Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

domingo, 31 de julho de 2011

Lista

Levantou da cama e respirou fundo, o ar entrou em seu peito enchendo o espaço vazio com algo invisível e talvez essa fosse a melhor metáfora de sua vida, encher-se de algo que não poderia ser visto... ninguém a seu lado... mas por ele era bem solido e visível para ele... era isso que o mantinha de pé...
Ele esfregou os olhos, e caminhou lentamente ao banheiro, a pia servia de apoio e o espelho pouco refletia quem o olhava, na verdade um corpo ali refletido era bem pouco dele, a barba longa e sem cuidado, os cabelos despenteados, os olhos fundos de poucas horas de sono, e cada dia mais a certeza de estar sobrevivendo sem viver.
Olhando a sua volta tinha a nítida impressão de que já estava morto, a casa pouco mostrava que ali vivia alguém, não fosse as contas que continuavam a ser pagas em dia todo o resto se acumulava nos cantos, cartas, bilhetes, avisos... tudo acumulando-se como poeira...
Lavou o rosto com atos programados, na verdade instintivamente deu o mínimo de cuidado que seu corpo pedia, o banho, os dentes escovados. Voltou para a sala e jogou-se no sofá, a TV liga e programas tolos de um domingo comum... e ele queria que fosse outro dia... DIA? Ou melhor queria que fosse outro tempo?
Levantou-se e foi a geladeira, era cedo pouco mais das 9h... mas seu café resumiu-se a uma cerveja e uma salsicha...
Melhor deixar o tempo passar anestesiado, do que sentir ele passar dolorosamente, é tão estranho... ontem ainda te tinha comigo... ontem ainda sentia seus cabelos em meus dedos... mas hoje... hoje você se foi... e hoje eu não sei o que fazer de mim. – Pensou ele enquanto apoiava na coxa a pequena lata, e buscava o controle mudando de canal.
Seria tão mais fácil mudar de canal, deixar isso e mudar para outra coisa... como todo mundo me fala, “Parte pra outra a vida continua” ... continua? A minha parece ter acabado tão estranha e rapidamente tão sem sentido... como um carro entrando na contra mão..
Olho para a mesa e pode ver o retrato dos dois juntos, ela sorrindo abraçando feliz, ele sorrindo com ela, os olhos brilhantes dela estavam bem diferentes do que os que viu na ultima vez...
Lembrou-se dela sorrindo, segurando sua mão e falando
“ – Nossa a gente já fez um monte de coisas juntos né?
- Sim um monte... mas sempre aparece algo mais em nossa lista, e eu adoro isso
- A é? Posso saber o porque?
- Claro que pode, por que assim a nossa história tende ao infinito.
- ... Você sempre fala umas coisas que eu nem sei o que dizer, você quer que tenda ao infinito?
-Acho que nada pode impedir isso... agora mesmo já pensei em 300 coisas para colocar em nossa lista, e logo que falar a primeira você vai ter outras tantas idéias, a nossa lista nunca acaba.
- Sabe tem coisas que eu não sei quando dizer pra você
- Como assim pequena? Não tendendo! Se tem vontade de dizer diz... Olha o sinal fechou vamos
-Sabe... eu ainda penso muito se esta na hora de dizer e me seguro.
- Se sente vontade diz... vem... rápido... já vai abrir.
- HEy.... Eu ......
Um carro fugindo de algo ou da própria razão entra na contra mão e acaba por atingir a ela e ele... assim que ele volta a consciência levanta-se mesmo contra aos avisos de todos a sua volta e se arrasta até a um volume de pessoas a seu lado
E no chão estava ela.
Ele a abraça e apóia a cabeça dela em sua perna... ela abre os olhos
“ – OI anjo...
- Não fala nada calma, a ambulância já ta chegando... você vai ficar bem. Calma
- Vou... a gente tem uma lista grande de coisas pra fazer...
--É temos sim... agora agüenta ai ta?
- Eu vou agüentar... e você? ta bem?
- Não se preocupa comigo e fique quieta ta... – ALGUEM CHAMA A AMBULANCIA CADE A AMBULANCIA.
- Hey... eu tenho que te falar....
-Não me fala depois... me fala depois...
- lindo... anjo... eu tenho...que dizer... eu
- Não, Me fala depois...
-...
-Linda....
-...
E todos que estavam ali próximo a eles puderam ver um jovem abandonar a vida, o ver os olhos de sua amada abertos e sem brilho...

sábado, 30 de julho de 2011

banho.

