Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rosa

Ele carregava o lixo para forra, como sempre fez, recolheu as cartas na volta e o jornal novo, colocou como sempre fazia sobre a mesa o jornal e as cartas, não sem antes ver se ainda existia uma carta para ele, mas não eram todos para ela, e as contas que ele já havia separado o dinheiro para pagar, era sua ultima manhã ali, e as coisas rotineiras hoje pareciam inda mais agradáveis, mas ele estava decidido ia partir e não mais voltar.
A mesa do café ela sentada servia-se de uma xícara de café com leite e 3 ou 4 fatias de pão de forma quente com sua manteiga preferida, a luz suave entrava pela janela e iluminava ela de costas para ele, parecendo estar em uma redoma de luz, o olhar por sobre os ombros fez ele perceber que ela já havia notado sua presença, ele caminhou até a mesa servindo-se de um copo de café puro dizendo a ela.
- É, eu vou embora. Vou deixar as contas pagas, afinal participei dos gastos esse mês. – ela porem não disse nada, apenas mordeu a fatia de pão que estalava em seus dentes.
-Eu só queria dizer adeus pra você , e não ficar falando atoa. – sem perceber reação dela ele termina o café e sobe para pegar suas malas ao descer ele passa pela cozinha e coloca as chaves sobre a mesa ela abaixa a cabeça e ensaia uma tosse, por fim diz.
- Eu fui uma tola, desculpe, espero que seja feliz. – Aquelas frases pareceram sem sentido para ele, ela nunca diria isso, e assustado ele ficou parado olhando ela se virar na cadeira e olhar para ele e continuar dizendo. – É claro que gosto de você, acredito também estar apaixonada, mas foi culpa minha não perceber isso e não te dizer, mas tu foi tão sem percepção quanto eu, foi tão imprudente quando eu... não precisa sair de casa eu saio .
-Não – disse ele – Nada disso, comprei a casa para você montei como seu sonhos, alem disso para onde vai? Não tem pra onde ir, vai se enfiar em um hotel? Não seja tola, fica com a casa, a gente já acertou tudo, ela é mais sua do que minha.
- Bem, então não se preocupe com as contas, eu sei me virar sozinha, e é bom por que ai já tenho o prazer de saber que me sustento sozinha, dizem que isso é bom, se manter só.
-Mas as prestações? – Disse ele acanhado em ver os olhos dela o fintando fixamente.
-Deixa eu pago, no fim a viagem seria só minha mesmo.
- Olha se precisar de algo é só falar, vou estar por perto sabe disso, pode contar comigo
-Não precisa, eu não sou tão frágil assim, só queria que soube-se que eu realmente peço desculpas não sabia como dizer as coisas pra ti.
Ele sorri, acerta os cabelos dela por trás das orelhas, e ela o olha nos olhos e diz,
- vai, tu tem hora, já que não tem nada que eu possa dizer que mude sua vontade de ir, vai.
Ele pega as malas e coloca no porta malas do carro, no banco de trás, alguns livros e dvd´s, ela de pé na varanda da casa olha ele dar a volta e parar frente a porta do motorista, um aceno e ela vira as costas sem responder... entra em casa.
Ela ouve lá fora o som do carro partindo, ela não entrou por raiva, mas por que não queria que ele a visse chorar... era uma mulher um tanto orgulhosa para isso, mas chorou por longas horas, até perceber que o dia se aproximava da metade... e ai deixou para chorar mais a noite deitada em sua cama de casal, sozinha.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Perdido

Vou admitir uma coisa, não sei se todos já sabem ou não, mas vou dizer de forma clara a todos que por qualquer motivo vem a minha pagina para ler o que escrevo...
Estou definitivamente perdido, no sentido não literal da palavra, eu sei onde ir quando saio de casa, sei o que fazer quando caminho, sei tudo que preciso saber, para onde ir como ir, e o que fazer quando chegar La, mas a única coisa que não sei é o que fazer de mim, estou realmente perdido.Muito embora eu sempre encontre alguém que diz ter um mapa, que me aponte onde ir e o que fazer eu me pergunto se é realmente para lá que eu quero ir.
Por isso estou perdido, a tempos me dedico a trabalhar com uma coisa, me aprofundo nisso, estudo isso, e até me julgava um bom profissional, mas dia após dia eu penso que não sou, que não existe isso, quando se quer realmente todo mundo pode ser o melhor, mas ai eu me pergunto seu eu estou querendo trabalhar no que me dediquei... e vejo que o caminho que to trilhando tem muito do que quero, mas não é exatamente o que eu quero.
Fora isso, tem outras questões, acreditava cegamente em tantas coisas, mas com o tempo com o passar dos anos, eu fui vendo que crenças só me prendiam a um tipo de sentimento, uma situação uma forma parcial de vida, eu acreditava em destino e em amor, mas hoje, vejo que hoje em dia destino não existe, e amor é produto vendido em lojas de utilidades, se bem que o amor hoje parece tão supérfluo que acho que logo será vendido a 1,99 nas esquinas da cidade.
A cada vez que penso no que eu sou, onde estou, e se eu fiz algo de diferente, se causei algo as pessoas que gosto, se fui importante a alguém se fiz alguma diferença no mundo vejo que passo em branco, a tirar as poucas linhas que escrevo, passo em branco e mesmo essas linhas acho que não tocam ninguém e não causam mudança a ninguém.
Eu to perdido mesmo, assumo, as vezes me vejo pensando que gostaria de ter uma certa pessoa comigo, mas minutos depois penso que to bem sozinho, que por mais que eu queira realmente ter alguém comigo, e queira ela não minto, ela não esta no momento para isso esta cuidando de sua vida, fazendo o que eu estou fazendo, cuidando da minha mas... to perdido... por que ainda sabendo de tudo isso, e de tantas outras coisas que me fariam esquecer de vez ainda penso nela.
Estou perdido por que procuro trabalho, leio e estudo tudo que gosto, desenho, fotografo, escrevo até e ainda assim não sei que caminho seguir, hoje lembrei-me de um tempo em que pensava sem largar a vida mundana e me enclausurar em um mosteiro, virar monge, me dedicar a minha vontade de fazer algo pra todos e para mim. Mas penso que não sei
O que sei é que sobra tanta coisa em mim, entre as coisas que sobram é a falta de algo que eu não sei o que é... eu na verdade não sei quem sou... e esses textos as vezes são o reflexo de algo que gostaria de ter vivido, as vezes sonhos incompletos e muitas vezes apenas como gostaria de ver tudo... mas percebo que mesmo nos textos eu to perdido.
Não existe um mapa para guiar as pessoas a sua verdadeira realização, não existe um x que marque o tesouro sonhado a tão sonhada felicidade, não existe indicações diretas ou guias de charadas como em filmes e livros para que chegue a uma felicidade ou uma vida razoável
Sei apenas que esse texto é o texto mais complicado que já escrevi, e ao mesmo tempo o mais fácil, por que bastou deixar o peito falar, a mão escrever e os olhos tornarem-se fontes... fontes salgadas de fato... mas fontes perdidas...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

em um pub.

