Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

sábado, 25 de junho de 2011

Teorias relativas

Ele esperava ansiosamente, os ponteiros giravam e giravam, mas o mundo a sua volta parecia parado, Não era assim que ele sempre se via, sentia-se sempre alguém que controlava suas vontades, segurava seus desejos e tinha total controle sobre seus sentidos e sentimentos... mas não agora... não ali, olhando o ponteiro girar um minuto com a eternidade de uma hora.. mas a mensagem no celular foi clara.. ela ja estava chegando... ele mesmo sabendo disso apertava o relógio com a incerteza de que o tempo iria se apressar...e saltar entre seus dedos... mas logo a respostas veio. ela descendo do ônibus, olhar calmo, sorriso largo... foi ai que ele percebeu... realmente o mundo parou... realmente o mundo parou assim que ele a viu... e assim que ela sorriu timidamente para ele...
Um oi simples um abraço comum... bem era apenas o inicio.. a noite era longa... e o tempo não importava mais... ele estava com ela...

em poucos minutos ao lado um do outro era como se as horas esperadas fosse na verdade horas de convívio e entendimento, as rixas anteriores, as brigas sem motivo agora davam lugar a um desejo de apenas ficar ali, olho nos olhos... mesmo que em silencio absoluto, por longos minutos fizeram isso, calados apenas olhando o mundo a sua volta girar como os ponteiros do relógio.
Até que em u momento qualquer, sem explicação, sem sentido algum do que nós homens que vivemos nesse mundo chamamos de lógica eles trocaram carinhos e beijos... e a intimidade que era visível a quem quiser ver, mesmo que distante, pode ser em fim demonstrada...
Mas o tempo que antes era lento e preguiçoso apresou-se para recuperar seu fôlego... comprovando a inevitavel certeza da relatividade... quando se esta vivendo algo bom... o tempo voa...
E logo as horas escoaram como segundos e a manhã chegou de forma inesperada...
E com ela... um “adeus” ...
Ele voltou a seu canto.. ela voltou a sua morada...
Ela com suas certezas incertas..
E ele com a incerteza de suas certezas incertas...
E o tempo... bem... o tempo parece que voltou a correr... lentamente...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um dia lento

O fone de ouvido o isolava do mudo a sua volta, chuck Barry em seus acordes de Jonny b. Good eram como entorpecentes, o colocava em outro universo, um mundo diferente, quem sabe uma vida diferente da dele.
As estações de metrô passavam embora rapidamente para quem estivesse plugado no mundo certo, para ele ainda eram lentas e tediosas, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos movimentos padronizados, e ele pensava, se era só ele que estava em um mundo paralelo ou era normal sentir-se assim... e ser assim nesse mundo.
A voz rouca de uma mulher agora cantava em sua cabeça, Andrea, do CMTN, “fique a vontade meu bem, sinta a vontade de ficar, não tenha presa, quem sabe aqui é teu lugar? Mas se tiver de ir, vê se não vai assim sem mim...” ele ruminava pensamentos que nunca foram digeridos, regurgitava e os engolia novamente... e sempre sentia isso, sempre a via em seus pensamentos, sempre arrumando o cabelo, sempre sorrindo, sempre caminhando a seu lado... mas nunca estava de fato... e quando seus olhos começavam a dar mostra dessa cinzenta tristeza que trazia em seu peito sentiu a ponta fina de alguns dedos tocarem seu braço... e La estava ela, ele tira o fone, e automaticamente volta a realidade, mas a voz dela em meio aos sons do metrô parece ter o mesmo efeito que a musica... o leva a um outro mundo.
- Te chamei 3 vezes... você não me ouvia... tive que te cutucar – ela sorri encabuladamente, mas mantendo a imagem de que não estava.
- Eu estava desligado – Disse ele dizendo uma verdade simbólica, - Quanto tempo né? Tudo bem com você?
- Sim tudo bem, e você? Parece bem, até feliz eu acho!? – Disse olhando nos olhos dele, que agora brilhavam como a muito não o faziam.
- Na Verdade eu tenho apenas vivido, nada de mais... só vivido.
- Nossa, a gente não se fala a tanto tempo... saudades de nossos papos... sempre eram loucos não ficavam presos a um assunto apenas.
-É... as mentes livres são assim...
-... Você ainda esta desconfortável não é? - Perguntou ela.
-Não chega a ser desconforto... estou muito feliz em te ver... você não faz idéia... pensava em você a pouco... se estava bem, e como estava sua vida... se o tempo tinha sido bom pra ti.
- Eu to bem... a minha vida ta bem... mas esse velho.. tempo... bem ele ta sempre dando as voltas dele né?
- É pois é... Dizem que o tempo cura tudo né? Que apaga tudo
-Sim ele é um ótimo remédio.
- É mas pra mim ele não tem esse efeito, O tempo só tem servido pra me lembrar que você não esta comigo, se o tempo apaga... o meu só tem me feito sentir falta... se ele cura... o meu só tem posto farpas... se o tempo faz a gente mudar o foco... o meu tem sido um farol... e só me mostra você... desde aquela ultimo dia...
- ... você não pode estar falando sério...
- Estou... O mais serio que posso... Pena que Nosso tempo nunca chegou...
- é... diferente da minha estação... tenho que ir... Posso te ligar?
- Sim... embora eu saiba que isso nunca vai acontecer

