Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Dois cantos.

Cada vez mais ele afundou a cabeça no travesseiro, mas não era o som do mundo lá fora que o incomodava, eram os ecos em sua cabeça, os gritos muitas vezes estridentes de sua lembrança, e a cada noite, a cada instante que ele podia parar e voltar seus olhos para dentro ouvia as vozes... se e perguntava ate quando.
No outro canto da cidade, ela arrumava sua cama, esticando o lençol como quem prepara uma mesa para um jantar especial, os lençóis e fronhas limpos o cheiro de roupa seca ao sol a fazia sorrir e quando ela passava suavemente a mão sobre a cama para tirar as “ondulações imperfeitas” sorria calmamente. A cama em estado de alerta esperava que ela se deitasse logo, mas antes, antes de se deitar seus olhos percorrerão sem querer o quarto e logo pousaram na foto na escrivaninha... era ele, olhar serio, cabelo ao vento... e aquele sorriso que ela odiava e amava ao mesmo tempo.
Como ele conseguia ter no mesmo sorriso um gosto de descaso e afeto, quando brigavam e ele sorria daquela forma ela sentia raiva, mas quando ele sorria assim quando ela a reconhecia em meio a multidão de um shopping ou da rua, ela sentia o calor e afeto vindo dos lábios que mesmo longe já a beijavam.
Era claro que ela o amava, era claro que sentia sua falta, era fácil ate para sua mãe que a visitou no ultimo fim de semana perceber isso, e assim ela ali com a mão no lençol sem perceber acariciava mentalmente o peito dele, mas a cama é que agradecia os afagos se aquecendo para a próxima noite fria.
Balançando a cabeça pois se de pé e foi a geladeira, passos calmos em um fim de noite um tanto quanto tenso, abriu e uma ou duas latinhas de cerveja sorriam para ele, mas a seriedade da vodka o chamou mais a atenção, sentou-se no sofá em uma mão a vodka e na outra um copo grande e gelo, a TV ligada agora mostrava cenas de um filme já pela metade, mas de que importa? Ele não iria prestar atenção mesmo, a TV funcionava como analista muda ou surda, já que ele falava para ele mesmo, e o tratamento? Bem o tratamento eram os 4 longos copos de vodka que ele tomou antes mesmo de terminar um quarto do filme.
Era óbvio que ele a amava, mas então porque se afastou? Porque ele deu as costas e partiu? Antes de se servir de mais um copo já tinha a resposta, Ele não estava fazendo bem a ela... mesmo com toda vontade de fazer bem, não conseguia a fazer sorrir como antes... e ali ao lado da TV um retrato dela sorria para ele, o mesmo sorriso que o fazia aquecer por dentro e perder a vontade de ser quem é só para ser melhor para ela.
Em dois cantos da cidade, em dois momentos, ambos olhavam –se nos olhos e sorriam... e ambos se perguntavam, “por que não estamos juntos?” e a resposta foi a única coisa diferente aquela noite.

domingo, 27 de março de 2011

Poema

Quem é ela.
weverson Garcia - 27/03/11

Quem é ela? Quem é essa menina
que minha alma corta, destrói
quem é ela, que faz e nem sabe como dói.
quem é que a minha mente azucrina

É ela que me põem de lado, no canto
como cadeira triste sem acento
me vejo tomado por esse pranto
mas sempre de olhos abertos, atento

Atento a ela que me da as costas
ali sentado no canto sem função
me vejo rezando de mãos postas
mas o vento leva embora a oração

E a luz suave vem lambendo a parede
aquecendo a sala fria, me despertando
e logo o dia inunda e mata minha sede
mas não a sede que vem me matando

Tenho sede dos olhos castanhos, cerrados
dos cabelos entre os dedos
do polegar nas costas da mão apertados
de perder com o sorriso meus medos.

Tenho saudades de algo que não tive
tenho saudades do que sempre busquei
tenho saudades, do que hoje não se vive
tenho saudades do que sempre sonhei.