Os jovens sentaram-se juntos ao balcão do antigo pub, Ele de cabelos e olhos negros tinha um olhar triste e seu amigo sentado a seu lado tentava animar mas no fundo sabia que não conseguiria, seu amigo estava triste por motivos que iam alem de uma cerveja ou longas horas falando sobre filmes e futebol...
- Vamos lá cara, por que você esta assim?
-To apaixonado cara... mas acho que ela não... na verdade sei que ela não, mas não consigo evitar.
- Já falou isso a ela?
-Não.. eu não sei o que falar...não me vem nada a boca sabe?... fico mudo
-O que você acha dela?
Após um tempo, ele olha para o seu amigo com olhos mareados de sentimento e diz.
- Ela...Ela é a minha felicidade, ou o preço que tenho que pagar por ela, é a pequena linha entre o prazer e o desgosto, é as tantas musicas que ouvi hoje, ela e tanta coisa que um dia não basta pra eu te dizer...
Seu amigo olhou nos olhos dele, e tomando um gole demorado da cerveja disse..
- E você acha que pode ser ela?
-Pode ser... ela é... ela pode ser a beleza de uma fera, ela pode ser tudo que quiser, ela pode ser a suave menina que conheci, ela pode ser a mulher fria que me assusta, ela pode transformar um dia em eternidade, pode transformar o paraíso em inferno, ela pode ser tudo que quiser dentro ou fora de sua casca...
-Ela, que parece tão feliz no meio dos amigos, que tem olhos tão misteriosos que ninguém pode ver eles em lagrimas, ela pode ser o amor que eu não posso evitar, pode ser que acabe hoje ou amanhã, mas sem duvida é ela que vou me lembrar pra sempre.
-Cara... mas é uma mulher, ninguém é insubstituível! - Disse o amigo tentando puxar seu amigo de volta a realidade, mas o jovem continuou.
- Ela pode ser a razão do meu viver, pode ser o motivo de eu existir, pode ser a pessoa que vou cuidar prontamente ao longo da minha vida, e durante todos os problemas, eu posso não ser nada para ela, posso ser mais um, um qualquer, posso sair dos pensamentos dela, posso nem nunca ter um lugar ali, mas ela vai estar nas minhas, eu farei de cada frase que trocamos, cada sorriso que demos, as minhas lembranças... mesmo que ela não me queira... por que sonho com ela mesmo acordado..ela é o sentido da minha vida...

Seu amigo olha para os olhos do jovem, e ele pode apenas dizer.
- Diz isso a ela... ligue para ela e diz isso agora.
O jovem liga, enquanto seu amigo bebe um outro gole de cerveja e pensa...
Queria eu ter alguém especial assim na minha vida... ou ser assim para alguém...

sábado, 22 de janeiro de 2011

De pai pra filha...

Ele caminha com a pequena criança nos braços a noite de sono agitada só o faz temer que algo esteja errado, mas ela tem a temperatura normal, as vezes até sorri ao ver os olhos tensos de seu pai, as mãos rosadinhas segurando as pontas dos dedos dele enquanto ele fala baixinho.
-Sabe minha princesa, te esperei por muito tempo, eu e sua mãe, a gente nunca deixou de sonhar com você, e não deixamos não... todos os dias e noites que ficamos juntos a gente sonhou com você até mesmo você assim chorando acordando no meio da noite, mas ela ta La deitadinha agora por que ta cansada, e eu tenho que te por pra dormir também viu..
A criança olha como quem escuta atentamente o que ele fala, e estendendo as mãos tenta segurar o nariz do pai que afunda o rosto em suas mãos rosadinhas... e quase sem perceber começa a ninar a pequena Sophia ao som de um clássico... que ele sempre sonhou em cantar a sua filha ou filho... Every Breath you take... em foz suave para uma criança se apegar ao sono e em português foi cantarolando os versos da musica
A mãe que acordada no quarto esperava a volta do marido, ouvindo pela baba eletrônica suspirava e até sentia um nó se formar em sua garganta.

“A cada dia
A cada palavra sua
A cada brincadeira sua
A cada noite que você ficar
Eu estarei te observando
Ah, você não vê
Que você pertence a mim?
Meu pobre coração dói
A cada passo seu”

Ela suspirava por que sabia que ele falava a verdade, zeloso como namorado,noivo e marido seria inda mais zeloso com pai e a cada tropeço, a cada lagrima a cada promessa quebrada, a cada joelho ralado a cada olhar a cada descoberta ele estaria ali do lado dela... estaria ali ao lado da pequena Sophia... e a mãe ouvindo a voz suave do pai no quarto ao lado com o ruído eletrônico da babá acabou adormecendo também.

Ao sentir que alguém sentava-se ao seu lado abriu os olhos e sorriu, era ele, seu marido, sentando calmamente para não acordar a ela, mas ela diz baixinho “ela dormiu?” e ele responde.
-Pensei que você também estava dormindo?
- Eu estava ouvindo você cantar pra ela.
- E quem disse que eu cantava SÓ pra ela?

Um beijo suave e a noite passou calma mesmo com alguns choros durante a noite ela podia acordar mas saiba que ele estaria ali... a cada suspiro delas..

