natal ? alguém lembra? Vejo um bando de gente querendo ter a casa mais enfeitada que a casa do vizinho, ter a maior arvore de natal, preocupados em receber mais presentes e gastar menos com os presentes que vão dar... mas E DAI?

Vejo a cada segundo um jovem abandonado nas ruas, entregue a vícios, abusos e tantas coisas que nem posso dizer, prefiro generalizar como MALES, mas ao lado desses vejo gente com sacolas de presentes, donos de lojas decorando as fachadas, a indústria do panetone lucrando rios, enquanto aquele menino ali no canto da rua não come um pão a dias...

Vejo tanta gente já pensando na ceia de natal, nas rabanadas e todas as outras guloseimas e pratos, mas tão pouca gene fazendo algo real para ajudar a quem não tem nada para comer.

O Vejo tanta gente feliz por que é natal, mas para eles é só um feriado comum, ou só mais um dia para ficar em casa ganhar algo.
Eu queria ver as pessoas decorando sim as casas, mas isso depois de decorar eles mesmos por dentro, enfeitar apenas não mas decorar e deixar o sentido do natal realmente vivo dentro deles.
Ok o natal é uma data inventada pela igreja, ajustada ao calendário Pagão para casar com a chegada da primavera, mas o sentido a meu ver vai além da religião.
Vamos pensar em como fazer o natal de algum desconhecido menos favorecido ser mais próximo do ideal que um natal deve ser.
Vamos decorar as fachadas, e a alma... vamos realmente fazer um NATAL, e não apenas um feriado.
Bem, temos um mês pra isso...
pensa bem... e se você realmente sabe e gosta dessa data... vai dar valor ao que falei.
E se não gosta, mas entende...vai dar mais valor ainda ao que falei.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

730

Ela chegava em casa ainda carregando o peso da semana nos ombros, os problemas e duvidas não tinham ido embora mesmo com as cervejas e as amigas no bar próximo ao trabalho, O Transito congestionado, as buzinas as cortadas e paradas bruscas só serviram para pesar ainda mais em seus ombros, e depois disso, depois de tudo isso ela ainda enfrentaria um apartamento vazio e frio.
O porteiro sorrindo como de costume fingindo uma simpatia que era completamente antagônica a sua postura normal a fazia ter ainda mais dores nos ombros, a senhora que puxava seu cão pela coleira com passos lentos só a fazia pensar que se ELA fosse pela entrada de serviço já estaria em casa, no sofá, entulhando-se de chocolates e filmes ou seriados.
A caixa de correio vazia, nem se quer uma propaganda para fazer ela pensar que é lembrada por alguém... os longos minutos de espera no hall esperando o elevador ao lado da senhora que falava o tempo todo sem usar de virgulas ou pontos a fez ter certeza de que era preciso parar e respirar... só um pouco... um pouco para relaxar.
Ela sobe seus andares caminha até a porta, agradecendo por ter saído do inferno claustrofóbico que foi o elevador ao lado de um poodle e uma senhora tagarela. Ao abrir a porta um pequeno envelope feito a mão em papel reciclado pode ser visto no chão...
Sem remente, apenas com uma frase no destinatário...
“Ao Grande amor de minha vida”
Abriu tremula por ansiedade começou a ler a carta.
“Princesa
Sim eu entendo que tudo tem que ter um fim, e aqui sentado sozinho eu me pergunto se tenho como deixar ir, ou me deixar ir, e mesmo não vendo isso agora eu acho que eu fui um cara de sorte por ter tocado com essas mãos a mulher que amo, e tanta gente passa a vida sem nem ter visto a imagem de alguém assim...
Eu queria dizer para você ficar comigo, só mais um pouco, eu te prometeria café da manhã com tudo que tu gosta, uma tarde vendo o sol se por, ou um passeio de mãos dadas, mas se eu disser que quero... se eu disser que preciso isso não muda nada.
Sempre que eu penso como seria minha vida, e como eu gostaria que fosse, eu sempre me vejo a teu lado, você apertando minha mão, ou sorrindo por de trás dos cabelos, sempre me lembro do peso de sua cabeça em meu peito, e de seu perfume em meu nariz...

Hoje é uma data ruim sabia? É ... hoje é a data que te vi escorrer entre meus dedos...
Eu sei que cometi muito erros, e muitos pecados, mas eles me ensinaram a ser quem sou, e me ajudaram a montar meu caráter, seja como for... Eu não quero mais causar dor, e nem sentir dor, mas a tanta coisa nesse mundo que nos fere...
Eu já disse que te quero? Eu já disse que preciso de você?
É talvez eu esteja sendo um idiota mesmo, afinal de contas eu to me abrindo pra você, e nem sei se você ainda esta ai segurando esse papel...
Eu queria muito ter você comigo em meus braços até seu ultimo suspiro...
eu queria muito isso... mas querer nem sempre é poder... e eu só posso esperar que esteja feliz... onde quer que seja...”

Ela dobra a carta, colocando novamente no envelope e suspira...
“ele e as datas...” pensa ela guardando a carta junto com as outras em uma caixa de sapatos no fundo do armário...
“ele e as datas....” pensa ela mais uma vez antes de perceber que não tem mais peso nos ombros...e um sorriso no rosto... um triste sorriso no rosto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Let it be...

Hoje eu não vou contar uma história inventada, nem tão pouco extravasar uma raiva... vou deixar uma tristeza sair em forma de relato real.
Eu lembro bem dela, tinha um sotaque diferente, afinal vinha de floripa, adorava surfar, adorava o mar, e adorava ser dentista, passávamos horas ao telefone, a gente se falava tanto que a cada promoção que alguma operadora fazia a gente entrava junto, falávamos até acabar a bateria, e as vezes, varamos a noite falando com o telefone no carregador... um tentando enganar o outro...
Fora o clichê de filme romântico a gente viu sim um monte de filmes juntos pelo telefone, falávamos e riamos das histórias da vida um do outro, nos emocionávamos e criticávamos com atitudes que o outro tomou... e muitas vezes nos ligávamos sem motivo aparente e encontrávamos na voz torta do outro lado a razão.
De uns tempos pra cá as coisas foram ficando mais complicadas, ela que já tinha um problema de saúde foi tendo crises maiores e por fim... passou um longo período internada, lembro que algumas vezes umas escapadinhas para telefonar ou mandar recadinhos por sms ou e-mail eram vistos como grandes “aventuras” em fim a gente brincava com tudo e brigava por nada...
Erramos amigos, grandes amigos, do tipo raro de amigo que não se importa em te dizer na cara que você fez besteira, ou que não quer saber se vai ser mal entendido em dizer algo, e sim do tipo de amigo que fala a verdade por que sabe que é o melhor, do tipo de amigo que pode sentar no sofá a km de distancia e por um aparelho ridículo ter momentos tão especiais como se estivéssemos ladeados.
Certa vez, quando eu, muitas vezes eu, reclamava de problemas ela ria e falava uma única coisa “vc acha que tem problemas?” e eu me calava... outras quando ela atendia o telefone com uma voz triste e cansada eu apenas fazia de tudo para animar e algumas vezes o fiz.

