Por que um baú?

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quinta-feira, 10 de março de 2011

UTI

As vezes quando ele fechava os olhos e se desligava do “bip, bip” a seu lado conseguia sentir o vento suava da montanha em seu rosto e até conseguia sentir a grama entre seus dedos mas não era sempre que isso acontecia, muitas vezes ele fazia força para se desligar dos sons a sua volta, e quando não eram os “bips” era a dor fina da agulha em seu braço ou o “puxar” de uma fita em seus pelos do braço... estar ali não era nada bom, mesmo sendo um quarto amplo e particular de um hospital.
As vezes ele recebia a vista de um ou outro amigo, outras vezes um parente que a tempos não aparecia, as vezes um médico mesmo ficava alguns minutos a seu lado lhe fazendo companhia e perguntas do que estava sentindo ou passando, ele buscava muitas vezes um humor que não tinha para responder sem grosseria as perguntas freqüentes de ,sente seus pés?, Esta dormindo bem? Sentiu-se enjoado esses dias? Ele buscava um pouco de humor e respondia.
Sinto sim, mas acho que eles estão um pouco cansados de ficarem o dia todo olhando o teto, o meu dedão falou a pouco que gostaria de dar uma topadinha.
Eu não sei se estou dormindo bem, quando estiver dormindo você me acorda e eu respondo com mais certeza ok?
Não enjoado não mas Tedio eu tenho sentido e muito...
Mas mesmo tentando ele não conseguia ser bem humorado, seu humor já tinha ido embora, e ele sabia disso, dia a dia ele se sentia mais fraco e menos ele... a cada dia sentia-se mais entrega a maldita doença que o consumia aos poucos...
Pensou uma ou duas vezes que estava feliz em ser rico e ter como pagar suas despesas e esse quarto, mas também pensou que seu dinheiro poderia estar sendo gasto para salvar alguém que merecesse realmente viver...
Nessa hora olhando para o teto relembrando as tantas coisas que não fez e gostaria de ter feito lembrou-se dos olhos castanhos, cabelos negros e sorriso tímido de uma certa menina que conheceu... um longo suspiro e inclinou a cabeça no travesseiro, e como mágica sentiu-se la... 20 ou 30 anos atrás, sentados na lanchonete os dois falando sobre as tardes de sua vida e das vontades que tinham... então ela disse
“ Hey, a gente podia viajar juntos hein? O que acha? Vamos fazer uma lista de coisas que a gente pode e quer fazer juntos?
Claro – Respondeu ele pegando uma caneta e papel mas ela segurou sua mão e disse – Não... vamos guardar ele aqui – Disse tocando o peito dele- assim a gente nunca vai perder e vai sempre nos ajudar nas horas que a gente precisar”
Ao abrir os olhos ele chorava, pois agora ele sentia que tinha que lutar por algo que já não queria mais ter, sua própria vida, mas não fora somente isso que ele viu, encostada na porta estava a menina de olhos castanhos e olhos negros e ela disse em um tom calma e cansada e com um certo peso de choro.
- Hey, a gente ainda não fez tudo da lista hein?
-Acho que temos que colocar uns itens a mais nela minha querida.
-A gente já fez tanta coisa né?
- certamente a melhor foi dizer “sim”
Dito isso ele apertou a mão de sua esposa e beijou suavemente a aliança, enquanto ela dizia
- É só mais um obstáculo... a gente já venceu tantos... - Mas ele levantou o dedo magro e colocou em seus lábios e disse um sonoro eu te amo com os olhos boiando em lagrimas e lembranças.

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