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

10x15

Olhou a foto uma vez mais, não conseguia evitar, a mais de uma semana ele tinha encontrado a foto em um banco no metrô, e desde então se encantava mais e mais pela jovem na foto, e hoje olhava a foto já sentindo-se profundo sentimento, mas ele nunca tinha ouvido sua voz, nem sentindo seu perfume... sabia apenas do que via na foto.
Uma jovem de cabelos negros, com alguns fios caindo por sobre o olho, um sorriso tímido a mão apoiada na mesa, umas cartas de baralho, a camisa branca, o aparelho de som no fundo, a capa de discos próximo ao som, o reflexo no espelho com o brilho do flash e a imagem da TV com uma cena de filme, a cada pequeno detalhe que ele via na foto mais e mais se apaixonava, mais e mais se via preso a vontade de conhecer a pessoa da foto.
Ele não sabia se os discos, se o filme em fim se era a casa dela ou de algum amigo se era uma festa ou apenas um encontro com alguém, mas a forma como ela sorria na foto dava paz a ele, o fazia sentir-se mais vivo.
Ele caminhava com a foto gravada em sua mente todos os dias, pegava o metrô na mesma hora, sempre no mesmo sentido, mas... e se ela estivesse no sentido contrario? E se ela saltasse uma estação antes? Ele nunca a veria. Ele nunca iria encontrar com ela? A noite parecia mais longa depois desse pensamento, mas a foto... e um detalhe a mais. Quase fora da foto, um pequeno pedaço de papel, a lupa aproxima e no papel além de desenhos de flores alguns números, e o nome ... agora ele sabe o nome ou acha que sabe...
A foto para no peito dele que agora deitado olha o teto na esperança de sonhar com ela... e quem sabem em sonhos perguntar se é mesmo o nome dela.
A manhã seguinte, as horas de trabalho e a cada momento livre ele vislumbra a foto, e novos detalhes, saltam a foto, o pescoço delgado, a pele branca, os lábios em sorriso tímido, os olhos sorrindo tanto ou mais que os lábios. Ele sempre olhando os olhos não percebeu o cordão, um cordão que o lembrava a sua mãe, um coração solitário em estilo celta preso a uma corrente de prata... e ele sorri.
A lente corre toda a foto e no aparelho de som esta tocando U2, “ With or without you” a TV uma cena de “Em algum lugar do passado” e ele mais ainda se encanta por essa mulher que nunca viu mas a tanto tempo espera conhecer...
O dia de trabalho termina, ele olhando a foto caminha até o metrô, sem perceber, caminha para o lado oposto ao de sempre, instintivamente entra no vagão ainda olhando a foto, sorrindo bobo e tolo uma duas 3 estações depois ele percebe que esta no sentido errado...
Olha a volta o vagão cheio, e ele mudamente sente vergonha de estar tão apaixonado por alguém que ele não conhece, a foto agora parece mais um símbolo de sua fragilidade, de seu romantismo tolo.
-“quem pode se apaixonar por uma foto? Onde é que eu estou vivendo? Em um filme?” pensa ele ao descer e caminhar para o outro lado da estação.
“ Não faz sentido isso, achei uma foto no metro e agora estou apaixonado, por alguém que nem sei se mora nessa cidade, nem sei se é casada, ou se o nome é mesmo dela... “
o som agudo do metro avisando a porta se fechar o traz de volta a realidade e ele entra, não tem lugar para sentar, claro, ele esta 4 estações antes da estação que sempre pega o metrô
caminha até o cento do vagão, a foto em sua mão, ele olha uma vez mais... e quando pensa colocar no bolso... a foto cai.
Ele respira fundo e em certo momento olhando a janela escura do metro, com os feches de luz no reflexo vê a jovem menina de cabelos negros, sentada sorrindo ao ler um livro... a mão busca a foto, mas o bolso vazio o faz pensar que é tudo um sonho, ele se vira ve a foto no chão e enquanto abaixa para pegar as mãos delgadas da jovem são mais rápidas ela estende para ele mas olha a foto de relance... e se reconhece..
Os dois se olham, ele sorri um tanto envergonhado e diz pela primeira vez o nome dela em voz alta ela acena positivamente com a cabeça, e por mais 6 estações eles conversão, ela perdeu a foto um mês atrás, usava como marcador de livro, a foto do dia que se reuniu com amigas em sua casa para jogar poker, ver filme e ouvir boa musica.. ele pergunta do cordão, e ela assume que foi um presente de sua mãe que ela poucas vezes usou ele, mas aquele dia sentiu muita vontade... e se espanta com os detalhes que ele percebeu na foto... meses depois ele confessa a ela em um telefonema, que já estava apaixonado por ela antes mesmo de ouvir a voz dela... e que só esperava o dia de poder dizer isso olhando nos olhos dela...
A foto agora que anda em seu bolso é a do jovem casal trocando beijos e alianças.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

aberto ou fechado.