Certa noite ela me ligou, eram pouco mais de 11h da noite, ela me ligou e começamos a falar sobre tudo, o que era comum, e por fim decidimos ouvir musica juntos, cada um colocava uma e a gente fazia nossa interpretação das letras... rimos tanto que minha barriga doeu por uns 2 dias, no fim pouco antes das 3 da manhã a gente ouviu uma musica dela, “let it be”. Tantas risadas depois e sacanagens com a tradução e o sentido oculto de “Madre Mary” a ela me fala o ouvido com a sua voz que nunca vou esquecer.
"Todas as interpretações são ótimas, mas a que eu mais gosto é a minha, pra mim a "madre mary" são meus amigos que sempre me socorrem nos momentos de problemas e duvidas, sempre tem frases de apoio, você é uma “madre Mary” pra mim” confesso que zoei ela que rimos mais um pouco e fomos dormir.
Mas tempos depois, eu reparei na importância do que ela disse, e como ela também era pra mim uma “madre Mary” me tirava as duvidas, me socorria em momentos de problemas e dores, e sempre... sempre tinha frases com sabedoria pra me dizer...
Sinto sim a falta dela, por que hoje quando pensei em ligar para alguém e chorar ao ombro, quem eu penso em ligar não é possível e quem eu poderia ligar nunca mais ira me atender...
bem... eu estou de luto... e Let it be...
Beijos paixão sem dono... beijos e vai com deus... vai surfar nas ondinhas das nuvens.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mais uma despedida...

Sabe aquelas noticias que tu recebe do nada e seu chão some? sabe quando uma saudade perdida no meio da noite vira uma vontade absurda de ligar no dia seguinte, e o dia seguinte com telefones fora de área, fora de serviço e fora de tudo te deixam pensando que deve estar ocupada e liga de volta mais tarde? mas o mais tarde passa e passa o dia... e passa outro dia e a saudade não diminui? pois bem... hoje eu recebi essa noticia depois de uma semana de tentativas de ligar e falar com uma super amiga minha... descobri que ela faleceu....

A cada ano eu tenho inda mais raiva desse fim de ano... a cada novembro e dezembro eu tenho mais raiva desse periodo do ano... no ano retrasado perdi uma outra amiga por uma doença e esse ano... essa mesma doença arrancou de novo uma grande amiga...

O que me derruba é que de novo... mais uma vez eu não consegui falar nada com a pessoa, e quando sentia falta, saudades e vontades de ligar... era na verdade uma vontade uma certeza de que algo acontecia... e que perdia alguém importante...

Pode dizer o que for, podem se animar com essa epoca podem decorar suas casas, mas eu... eu tenho 3 motivos para não comemorar esta data...

Tathi Cohen... saudades é algo que a gente não apaga e amizade é algo que vai alem do tempo... vou sentir saudades de nossas "brigas" ao telefone... vou sentir saudades de tu paixão sem dono...

Deus... recebe essa pessoa com cuidado... ja que ela ficou tão pouco tempo aqui, e fui privado de tantos momentos que planejamos... ao menos cuida dessa guria invocada ai... por que ela merece um lugar bem especial...

A dois anos eu também perdi uma pessoa especial uma não duas... uma grande amiga, e um grande amor... e esse ano... mais uma...

... hoje eu to sem chão... mas não sinto falta dele... eu sinto falta é dela.....

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

memórias

A muito tempo, na verdade não tanto tempo assim, mas a algum tempo um jovem subia alguns lances de escada para encontrar uma menina que até então era desconhecida a ele.
O jovem olhava pelas janelas do alto edifício e esperava um toque simples em seu celular, esperava assim ter quem sabe uma boa companhia um bom papo, e conhecer finalmente ela, que tantas vezes pois um sorriso em seu rosto mesmo não existindo realmente, ele e ela iriam se ver pela primeira vez depois do tortuoso e complicado encontro virtual.
Ele olhava as pessoas na escada e sabia que reconheceria facilmente, mesmo nunca tendo a visto ao vivo já tinha visto umas tantas vezes as poucas imagens que ele tinha dela, engolia a seco cada segundo, e o nervosismo cego o tomava por inteiro.
“como pode... como posso estar assim tão ansioso pra conhecer uma pessoa!? – se perguntava ele enquanto caminha de um lado para o outro. Até que ele a vê... subindo ali um lance de escadas rolantes... o som do andar todo tornou-se mudo, as pessoas pareciam mais felizes, ele estava mais feliz... ela subiu guardando algo na bolsa, um fone de ouvido talvez, e buscando uma coisa.. um telefone... ela timidamente caminhou até atrás de uma pilastra e buscou o numero...
Ele sorriu, e indo até ela disse “- Não precisa eu to aqui”, eles se cumprimentaram como seria o de costume e logo tomaram a decisão de não ir ao cinema, a noite estava convidando para uma cerveja, e assim os dois foram, o papo rolou fácil, confiante e explicativo, ambos tomaram a liberdade e a segurança de dizer os medos anteriores, os motivos e as duvidas e assim o sorriso simples foi tomando conta dos rostos.
No bar, sentados frente a frente, ele tentou uma ou duas vezes tocar a mão dela. Por alguns momentos conseguiu... a conversa tomou rumos mais pessoais, e antigos e os dois assumiram seus medos mais íntimos... e receios... ele sobre seus inquietantes medos e ela sobre um romance antigo, ele sorriu, era desafiador, mas não era esse o motivo do riso... ele sentiu que não tinha mais o que fazer... ele já estava dominado... ela sorriu de volta acreditando talvez que fosse apenas um sorriso perdido, mas não... ela não sabia que ele sorria ali dizendo mudamente um “você é apaixonante”.
Ela olhava para ele com os olhos suaves, temerosa de qualquer erro, ou interpretação errada do que ela pudesse dizer, mas logo o humor louco do jovem a fez sorrir soltamente, e as brincadeiras tomaram conta da mesa.
A noite, que esta noite terminou cedo acabou trazendo aos lábios dele uma doce lembrança, uma lembrança que ele nunca conseguiu esquecer...
O jovem a viu voltar pra casa, e voltou para a sua, com passos lentos, olhos nas estrelas e o pensamento indo longe dentro de um vagão de trem... mas tarde um sms e um sorriso que tomou conta de sua noite... e durante um bom tempo seus dias...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cinzeiro

