Por que um baú?

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ralado

Quando a gente tropeça, cai e rala o joelho sabemos que vai ficar tudo bem, que logo o nosso corpo vai fazer o sangue parar de sair, vai formar uma casquinha, que vai coçar e nos incomodar por um bom tempo, mas depois vai ficar apenas uma marca uma cicatriz, a gente vai tocar a vida correndo de novo no quintal ou na rua, vamos jogar bola ou andar de bicicleta de novo, e tempos depois quando a gente estiver andando de bermudas por ai alguém vai contar pra gente de sua cicatriz de como doeu de como foi ruim cair e ralar o joelho e a gente vai se lembrar que também caiu, também ralamos o joelho, mas as vezes vamos confundir qual joelho foi...

Mas tem gente que não é assim, que cai, rala o joelho e mesmo depois de ter curado tudo, ainda ficamos sentindo as dores, ainda olhamos a cicatriz como se ainda sangrasse, e de fato sangra... sangra em nosso medo de cair de novo. E não é errado ter esse medo, não mesmo, é esse medo que vai te impedir de correr de novo em um lugar perigoso, ou pular de um muro alto, tudo que aconteceu de forma “errada” com a gente nos fez um ferimento seja ele qual for, mas não são os calos que te fortalece?

A mão de um trabalhador não é suave, é calejada por que este segurou dia após dia com força e vontade seu instrumento de trabalho, a sua pá ou inchada, tanto que muitas vezes as suaves coisas do mundo não são sentidas nesses toques, as vezes a gente faz o mesmo com a gente, as vezes com partes como ego, estima ou qualquer outra coisa, mas em alguns casos é com o coração que acontece isso, segurando tanto ele, ou com ele, apertando tanto o mundo dentro do coração as vezes calejamos ele, e pode parecer bom, os espinhos do mundo podem não mais ferir esse coração, mas e as coisas suaves do mundo? Será que ainda vão tocar ele?

Talvez depois de quebrar a casca a gente encontre algo mole lá dentro talvez nem exista algo dentro mas... ainda assim, é certo calejar tanto a si mesmo?

Algumas pessoas fazem das mãos seus objetos de trabalho, outros, que são vistos por muitos como loucos, fazem do seu coração o objeto de trabalho, uns desses calejam o coração sempre jogando ele em cantos apertados ou fazendo ele lutar com coisas duras, assim ele fica “forte” mas na verdade ele fica frio... como gelo? Bem não sei, gelo ainda pode derreter e voltar a ser água, sem forma e elemento forte no mundo... mas ainda assim frio e até derreter pode afastar tanta coisa... tanta vida...

Outros, e nesses eu me encontro, deixam o coração correr, ralar-se em tudo que existe, sentem as dores de cada momento, mas não busca um calo ou uma casca... as pessoas que são assim buscam apenas encontrar um outro coração macio, mesmo que ferido e cheio de cicatrizes para poder apontar as feridas e ser apontado nas suas, compartilhar as histórias e assim no final de tudo poder dizer uma frase simples, que talvez sintetize todo esse texto,

“ Depois de se ferrar tanto assim tu ainda ta ai? Vivo? Nossa... você é foda hein!? Se depender de mim não vou deixar você cair nem uma vez mais”

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