Por que um baú?

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sábado, 15 de janeiro de 2011

Um por vez.

O vento que passava pela fresta na janela era pouco para esfriar o ambiente, mas a chuva forte impedia que ele abrisse a janela, deitado no chão frio cercado de almofadas e uma ou outra lata de chá gelado ele maninha os olhos fixos no teto pensando no que fazer, o que podia fazer.
Dias atrás em uma viagem de ônibus ele recostava a cabeça no vidro e olhando pela janela viu no reflexo uma jovem menina senta-se a seu lado, ela sorria ao perceber que ele a viu mas assim que ele virou... ela se desfez como fumaça, ele estava indo embora, e ela nem foi se despedir... ele lembrou-se de todos os momentos juntos.
Lembrou-se das vezes que se viram de longe mas não tiveram coragem de se falar, das tantas vezes que uma escada subia e a outra descia e apenas uma troca de olhar antes de terem coragem de se apresentar, dos bilhetes deixados nas portarias, nas vezes que ele passou e passou e passou na frente da casa dela na esperança de a ver um vez mais, até o dia que finalmente se falaram, até que finalmente lembrou-se da primeira vez que sentaram-se na pracinha próximo a casa dela, e ficaram ali falando nada por longas horas.
Tudo passava fronte a seus olhos como uma tela brilhante, ele lembrou-se de cada sorriso dela, ate dos que ele não viu mas sonhou, ele sorriu junto com ela arrumando o cabelo timidamente, ele envergonhou-se quando ela falou baixo em seu ouvido um ou outro elogio, ele lembrou-se em fim de tudo... até da despedida triste, das frases frias que ouviu e da falta de brilho no seu olhar... da falta de calor de seu peito... e do gigantesco vazio que se fez quando ela virou as costas e se foi...
Ele deitou-se ali e pensava o que poderia fazer, não estava em suas mãos, ele não podia fazer ninguém gostar de ninguém, muito menos fazer ela gostar dele, fechou os olhos, cruzou os braços por baixo da cabeça e manteve os pensamentos de solidão longe. Em pouco tempo estava com os olhos afogados em saudade e uma garganta soterrada de frases que não poderia dizer, nem percebeu quando instintivamente ligou para ela, e ao ouvir a voz no outro lado ficou mudo... mas não precisava dizer nada, ela do outro lado disse apenas.
- Eu sei... Também ta difícil pra mim... Mas não sei se te faço bem... tenho medo de estragar tudo.
Ele suspirou fundo e antes que pudesse impedir estava falando.
- Certamente estragar tudo é um ponto de referencia, estragar nossa amizade? Não de certo não estragaria ou perderia, somos antes de tudo amigos, nos entendemos bem, mas acho que estragaríamos sim a certeza maior de muita gente.
- Que certeza?
- De que ninguém pode realmente encontrar uma parte sua em outra pessoa, a certeza de que a gente se basta... quando na verdade... hoje sinto falta da minha parte que esta com você... quando a gente vive tanto tempo com alguém uma parte nossa fica com essa pessoa, e uma parte dessa pessoa fica com a gente, quando a gente se afasta sentimos falta da nossa parte que a outra pessoa carrega...
- então é ruim ficar com alguém, se a gente se parte assim.
-Mas a gente se constrói com a parte dos outros que a gente mais gosta, e o que a gente mais gosta neles... somos a soma da gente com as pessoas que viveram com a gente... e hoje você é a melhor parte de mim, hoje você é minha melhor e maior parte.
- Para... sabe que não consigo fazer isso.
- É você pegou o meu medo... e eu peguei sua vontade de dizer o que sente... não foi uma troca justa...
-Não... eu fiquei de você a simplicidade com que vê o mundo.
-Então por que o medo? Apenas me de a mão...
O telefone desligado e o teto ainda branco embala umas tantas lembranças ainda temperadas com as lagrimas e saudades de seu peito...
O tempo pode ser cruel as vezes... mas a distancia é ainda pior...mas o tempo pode ser gasto com coisa boas, e a distancia pode ser vencida com um pequeno paço... um por vez...

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