História, cada um tem a sua, cada um vive uma vida diferente, mas as linhas da nossa vida entrelaça com a de alguém, as vezes essas linhas se juntam e forma um único fio, outras vezes uma linha mais forte roça a nossa linha e acaba Puindo tornando cada vez mais fraca e a gente se pergunta até quando vamos nos sentir assim.
Não temos a certeza de saber quando ou se isso vai acabar, mas temos que aprender aperceber algumas coisas.
Quando a vida se repete, quando inúmeras vezes você passa por uma situação que parece familiar, quando olha para trás e vê sempre os mesmos passos, quando pensa que andou tanto mas continua no mesmo lugar, as vezes a gente pensa que se ficar calado mudo e sem fazer nada a gente acaba achando um caminho, mas ai fazemos as nossas escolhas e acabamos voltando ao mesmo lugar... por que?
Eu tenho uma crença, acredito em algumas coisas entre elas que todos temos um destino, um destino não muito fechado, mas um destino com áreas que somos capazes de escolher o que fazer da nossa vida, e outras áreas que não tomamos escolhas, elas aparecem e a gente acha que escolheu, mas na verdade já estava programado, assim a gente é guiado até um determinado momento onde devemos usar as experiências que tivemos nas áreas em que fomos guiados para escolher o nosso caminho.
Quando a gente faz escolhas erradas a vida nos guia de novo ao ponto inicial onde a gente começou a fazer as escolhas, mas veste elas de formas diferentes mas coma mesma intenção e sentido... ai a gente percebe que esta vivendo tudo de novo, e de novo e de novo até fazer uma escolha diferente da que costumamos fazer sempre.
Eu as vezes me vejo assim, tenho vivido umas coisas que se repetem tantas vezes que eu nem sei como ainda não tinha percebido isso, tenho sempre tido a escolha de ficar e lutar ou recuar e tentar outro caminho, eu percebi que sempre fui mais para a segunda opção sempre recuei e procurei outro caminho quando a vida me batia uma porta na cara, mas as vezes é preciso bater na porta, socar a porta as vezes é melhor apenas ficar ali na frente cantarolando algo para que possa ser notado. Assim a vida pode ser diferente.
Eu não acreditava em destino, acreditava que tudo era acaso, que a gente guiava nossa vida,que as escolhas eram nosso livre arbítrio, mas como explicar um telefonema do nada na hora que se pensa tanta besteira, um telefonema que te coloca pra cima que te faz perceber que nada é tão ruim assim? Como explicar um encontro no metro com alguém que você nunca viu e que meses depois se torna sua esposa? Como explicar o dia que tu não quer sair de casa se, acaba saindo por que nada te prende a TV ou filme e na rua conhece uma pessoa especial?
Como explicar conhecer alguém no mais improvável momento de sua vida e acabar sentindo que essa pessoa tem algo que falta em você?
Romantismo, vão dizer, ele é romântico, não eu não posso negar que sou romântico mesmo que acredito em romance e amor, e acreditava mais no passado, mas recentemente tenho voltado a crer nisso, e me questionar se o romance e o destino não podem andar de mãos dadas?
As vezes sim, mas sempre vejo as pessoas dizerem “eu sou super feliz no meu trabalho, mas na minha vida pessoal eu sou um desastre, nada parece andar” ou o contrario, gente que ama tão bem e da a sorte de encontrar alguém especial logo de cara na primeira vez, mas no trabalho não anda...
E por que isso? Voltemos ao meu exemplo de escolhas, quando a gente encontrou o trabalho perfeito, recebemos tudo que queremos financeiramente estamos bem ali, profissionalmente acabamos nos privando de pequenos momentos abertos de escolhas por que a segurança dos momentos guiados nos impede de ter coragem de soltar a margem do rio e nadar por nossas própria vontade.
Quando estamos bem no amor, nos sentimos seguros ali também e não seguimos nosso caminho profissional, cuidamos mais de outros que esquecemos a gente, e ai acabamos nos deixando guiar novamente nos momentos sem escolhas e não tomamos a iniciativa de buscar o que nos falta.
Então o que aprendi sobre o destino até os dias de hoje é que ele pode existir sim, pode coexistir com livre arbítrio, cabe a nós, eu você o cara sentado a seu lado no ônibus, a mulher que entrou no elevador, a pessoa do outro lado do bar, a menina que dança a sua frente, cabe a cada uma dessas pessoas escolher se vale a pena quebrar a corrente fraca do medo, das duvidas das insegurança e seguir em frente? Em buscar algo que falta?
Por que nem sempre a gente sente que falta!.. verdade. Nem sempre a gente percebe a falta nem sempre a gente entende o que os nossos sentimentos e sentidos querem dizer, as vezes temos medo mas... não é isso que todo mundo sente antes de fazer uma escolha que pode mudar a vida?
Eu tenho medo, assumo, mas hoje tomei a decisão de ficar aqui, de continuar a lutar por algo que eu quero muito ao invés de deixar passar e me atirar a uma oportunidade que não é nem sobra do que eu realmente quero.
Por mais que isso possa demorar... fico aqui... na porta tocando meu violino, cantando minhas musicas, lendo e escrevendo meus poemas e textos... quem sabe assim a porta se abre e quem sabe assim posso seguir um caminho bom com alguém disposto a viver também.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Check-in

Os papeis, a pasta, documentos e tudo mais que ela precisava para a viagem estavam sobre a mesa, a mala arrumada perto da porta, o seu cão já estava com a prima mas ela sentia que estava esquecendo alguma coisa, que faltava algo, Revirou mais uma vez a pasta e viu tudo La, chaves telefone a pasta de documentos, tudo... mas algo ardia em suas costas, faltava algo.
Ele fechou os olhos do outro lado da cidade, sabia que o dia seria complicado, acordar cedo para pegar um voou que ele não queria fazer, ir a uma convenção que ele não queria ir, ver palestras que ele não queria ver em fim um dia muito chato para alguém que só queria ter um pouco de paz. Mas era sua carreira, seu sócio não iria poder ir e ele teve que tomar parte desse dia que ele não queria ter.
Ela sentada no sofá abriu novamente a mala, e tudo estava lá peças de roupas suficiente para 2 fins de semana mesmo que ela só va ficar lá por um, secador de cabelo, prancha alisadora, cremes e todos os tipos de maquiagem que ela julgou precisar, mas ainda assim faltava algo, pensou ser um par de meias calça mas não eles já estavam ali. Pente, escova... tudo no lugar, sapatos, perfeito os 5 pares que ela separou estão ali... então o que esta faltando, o relógio mostra a hora e ela sabe que tem que deitar... bem, antes ela aperta o laptop na bolsa e fecha a mochila, agora é só esperar e tentar descobrir o que esta faltando.
A noite passa, ele tomando uma taça de vinho termina de ver seu filme preferido, já esta tarde, e ele tem que dormir ao menos um pouco para não estar tão acabado no dia que ele não queria ter, ele olha para o armário, a mochila aberta mostra que dentro tem apenas ums pares de meia, umas camisas básicas, no armário o cabide com o terno que terá que usar e um outro pra o dia seguinte em uma bolsa de transporte... em fim.. será um fim de semana engravatado tudo que ele não queria ter.
Na manhã seguinte ele acorda cedo, se barbeia o terno cai como uma luva, cabelos bem penteados, documentos em postos, o telefone toca, o taxista já espera ele na rua, o café terá que ficar para depois.
Ela olha o relógio ansiosa, já esta 12 minutos atrasada, o taxista ainda não chegou e ela tem um voo marcado para daqui a 1h:45 min isso era inaceitável, mas o que mais a afligia era a sensação de que estava esquecendo algo, faltava algo, e não era o taxista que já apontava na esquina, as desculpas de transito não foram suficientes ela sentou-se e já foi disparando sms por seu telefone para a sua secretária, nunca mais contratar essa firma, e ficar de alerta pois ela acha que esqueceu algo no escritório só não se lembra o que é... e mesmo assim ela continua achando que esta faltando algo.
O Check-in normal e sem problemas e logo ele esta chegando a sua poltrona no avião, a janela estava ocupada por uma bolsa e alguns livros, provavelmente alguém estava muito apertado e teve que ir ao banheiro, ele sentou-se em sua poltrona e ouvi no corredor uma voz.
- Não, não é isso, bem assim que eu souber o que é te ligo e me mande nem que seja por teletransporte ok? Ok Jessica a gente se fala mais tarde, Obrigado bom dia.
Ele olha para o lado e vê, uma jovem arrumando os cabelos negros que caem por sobre um dos olhos, ela ainda com os olhos fixos no telefone pede licença a ele, que gentilmente se levanta segurando a bolsa dela e os livros, ela se senta e ao perceber a falta dos livros olha para o jovem que sentando entrega a ela a bolsa com os livros, e junto um sorriso.
-A obrigada...
-Que isso percebi que estava um pouco ocupada só quis facilitar.
-Novamente... obrigada – ela olha para o jovem de cabelos e olhos negros que sorrindo deixa escapar um certo ar de timidez, a seu lado uma bolsa de couro, vencendo um pouco a timidez ela inicia uma conversa
A viagem de 4 horas termina ela sai ainda conversando com ele, no desembarque pedem os documentos dela... ela procura.. coloca sobre o balcão telefone, carteira e finalmente os documentos, o jovem alguns passos ao lado também fazendo a mesma coisa, ela é liberada e segue para o portão desembarque.
Ela pensa que foi bom ter as 4 horas de conversa com o rapaz, agora sabe o nome dele, sabe sua profissão sabe tanta coisa a respeito desse rapaz... mas ainda não sabe o que esta esquecendo. Até que uma voz a chama alguns passos atrás.
- Hey... você esqueceu seu Celular... – Dizia o jovem da poltrona ao lado com um sorriso largo no rosto.
-Poxa que cabeça a minha, obrigado – disse ela sorrindo igualmente... e nessa hora ela percebeu que tinha encontrado o que estava sentindo tanta falta.

