Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Não entendia o motivo mas pegou e pois da forma mais organizada possível na desordem que se encontrava, suas coisas, na porta de costas para ele ela apoiava a cabeça na porta e mesmo que ele não pudesse ver saiba que ela chorava.
Ele parou por um segundo e respirando fundo pensou se fazia a coisa certa.
- Não sei o que mais posso fazer, já tentei de tudo, já fiz tudo que podia e a cada tentativa minha você recua 2 ou 3 passos... enquanto eu me envolvo mais e mais você se cega, se fecha se afasta... e eu já não tenho muito mais o que fazer. – Disse ele pondo a mochila em suas costas e caminhando até a porta.
Ela então olhando por sobre os ombros com os olhos navegantes em seus sentimentos virou-se lentamente e pondo a mão sem eu peito deixou seus sentimentos virarem verbo.
- Toda vez que você vinha pra mim com seus gestos, com seus carinhos, com suas formas doces e suaves de me mostrar o quanto sou querida por ti eu me surpreendia. Toda vez que sorria ao me ver, toda vez que me apoiava ao me ver chorar, toda vez que se emocionava e me emocionava com nossas conversas eu me surpreendia, e não é por não gostar de você, mas por ter medo de não ser o suficiente pra ti. – O olhou nos olhos enquanto uma lagrima corria em seu rosto e percebeu que era espelhada no rosto dele.
- Eu recuava por medo de que você percebesse isso, percebesse que não sei se sou tudo que diz, se posso te dar tudo que quer... e se eu mesmo sou capaz de te querer tanto como você me quer... tenho receio de receber mais do que do a você.
- E quem disse que estamos competindo?
- Ninguém disse, nem eu disse tudo que queria te dizer...
- Então diz
- Te amo, mas se você não sente isso, se não se sente amado por mim... vai... prefiro te ver feliz longe do que infeliz ao lado.
Ele passa as mãos no pescoço dela, e puxando levemente apóia ouvido dela em seu peito e beijando suavemente seus cabelos diz.
- E tem como não amar você?...

“ As vezes tudo que falta para um relacionamento dar certo não é dizer muitas vezes eu te amo, nem jogar toda hora rosas a frente da pessoa amada... as vezes falta apenas um pouco de transparência e humanidade... todo mundo tem receios, medos e temores... e assumir isso a alguém me parece ser uma das grandes provas de amor...”

domingo, 1 de maio de 2011

Créditos Finais.

Uma vez mais ele respirou fundo e levantou-se do sofá, a campainha tocava já alguns minutos mas mesmo assim ele esperava que a insistência fosse vencida por sua vontade de afundar no sofá e desaparecer nas almofadas. Mas ele fora vencido e ao atender o interfone que freneticamente gritava permitiu que dois amigos viessem a sua casa... antes fosse apenas um pensou ele desligando o interfone...
A porta se abre e logo o sorriso de seus amigos entra na sala como gilete fria em carne quente. A alegria que os dois derramavam no ambiente era antagônica a imagem do seu amigo solitário no sofá... mas logo a conversa vou tomando ares mais festivos e alegres e um DVD passou a rodar, um filme qualquer, uma história qualquer... apenas uma desculpa para os dois permanecerem ali por mais tempo...
Mesmo assim o modorrento amigo pouco se animava, sorria Cortez mente aos amigos e até fingia entender e curtir algumas piadas... mas no fundo sua vontade era de apagar tudo cobrir-se com a manta do sofá e deixar as horas passarem lentas ou rapidamente, não importava...
Os amigos rindo alto, abrindo e fechando a geladeira, tomando sua cerveja, água e refrigerante... mas nada disso o fazia tremer... o que o incomodava de verdade era a ausência quase que tátil que ela deixou ali.
Os amigos nem notavam mais não mais existiam fotos na sala, o quadro grande pintado a pontos por ele não mais decorava o espaço sobre a TV. A geladeira não era mais adornada por fotos e recados... mas ambos amigos sorridentes perceberam que pairava no ar um certo perfume mórbido e funéreo .
Os movimentos do entristecido amigo eram quase que desprovidos de vontade, ali residia uma alma? Chegou um de seus amigos pensar, enquanto o outro lutava com sua vontade de surtir alguma reação menos soturna do amigo que se encolhia no sofá como se ali não fosse mais sua morada.
- O que aconteceu? – Finalmente perguntou o amigo que em um gole seco de cerveja tomava animo para prosseguir com a prosa.
- Nada... não aconteceu nada.
- E por que esta assim quieto, calado, sempre foi o mais animado, o mais divertido, o mais ativo, por que esta assim?
- Quer saber a verdade?
- Sim, -Responderam os dois amigos em uníssono.

- Antes eu chegava em casa, abria a porta e tinha a certeza que aqui morava alguém, eram perfumes diferentes, sons, eram pessoas que se falavam, uma ou outra briga seguidas em momentos calados mas... sempre sorriamos e nos olhávamos, era tolice brigar... a gente se gostava... nos amávamos mas... hoje o que vive? Uma parte solitária perdida sem esperanças.
- É companheiro... te entendo é difícil mesmo... mas você há de encontrar outra... á de viver um outro amor..(e antes de terminar o amigo noturno disse)
- E quem pode viver um outro amor sabendo que o seu amor não o ama? De certo amigo, não alguém que preze de verdade a frase “eu te amo”... Não... não vou encontrar outro amor, pois não perdi o meu... ele ainda esta aqui... não morreu... mesmo que ela tenha casar-se com outro... mesmo que ela tenha tido com outro o que eu buscava nela... ainda vive em mim essa vontade.. ainda vive em mim esse desejo.
Mas o amigo que até então mantinha-se calado ouvindo a conversa dos dois amigos disse
- Então vamos todos ficar de luto como se alguém fosse enterrado vivo? Somos seus amigos e lá fora existem outras tantas pessoas que podem ser sim, talvez não o seu amor verdadeiro, o mais importante, mas podem ser pra ti alguma luz, ou esperança.
- Esperança? De que?
-De que quem partiu sem ter partido de verdade volte e cole as partes... de que acorde e perceba que mesmo tu tendo vivido um ou outro romance, vive com ela uma verdadeira história de amor... mesmo que não tenha o final feliz... mas pode ter um bom final... não vivemos em contos de fadas não é?
- É verdade... não vivemos.... e nem vivemos filmes... nem tudo é como a gente gostaria que fosse...
Posto isso os 3 amigos sentaram-se no sofá , e suspiravam profundamente enquanto o filme exibia os créditos finais...