O cinzeiro estourou na parede espalhando pedaços de vidro por todo os cantos, ele levantou a cabeça calmamente, com os olhos pesados, ele que costumava sorrir tanto agora seriamente mantinha os olhos frios nela que congelada ficava na postura de quem acaba de arremessar... lentamente como que deixando o calor voltar ao corpo ela aprumou-se e o fintou o mais forte que pode.
Ele levantou-se e caminhou, ela temeu que ele fosse agredir ou qualquer outra coisa mas ele apenas passou por ela foi a geladeira, pegou uma garrafa de agua, a sua mochila no sofá e saiu pela porta.
Ela atônita ajoelhou-se e começou a juntar os inúmeros cacos de vidro finamente decorado, começou a pensar nele, e em como ele era cuidadoso, e como as vezes os cuidados eram tão intensos que a sufocava, mas logo lembrou-se de como sentia-se bem entre seus braços e como era seguro estar ali... e em pouco tempo recolhia os cacos de um cinzeiro que pouco ou nunca tinha sido usado como tal, recolhia esses cacos regando-os com suas lagrimas hora felizes com o sorriso de seu rosto... outras frias e amargas como as lembranças ruins.
Ele apertou o botão, mas logo a escada o convenceu que seria mais rápido, a cada degrau a lembrança de tudo que fez, de todas as vezes que a protegeu e até abusou na tentativa, de todas as vezes que sentou-se a seu lado na cama apenas para ver ela dormindo, de todos os momentos de sorrisos ... mas não conseguia se lembrar do motivo desta briga, e nunca conseguiria... não existem explicações... a única coisa que ele não consegue esquecer são as palavras ditas enquanto um cinzeiro voava rente as usa cabeça e estourava-se na parede “Eu não quero nunca mais falar com você”
O porteiro abre o portão, o comprimento de sempre tem apenas a resposta silenciosa de um olhar atordoado e lacrimoso, a rua fria, mais fria ainda sem ela agarrada em seu braço, ou a mão dela apertando a sua.
Ela sentou-se no sofá e só então pode perceber o quão perto foi o cinzeiro, a marca na parede, e os minúsculos cacos de vidro no braço do sofá... ele poderia estar ferido agora... pensou até “seria bem feito” mas logo o arrependimento... um ato desmedido poderia ter piorado ainda mais tudo... só então ela buscou se lembrar do motivo da briga... e para sua surpresa... não se lembrou... nada que ela se lembra-se era motivo o suficiente para que um cinzeiro voasse por toda a sala.
Ela levantou-se e pegou o telefone, os dedos rapidamente discaram o numero e logo o triste som do telefone tocando no quarto a fez perceber que não tinha mais nada a fazer... ele tinha tomado a rua sem um meio de que ela pudesse dizer “desculpe”...
O vento frio tocava sua face e gelava as lagrimas, poucas que ainda corriam, em seu rosto ele sentou-se no velho banco da praça, abaixou a cabeça e no silencio que ali estava pode ouvir o som do cinzeiro se partindo... dos cacos estourando no chão, e da voz doce dizendo frases duras... e as pequenas gotas de chuva que começavam a cair não o fizeram se mover um único milímetro.
Ela abraça os joelhos, sentada no sofá enquanto as horas vão passando, e logo a noite chega e com ela o som costumeiro dele abrindo a porta... úmido por dentro.. e totalmente molhado por fora, ela corre, tenta o abraçar e tirar seu casaco molhado dizendo inúmeros, “me desculpa” e ao olhar nos olhos dele não vê tudo que via antes... um vazio, um frio... uma existência de não existência... os passos até o banheiro, os passos pesados até o banheiro, e a roupa no chão, ela o observa encostada na porta ao vê-lo despir-se e encher a banheira tentou puxar assunto, mas ele pouco... na verdade nada respondia.
Por fim com a banheira cheia, quente, e ele dentro dela, parecendo derreter ele finalmente disse.
- O cinzeiro era presente de sua mãe...
-...
- Eu gostava dele...
-...
- Eu não entendo por que jogou ele em mim.
- Nem eu... Me desculpa!?
-Você juntou os cacos!?
- Sim... joguei fora...
- Não tentou colar!?
- Não.. ele era cheio de detalhes.
-É... as coisas são assim, umas difíceis de serem restauradas, outras impossíveis, mas todas tem uma facilidade incrível para partir...
-...
-Não lembro o motivo da briga, mas lembro que não queria mais falar comigo, não lembro como, mas lembro do som do cinzeiro estourando na parede atrás de mim... não lembro de nada que possa ter causado isso...mas sei que por longas horas na chuva, eu tinha uma única certeza...
- Qual!?
- Você quebrou não apenas o cinzeiro...
-E tem como colar?
-... eu estou aqui não estou!?
- ...
-Pega o cinzeiro e um vidro de super bonder... vamos tentar colar juntos
Ela sorri e entende que ela já tinha sido perdoada, agora faltava ela se perdoar...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Horizontes

Ela abriu os olhos, ainda cansada da noite anterior, as amigas as horas dançando, pulando e gritando e não podia esquecer as muitas e muitas bebidas, mas sempre manteve-se firme a suas obrigações esticou-se e olho para o relógio, a hora que costuma levantar, talvez um ou dois minutos depois... mesmo tendo ido dormir tarde ela acordou na mesma hora, sorriu por dentro e rolou na cama até a beira para se levantar quando o seu celular tocou, 2 toques curtos... um sms.
Em algum lugar da cidade ele olhava o aparelho de celular como quem enfrenta um dilema, as pessoas que por ele passavam sentiam no ar a duvida e o peso, ele digitou mais algumas coisas e por fim encostou o celular no joelho e fintou uma vez mais...
A duvida se devia ou não devia mandar tomava conta de cada centímetro de seu corpo, tremia com o receio e transpirava por vontade, e por fim, “enviar”... mesmo que fosse fora de hora, era preciso e foi.
Recostou a cabeça no encosto do banco em que sentava e suspirou...
“agora foi... e que seja...”

Ela olhou a tela com cuidado, e percebeu, era dele, ele de algum lugar do passado, perdido no tempo e em ações sem sentido por qualquer motivo voltou, pensou se lia ou não, e por pouco não apagou, mas ela acabou aceitando e lendo.
“Oi, Ta difícil, é complicado tudo que acontece, tudo que aconteceu, e eu me pergunto se fiz ou faço bem a ti... na verdade sei que fiz muito mal, e durante muito tempo fui talvez um espinho lacrimoso em seus dias, e não minto como sua falta é nos meus, mas eu sei que suporto certas coisas e você? Será que a gente ainda se falaria? Será que ainda seriamos amigos!?... Espero que sim, mas se não puder, se ainda for lacrimoso para você basta me dizer e acredite... não me verá mais de forma alguma, mas por favor me responda.”
Ela respirou fundo, já não sabia o que dizer, tudo que era dito muitas vezes era entendido de forma errada, e o cansaço e desanimo tomaram seu peito, pensou se devia ou não responder,
As vezes um nada a dizer é mais eloquente do que o dizer tanto... pensou... estou vivendo minha vida, estou finalmente seguindo meus caminhos e desejos... não... não vou dizer nada, não tenho que dizer nada... ela caminhou para o banho, vestiu-se, e foi trabalhar, a mente logo tinha apagado o sms, assim como ele o fez depois de ler... e sua vida seguiu
Ele sentado olhava agora pela janela do ônibus e sabia, sabia que não teria resposta e que isso só significava uma coisa... o fim... a cabeça no vidro, escondiam a quem sentava a seu lado as lagrimas que rolavam em seu rosto, o headfone nos ouvidos abafavam os gritos de sua memória, ele sabia que era o fim, mas ela a saudade como demônio gales gritava e matava quem destruía sua coragem e tomava sua vida...
No trabalho ela fez seu afazeres, trabalhou e tocou sua vida, como sempre fazia como sempre fez, com cada detalhe se repetindo, dia após dia, casou-se teve filhos, e mesmo assim tudo se repetia, em uma constante narrativa preconcebida.

Ele viveu cada dia de sua vida mantendo os olhos fixos em algum do horizonte, esperando uma aproximação que nunca veio, um telefonema que nunca aconteceu, uma carta que nuca chegou, um sms que nunca recebeu... viveu sua vida, envolveu-se, até gostou bastante de alguém mas nunca conseguiu apagar por completo , com o tempo a imagem do rosto dela tronou-se feita por pontos, não era tão real e preenchida, mas ainda era forte e quanto mais ele se afastava desta imagem... mais real ele a via...

Ela viveu sua vida sem olhar para trás, e ele viveu sempre olhando um futuro que não chegou a acontecer...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MUNDO GRANDE

Carlos Drummond de Andrade


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias:preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros,
carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem...sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...

Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos-voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam).

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante
exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
que o mundo, o grande mundo está
crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
-ó, vida futura! Nós te criaremos.