Entrou em casa soltando tudo que tinha, chaves, mochila e o telefone, esperava que deixando tudo isso senti-se um pouco mas leve, mas ainda andava pesadamente e caminhando ao banheiro foi arrancando peça por peça de roupa e ainda assim sentia-se pesado preso ao chão... entrou no banho, deixou a água lavar seu corpo e esperou que assim livre do peso do dia pudesse sentir-se mais leve... mas mesmo assim sentia-se pesado.
Lembrando-se de cada segundo de seu dia, de cada momento que teve recostou-se a parede e como os pingos que ali escorriam também escorreu e acabou sentando-se sob a água do chuveiro.
A tristeza essa dama que a muito vinha atormentando seus dias conseguiu fazer seu trabalho, o pois ali sentado no piso frio com o jato de água quente em suas costas...
A saudade essa menina mimada que a muito o visitava nas noites frias e nos dias vazios agora fazia companhia a ele em todos os momentos, não fazia muito tempo... ou fazia?
Levantou o rosto e a água agora atingia sua cabeça e ele pensou sentir os dedos dela em sal cabelo, os olhos começaram a pesar... e arder... levantou-se lentamente, e buscando nos gestos comuns de se lavar um pouco de tempo em não pensar nela mas... não conseguia... sempre lembrava-se dela... sempre sorrindo sempre caminhando a seu lado...
Balançou a cabeça como quem afugenta um cão, e deixou escapar em meio aos suspiros o nome sussurrado dela... e deis como que arrancando de si uma flecha ou uma bola de espinhos pela garganta um grito... e novamente seu nome.
A cabeça bateu na parede, reflexo da grito?, não, um ato sem explicação e um grito sem sentido...
Quis ser mais forte, e entender tudo que estava acontecendo, queria muito saber o que fazer e como fazer mas... sua mente vazia de sentido pegava-se, ou se apagava as lembranças como se fossem elas a única saída...
Logo ele que a tempos sentia-se seco, vazio e sem sentido viu-se molhando o rosto para lavar suas lagrimas... a tantos dias, meses... acreditava até que fossem anos... ele não chorava assim.
Chorava porque? Qualquer um perguntaria isso, e a resposta era simples e derradeira.
Chorava por que tivera que se despedir dela para sempre... chorava porque um dia ou outro a verdade seria entregue em uma carta ou convite... como foi... chorava por que desde seu ultimo encontro com ela até aquele dia perdido no tempo mesmo que veladamente até para ele mesmo... ele guardava a esperança de um dia mudar isso... mas não pode...
E ali deixando a água quente correr em suas cotas e as lagrimas em seu rosto, revivia todos os dias que viveu ao lado dela... reviveu todas as frases, todas os gestos, todos os toques lembrou-se de todas as noites... dias... tardes... lembrou-se de tudo... mas não conseguiu se lembrar de como fazer para não lembrar mais... e esqueceu-se de esquecer... e chorou mais por isso.
Ele copiosamente como criança, chorava e sabia que não mais poderia... nunca mais... e o motivo dessa certeza agora se encontrava amassado e junto com suas roupas no chão do quarto... com letras douradas em um papel bem cuidado... as inicias dela e dele... Não existia mais chances... agora o casamento estava consumado...