Aprendi.

Hoje eu pego um texto emprestado mas isso não quer dizer que esteja preguiçoso ou sem vontade de escrever na verdade estou dedicando um pouco mais de tempo em um proximo texto que pretendo postar a vocês, mas hoje pego emprestado esse de Charles Chaplin, algo que acho que todos vão gostar de ler.
Boa semana a todos.

"APRENDI
Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

Aprendi que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.

Aprendi que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.

Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.

Aprendi que preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.

Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Aprendi... Que nos momentos mais difíceis a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as coisas.

Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse convencê-la disso.

Eu aprendi... que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

Aprendi que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto.

Aprendi que numa briga eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

Aprendi que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte da vida.

Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

Aprendi também que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.

Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.
Charles Chaplin"

sábado, 15 de janeiro de 2011

Um por vez.

O vento que passava pela fresta na janela era pouco para esfriar o ambiente, mas a chuva forte impedia que ele abrisse a janela, deitado no chão frio cercado de almofadas e uma ou outra lata de chá gelado ele maninha os olhos fixos no teto pensando no que fazer, o que podia fazer.
Dias atrás em uma viagem de ônibus ele recostava a cabeça no vidro e olhando pela janela viu no reflexo uma jovem menina senta-se a seu lado, ela sorria ao perceber que ele a viu mas assim que ele virou... ela se desfez como fumaça, ele estava indo embora, e ela nem foi se despedir... ele lembrou-se de todos os momentos juntos.
Lembrou-se das vezes que se viram de longe mas não tiveram coragem de se falar, das tantas vezes que uma escada subia e a outra descia e apenas uma troca de olhar antes de terem coragem de se apresentar, dos bilhetes deixados nas portarias, nas vezes que ele passou e passou e passou na frente da casa dela na esperança de a ver um vez mais, até o dia que finalmente se falaram, até que finalmente lembrou-se da primeira vez que sentaram-se na pracinha próximo a casa dela, e ficaram ali falando nada por longas horas.
Tudo passava fronte a seus olhos como uma tela brilhante, ele lembrou-se de cada sorriso dela, ate dos que ele não viu mas sonhou, ele sorriu junto com ela arrumando o cabelo timidamente, ele envergonhou-se quando ela falou baixo em seu ouvido um ou outro elogio, ele lembrou-se em fim de tudo... até da despedida triste, das frases frias que ouviu e da falta de brilho no seu olhar... da falta de calor de seu peito... e do gigantesco vazio que se fez quando ela virou as costas e se foi...
Ele deitou-se ali e pensava o que poderia fazer, não estava em suas mãos, ele não podia fazer ninguém gostar de ninguém, muito menos fazer ela gostar dele, fechou os olhos, cruzou os braços por baixo da cabeça e manteve os pensamentos de solidão longe. Em pouco tempo estava com os olhos afogados em saudade e uma garganta soterrada de frases que não poderia dizer, nem percebeu quando instintivamente ligou para ela, e ao ouvir a voz no outro lado ficou mudo... mas não precisava dizer nada, ela do outro lado disse apenas.
- Eu sei... Também ta difícil pra mim... Mas não sei se te faço bem... tenho medo de estragar tudo.
Ele suspirou fundo e antes que pudesse impedir estava falando.
- Certamente estragar tudo é um ponto de referencia, estragar nossa amizade? Não de certo não estragaria ou perderia, somos antes de tudo amigos, nos entendemos bem, mas acho que estragaríamos sim a certeza maior de muita gente.
- Que certeza?
- De que ninguém pode realmente encontrar uma parte sua em outra pessoa, a certeza de que a gente se basta... quando na verdade... hoje sinto falta da minha parte que esta com você... quando a gente vive tanto tempo com alguém uma parte nossa fica com essa pessoa, e uma parte dessa pessoa fica com a gente, quando a gente se afasta sentimos falta da nossa parte que a outra pessoa carrega...
- então é ruim ficar com alguém, se a gente se parte assim.
-Mas a gente se constrói com a parte dos outros que a gente mais gosta, e o que a gente mais gosta neles... somos a soma da gente com as pessoas que viveram com a gente... e hoje você é a melhor parte de mim, hoje você é minha melhor e maior parte.
- Para... sabe que não consigo fazer isso.
- É você pegou o meu medo... e eu peguei sua vontade de dizer o que sente... não foi uma troca justa...
-Não... eu fiquei de você a simplicidade com que vê o mundo.
-Então por que o medo? Apenas me de a mão...
O telefone desligado e o teto ainda branco embala umas tantas lembranças ainda temperadas com as lagrimas e saudades de seu peito...
O tempo pode ser cruel as vezes... mas a distancia é ainda pior...mas o tempo pode ser gasto com coisa boas, e a distancia pode ser vencida com um pequeno paço... um por vez...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Café.