Ela salta do vagão, ele olhando pela janela, coloca seu fone no exato momento em que a Andrea do canto dos malditos da terra do nunca começa a cantar “olha a minha cara”... e embora ele passasse os próximos dias esperando um telefonema... nunca aconteceu...

domingo, 19 de junho de 2011

pertinente

Ele caminhava lentamente pelas ruas, o vento frio cortava sua pele, e uma ou outra vez esfregava o nariz que já vermelho parecia maior do que é na verdade, Nos ouvidos o fone tocando Bem Harper e na cabeça as imagens de um passado inexistente.
As mãos no bolso e os passos lentos e frios eram a expressão perfeita do fim de tarde, o sol se punha, o céu de outono pintado levemente de lilás e roxo, e ele caminhava pensando... nesse passado inexistente que teimava em surgir sempre ...
A sua frente um casal de mãos dadas ignorava o frio, talvez por seus peitos estarem tão aquecidos, ou talvez por que apenas esteja na dinâmica térmica do romance, um roubando calor do outro... ele não pode deixar de pensar “um abraço em um dia frio é sempre melhor que o mesmo abraço em um dia qualquer “
Sorria por dentro com os pensamentos que tinha, e chegou a suspirar aliviado quando por 5 minutos não tinha as memórias impedidas de acontecer em sua mente... nesse momento, se o clima fosse mais frio, certamente teria pequenos veios de gelo em seu rosto...
O telefone celular no bolso era como um convite a ligação, mas de que adiantaria? Ela nem se quer o atende... ela nem se quer deve pensar nele...

uma parada programadamente ocasional em um bar, um café e ao sair... o telefone toca.. não ... não era ela... um amigo qualquer, uma propaganda da operadora... o que importa? Aos olhos alheios ao a seu vazio ele parecia alguém bem ocupado...
Por fim, o sofá frio, o banho quente, a coberta e na estante..... ela sorrindo, quase ou mais misteriosa que a Mona lisa...
O telefone na mesa. O celular no colo... em fim.. seria pertinente ligar?
- Não... nunca é... nunca é pertinente dizer que se gosta de alguém que não pode gostar de você...
Acabou a noite assim, compartilhando com ele mesmo o fim de um pacote de biscoitos vendo um filme dublado em um canal qualquer.
Mas as memórias que nunca aconteceram sempre o fazia olhar para o telefone e pensar nela... mesmo que fosse apenas um pensamento que nunca aconteceria ou aconteceu...

Sonhos

Já teve um sonho que quando acordou pensou que seria muito melhor que continuasse a dormir!? Já acordou tateando a sua volta e teve a nítida impressão de que existia sim alguém ali com você!? Mas assim que abriu os olhos tudo se desfez em fumaça e sobrou a teu lado um espaço vazio, ainda quente, mesmo que seja de você mesmo...
Já acordou ao lado de alguém, assim um tanto quanto torto, e pensou que era uma outra pessoa, e ainda meio sonolento sua boca quase solta o nome que pensava?

Muita gente pensa que isso é incomum, errado, tosco, louco... e eu concordo com boa parte disso, é incomum, mas não é errado, é louco mas não é tosco... é um misto de “e se” e Saudade... é uma falta que não tem por que existir mas volta sempre a ocupar um espaço que nem se sabe ao certo por que ainda existe... mas esta La... ocupado por essa falta, ou melhor, por essa pessoa, e pela falta que ela faz...

Locura!? Verdade... bem loucura... a tanto tempo a gente não se fala, e outros tantos tempos eu tenho tentado entrar em contato de novo com você e nem sei se ainda me lê ... de certo não... por que se lê não me responde ... e se o fez... temo que seja por um dos motivos que penso..

1) Não tem tempo, e ai pode ser por que esta ocupada trabalhando, ou ocupada com alguém...
2) Esta com alguém... e isso eu sei La por que motivo me faz pensar em “perda”...

Fico de verdade pensando em como esta a menina que sorria com os olhos, que saltitava entre as nuvens e estrelas... e que não nego hoje, já que os anos me impedem de ser infantil e negar... me fazia pensar o quão agradável deveria ser estar ali saltitando com ela em outras circunstancias...