Ele não tinha o que fazer... e nem saberia o que fazer... fechou os olhos... e lembrou-se dela sorrindo e recostando a cabeça em seu peito...
“é assim que vou lembrar de você... sempre....”

quinta-feira, 28 de julho de 2011

"Fadando"

A pequena menina corria pelo gramado ainda vestindo sua fantasia de fada, a poucos minutos participou de sua primeira peça, e já era um clássico, “sonhos de uma noite de verão” seu papel não era importante, era apenas uma fadinha que corria nos jardins vez por outra mas ela estava cintilante, e não foi por sua atuação, mas por que seu pai estava ali, e esteve lá durante toda a peça sorrindo, fotografando e filmando... ela mesmo nova sentia dele um fraternal carinho o mais puro, mesmo que nos outros dias ele nunca estivesse em casa.
- Pai, Você viu? Eu “fadando”?
-como? Fadando?
- é o que as fadas fazem, elas fadam não é? Passarinho fica voando, e cantando, fada fica fadando – disse isso sorrindo e mexendo as pequenas asinhas em suas costas.
O pai que vinha andando logo atrás fotografando cada pulo e riso dela riu por longos minutos até que pode finalmente voltar a falar e disse.
- Você ta certa minha filha, um neologismo perfeito esse seu, fadas fadam...
- nerologistmo?
-HAHAHAH não filha NE O LO GIS MO , é isso que acabou de fazer inventar uma palavra nova.
- Eu sou uma Ne o lo gis ta – disse bem devagar para não travar a língua – é isso?
-Não filha... não é
- o que eu sou então?
- É a melhor filha do mundo – agarrando a pequena e rolando no gramado alheio aos olhares muitas vezes invejosos a sua volta ele brincou com ela e manteve sempre que pode entre seus braços, a luz branca do meio dia foi perdendo a força e caminhando para um tom dourado, que tornava tudo inda mais mágico, ela que apesar da idade já sentia o peso das horas e sabia que logo iria ter que voltar a triste realidade de mais um dia sem seu pai
-Pai?...
- Diga minha fada fadante!
-hehe... Eu fiz algo errado?
- Não você foi perfeita!!! Uma atriz de dar inveja.
-não pai... não é isso... por que você foi embora... eu fiz algo errado?
Um nó travou a garganta do jovem pai e logo seus olhos mostrando uma vergonha da alma tornaram-se vermelhos e sangraram salgado e tentou dizer

- Não filha.. nunca... jamais pense isso, você é a única pessoa que não errou nada... na verdade amor... quem errou foi o papai... eu errei...
-Pai eu desculpo o senhor... pode voltar pra casa ta?
-Não posso filha... sua mãe não me desculpou... e não é assim tão simples...
-Ela chora as vezes... eu escuto... ela do meu quarto as vezes...
- ... Ela não devia chorar...
-Nem você papai... – esticou a mão tocando no rosto do jovem que tinha uma longa linha de lagrimas no rosto ela disse mais uma vez – Volta pra casa? Tenho saudades
Tomando a filha em seus braços uma vez mais viu a imagem da mãe se aproximando ao longe, então apressou-se em dizer
-Filha... Papai não pode voltar assim, mamãe esta muito chateada, e as vezes é bom ficar um pouco longe... saudade pode fazer coisas boas... como a tarde de hoje não foi boa?
- Foi sim pai.. – Disse ela iniciando um choro.
- Hey... não pode chorar... já sei.. posso te pedir uma coisa? Mas é uma coisa muito especial
A pequena fada acenou com a cabeça sem conseguir dizer nada e ouviu o pai falar
- Toda vez que ouvir sua mãe chorando... vai no quarto dela, e diz que ela não pode chorar... por que se fizer isso... uma fada linda vai chorar também.
-Ta... mas e você papai? Quem vai fazer o senhor parar de chorar?
- Se sua mãe não chorar... eu certamente não vou chorar... e vou sempre ter a imagem da melhor fada do mundo fadando nos gramados e palcos... – Levantando ela contra o céu que cintilava em azul com nuvens pontilhadas de dourado e violeta...
- Pai... eu te amo
Ele abraça a filha e vendo a mãe a dois passos de distancia diz
- Eu também te amo... te amo muito – disse olhando fundo nos olhos vermelhos da mãe
A noite sentado vendo as fotos e vídeos seu telefone toca
-oi...
- Ola.. aconteceu algo?
- Sim...
-O que?
-Volta pra casa.... a fada pode “fadar” sempre... mas a única coisa que não vai me fazer chorar... é você a meu lado... volta?
Antes dela terminar de dizer ele já estava saindo pela porta enquanto uma fada rodopiava feliz em um gramado na tela da TV.