Tenho saudades que me fazem parar
saudades de gritos que ainda encontro
saudades do brado bem alto, estrondo
saudades de dizer que voltei a amar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

mais uma noite "e se"

Mesmo que ele chegasse agora eu não saberia o que fazer, o sono não veio e passei a noite inteira em claro relendo textos antigos, revendo frases ditas ou fotos batidas, e mesmo que pense que eu deveria te me deitado e fechado os olhos, como se eu não tivesse tentando tantas vezes...
Mas toda vez que fechava meus olhos na sala escura de minha cabeça as lembranças se reproduziam 24 quadros por segundo, e eu ficava ali perdido em pensamentos, memórias reais e as imaginadas. As famosas memórias do “e se”.
Talvez por isso tenha perdido tanto meu sono, odeio o “se” mais do que posso descrever no pequeno vocabulário tosco que tenho amarrado em minha memória, odeio essa partícula “se” mas isso já basta... talvez seja uma das poucas coisas que odeio, mas não odeio por besteira, odeio esse poder que ela tem na mente corroída cansada de um homem que se deita pra dormir mas não consegue.
Fiquei inicialmente lembrando do homem bêbado que decidiu tirar uma comigo e se sentir mais poderoso fronte a mulher a seu lado decidiu que eu era o alvo da vez, e por pouco não estaria eu aqui hoje hospitalizado ou ferido escrevendo a vocês, fiquei pensando que ao invés de dar as costas e ficar calado escutando as tantas besteiras ditas por ele... pensei “e se eu tivesse reagido? Se tivesse quebrado o braço dele na hora que segurou meu ombro... “
Mas mesmo eu estando tenso sei ainda que uma atitude assim não iria me trazer beneficio algum, e me calei com um gole maior em meu refrigerante e aturei mais 10 minutos e frases tolas até que perdeu a graça para ele e para todos a sua volta.
Depois lembrei-me de outros tempos, outras pessoas que deixei entrar em minha vida e se eu deveria ter deixado, se eu não fui bom de mais em aceitar tantas coisas, talvez seja. Talvez seja isso que me tira o sono... eu perceber que me calo tanto quando deveria falar.
Mas logo que pensei isso me veio a mente as tantas vezes que falei demais, e que sem duvida seria melhor se eu tivesse calado ao invés de falar, e a ultima vez que decidi falar algo é que mais me atinge, pois dizer a verdade muitas vezes pode machucar alguém que tu não queria perder ... e isso é traz um “ e se” que dói.
E se eu perdi alguém que não poderia ter perdido? Se perdi ou afastei alguém que pudesse ter a resposta pra palavra cruzada que vou fazer quando for velho, será que essa pessoa que se afastou de mim, e hoje muda me coloca em um estado proscrito seria ela a pessoa que me lembraria de meus remédios, da novela que eu gosto, de pagar as contas no dia seguinte, de escovar os dentes ou será que ela é a pessoa que eu iria ficar olhando tolo enquanto ela passava as paginas do livro que lia alheia a meus “e se”
Odeio isso, e por esses e sés eu fiquei acordado, relendo textos e fotos, relembrando fatos e frases, e uma ou outra ainda me dói no ouvido mas uma ainda me parece sem sentido quem sabe um dia ela me responda se já aprendeu a lidar com sua duvida... e se ela nunca souber?
Droga... mais um e se a se pensar...
E se ela nunca voltar a ser comigo como era!?...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Reflexão