Grosseria

EU tenho medo de como eu tenho me sentido ultimamente. uma estranha bipolaridade uma constante vontade de dizer umas verdades na face de algumas pessoas e a certeza que aos berros me cala, a certeza de que não adianta dizer nada... que não tem verdade suficiente a ser dita que mude a ignorância... não a ignorância de não saber, essa muda com o fato de ser apresentado a um fato ou ato... mas a ignorância tola de agir sempre da mesma forma por um único motivo...
Comodismo...
A como eu gostaria de ver umas tantas pessoas rasgando a cara e arrancando a mascara comoda de agir "igual" aos demais e perceberem , não nos outros, mas nelas mesmas um mundo de possibilidades que vão além do que elas supunham...

Mas ai... ai me vem a parte que é complacente, que entende que me obriga em gritos a me calar... e sorrir... como um playmobil. O asco que sinto de algumas falsidades, de algumas atitudes "comuns" no dia a dia tem se tornado cada dia maior... e eu pergunto, no canto sozinho, por que se perguntar em voz alta e no meio de todos sou visto como louco, como "bruto e rude" eu me pergunto.
Será que esse era realmente o espermatozóde mais apto !?
Será que os outros 65 milhões não seriam uma combinação melhor?

A verdade.. é que me da nojo... certamente me da nojo... e penso que se eu um dia vier a encontrar novamente com esse tipo de gente vou acabar dizendo em voz alta... na frente de quem for...

"Rapaz... Por um azar sem limites do mundo tu não foi uma punheta no banheiro"

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DESDE SEMPRE.

Ela estranhou quando ele abaixou a cabeça com os sangrando lagrimas, ele sempre fora um homem que pouco ou nunca demonstrava seus sentimentos, para se tirar um sorriso dele, mesmo que um pequeno sorriso de canto era preciso uma enxurrada de brincadeiras e piadas, e mesmo assim um sorriso simples surgia na face simples de mármore.
Mas agora ali, a frente dela, ela com as bolsas aos pés e já com a decisão tomada de partir, e ele sentado apoiando o rosto nas mãos deixava os olhos falarem de forma liquida seus sentimentos, por um instante ela pensa em tocar os cabelos negros dele mas apenas se permite dizer um...
- É melhor assim.
- ...
- E eu acho que não fiz muita diferença pra você... é melhor eu ir.
- ... Sabe... você não percebeu mas fez toda diferença...
- Como!? Nunca vi isso... nunca mesmo.
- Eu não vou dizer que sou uma pessoa melhor quando você esta comigo, é besteira de mais dizer isso, mas é verdade, você me faz ser melhor em quando esta e quando não esta do meu lado, em pequenas coisas... por que eu não posso deixar de tentar ser melhor... Toda noite quando fecho os olhos e te vejo se alinhando nos lençóis eu me cobro ser melhor no dia seguinte, me esforço para conseguir isso... e quando abro os olhos e te vejo ali... deitada... ou se espreguiçando eu sei que nunca vou ser melhor... nem o bastante... mas eu tento todo dia ser apenas merecedor de ter você ali uma noite a mais...uma hora a mais... um segundo a mais...
-...
- Eu sei... nunca te disse isso, nunca sentei do teu lado para ver filmes românticos, nunca li poemas ou escrevi nada meloso pra ti... nunca fiz declarações nem te dei presentes em motivos... porra eu até esqueci muitas vezes os dias importantes, as datas... não tenho “a nossa musica” nem sei te dizer o momento mais marcante...
-....
- isso por que pra mim todos os dias são especiais, por que eu não achei poesia que explicasse isso, por que não tem palavra no mundo que me faça pensar que é o bastante, por que presentes sem motivos só seriam lembranças fracas do que você é, por que todas as musicas na verdade me lembram você então todas elas são “nossas musicas”... e todos os momentos são marcantes...
- Até “minha eguinha pocotó”? – Pergunto ela ajoelhando-se a frente dele com os olhos vermelhos
- Principalmente essa... – Respondeu ele tocando os cabelos dela com as pontas dos dedos – Você faz toda diferença pra mim... por que sem você... nada faz sentido... eu não faço sentido...
-...
- Não vai... fica... casa comigo de novo!?
-... caso....
- E casa comigo de novo, de novo.. e de novo... todos os dias....

O sol iluminava as bolsas no chão enquanto eles se olhavam como se nunca tivessem se olhado antes... e se amassem desde sempre.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Guizos

Estranho esse mundo que a gente vive... a tempos eu venho tentando controlar um sentimento que não pode ser solto, não .. não é algo ruim nem chato, é só um amor que não pode acontecer.
Sabe aqueles brinquedos que tem algo dentro? Uma bolinha um guizo que faz barulho quando você mexe? Pois é meu peito é assim por conta desse romance, desse amor, eu fico no meu canto e ele para de fazer barulho, para de me lembrar que ele existe e eu até posso pensar que alguém pode entrar e tomar um lugar, mas ai exatamente como um guizo é chacoalhado e pronto ele toma conta de tudo com a força de um som, não é visível não pode ser tocado... mas existe e esta ali...
Esses dias eu tenho tentado dominar isso, impedir que esse sentimento continue a existir dessa forma, não nego que gosto de saber e sentir certas coisas mas é estranho quando ele não tem por onde sair...
Esses dias em uma conversa com um amigo eu comparei o amor como uma fornalha que derrama um aço quente, e eu tenho essa fornalha em super ativada, e como não posso soltar, não tenho a quem aquecer com ela... eu acabo me super aquecendo e explodindo por dentro...
Mas, a umas semanas eu pensava que tinha dominado, que esse reator em meu peito não corria mais riscos de explodir e destruir a vida de qualquer outra pessoa, ou fazer mal a quem eu amo, achava que tinha controlado isso, mesmo que vez por outra sentado no sofá, ou deitado na cama o calor do meu peito me fizesse suar pelos olhos... eu ainda acreditava que tinha vencido... que estava tudo sobre controle.
Mas ai hoje como que enviado por uma força maior, algo assim quase divino, por que sei que o que sinto é forte e não pode ser posto de lado, não pode ser esquecido ou apagado, alguém veio sentou-se a meu lado e tocou Roupa nova, umas tantas musicas que me fizeram lembrar de cada detalhe que vive ao lado dela, de cada gesto cada som, cada cor...
E eu pude perceber que não adianta... quando o amor é verdadeiro, tempo, distancia ausência... seja o que for... nada impede ou controla...
Posso conviver com esses guizos sempre explodindo em meus ouvidos a mensagem de que perdi, que ela se foi, mas nunca poderia viver sem a certeza de que amo alguém dessa forma...
Então deixem os guizos, eles sempre me farão companhia....

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

História Real

Hoje eu faço uma pausa em minhas histórias e contos, meus relatos tortos de um romance fantasiado, e por que não dizer fantasioso, para escrever um pouco sobre a verdade. sobre um romance, não sei eu se era intenso o tempo todo, se foi fácil ou não viver, sei apenas que a gente geralmente pensa em amor, aqueles fortes não pela história toda, mas como termina.

Romeu e Julieta é um exemplo, romances proibidos nós vemos o tempo todo nas novela das 7, mas um romance proibido onde o amor vence até mesmo a vida a gente não encontra a toda hora.
Eu admito que tenho em mim um grande sentimento por uma determinada pessoa, e nunca tive vergonha de assumir isso, mesmo não tendo contato com ela a tempos eu ainda sinto algo forte.

Bem hoje eu vou postar não um texto fictício mas algo real uma noticia que me fez parar o dia para enxugar um veio de lagrimas que teimavam em sair de meus olhos.