Confeitos

Ele Caminhava pela rua apressada mente, seus passos estavam decididos a chegar lá na hora certa... muito embora sua mente o questionasse o motivo...
“Um sonho... que idiota... quem segue um sonho!? Quem se levanta do trabalho em meio a um dia de trabalho e vai a um lugar que nunca entrou apenas passou a frente por causa de um sonho!? Eu só posso estar louco... só pode ser loucura.. é loucura... “
E mesmo pensando em voltar seguiu rua a baixo decididamente
Fechou os olhos antes de entrar, e torceu para não ter feito loucura.. entrou no exato momento em que seu relógio mostrava a hora do sonho... e assim como nele, La estava ela de costas no balcão... esfregou os olhos e até duvidou que fosse realidade, mas era ela mesmo... e ela logo o reconheceu.
- Ola... nossa.. nunca pensei te ver por aqui! – disse ela em um tom amistoso escondendo o susto.
- ... Pois é nem eu... – respondeu timidamente escondendo a felicidade em ver ela realmente ali.
- E o que te trouxe aqui!?
- O sonho
- AH... sim eu gosto, mas prefiro a bomba de chocolate... acredite é melhor.
- ... é? Ok... já esta de saída?
-Sim... por que?
- Não sei... pensei em papear um pouco com você, se não estiver muito atrasada
- Vamos sentar então!?
Ambos sentaram-se em uma mesa no canto e falaram algumas amenidades até que ela perguntou.
- Vai... me fala por que esta assim tão estranho!?
- Acredita em Destino!?
-.. Destino? Não sei... acho que sim... por que?
- Essa noite eu sonhei com você, aqui... exatamente nessa hora... nesse lugar... e vim do outro lado da cidade a esta confeitaria única e exclusivamente para te ver.
-... ah.. o sonho era esse?
-Sim é esse, Não entendo se existe destino, se existe realmente isso... mas quando abri a porta e te vi pegando seu embrulho no balcão... foi como se um relâmpago me atingisse as costas.
- Tão ruim assim?
-Não... pelo contrario, mas ... você sabe que eu te amo... ainda, ainda amo... e sei que é loucura isso tudo mas... eu tinha que vir e te ver... mesmo que não fosse verdade eu não poderia deixar passar isso, não poderia perder essa chance mesmo que seja apenas em sonho.
- Eu não tenho o que te falar, acho que qualquer pessoa ficaria feliz em saber que alguém acreditou em um sonho e fez isso para encontrar com ela mas... meu sonho é outro e você sabe... e ele é bem real pra mim... Não sei o que te dizer... não sei mesmo.
-E não tem o que dizer... foi bom te ver... mesmo que assim por poucos minutos...
- Para... acho que tem que acordar... talvez não fosse nada de destino... talvez seja apenas um acaso, e por acaso muitas besteiras são feitas... então... desculpe... mas... eu tenho que ir. – Disse isso levantando-se caminhando a porta antes olhando por sobre os ombros ela pergunta
- Não é nada além de curiosidade mas como termina o sonho?
- Com você fechando aporta e atendendo um telefonema.
-... ok Beijos
Ela sai e poucos passos depois sente seu telefone tocar, enquanto ele baixa a cabeça e mastiga amargamente o seu sonho...

Poema

Linhas sem sentido
(Weverson Garcia de Oliveira)

Resumindo a frase em verso
transforma a verdade em oposto
o que era agora inverso
do sentir a doce o amargo gosto

Nem verso a rima me traz
vazio o sentido se esvai
talvez houve o sentido que faz
na incerteza incerta que trai

Dizer a verdade, me nega
quem sabe a mentira prevalece
e o sentimento se esquece
da jura eterna de quem se apega

Raposa ardilosa me enfeitiçou
seus olhos brilhantes na noite
prefiro das dores o acoite
mas ele seus olhos me tirou

Não tive se quer a má sorte
de no tropeço louco perder
essa louca sentença, viver
se nem ela me quer, a morte

Larguei das rimas mortais
quem sabe uma brilhante a de vir
e colocar no meu rosto o que jaz
um dia eu tinha e nem vi sair

Um riso perdido na noite, que bela
largando a taça na cama
sabendo os lábios, era ela
a quem esse peito inda ama.