Algumas pessoas tem a mania de ter medo da vida, ou assim pensam que é. Eu vou tentar dizer de uma maneira diferente...
Existem muitas verdades na vida, uma das verdades e fatos é que sempre vamos sofrer, não importa se temos medo disso ou não, Vamos sempre passar por momentos de dor, de lagrimas e de angustia, não importa se estamos preparados ou apenas “deixando ir” vamos sim sentir um espeto no pé, um vazio no peito, um corte no joelho ou dedo da mão... e a verdade mais absoluta é que TODOS temos medo de sofrer.
A gente pensa que pode controlar a vida, e as situações a nossa volta, mas com isso a gente acaba perdendo uma coisa besta que é “viver” e viver tudo como disse lulu santos, viver tudo que é pra viver, algumas pessoas esquecem até de amar...
E por que faz isso? A cada segundo ela, ou ele, se pergunta “será que ela me ama?, será que vai me perdoar e começar de novo? Será que ele(a) vai me trair?” e isso importa? De verdade importa mesmo saber se ela vai te perdoar? Se ela te ama? Ou se vai te trair? Se você gosta mesmo da pessoa e ela te disser “Eu não sou sua melhor escolha no momento” você vai abrir mão disso? Se ela disser “eu gosto de ti mas pode ser que eu te traia” você vai abrir mão de viver algo com ela? Se a resposta for sim... se pergunta antes das duvidas inicias “ eu realmente quero?”
É fato que sofremos a vida toda, e por isso damos tanto valor aos momentos felizes, sejam eles poucos ou longos, curtos ou repetidos, não importa, uma hora ou outra a gente vai ter um momento ruim e vamos nos sentir mal, vazios e tristes, mas e daí? Não é assim a vida? Um pouco como o pai do Bruce Wayne no filme, “ a gente cai para aprender a se levantar” e é verdade. A cada tombo a gente aprendeu a cair, e digo uma coisa aos menos entendidos, algo que posso parecer louco mas basta ler um pouco que vai ver... ( ANDAR É NADA MAIS QUE UMA SERIE DE TOMBOS CONTROLADOS) Então por que ter medo? Quando surgir uma duvida do ponto de vista, “será que ele(a) me ama?” se pergunte Será que eu quero que ele me ame? E mais, será que eu vou me amar ainda se ele(a) não o fizer?
Sim, por que o amor é uma chance, uma pequena porcentagem e nunca uma certeza absoluta de nada, nunca existiu um “ e foram felizes para sempre” e acho que nunca vai existir, mesmo os casados a muitos anos podem dizer que durante toda a história deles existiu momentos de frio, chuva e falta de animo, logo não pense que vai ser pra sempre igual, e se fosse Deus... iria chegar uma hora que tu iria pensar (nossa tem que acontecer alguma coisa... ta tudo muito igual) ... SIM você iria se acostumar com a perfeição e iria buscar uma coisa diferente.
É meio como olhar a mesma paisagem todo dia, o sol brilhando, não muito quente nem muito frio, e o que você mais gosta sendo iluminado por ele... uma hora tu iria querer ver algo diferente... só assim tu poderia querer voltar a ver o que mais gosta... só depois de ver uma cena escura a gente da valor ao dia claro.
Tanta gente reclamava do sol que estava fazendo a um ou dois meses, e hoje ouvi gente dizer que não agüentava mais 3 semanas de chuva... e nem chove o tempo todo.
A gente pode viver a vida de duas formas:
Como a gente sonha, imagina, como o nosso coração manda.
Ou de forma segura, sem riscos e sem surpresas... e o amor é uma surpresa, e se não for surpresa, se você não perceber de uma hora pra outra que uma pessoa não sai de sua cabeça, que você não para de ver o rosto dela(e) a cada esquina que não sente um frio na barriga, um aperto quando o telefone toca que seja... não é surpresa... é o mesmo de sempre.
Uma novela das 8 com ou sem comercial de margarina entre as cenas.
Eu não me preocupo mais com as perguntas inicias, por que não tem como saber, a única coisa que as duvidas fazem em nossas vidas é controlar você, te fazer temer e não viver, a gente nunca vai saber do outro e se perguntar não vai ter a clara resposta e nem sempre vai ser a que a gente gostaria de ouvir... então eu acho melhor viver com a gente, com o que sente, com o que pensa e viver sendo fiel a si mesmo.
Eu vou te dizer uma coisa, a gente só vai saber o que passa de verdade na cabeça e no peito de alguém quando a gente tiver a coragem irrestrita de se entregar ao imprevisto, ao incerto.
Não por acaso o amor é comparado a fogo, quer elemento mais imprevisível que esse? Sabemos que consome, sabemos que pode se comportar de uma forma mas nunca sabemos se REALMENTE ira se comportar assim.
Acho que talvez eu esteja me estendendo de mais no assunto, talvez de 20 que começaram a ler esse texto só 3 cheguem aqui e continuem lendo, mas se for assim vale a pena dizer uma ultima linha de pensamento.
Aceite o inevitável, entregue-se a vida, por que só assim a gente pode dar a sorte de viver um amor de verdade, só assim com o peito aberto a gente pode ver uma “magia” acontecer, por que só com o peito aberto como os olhos a gente vai entender que “sofrimento faz parte do caminho” cabe a ti escolher sentar na calçada e chorar as mazelas da vida, ou levantar e seguir “caindo controladamente” na vida.
Eu sempre pensei que Tropeçar é o que te faz andar mais rápido...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Trilha sonora