Casados há 72 anos, americanos morrem de mãos dadas

Um casal de idosos casados há 72 anos morreu de mãos dadas nesta quarta-feira, 19, em Des Moines, cidade do Estado americano de Iowa, informa o site do grupo MSNBC. Os dois americanos haviam sofrido um acidente de carro no último dia 12.

Casal acreditava em casamento 'até que a morte os separasse', disse filho
Norma Stock, 90, e Gordon Yeager, 94, morreram de mãos dadas na unidade de tratamento intensivo do hospital, disse um dos quatro filhos do casal. O intervalo de morte entre os dois foi de apenas 70 minutos. "Eles acreditavam no casamento 'até que a morte os separasse'", disse Dennis Yeagar.

O filho do casal afirmou à televisão local que seus pais nunca gostaram de ficar separados desde o casamento - em 26 de maio de 1939. A família, porém, ficou feliz em saber que os dois passaram seus últimos momentos juntos. "Eles foram colocados no mesmo quarto de tratamento intensivo e estavam de mãos dadas", disse Dennis.

Gordon morreu às 15h38 locais, cercado pelos parentes. Ele havia parado de respirar, mas o monitor mostrava batimentos cardíacos. A enfermeira responsável pelo casal, porém, explicou aos filhos que a pulsação do coração de Norma refletia no corpo do marido, justamente pelo fato de estarem de mãos dadas. Pouco mais de uma hora depois, a americana não resistiu.

"Nenhum dos dois ia querer ter ficado sem o outro. Não consigo pensar se isso aconteceria", disse Donna, outra filha do casal. "Honestamente, fomos abençoados que eles puderam partir desta forma", completou.


Depois de ler isso eu pensei...
"que diabos é uma vida sem um amor verdadeiro? de certo esses dois estão agora de mãos dadas em algum lugar, olhando de cima quem eles antes olhavam nos olhos."

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Trilha sonora

Ela nem queria estar ali, nada parecia ser certo, mas mesmo assim ela tirou os sapatos e pisou na areia que estranhamente ainda estava morna, mesmo o dia já se ido a um tempo, ao longe uma duas ou 3 fogueira e umas pessoas gritando e rindo, ela se aproxima sorrindo, respondendo educadamente os acenos com a cabeça, e cominha até o único rostos conhecido, uma amiga com uma taça de vinho na mão de pé a vê e acena alegremente.
O som suave e sem ritmo das ondas chocando-se nas pedras e areia eram um convite a introspecção, mas ela logo ao abraçar sua amiga acabou esquecendo o desejo de sentar-se em um canto qualquer e apenas penar na vida, uma voz forte, e rouca cantava não muito longe dali começava a cantar Creed - “With Arms Wide Open” e ela se encantou, aproximou-se do grupo e mesmo estando afastados da fogueira o rapaz sentado na areia com um violão surrado parecia iluminado pelos olhos brilhantemente apaixonados das meninas a sua volta, as atrás dela pareciam cada vez mais distantes como se estivessem se afastando, e logo se ouvia apenas o jovem rapaz tocando, e cantando com sua voz rouca e pesada, os cabelos longos cobrindo o rosto, ela conhecia o rapaz, mas a voz... ele só usava essa voz quando falava com alguém desconhecido no telefone, ou um assunto serio... e agora ela sabia mais um lugar onde ele usava a voz... enquanto cantava.
Logo depois do ultimo acorde ele balançou a cabeça e emendou direto com Pearl Jam “ Alive” ela podia jurar que até mesmo as ondas estavam silenciosas ouvindo ele cantar “Son, she said, have I got a little story for you What you thought was your daddy was nothin' but a...” e todos que ali estavam balançavam as cabeças em um mesmo ritmo, a platéia se comportava com se estivesse em um show de rock com milhares de pessoas as meninas a seu lado iluminavam com os holofotes de desejos e admiração que derramavam por seus olhos e ele apenas ali tocando mais um acorde e outro, por fim... olhou a volta e disse com sua voz comum e suave.
- E ai? Oque querem ouvir?
Ela, la do fundo disse
- Even Flow.
Ele buscou a origem da voz no grupo e reconheceu os olhos inesquecíveis, e um sorriso fugiu de seus lábios para o canto de sua boca e então disse
-Eu Canto essa sim, mas você tem que cantar uma outra pra mim... uma troca o que acha, eu não aceito não como resposta, e então o que diz?
Ela calou-se... ruborizou-se a ponto da taça de vinho em sua mão parecer pálida, ele sorriu uma vez mais e disse
Enquanto ela pensa... vou cantar uma outra,
Dedilhando os acordes iniciais fez com que ela se arrepiasse e logo a voz dele começou
- Alone... Listless breakfast table in na otherwise empyt room”
Ela sabia... ela conhecia e adorava a musica
Agora era visível o silencio no ar sendo cortado apenas pelas notas vindas do violão surrado, da voz suave, rouca e forte, e do ritmo acelerado em seu peito...
Antes mesmo da ultima nota ter sido tocada ele já começou a cantar os versos de Even Flow e no fim da musica olhando ela nos olhos disse.
- Agora cante comigo... – E começou a tocar... – Eu começo...
- Waitin´, watchin´the clock, it´s four o´clock, it´s got to stop…
E logo ela começou a cantar ... e juntos cantavam um dueto singular de “better man”
E quem quer que passasse ali na praia aquele momento tinha a nítida impressão de que as ondas mudas chocavam-se nas rochas não por uma ação da maré, mas por que queriam ouvir também os acordes e a voz suave e rouca do jovem acompanhado pela voz dela...
No fim os ele pois o violão nas mãos de um outro jovem, e levantou-se caminhou até ela, caminhando ao lado dela na areia puderam então voltar a ouvir o som das ondas os risos e gritos atrás deles e ela disse primeiro.
-Nunca pensei que te veria por aqui!... confesso foi uma surpresa agradável.
- Sem duvida... melhor Para mim, Como esta a vida?
- Igual... e a sua?
-... vazia, mas o que posso fazer né? É o que me resta...
A conversa acaba se desenvolvendo e logo estão os dois sentados um pouco distante do som dos risos e gritos apenas cercados apenas pelo som das ondas quebrando na areia a sua frente. E novamente ela diz
- Eu queria ter coragem de te fazer uma pergunta... mas tenho medo.
-... Medo de que? Faz... o Maximo que pode acontecer é eu não responder.
- ... Como esta seu coração!?
-... como sempre... batendo no peito e apanhando na vida.
-... Namorando?
- Não depois de você...
- ... Como Assim!?
- Não me envolvi de verdade com mais ninguém depois de você.
- ... é eu tinha medo disso... E por que? Todas as meninas lá no luau estavam loucas por você dava pra ver nos olhos dela.
- É eu sei... mas elas querem apenas aquilo, aquela voz, aquele cara tocando violão, o cara aqui de dentro... ninguém conhece de verdade e nem quer.
- Eu Conheço.
- E não quis...
- ...
-Desculpe... eu falo de mais...
- Você fala o que tem vontade... não esta errado nisso... eu que não estava preparada para ouvir uma verdade assim, mas você me entende né?
- Eu aceito... entender acho que nunca vou entender...
- ... Desculpe...
Um silencio frio os separou por alguns minutos em fim ele disse
-Sabe, que eu gostaria?
- O que?
- Que mais alguém no mundo amasse alguém como eu amo você e esse amor fosse correspondido, assim eu poderia ver como é bonito e como seria bom viver ele.
- ... E você acha isso bom?
- Não sei se é bom... mas também eu sei que é impossível alguém te amar como eu amo... por que nem eu mesmo sei explicar como é o que sinto por você...
- Para.... você sabe... não da... não misture tudo...
-Não... eu não misturo... só to te dizendo a verdade... ninguém vai te amar assim, feliz por te ver feliz mesmo que não seja com ele... e infeliz por ter um desejo a certo ponto errado...
- ...
-...
O Sol surgia por entre as montanhas enquanto eles voltavam para as risadas e gritos dos jovens... mas eles traziam no peito um silencio ensurdecedor.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O pior de tudo não é a falta que faz e sim o que sua falta faz...
A imaginação vai a mil... e um futuro imaginado nem sempre é um futuro bom...
em fim
saudades é uma merda.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

por que?