Pudesse eu arrancar tal sentido
meu peito perdido partiu
e em cacos ninguém mais viu
o que era ou o que ou vera sido

Um peito que agora não bate
se quer geme , vencido
apanha a cada segundo seguido
esperando a parada que o mate.

Esse peito já foi bem vivido
entregou-se de verdade ao combate
mas hoje, sozinho sentido
ainda vive a amar-te


As vezes eu escrevo pensando que alguém especial vai ler. pensando que ao terminar isso ela poderia entrar aqui ler e comentar, que seria diferente uma história... mas na verdade eu devo admitir. o destino faz o que quer da nossa vida... e como em um texto eu a pouco disse.
O rio é nosso destino... a gente pode se afastar dele, e achar que ele não faz mais nada de importante que não esta presente... mas basta fechar os olhos um pouco que se escuta o som dele... mesmo que distante...
O pior de tudo é que posto esse caminho longo todo esse tempo... queria eu dize que não existe mais nem sombra do que foi... mas mentiria pra mim... é como o rio mesmo... que corre e vai dia apos dia corroendo a pedra e onde antes era plano... hoje é uma grande falésia...

Odeio essa ampulheta que gira, gira e gira... mas são sempre os mesmos grãos que caem... não creio mais em destino...
bem... esse poema foi escrito pensando em alguém especial... e acho que cabe a mim dizer que espero que seja feliz, apenas seja feliz.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Rio - 2º dia

O Ruidoso som do riacho o acompanhou por boa parte do dia indo e vindo e por vezes cruzando seu caminho, rio trouxe a ele alivio e preocupação. Por vezes depois de um longa subida e depois uma forçada descida ele encontrava o rio contornando a colina, e ali sobre sobra amiga de algumas arvores descansou e reabasteceu seu cantil.
Outras tantas vezes depois de algumas topadas punha os pés nas águas frias do rio e isso trazia alivio a dor e relaxava, algumas vezes se via tendo que cruzar o rio com água alta e carregar sua mochila sobre a cabeça e temeroso de uma corrente mais forte o arrastar para fora de seu caminho.
Do rio neste dia conseguiu pegar alguns peixes, 2 na verdade, e isso deu sustento para o almoço e agora próximo a hora de novamente ver o sol se por o rio cintilava como um ria de prata ao longe, O rio estendia-se e era ele a fronteira entre os dois estados mas a frente, as colinas verdes o rio prateado o fizeram sentar-se um bom tempo antes do horário do por do sol e observar.
Nada poderia ser mais encantador que aquela cena, e na verdade nada mais bucólico, mas logo a imagem serviu apenas como pano de fundo para seus pensamentos sobre o dia... e o lápis corria pelo papel tão ávido por descrever seus pensamentos que esquecia a quantidade limitada de paginas...
“ Segundo dia...
Hoje trilhei a parte mais calma de meu percurso, a parte que o Rio acompanha a trilha e vez por outra se põem em seu caminho, mas mesmo nas horas mais estranhas desse dia me pequei pensando que é a melhor metáfora para a vida.
Temos nosso caminho na vida, na verdade a gente pode escolher para onde ir, como ir, se vamos preferir subir a montanha e nos esforçar um pouco mais ou apenas contornar, se contornarmos podemos levar mais tempo, porem nos cansamos menos, e se subirmos a montanha temos menos tempo perdido e a agradável vista lá de cima, sem contar que ao voltar para baixo, a gente reencontra o amigo rio, que nos mata a sede, nos limpa e ajuda a relaxar.
Hoje mesmo, após um longo período em uma colina sem vegetação alta, e com o sol a pino sentia-me totalmente cansado, e a ponto de desistir, por vezes pensei em sentar ali e apenas secar ao sol, quando levantei os olhos do chão pude ver o rio correndo calmamente entre as colinas e caindo em uma falésia, uma cena que nunca vou esquecer... o rio mesmo de longe deu a mim a esperança que faltava e logo a pesada mochila, o fardo que carregava não eram mais tão importantes e complicadores, eu tinha que chegar ao rio... era minha meta.
Na descida escorreguei, e um pequeno corte em minha perna pareceu que novamente me tirou a vontade de seguir... mas ai... o som do rio novamente me acalmou, ouvir ele ruidoso me fez ter certeza que faltava pouco e logo eu estava lá sentando a margem lavando o corte que nem era tão profundo mas por ter sido feito em um momento complicado parecia o pior de todos cortes.
Foi ai que percebi... somos assim na vida, em todas as áreas,passamos por algumas dificuldades e nem nos damos conta do que esta a nossa volta, se olhar bem em meio ao duro momento podemos ver algo que nos inspire a seguir em frente, como a vista do rio entre as colinas, e se algo nos atinge, nos fere podemos fechar os olhos e ouvir melhor, certamente vamos encontrar um som, uma frase um chamado que nos apóie, nos convide a seguir em frente. E posso dizer que quando chegamos a ele, por maior que seja a dor, por mais longa que foi a provação, somos bem recompensados. Mas isso depende de nós
Me peguei pensando que se eu tivesse escolhido outro caminho, um que eu fosse sempre por entre as arvores eu poderia sentir menos calor, e até poderia ver algo bonito mas nunca iria ver o que vi seguindo por este que escolhi, abri mão de uma comodidade para poder aproveitar a vista por completo.
O que me fez pensar que é a mesma coisa na vida... para alcançar a felicidade as vezes temos que abrir mão da comodidade... O rio me fez companhia o dia todo, por vezes perto por vezes ao longe, e até mesmo agora enquanto me sento aqui observando o sol deitando-se nas montanhas ao longe ele cantarola para mim alguma musica desconhecida. Hoje eu pensei que poderia passar o resto da minha vida o meu rio na vida... sem ela, mas sei que assim como o rio se fez presente mesmo não estando presente... assim é ela em mim... esta correndo ruidosamente mesmo que distante”
O jovem rapaz fecha o caderno, contando o numero de folhas que lhe sobram e então respirando profundamente observa os últimos raios dourados de sol a tingir o céu irem se apagando em um tom azulado escuro... e as primeiras estrelas pontilharem o lado oposto a ele... e sua mente novamente só trazia a imagem dela sorrindo... e ele se pegou pensando se ela estaria agora correndo ruidosa em outros braços.