Ele sentou-se na cadeira do balcão da cafeteria, o tom de madeira do balcão com detalhes em dourado e os bancos de forro vermelho davam ao lugar um ar de antigo e requintado, ele respirava fundo pensando na sua vida La fora e em tantas vezes que se despediu por qualquer motivo, mas foi a ultima despedia que o fez tremer mais uma vez e profundamente.
A seu lado uma moça de olhos tristes olhava o cardápio com um ar de estranheza, ele sorriu ao lembrar da primeira vez que se sentou ali e vislumbrou o cardápio, seu olhar fixo no pescoço delgado da jovem de cabelos negros e olhos profundos a fez perceber a presença dele.
- Estranho, não sei nada de café, pode me dar uma dica? – disse ela deslizando o cardápio pelo balcão até o jovem de cabelos desgrenhados.
- Olha eu adoro o Cafécaribe é bom, mas café vai muito por gosto pessoal, seria bom saber um pouco mais sobre você para poder te dizer que café seria mais seu gosto.
Ela sorri, e ele fica rubro de vergonha na mesma hora, sua frase soou como um galanteio, uma cantada e ele nem percebera enquanto falava.
- Desculpe não queria parecer um..
-Hey... calma, foi a melhor abordagem que já tive, mesmo sendo sem querer.
- ... É eu não sei fazer isso...
-Ninguém sabe, mas então, o que quer saber?
Os dois jovens trocaram informações por horas ali sentados ao balcão da cafeteria, os dois perceberam que gostavam das mesmas coisas, mesma musicas, filmes, artistas, livros em fim os dois tinham tantas afinidades que ela confessou...
- Sabe, eu nem gosto de café... mas vi você a umas duas quadras e vim te seguindo, quando você entrou eu quase desisti, nem tomo café, mas algo me fez entrar... acho que tirei a sorte grande... gostei de ter te conhecido.
- ... Me seguiu por 2 quadras?
-Sim desde que te vi sair do prédio com uma carinha tão triste, pensei, uma pessoa tão bonita não pode ser tão triste assim.
- É eu saia da casa de minha...
-Namorada?
-Não... minha ex namorada...
-Viu? Tirei a sorte grande...

Ele e ela trocam sorrisos novamente, e a cafeteria não é mais o importante e ele já não esta tão triste, e ela já não desgosta tanto de café agora.

Linha curzada

Ele estava cansado, os pés postos sobre a mesa o controle em uma mão a outra acariciando seu gato que ronronava calmamente a seu lado, o som baixo da TV era como um amigo contando coisas do dia ele prestava atenção mas buscava relaxar, e mudou para um canal de filmes.
O telefone toca uma vez, e ele teme em atender, mas no segundo toque ele atende, do outro lado uma voz feminina diz
- Alo?
- Alo, quem fala? – pergunta o rapaz
- Bem eu que pergunto você ligou pra mim.
- Desculpe mas tocou aqui e eu atendi.
- ... Serio? Poxa aconteceu o mesmo aqui tocou duas vezes, mistérios entre o céu e a terra.
e foram essas palavras que prenderam ele na Linha essas palavras que o fizeram prestar mais atenção na voz do outro lado.
- É verdade, existe mais mistérios entre o céu e a terra que a gente pode supor...
-bem desculpe então – Disse ela ensaiando um adeus.
- Não pera ai vai abrir mão dessa artimanha do destino?
E foi essa frase que fez ela ficar mais tempo ao telefone, essa frase acordou nela o desejo de falar mais e mais.
- Claro que não, mas não sabia se você tinha a mesma vontade que eu.
-E como não ter? bem me Chamo Roberto, 35 anos sou do Rio de Janeiro
- Poxa eu sou Paula, 29 anos, embora goste de dizer que tenho 25 ainda, sou do Rio de Janeiro também, Flamengo e você?
- Sou de Copa,...
A conversa rendeu por horas, e horas, e ambos foram se entregando a cada segundo de papo cada minuto era mais esperando que o anterior e quando perceberam estavam os dois deitados em suas respectivas camas vendo o mesmo filme e falando ao telefone, ela tinha um jeito doce, uma forma quase que infantil de ver o mundo, romântica como nunca ele havia visto, e ele era um homem serio e quieto, calmo seguro de si mas ainda assim apaixonado pela vida. Os dois decidiram trocar telefones, e assim ligar um ao outro por vontade.
- O destino já fez sua parte né? A gente tem que fazer a nossa.
-Certamente, quem seria eu para ir contra o velho destino – disse ele com uma voz misteriosa e brincalhona.
O riso dela era como o riso doce de uma criança o fazia sentir o calor delicado do sol e sentir-se vivo novamente, mas a cada segundo esqueciam de trocar os telefones a cada vez o papo seguia um caminho diferente e eles esqueciam de trocar telefone, a cada minuto uma cena boa na TV e eles esqueciam de trocar telefone, a cada frase ele arrepiava de felicidade e medo e ela sorria de euforia e ansiedade, mas por fim... a linha caiu... e eles não trocaram telefones.
Ele rapidamente pressiona o recall mas volta a discar o telefone da mãe.. e ela do outro lado faz o mesmo e a ligação foi para sua amiga...
As horas que restavam para o amanhecer do dia foram passadas nos dois pontos observando o telefone como quem espera a ligação de sua vida... mas o destino não o fez novamente... O destino, esse velho mimado e tolo seguiu com seus planos e os dois jovens tiveram que dormir com o gosto amargo de um “se” em sua mente.
Ele toma seu banho, se arruma e vai trabalhar,entrado no metrô senta-se em uma cadeira qualquer a sua frente duas jovens e um rapaz conversão sobre o filme da noite passada , ele observa a jovem de cabelos negros e olhos profundos que o observa, até que ela fala com seus amigos.
-Eu vi o filme mas não prestei muita atenção eu...
-Estava falando com alguém em uma linha cruzada – completou ele
Ela sorri, e ele sorri... enquanto a voz mecânica do metrô avisa a próxima estação, e eles finalmente decidem trocar telefones.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Trancas.