- Por que eu devo te esquece!? Me diz de verdade por que eu devo fazer isso?, você pode me apontar inúmeros motivos para isso, as vezes que chorei por algo que disse, ou por todas as vezes que fiquei em um canto pensando se viria e não veio... Eu sei... é claro que eu sei de todos os erros, defeitos e falhas, na verdade, eu não sei todos, sei apenas os que consegui ver, mas... e daí? Por que eu devo te esquecer?
O jovem de costas para o quarto repetia isso inúmeras vezes com a cabeça baixa olhando pelas frestas da janela, e por fim disse uma vez mais, e outra um que saiu de sua garganta como um grito e trouxe junto as lagrimas em sua voz.
- Por que eu devo te esquecer? Me diz logo por que eu realmente não acho motivo para isso, e por mais que eu pense que deva te esquecer, e até tenha tentado tantas vezes... eu não vejo como... me diz... me fala como te esquecer, e por que fazer isso... vai me dizer que é por que eu nunca seria feliz com você? por que você tem um jeito forte?
Ele perguntou e o silencio ecoou no quarto uma vez mais... e mais uma vez ele suspirou fundo e disse.
- Bem... não tem nada que diga mesmo que me faça esquecer você, eu poderia te esquecer por tudo que você já me disse e me fez mal, mas as horas que simplesmente não disse nada apenas me olhou e me tocou os cabelos me fazem lembrar de ti ainda mais, eu poderia te esquecer todas as vezes que eu fiquei te esperando e não veio, mas toda vez que me lembro as vezes que você apareceu... eu não consigo que esquecer... Eu poderia te esquecer por seus erros seus defeitos... mas como? Se são eles que te fazem ser essa mulher que eu tanto admiro... amo... eu amo não apenas suas qualidades, mas também os seus defeitos...
- eu não te esqueço por que nunca achei motivo para isso, mesmo que eu procure, ou invente um monte... existe sempre algo mais forte que me faz nunca te esquecer... eu não te esqueço por que eu não lembro de você... eu SOU você... toda vez que me olho no espelho eu não me vejo... eu vejo na verdade a sua falta... eu só posso dizer que todas as vezes que ouvir seus suspiros todas as vezes que te olhar calada sentada mexendo em seu cabelo eu vou estar do seu lado só por que eu não consigo te esquecer... não... na verdade não é esse o motivo...
-Eu nunca vou te esquecer por que eu te amo... apenas isso...
O jovem então vira para o quarto... e olhando para a cama vê somente um bilhete que já fora lido tantas e tantas vezes nos últimos anos... “é melhor você me esquecer... A minha vida segue outro rumo... “ e os lençóis remexidos, a casa vazia , ela se foi... e ele... ele continua sem saber como fazer para se esquecer

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Frases

Entenda que, quem te ama de verdade, ama até os seus defeitos.

Na vida a gente tem duas escolhas
1 - Ser comum, como todo mundo a sua volta
2 - Fazer a diferença e ser exemplo a todos a sua volta.
Escolha a segunda, assim a gente pode criar um mundo de Exemplos e ser comum passa a não ser tão ruim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Umas quadras a pé

O telefone tocou uma, duas, três vezes até que ele finalmente conseguisse atender.
- Alo.
- Oi... sou eu tudo bem?
- Oi... – disse sem esconder a surpresa.
- Tudo bem? – disse ela com a voz em duvida se tinha feito a coisa certa.
- Sim ... sim tudo bem eu só não esperava... digo não imaginava que tu fosse me ligar.
-A nem eu, mas liguei, fiz mal?
- Não, nunca.
- Então o que tem feito de bom?
- Olha... o de sempre, e você?
- Trabalhando muito, ainda terminando meus estudos, me dedicando sabe?
-Sei, você faz bem, fico feliz por isso, mas desculpe perguntar, por que me ligou hoje? Depois de tanto tempo?
-Sei la... deu vontade de falar com você
-Eu pensei muitas vezes em te ligar.. mas nunca tive coragem... sei la tinha medo de você não querer falar comigo.
- Nha... então esses dia, eu acho, que te vi na rua.
-E por que não falou comigo?
-Eu estava no ônibus, e acho que era você não tenho certeza.
- É... eu tenho andado muitos quarteirões por sua causa.
-COMO ASSIM?
-Eu sempre que acho que é você na rua eu desço do ônibus para ter certeza.mas nunca é.
- Você é louco, por que continua fazendo isso?
- Por que eu espero que na próxima seja...
-É somos diferentes nisso, eu já teria desistido.
- Eu nunca desisto do que vale a pena.
-nha bobo, me fala... o tem que ter alguma novidade, me conta?
-Não tenho novidades... continua tudo igual
-Poxa... pensei que tivesse um monte de coisas pra me contar.
- Nada... só trabalho, me aperfeiçoando, aprofundando na minha área... nada de diferente, e você? desde de...
- de?
-Você sabe.... o que tem feito
- Desculpe...Eu acho que não devia ter ligado... desculpe por te fazer mal?
- Hey... você não fez mal... a sua falta faz... você nunca.
-... Você sempre sabe fazer eu me sentir menos mal com o que você fala...
-Que bom... ao menos acerto em algo né?
-Bobo... você acerta muito... mas você sabe... eu tinha que tentar né?
- Sim eu sei.. é seu sonho, não te critico por nada... tudo aconteceu por vontade, é bom que seja assim. Você sabe que ainda gosto de você, que é importante pra mim não é?
- ... É eu sei... eu queria que tudo fosse diferente entre a gente... Mas você sabe....não deu.
-É Eu sei... é seu sonho de criança.
-É mas eu queria que fosse diferente... tudo... que tudo fosse diferente.
-É essa é mais um diferença entre a gente.
-Qual? Não entendi, eu querer que fosse diferente?
- É você quer que seja diferente, e eu daria tudo para que fosse igual... que nunca tivesse mudado, que nem um sonho pudesse mudar aquilo...
- ... E mudou muito?
- O que?
- o sonho mudou muita coisa em você?
- Não... em mim continua a mesma coisa... mas é apenas impossível de acontecer de novo.
-... agora você disse algo que me deixou mal.
- Desculpe... talvez essa seja mais uma diferença
-O que?
-Você se sente mal em saber que eu te amo, e eu me sinto mal por não saber se você me ama...