Em fim...

Já teve esses pensamentos? Sonhos e loucuras?
Pois é eu venho tendo isso com você... e não é de hoje...
(escrito pensando em alguem especial)

Um pouco mais.

12 de junho, e ele caminhava só pelas ruas, os pensamentos estavam em outro tempo, não ali e nem agora, pensava e lembrava um tempo que ele queria viver de novo... as pessoas, mas precisamente os casais passavam por ele e vez por outra o olhavam como se estivessem vendo um alienígena, um leproso... tudo isso por que ele caminhava só... na verdade, caminhava sem alguém ao lado, mas só ele mesmo nunca pensava assim... trazia sempre “ela “ no peito...
E talvez por uma ironia do destino, avistou a frente o inconfundível par de olhos e lábios dela... pensou em correr e dizer um oi.. mas... percebeu ao lado a figura masculina que os afastava... tremeu, recolheu a esperança que lhe saltava a garganta, e agora como quem não quer voltar a casa se agarra e em um nó se mantém ali.. quase impedindo-o de respirar...
Ele percebe que ela também o viu.. os dois se olham mas não se falam, e falar pra que? O que poderia ser dito... fora a existência dos dois o mundo parecia o mesmo, mas para ele, nos olhos dela tudo se acalmava... eles passam um pelo outro.. ele para e a segue se afastando
Ela, incapaz de controlar sua vontade olha por sobre o ombro e pensa mesmo a distancia e entre tanta gente ter visto no rosto dele uma lagrima correndo... mas tem certeza de ver um sorriso largo, um largo sorriso que vencia as lagrimas.
Ela se vira... ao ouvir a voz de seu companheiro perguntando”o que foi?” como se houvesse resposta ao que ela sentia, caminhou apenas a seu lado e deixou o jovem para trás... passo a passo.. mais e mais...até que um ano se passou, talvez um pouco mais...
Ela agora sentada esperando seu ônibus viu um jovem atravessando a rua, cabelos negros, olhos peados... tão pesados que viam apenas a rua, o chão... ela logos se levantou, tanto tempo depois ainda tinha vontade de fazer uma pergunta a ele, caminhando até o encontro do rapaz disse um simples “oi”
Ele caminhava apressadamente pelas ruas, pensamentos tão antigos em sua cabeça e os olhos fixos no chão, tudo parecia puxar ele para baixo...tudo o fazia tremer... mas uma voz simples, um “oi” tão comum como qualquer outro... o fez levantar os olhos e ver
Os cabelos encaracolados, os olhos castanhos... a aqueles olhos... ele os reconheceria mesmo que 100 anos tivessem passado... e ao oi dela respondeu com um sorridente ola...
Ele pensou em falar... mas ela foi mais rápida.

- Posso te fazer uma pergunta?
- Claro...
- Lembra que a gente se viu a um tempo!?
- Sim, lembro, dia dos namorados, a um pouco mais de um ano.
- a sim, não lembrava o dia... bem.. queria te fazer uma pergunta... posso!?
- Claro... já seriam 3 mas pode fazer todas.
- Por que estava sorrindo aquele dia quando eu fui embora e nem falei com você?
- Porque... bem... no começo eu chorei... sabia que tinha te perdido, e por isso não resisti e deixei meus olhos abrirem as comportas e jorrarem, mas a cada passo que dava eu via ele te segurando, apertando e você se aproximando mais e mais dele... era visível sua felicidade com ele... e por isso eu sorri...

- Não entendo.. você ficou feliz em me ver com outro?
-Bem, eu vou te dizer de outra forma... Eu te amo... e esse meu amor me fez rir por te ver feliz... eu sorria por sua felicidade e chorava por não ser eu o motivo dela...
Os dois se olharam como a muito não faziam e ela disse.

- Você sempre me diz coisas que me confundem tanto...
- Isso por que eu sempre digo a verdade... te amo... ainda te amo...e acho que vai ser assim até o fim...
- Mas eu to casada, tenho filha... você tem que viver sua vida.
- Eu vivo... incompleto... mas vivo...
-Incompleto?
Tenho tudo que quero... mas não tenho o que preciso... não tenho você comigo... mas me basta saber que esta feliz, me basta saber que esta sorrindo... assim eu vou vivendo, regando com lagrimas o meu sorriso e esperando que o seu brilhe sempre como sempre te disse que brilhava pra mim...
O tempo acabou vencendo e os dois se afastaram, não se sabe se alguma vez eles se encontram novamente mas posso afirmar que ao menos nele ficou sempre uma vontade de que tudo durasse um pouco mais...