Penso na solidão como uma lamina fria, como um faca, mas não é uma faca posta em você por mãos alheias a sua vontade, a solidão é auto infligida, você se coloca em solidão.
De certo vai pensar que estou louco, que você esta sozinho por que ninguém se põem a sue lado ou quis estar com você correto? Errado, é você que se pois em solidão quando um amor não da certo e você sentado em um canto da casa abraçando os joelhos chora por algo perdido, que se foi... esta se sentido sozinho? Isolado?
Quem te pois nessa posição? Quem ao invés de se levantar e buscar novas chances de conviver com alguém se isolou se fechou , logo assumir que estar sozinho é uma escolha e estar solitário é uma pena auto infligida, é o primeiro passo a perceber que nunca se esta realmente sozinho quando se esta com você mesmo.
Eu posso dizer que o mal do século não é a AIDS o Crack, e outras drogas ou doenças, é sem duvida a solidão, é ela que põem o jovem em grupos cada vez mais coesos de desejos de não ser só, mas não explica a ele como lidar com a solidão sem culpa. E logo os mesmos jovens que estão cercados de “amigos” ou companheiros buscam em bebida, drogas e sexo sem compromisso um meio de apagar em seus peitos a solidão que eles mesmos buscam sem perceber.
Quantos de nós nunca depois de uma noite ruim, onde levamos um fora, ou onde perdemos o trabalho ou qualquer outra coisa deu errado nos isolamos? Certo todos temos que ter nosso momento de reflexão de análise e até mesmo de vez ou outro nos culpar por algo, mas cair em solidão fechar nossa mente e nossa persona em uma muralha de distanciamento impedindo que alguém se aproxime é burrice.
A pessoa que por azar não encontra alguém que compartilha interesse, vontades desejos e sonhos pode dizer “eu estou solitário” mas será que não é por que ele mesmo ainda não buscou de verdade alguém que o entenda? Ou será que é por medo de acreditar e “se” ou “quando” a pessoa for embora ele sentir que voltou a ficar só. Triste e solitário?
Bem auto terrorismo, auto sabotagem, ele constrói a cada encontro com uma possibilidade de viver algo bom e duradouro, ele constrói um pouco mais de muro, escondendo a cada centímetro seu verdadeiro eu. Tornando-se duro e frio e por fim.. na rua será reconhecido como SOLITÁRIO.
Então a solidão pode ser corrigida apagada, anulada se percebermos que somos nossa melhor companhia, quem nunca vai dizer “não esperava isso de você” e quem jamais vai negar te ouvir.
Aprender a ser sozinho, é evitar a solidão.
Aprender a ter seu momento solitário, aprender a respirar seu ar e seu animo, algumas pessoas tem a mania de quanto estão com alguém ou acompanhado de amigos tende a afogar esses em torrenciais de carência e deixando de forma estranha as pessoas que estão ali para dar fôlego a ele sufocados.
Então estes por sua vez estão cada vez mais solitários e distantes do que buscam, companhia, já que forçar alguém a ficar a teu lado não é companhia e sim cárcere.
A verdade é Ser solitário é uma escolha que pode ter ou abrir mão dela quando quiser, basta sair sentar-se em um banco e esperar aparecer alguém e puxar papo, ou sentar-se no seu mundo de internet e ao invés de ficar perdendo tempo com o que já conhece passar a conhecer pessoas, não apenas acrescentar números a seu perfil
Abra mão de seus medos, e seja mais corajoso contra a solidão que você mesmo se colocou. Derrube os muros, abra as portas e janelas.
Em fim, seja um homem, mulher ou que seja sem medo de momentos sozinho, mas tema muito ser um homem, mulher ou o que seja SOLITÁRIO.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Relatividade

As horas pareciam dias, os dias meses, os meses anos, e os anos eram como eras sem fim, ele sentado a mesa cheia de livros e uma pequena luminária mantinha sua cabeça funda nos estudos, que ironicamente eram ligadas ao tempo... física e relatividade.
Os olhos vermelhos dele pendiam de pagina para pagina, de formula a formula mas foi um pequeno bilhete preso entra as paginas que o fez perder mais tempo. Um bilhete antigo escrito em comanda de bar, “Se dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, como você não sai de mim!?”
Ele sorriu, lembrou do dia no bar, eles dois juntos a uma pequena mesa bistrô, um copo de suco no fim, e uma taça de vinho pela metade, ela de cabelos negros caindo suavemente sobre os olhos e por trás das orelhas, lembrou que musica tocava “One – U2” e se lembrou das horas de conversas e principalmente do fim dessa noite.
Ela abrindo o portão do prédio, um abraço e beijo no rosto de despedida, ela entre e fecha a porta ainda sorrindo pelas janelas de vidro, ele vira as costas sorrindo, caminha até a esquina e assim que entra no taxi, envia uma mensagem dizendo um simples “saudade”... mas depois recebe uma mensagem dizendo
“E como pode sentir saudades de algo que nunca deixou? Você não me deixou um segundo se quer, continua comigo o tempo todo. Obrigado por essa noite, Beijo”

assim que chega em casa... sorrindo como um louco, senta-se no sofá e lembra-se.
Que a noite foi curta... tão curta que o dia parecia ter 12 horas apenas...
E então ele entendeu a formula a sua frente... tudo é relativo, tudo depende de como se vê a cena, o que é bom passa rapidamente, como a noite com ela, mas as horas sem ela se arrastam como séculos...
Ele sorri e reclinando a cabeça e olhando para o sofá vê ela enrolada no lençol vendo filme na TV...
Ele sorrindo pensa... “Esta na hora de acelerar um pouco o tempo...”e foi se juntar a ela para ver o tempo acelerar como seu peito

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

importancia do texto

Escrever, sempre foi um problema pra mim, serio não pense que to falando isso por besteira mas é verdade, escrever sempre foi um problema pra mim. Sempre quis sentar a frente dessa tela ou com uma caneta na mão e saber exatamente o que escrever, saber o que colocar aqui e perceber que foi bom, que fez algo bom que mudou alguém ou ajudou alguém a perceber algo... mas sou critico, mesmo sabendo que tenho erros de português e que muitas vezes de semântica e perco um pouco no que vou dizer, eu gostaria que fosse algo importante... é isso eu gostaria que fosse importante o que falo e escrevo.
Mas sei que não é muito, ao menos a grande maioria não é, muita gente ao ler um texto como os que escrevo pensa “a ele viveu isso?” ou “a vai ninguém é assim” mas é realmente isso, ninguém viveu aquilo ou isso que escrevi, eu escrevo para que as idéias sejam entendidas que alguém possa ler e perceber como eu vejo o mundo e perceber o que eu julgo importante, e principalmente, o que acho que falta no mundo.
Mas ainda assim não é importante, por que importância é um fator pessoal, não acho mais que importância seja um fator ditado por outros, o valor da importância é algo pessoal, não existe uma moeda de importância que tu possa pagar a alguém para dar importância a algo seu, a algum atributo seu ou coisa que tenha feito, a importância surge com o tempo e com a necessidade... e hoje em dia sentimento é algo que deveria ter muita importância já que o respeito esta acabando nesse mundo e o sentimento verdadeiro... bem esse já foi.
Eu realmente posso dizer que escrever é um problema por que escrevo por que é importante pra mim, escrevo o que acho que é importante pra mim, e sonho com coisas que julgo importantes para o mundo, e sonho que o mundo perceba a importância de coisas simples.
Então durante os próximos meses eu me comprometi comigo mesmo em escrever uma vez por mês um texto falando de algo que julgo importante sem ser um texto de ficção ou fabula, e sim algo que gostaria que fosse percebido e entendido por quem me Le e que o mesmo pensasse se é também importante a você leitor, e no final de cada texto vou fazer uma pergunta que ficará no quadro ao lado para quem quiser responder responda, mas as suas respostas serão muito importantes para textos futuros.
O texto, que será problemático pra mim fazer, será um texto quase que teórico e filosófico sobre algum tema... espero ter mais leitores com o tempo, por que de fato isso é importante... então peço a você leitor, que promova o blog, vista a camisa virtual e se gostar dos textos e se sentir que o que eu escrevi é algo importante, passe adiante.
A importância desse post foi exatamente essa, descobrir a importância que um texto tem...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Café ou chocolate?