Sentou-se ao lado do velho avô segurando-lhe a mão em que as veias e marcas de sua história eram vistas a olho nu, o pequeno garoto sentia o peso de ter que se transformar em homem de uma hora a outra.
O velho deitado no leito abriu os olhos lentamente e com o polegar apertou suavemente a jovem mão de seu neto.
- OI pequeno, estava sonhando aqui quando você segurou minha mão no sonho sua avó segurava ela. – Sorriu afastando dos olhos as lagrimas que pareciam querer surgir, e continuou – No sonho eu controlava a trilha sonora de minha vida, escolhendo as musicas que tocavam a cada momento... e você sabe que eu adoro musica.
- É vô? E como foi me conta? - Disse o jovem rapaz menino que não escondia os olhos vermelhos e o rosto inundado em dores.
- Ahhh foi perfeito, no sonho estava eu como criança, bem pequeno e a trilha sonora eram as canções de roda que minha avó cantava e das cantigas que as lavadeiras repetiam todos os dias a beira do rio, eram canções quentes, como o som que eu recebia no rosto quando corria ainda de calças curtas na fazenda de meu pai.
- Depois, meu sonho começou a mudar e na minha adolescência eu tinha como trilha sonora eram os chorinhos, as violas, e a voz de Dalva... como eu gostava de ouvir ela cantar... no sonho o tempo foi passando e eu ficando velho e quando estava já maduro e conheci sua avó ouvia tanta coisa, mas a musica foi apagada pelo som pesado da artilharia dos canhões... e acho que uma opera bem pesada podia ser formada com tantos estouros... (Nesse momento ele apertou a mão de seu neto e uma ou outra lagrima também fugiram de seus olhos).
-Mas e depois vô? Me fala mais? –Perguntou o neto querendo mais espantar as lagrimas de seu avô do que realmente saber do sonho.
- Ahhh depois vieram os anos dourados, 50, 60 o rock as danças mais animadas Beetles e a voz de Sinatra, meu neto... ele tem uma voz... mas passou rápido, e nessa época eu passei a misturar tudo, por que tinha seu pai ouvindo cirandas e eu rock, depois sua tia, depois ficou triste como uma sonata de Bethovem “sonata a luz da lua” a que mais tocou ao fundo quando punha sua avó no descanso dela. Mas depois animou novamente quando meu filho casou, e ai a bossa nova, os sambas de seu pai, e as suas musicas de criança... até a hora que sua avó segurou minha mão... nessa hora eu ouvia outras musicas.
Ele olho nos olhos de seu neto, e com a mão arrumou o cabelo que caia nos olhos dele, e pode ver que seu neto chorava forte e profundamente, ele também se entregou a um choro e por fim disse olhando nos olhos de seu neto.
- A musica sempre me acompanhou sempre, até mesmo nas horas escuras da guerra, mas eram tão escuras e pesadas, mas mesmo lá eu ainda sabia que tinha muitas musicas pra ouvir, mesmo nos acordes pesados em meus ouvidos eu sabia e torcia por sons mais leves.. mas na hora que sua avó segurou minha mão no sonho... não ouvia musica, era tudo silencio tudo quieto... mas quando acordei agora... posso ouvir... estou ouvindo e sei que logo, vai ficar tudo bem quietinho...
- O que você esta ouvindo Vô? Que musica?
- Um melodioso fado, que mesmo sendo lamento de meus e seus olhos pode animar e dar força, é mas mesmo assim é um fado... – Dito isso o velho tocou as mãos de seu neto e pediu para que ele ficasse bem, e que fosse buscar um copo com água para ele.
Mas enquanto ia o neto sabia que quando volta-se essa mesma água seria para ele molhar a garganta... pois quando entrou de novo na quarto seu avô tinha um sorriso de reencontro no rosto, mas a trilha sonora era um triste fado de saudade...