Depois de um breve momento de silencio os dois voltam a falar sobre amenidades, sobre filmes, musicas e seriados... e depois de um bom tempo os dois foram se deitar... cada um pensando nas diferenças e semelhanças entre eles... mas enquanto um sorria e alinhava-se em sua cama feliz por ter tido a conversa, o outro se cobria em pensamentos e duvidas. Um sonho pode realmente afastar algo tão real como aquilo?
A manhã chega e nenhuma resposta é encontrada... apenas a certeza que uns quarteirões a mais podem ser andados a pé movidos por uma esperança... ou sonho.

domingo, 2 de outubro de 2011

Pedágios

Ela entrou no carro e apertou o cinto, assim que ligou o aparelho de som ligou e o som de The smiths ´Unloveable” começou a preencher o vazio do carro. Ela sorriu e ao conferir os documentos do carro encontrou um pequeno bilhete dele.
“Bom dia, desculpe fazer isso deixar essa musica para tocar assim de manhã mas é que eu me sentia assim sem você, um completo e total ser que nunca seria amado”
Ela fechou os olhos, e sorriu, era comum dele deixar bilhetinhos espalhados pela casa para que ela os encontrasse a qualquer momento do dia, certa vez encontrou um dento do congelador “Só você pode aquecer meu peito, antes ele era um gelo , te amo” e hoje esse bilhetinho e a musica... é ela sabia que era verdade.
Ela acertou o espelho retrovisor e saiu da garagem, tomando o caminho que tomava de costume, logo a frente o sinal fechou-se e ela parou, a sua frente um grupo de jovens estendeu uma faixa e nela os dizeres.
“ Não importa quantas vezes eu te diga, sei que não vai acreditar em mim, mas eu sempre vou tentar... Princesa... eu te amo” um dos jovens caminho até o carro dela bateu com o no dos dedos no Vidor ela baixou e ele disse.
- A gente pode passar a vida toda sem amar de verdade uma pessoa, mas quando ama, é ai que a vida faz sentido, Estas rosas são apenas o primeiro passo, não se apresse assim como na vida se a gente correr muito a gente deixa de ver tudo que é importante. – Disse isso entregando a ela um buque de flores e um pequeno bilhete.
“Espero que ainda esteja ouvindo o cd que eu coloquei em seu radio, a próxima musica é muito importante pra mim... Te amo princesa...”
E logo os acordes de “Apenas mais uma de Amor” tomaram conta do carro e ela teve que segurar um pouco o choro... eles costumavam cantar versos dessa musica um para o outro algum tempo atrás, o sinal logo tornou-se verde e ela foi... atenta as musicas que tocavam no cd e a tudo a sua volta.
Mais a frente uma menina de pé a beira da rua segurando uma plaquinha com os dizeres “Sua filha poderia parecer comigo!!” e um pouco mais a frente um outdor com um casal de idosos se beijando “Não é apenas um sonho bobo é? Envelhecer a seu lado!?” e assim que ela cruzou a esquina lulu santos começou a cantar ”Eu te amo calado” e agora os olhos dela iniciaram uma constante de lagrimas. Ela quase encostou para ouvir a musica mas viu mais a frente um outro grupo de jovens... a frente.. no sinal novamente.
Diminuiu a velocidade para poder parar no sinal e ver a faixa.
“Bom saber que não esta correndo, bom saber que esta atenta a tudo... Acho que agora você esta em companhia de um certo lulu que te diz como é a vida... um dia e noite um não e sim...
E eu te amo minha princesa... mesmo,”
Uma menina aproximou-se do carro e ela imediatamente abriu o vidro.
- Tem certas coisas na vida que podem ser melhor com o tempo, e descanso, um bom vinho é aquele que é posto de lado um tempo, e até parece ter sido esquecido, mas na verdade ele estava lá vivo e aprimorando... o amor é assim... você pode deixar ele de lado... mas ele vai sempre estar ali... forte e fermentando. – Dito isso a jovem entregou uma cartinha
“ A gente sempre se preocupa com quem a gente ama, mesmo que as vezes a gente deixe ela ali, no canto, parecendo esquecida, mas a gente faz isso por que sabe que ela precisa desse tempo, eu nunca esqueci você, e quando pensou que tinha esquecido eu estava ali te olhando de longe... te amo muito minha pequena... te amo “
Ela seguiu mais um tempo, nas ruas cruzando esquinas e subindo vias e a cada musica que tocava no radio uma lembrança especial era trazida a mente pelos ouvidos e transformada hora em sorriso hora em lagrimas. Até...
Chegando a frente de seu trabalho, e estacionando o carro ela escuta uma voz familiar.
“hey... linda... A essa hora já deve estar em frente a seu trabalho, isso se o transito for o de sempre, bem mas é isso... eu te acompanhei um pouco hoje, te fiz umas pequenas surpresas mas a verdade é que você me acompanha a muito tempo, nunca esqueci um segundo seu sorriso e nunca deixei de pensar em como te fazer feliz, lembra que certa vez te disse que queria te conquistar todo dia? Ou melhor.. merecer você todo dia? Os bilhetes as faixas e o cd são para ir um pouco mais além...

Você pode passar por esse caminho todos os dias mas nunca mais vai passar por eles como passava antes, hoje cada esquina e sinal tem uma lembrança, talvez você não tenha entendido ainda, mas espero que ainda esteja ai... me ouvindo... e se estiver... por favor... abre o porta mala...”
Ela saiu do carro, caminhou para o porta mala, e assim que abriu, alguns balões subiram amarrados ao porta mala e uma pequena plaquinha escrita.
“Eu não posso viver sem você, casa comigo!?”
Ela olhou assustada a volta e viu atrás dela, ele sorrindo com os olhos vermelhos de sentimentos e enquanto alguns balões subiam para um infinito azul ela respondia a ele que se tornava hoje o homem mais feliz ...

sábado, 1 de outubro de 2011

Lembranças, onde quer que eu vá..

Lembranças são perigosas...
Em certos momentos te motivam a seguir em frente
E no estante seguinte te enchem os olhos delas em estado liquido.
Lembranças são complexas...
Pode passar a vida inteira querendo uma lembrança forte sobre um assunto e quando se tem querer nunca mais lembrar delas...
Lembranças são como crianças.
A gente não pode esperar nada delas, mas elas sempre nos surpreendem com algo vindo “do nada”.
E eu posso dizer..
Eu estou sempre lembrando de você... sempre..

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Até a manhã

Ele abriu os olhos e pode ver ela deitada a seu lado, as mãos apoiando o rosto no travesseiro os cabelos mostrando a nuca, a luz quente que o abajur lançava levemente iluminava sua pele lisa e lustrosa, as pequenas pintas em seu ombro, e os fios finos e cacheados em sua nuca, ele sorriu e acertou-se a seu lado para poder ver melhor seus contornos.
Os pequenos pelos em seu braços, os delgados, as unhas de louça brilhando a luz fraca do abajur, ele suspira pesadamente e teme estender a mão, e como muitas vezes acordar antes dos dedos tocarem a pele que o chamava, ela se mexe puxando um pouco o edredom deixando uma parte de suas costas nuas a mostra.
Os nós da coluna, acertadamente alinhados, ele os persegue até as covinhas de suas costas, então em um ato louco e impensado, beija o ombro e depois a nuca.