O som dos talheres foi tão baixo que mal pode ser ouvido mas ele acordou e girando o corpo na cama pode ver no fim do corredor ela indo de um lado ao outro fazendo o café, e afundando o rosto no travesseiro, mas por prazer do que por sono sorriu como a muito não sorria... era manhã um outro dia... e ele sentiu-se mais feliz.
Ela lutava para fazer o mínimo de barulho possível, a cozinha era completamente desconhecida, a casa dele, a cozinha dele mas o café da manhã era dela, sorria sem entender o motivo, mas no fundo era feliz por isso.
Pão, café, chocolate, leite, biscoito e geléia, tudo ali, a bandeja feita, ela sorri uma vez mais e se vira... ele de pé encostado na porta sorrindo e ela suspirando diz.
- Poxa eu ia fazer uma surpresa...
-E quem disse que não fez?
-Como? Você já esta acordado, e viu o que ia levar pra você.
-Surpresa maior foi acordar e perceber que você não foi sonho.
Ela sorri sem jeito,coloca o cabelo por trás da orelha e inclinando a cabeça diz.
- Vamos tomar café?
ele sorri, esticando a mão para segurar a bandeja mas ela diz antes que ele a pegue.
-Volta pra cama... vamos fingir que você não acordou ainda.
-Ok eu volto, mas se eu voltar e acordar de novo... e você não estiver mais aqui como faço?
- Eu vou estar aqui.
-E se não estiver?
-Bem... volte a sonhar, ai a gente se encontra de certo.
Ele se deita, fecha os olhos e atento aos sons a sua volta sente um beijo suave na testa ele abre os olhos e ela apoiada na cama olhando para ele com seus lindo e profundos olhos castanhos sorri dizendo.

Bom dia amor, café ou chocolate?

E ele sorrindo responde...

Bom dia amor... sempre.

O dia passou, e todas as horas foram assim, com olhos sorrindo e lábios inda mais felizes... mas o que esta mais feliz eram os corações que agora quietos batiam calmamente no ritmo suave de uma manhã qualquer.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

mais uma, menos uma, uma qualquer, ou melhor.

Mais uma noite, foi o que ele pensou, mais uma noite ele pois a cabeça no encosto do sofá e seus dedos mudavam o canal quase que instintivamente... mais uma noite que ele iria passar ali sentado vendo TV e vendo a vida passar.
Longe dali em outro canto da cidade um casal de jovens se abraçava e beijava, alheios ao mundo a sua volta ou ao sujeito estranho que atravessava a rua, o casal se abraçava e beijava apaixonadamente, mas para eles o pensamento era diferente, menos um dia... falta menos um dia para o casamento, para finalmente morarem juntos.
Em uma pequena cama da cidade uma pequena menina dormia de olhos bem fechados, em sua mente apenas ursinhos fofos e castelos de jujuba, para ela era apenas uma noite, nem uma noite a mais ou a menos, apenas uma noite como qualquer outra noite, o importante eram os sonhos
Mas voltemos ao rapaz deitado no sofá... para ele, era mais uma noite, mais uma noite que ele iria passar sozinho... mas... o seu telefone toca... no visor... apenas um nome... o dela.. e ele sorri..
Alo, disse ele... e por longas horas ficaram se falando... e a noite não foi tão sozinha como ele pensava...
Não importa se é mais uma, menos uma ou uma noite qualquer... quando se esta com quem gosta de estar ou como se gosta de estar... é sempre “A NOITE”
Ele desligou o telefone, apoiou a cabeça no travesseiro e dormiu como a criança em sua cama... mas não sonhava com ursinhos ou castelos... sonhava com a próxima noite, a próxima noite que falaria com ela.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Banco de cimento

O quintal dos fundos era como um mundo a parte, o pequeno pátio de cimento e a grande parte gramada e com pequenas áreas ao redor das arvores davam ao local um ar quase que mágico, e para os olhos brilhantes da peque era bem assim...
Ela fora criada em cidade, em apartamento e mudar-se para o campo a fez conhecer o mundo que antes era apenas visto como “antigamente” ela não acreditava mais em grama ou plantas crescendo sem ser em parques ou pracinhas. Não acreditava que pessoas comuns como ela e a vizinha poderiam ter um “bosque” no quintal dos fundos.
Ali no seu “bosque” existiam goiabeiras, limoeiros, uma jabuticabeira, roseiras , um banco de cimento bem no meio, uma pequena mesinha também em cimento e no fundo um balanço em uma arvore... era o sonho dessa menina...
Nos dias quentes o cheiro das arvores se misturava as rosas e o zumbido das abelhas atarefadas voando de canto a outro fazia tudo parecer mais lento, ela deitava-se no banco quente e sentia-se abraçada pelo mundo a sua volta, o sol a brisa suave, o som do vento nos galhos, e ela ali escutando cada som e viajando em pensamentos vendo o jardim de olhos fechados.
Nos dias frios, sentada na varanda dos fundos, podia sentir o perfume da grama e cheiro de terra molhada, os besouros nos degraus, e as lagartixas correndo pelos cantos pareciam lembrar a ela que nada para mesmo nas horas frias. Um ou outro pássaro cantando no galho e o balanço saudoso de ser usado davam ao quintal dos fundo um ar de recordações distantes... e ela viajava nas memórias flutuantes ali.
Uma manhã de primavera, as rosas floridas e a jabuticabeira com suas flores no tronco o limoeiro e goiabeiras repletas de borboletas e zumbidos e o balanço movendo seu ponto de visão pra La e para Ca dava a ela a perspectiva de que tudo seria para sempre assim mágico...
Mas a menina cresceu, voltou a cidade grande... e o jardim... bem o jardim agora fica ali saudoso de seus pensamentos e vontades... semeado quando ela ainda era jovem, germinando em sua ausência e esperando que ela floresça novamente ou que um fruto infante de seus pensamentos e sonhos venha sonhar no banco de cimento no meio do quintal dos fundos.