Por que um baú?

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Linha curzada

Ele estava cansado, os pés postos sobre a mesa o controle em uma mão a outra acariciando seu gato que ronronava calmamente a seu lado, o som baixo da TV era como um amigo contando coisas do dia ele prestava atenção mas buscava relaxar, e mudou para um canal de filmes.
O telefone toca uma vez, e ele teme em atender, mas no segundo toque ele atende, do outro lado uma voz feminina diz
- Alo?
- Alo, quem fala? – pergunta o rapaz
- Bem eu que pergunto você ligou pra mim.
- Desculpe mas tocou aqui e eu atendi.
- ... Serio? Poxa aconteceu o mesmo aqui tocou duas vezes, mistérios entre o céu e a terra.
e foram essas palavras que prenderam ele na Linha essas palavras que o fizeram prestar mais atenção na voz do outro lado.
- É verdade, existe mais mistérios entre o céu e a terra que a gente pode supor...
-bem desculpe então – Disse ela ensaiando um adeus.
- Não pera ai vai abrir mão dessa artimanha do destino?
E foi essa frase que fez ela ficar mais tempo ao telefone, essa frase acordou nela o desejo de falar mais e mais.
- Claro que não, mas não sabia se você tinha a mesma vontade que eu.
-E como não ter? bem me Chamo Roberto, 35 anos sou do Rio de Janeiro
- Poxa eu sou Paula, 29 anos, embora goste de dizer que tenho 25 ainda, sou do Rio de Janeiro também, Flamengo e você?
- Sou de Copa,...
A conversa rendeu por horas, e horas, e ambos foram se entregando a cada segundo de papo cada minuto era mais esperando que o anterior e quando perceberam estavam os dois deitados em suas respectivas camas vendo o mesmo filme e falando ao telefone, ela tinha um jeito doce, uma forma quase que infantil de ver o mundo, romântica como nunca ele havia visto, e ele era um homem serio e quieto, calmo seguro de si mas ainda assim apaixonado pela vida. Os dois decidiram trocar telefones, e assim ligar um ao outro por vontade.
- O destino já fez sua parte né? A gente tem que fazer a nossa.
-Certamente, quem seria eu para ir contra o velho destino – disse ele com uma voz misteriosa e brincalhona.
O riso dela era como o riso doce de uma criança o fazia sentir o calor delicado do sol e sentir-se vivo novamente, mas a cada segundo esqueciam de trocar os telefones a cada vez o papo seguia um caminho diferente e eles esqueciam de trocar telefone, a cada minuto uma cena boa na TV e eles esqueciam de trocar telefone, a cada frase ele arrepiava de felicidade e medo e ela sorria de euforia e ansiedade, mas por fim... a linha caiu... e eles não trocaram telefones.
Ele rapidamente pressiona o recall mas volta a discar o telefone da mãe.. e ela do outro lado faz o mesmo e a ligação foi para sua amiga...
As horas que restavam para o amanhecer do dia foram passadas nos dois pontos observando o telefone como quem espera a ligação de sua vida... mas o destino não o fez novamente... O destino, esse velho mimado e tolo seguiu com seus planos e os dois jovens tiveram que dormir com o gosto amargo de um “se” em sua mente.
Ele toma seu banho, se arruma e vai trabalhar,entrado no metrô senta-se em uma cadeira qualquer a sua frente duas jovens e um rapaz conversão sobre o filme da noite passada , ele observa a jovem de cabelos negros e olhos profundos que o observa, até que ela fala com seus amigos.
-Eu vi o filme mas não prestei muita atenção eu...
-Estava falando com alguém em uma linha cruzada – completou ele
Ela sorri, e ele sorri... enquanto a voz mecânica do metrô avisa a próxima estação, e eles finalmente decidem trocar telefones.

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