quinta-feira, 10 de março de 2011

UTI

As vezes quando ele fechava os olhos e se desligava do “bip, bip” a seu lado conseguia sentir o vento suava da montanha em seu rosto e até conseguia sentir a grama entre seus dedos mas não era sempre que isso acontecia, muitas vezes ele fazia força para se desligar dos sons a sua volta, e quando não eram os “bips” era a dor fina da agulha em seu braço ou o “puxar” de uma fita em seus pelos do braço... estar ali não era nada bom, mesmo sendo um quarto amplo e particular de um hospital.
As vezes ele recebia a vista de um ou outro amigo, outras vezes um parente que a tempos não aparecia, as vezes um médico mesmo ficava alguns minutos a seu lado lhe fazendo companhia e perguntas do que estava sentindo ou passando, ele buscava muitas vezes um humor que não tinha para responder sem grosseria as perguntas freqüentes de ,sente seus pés?, Esta dormindo bem? Sentiu-se enjoado esses dias? Ele buscava um pouco de humor e respondia.
Sinto sim, mas acho que eles estão um pouco cansados de ficarem o dia todo olhando o teto, o meu dedão falou a pouco que gostaria de dar uma topadinha.
Eu não sei se estou dormindo bem, quando estiver dormindo você me acorda e eu respondo com mais certeza ok?
Não enjoado não mas Tedio eu tenho sentido e muito...
Mas mesmo tentando ele não conseguia ser bem humorado, seu humor já tinha ido embora, e ele sabia disso, dia a dia ele se sentia mais fraco e menos ele... a cada dia sentia-se mais entrega a maldita doença que o consumia aos poucos...
Pensou uma ou duas vezes que estava feliz em ser rico e ter como pagar suas despesas e esse quarto, mas também pensou que seu dinheiro poderia estar sendo gasto para salvar alguém que merecesse realmente viver...
Nessa hora olhando para o teto relembrando as tantas coisas que não fez e gostaria de ter feito lembrou-se dos olhos castanhos, cabelos negros e sorriso tímido de uma certa menina que conheceu... um longo suspiro e inclinou a cabeça no travesseiro, e como mágica sentiu-se la... 20 ou 30 anos atrás, sentados na lanchonete os dois falando sobre as tardes de sua vida e das vontades que tinham... então ela disse
“ Hey, a gente podia viajar juntos hein? O que acha? Vamos fazer uma lista de coisas que a gente pode e quer fazer juntos?
Claro – Respondeu ele pegando uma caneta e papel mas ela segurou sua mão e disse – Não... vamos guardar ele aqui – Disse tocando o peito dele- assim a gente nunca vai perder e vai sempre nos ajudar nas horas que a gente precisar”
Ao abrir os olhos ele chorava, pois agora ele sentia que tinha que lutar por algo que já não queria mais ter, sua própria vida, mas não fora somente isso que ele viu, encostada na porta estava a menina de olhos castanhos e olhos negros e ela disse em um tom calma e cansada e com um certo peso de choro.
- Hey, a gente ainda não fez tudo da lista hein?
-Acho que temos que colocar uns itens a mais nela minha querida.
-A gente já fez tanta coisa né?
- certamente a melhor foi dizer “sim”
Dito isso ele apertou a mão de sua esposa e beijou suavemente a aliança, enquanto ela dizia
- É só mais um obstáculo... a gente já venceu tantos... - Mas ele levantou o dedo magro e colocou em seus lábios e disse um sonoro eu te amo com os olhos boiando em lagrimas e lembranças.

domingo, 6 de março de 2011

EU TE ODEIO

- Eu te odeio....serio eu te odeio - Disse ela mais uma vez se olhando no espelho e continuou dizendo isso tantas outras vezes que passou mesmo a ter raiva de seu reflexo e continuou dizendo – Como é que você sempre faz isso? Como você consegue se estragar dessa forma? Por que é que tudo que pode dar certo ao tocar em sua mão ou você por os olhos vira de ponta cabeça? - ela tinha os olhos vermelhos e a cabeça rodava mais que seu banheiro, as poucas horas na rua e as muitas dozes de bebida acentuaram seus momentos de “egocentrismo invertido”

Por fim sentou-se a frente da bancada do banheiro e com a cabeça baixa ouvia a pia jorrar menos água que seus olhos e pensou não uma ultima vez no por que de tudo estar errado.