- Pensei que nunca fosse fazer isso – disse ela guardando um sorriso vitorioso no rosto
- Eu pensei umas tantas vezes... mas não sabia se era sonho ou realidade.
- E o que acha que é? - Disse virando-se para o olhar nos olhos.
- Se for sonho... não quero acordar e se for realidade... e a mais perfeita de todas.
- ... Você não dormiu?
- Um pouco.
- E ficou me olhando tanto tempo por que?
- Estava me lembrando do meu tempo de escola.
- Como?
- Eu estava decorando contornos, montanhas, vales. – disse ele tocando com a ponta dos dedos a pele suave do corpo dela.
- Bobo... assim você me deixa arrepiada.
Ele aproxima o rosto do rosto dela e tocando com o lado do rosto o rosto dela disse calmamente em seu ouvido.
-É um convite?
- Um desafio eu acho - Disse ela afundando os dedos nos cabelos negros dele. – Você nuca me disse se era bom em geografia!? – completou sorrindo e olhando nos olhos.
- Eu sou esforçado...
Os dois se entregam as caricias e beijos, e logo ela deita sua cabeça no peito nu de seu companheiro passando lentamente a mão e ouvindo a batida de um coração que vai desacelerando.
- Eu sempre gostei de ouvir seu coração... mesmo assim agitado... ele me acalma.
- E eu adoro te ter ai, seu lugar é esse sabia?
- Eu gosto dele... gosto muito.
- Sabe... você já é dona de meu coração, você tem o melhor lugar dele, a cobertura de vista para o mar... você bem que podia tomar conta de todo resto né?
- como assim?
- Vem morar comigo... vem ser dona disso aqui..de tudo isso, Casa comigo?
- Você não ta falando serio esta?
- Eu nunca falei tão serio na minha vida... você é a mulher que eu sempre quero ter a meu lado, acordar e esquecer o que ia fazer por prender meus olhos em você... é quem eu quero sempre ver se arrumar a deitar do meu lado, eu te amo... e nunca amei ninguém assim... casa comigo?

A resposta demorou a chegar, mas foi tão forte como o sol que entrou pela janela.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No fim da rua.

Ninguém percebeu e talvez nunca iriam perceber, mas aquele rapaz franzino já carregará nos ombros pesos maiores que muitos homens maduros e fortes, seu andar timidamente decidido o fazia passar despercebido aos olhos ávidos por heróis e exemplos e ele até certo ponto era feliz por isso.
Este jovem, magro e pálido que trazia os olhos fundos no rosto, sentava-se sempre a praça no fim da rua, invisível aos olhares de qualquer, ele sentava-se ali deixando o dia passar por sobre sua cabeça, poucas vezes alguém sentava a seu lado, mas mesmo assim... ninguém percebia seu espaço.
Foi o senhor do fim da rua, aquele que sentava-se todo dia na mesma hora em sua cadeira de palha em sua varanda que o viu passar, cabelos negros cobrindo o rosto que fintava o chão, as mãos enfiadas nos bolsos e uma pasta frouxa debaixo de um braço, foi esse senhor que todo mundo percebia e notava, que o acompanhou com os olhos até o fim da rua e o viu sentar-se no banco e passar o dia ali... virando e revirando a pasta.
O velho senhor, levantou-se e aprumou as calças, apertou o sinto e seguiu em passos lentos a rua que subia, e no fim como que esperando o jovem sentado fintava o chão e pousava a pasta em suas pernas, o velho, aquele mesmo que andava lentamente apressou os passos, como quem soubesse da urgência do encontro ou quem foge de um outro... logo ofegante sentou-se ao lado do jovem e pode olhar com um pouco mais de intimidade a pasta que o jovem mantinha segura em seu colo.
Através do material transparente da pasta pode ver uns tantos poemas e desenhos e em meio a versos estranhos reconheceu um.
- aaa Ismalia, A louca da torre...
- Hein? – Respondeu o jovem franzino que franziu a sobrancelha.
- A perdão vi em sua pasta uma frase de Ismalia, “queria a lua do céu queria a lua do mar”... sempre gostei desse texto, mas nunca entendi muito bem. Você entende?
- É simbolismo, é difícil explicar, cada um “Le” de uma forma.
- Eu acho que ela é louca... e solitária, na verdade... ele fala logo de cara né que ela é louca.
- Na verdade ele diz que ela enlouqueceu, não quer dizer que seja louca.
- Como? Se enlouqueceu é louca.
- Quantas vezes já ouviu alguém dizer “estou louco de raiva” e nem por isso ele é visto como um louco realmente... quantas vezes um casal faz juras de amor “loucamente” um para o outro? E confessam entre beijos que são “loucos de amor” ?
- Hummm nunca tinha pensado dessa forma... mas de qualquer forma... é louca... se jogou da torre por causa da lua.
- Por causa de um sonho, mais uma dica para entender o poema... ela tinha duas escolhas, aparentemente iguais mas em formas e meios diferentes, uma real, concreta mas intangível, e outra a imagem distorcida, virtual e invertida do reflexo.
-Não entendi... – Disse o velho apoiando a mão no joelho e a outra coçando o rosto.
- Ela tinha dois caminhos a seguir... estava dividida, em duvida... não sabia o que era melhor ou pior... apenas sonhava com o toque de um imagem ou a perfeição impossível da outra.
-A...e daí?
- E daí ela se entrega a perfeição, transforma em verbo seu desejo,” e, no desvario seu Na torre pôs-se a cantar, estava perto do céu, estava longe do mar” ela mostra de novo que estava em duvidas, ela se mostrava a uma imagem impossível de ter, e sentia-se atraída pelo toque do real, queria o mar...
- AAA então ela estava apaixonada, a lua era seu amante então?
-... acredito eu que sim...
-Mas e o resto?
O jovem olhou o senhor, e só agora percebeu que estava gostando de conversar com ele, sentia-se bem em falar e então continuo a explicar o que entendia das linhas
- Ai fica complicado... ela se lança no meio das escolhas, buscando as duas ao mesmo tempo, mas não pode ser assim...
-Ela cai e morre
- Não vejo ela morta realmente .
-Mas no poema fala, “sua alma subiu aos céus, seu corpo desceu ao mar”
- Ela jogou-se, correto, mas metaforicamente falando ela se jogou na vida, foi atraída pela gravidade da vida e como nesse mundo não existe perfeição, manteve-se na terra junto a imagem da lua no mar, mas sua “alma” suas idéias seus pensamentos... bem esses ficaram com a outra opção... a perfeição o impossível.
- ... Olha meu jovem... nem que eu lesse esse poema mais 80 anos eu entenderia dessa forma...
- ... É senhor... e como entenderia?
- Ela ficou maluca , por algum motivo, e decidiu abrir mão de sua vida. Ela era uma Lunática.
- O senhor se atenta apenas a que diz as palavras e não ao que elas querem dizer.
- Verdade... mas obrigado viu? Gostei da nova forma de leitura que me mostrou.
- Que nada...
- Mas se me permite perguntar... por que senta-se aqui sozinho o dia todo?
O jovem baixou a cabeça... respirou fundo e levantou os olhos... o senhor a seu lado acompanhou a linha que os olhos do jovem traçavam no espaço e viu uma casa no fim da rua, com uma janela aberta e uma jovem menina no portão envolvida nos braços de um outro rapaz.
-Humm... esta admirando sua lua é?
- Não...
- Então o que faz olhando a jovem no fim da rua?
- Eu observo a Ismália escolhendo a imagem real.
O senhor olhou o jovem, olhou a pasta em suas mãos e colocando a ponta dos dedos em seu ombro disse ao jovem.
- É vai ver que logo logo ela cai na realidade, e olha a imagem do reflexo...
- Acho que isso pode acontecer... ou não... enquanto isso eu fico aqui... refletindo o dia todo.

O senhor levantou-se despediu-se educadamente e voltou pra casa, Foi esse mesmo senhor, que reconheceu no jovem franzino e pálido, um mundo contido... como em uma estrela que se comprime esse jovem se espremia dentro daquele jovem franzino e pálido... e tudo que o jovem queria era uma chance de mostrar todo seu mundo a sua “ismália” do fim da rua.



Ismália
Alphonsus de Guimaraens


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...