Ela estava linda, vestida como queria, e ele estava lá praticamente entregue, era fácil bastava um “gesto” seu e ele era dela... ela teria o que queria alguém para aquecer seus braços em um abraço apertado, vendo filmes em um domingo chuvoso ou qualquer coisa que o valha, teria alguém a seu lado nas horas ruins e boas, teria em fim um companheiro, alguém para aquecer o seu peito já frio a tanto tempo... mas na vida real nada acontece como no mundo dos sonhos.

Ela ajoelhou-se e se levantou o suficiente para poder ver seus olhos surgirem por sobre a beirada da cúpula da bia os dedos finos e brancos o cabelo negro... e seus olhos borrados de lagrimas, ela pode apenas se dizer mais uma vez, mas com os olhos do que com sua voz já fraca e cansada “eu te odeio”

Bastou uma frase fora do lugar e todo seu castelo de cartas desabou, bastou um gesto mal feito e ele seu companheiro de noite ou noites, ele seu príncipe encantado se foi... e sabe-se lá se agora não esta esquentando os braços de outra...

Ela pensa apertando a louça fria de sua pia se viverá tempo o suficiente para ter alguém especial em sua vida, e talvez nessa hora lembrou-se de alguém, de um qualquer que por muitas vezes disse apenas um “fique bem” e “conte comigo” mas ela de olhos fechados e ouvidos lacrados a vida, deixou passar... será que ele estaria ainda disposto a dizer tais frases?

“vamos fazer um jogo? O jogo da vida? Eu entro na sua e você entra na minha?” pensou ela em dizer isso a ele mas as altas horas a desestimularão a fazer, e talvez a voz oca de uma consciência que de tanto gritar já se sentir afônica a fez ligar mesmo assim.



- Oi sou eu... desculpe te ligar a essa hora... é que ... precisava ouvir de alguém que se preocupa comigo algo bom...

Mas a voz do outro lado da linha disse apenas uma frase...

“- Vamos brincar de vida? Você cuida da sua e eu cuido da minha?”

Ela sabia o que isso queria dizer, e o som posterior do telefone sendo desligado deixava claro, ela também o tinha perdido... também o fez mal... e nem mesmo ele que por tantas vezes a quis bem agora conseguia dizer nada... ela estava realmente só... e o pior sabia que era por sua única culpa... e ela realmente tinha motivos para se odiar...





Pensamentos do brubs.
As vezes nosso maior inimigo não é o mundo como a gente pensa, não são os outros que nos sabotam e nos fazem de tolos ou bobos, não são os supervisores no trabalho ou o chefe mala, não é o colega sortudo que ganha tudo ou o casal que se beija a sua frente no ônibus, não é o sorriso que não sai do rosto daquela pessoa mesmo que ela esteja destruída por dentro.. as vezes nosso maior inimigo somos nós mesmos. A gente se sabota tanto que passa a pensar que é o mundo que esta contra a gente, por que “tudo da errado sempre” quando deveríamos olhar para isso e perceber que tudo da errado sempre por que a gente sempre faz dar errado.

Somos rudes, grosseiros, não percebemos as outras pessoas não percebemos nem que as vezes nos quer fazer bem , afastamos, tratamos mal em fim sabotamos a nossa amizade com alguém ou com alguém que poderia ser algo mais... o maior vilão não é o de fora de sua história... mas o antagonista do personagem principal é você mesmo... seu super vilão...

Saber assumir seus erros pode ser o primeiro passa para corrigir essa atitude terrorista pessoal, talvez o sorriso que nunca sai do rosto daquela pessoa seja a prova de que ela aprendeu isso... e talvez esteja na hora de você também
aprender...”