O que tiver que ser... será

Ele chegou em casa com os olhos pesados, o dia havia sido longo e cansativo e a semana maior ainda... seu porteiro buscando um pouco de papo o segurou por longos 5 minutos, mas logo percebeu que ele estava ali mais por educação do que por interesse e logo o liberou para ir... e ele não tão educado acabou indo sem dizer nada.
O elevador demorou mais do que o comum, ele recostado na parede esperava como quem espera a liberdade, logo ele estava subindo em um elevador vazio até seu andar, o pequeno trajeto até a porta de sua casa e ele pode perceber uma pequena ponta de envelope de baixo da porta... abriu calmamente a porte e pode ver... um envelope aéreo... e isso gelou seu peito.
O remetente era ela... e ele não conseguia pensar no que estaria ali nas próximas linhas a serem lidas... mas o endereço de remetente o fez ler e reler 3 vezes.. ela estava de volta... não estava mais tão longe...
Abriu o envelope e pode quase sentir o perfume dela, mas era sua imaginação, e logo começou a ler a carta.
“Ola...

Não sabia bem como começar esta carta, na verdade, acho que nem deveria ter começado mas é algo que estava me consumindo e eu acabei fazendo... talvez uma besteira mas... fiz.
Me disseram a pouco tempo que estava namorando, e que provavelmente ela esta dando a você algo que eu nunca consegui dar, soube que esta trabalhando onde sempre quis trabalhar, então acho que seus sonhos estão se realizando não é?
Não sei como te dizer isso mas as vezes eu me sinto envergonhada... você sabe que eu odeio voltar a dizer coisas que não sei se podem ser ditas, mas eu não consegui e aqui estou eu dizendo...
Eu tenho desejado te encontrar mesmo que sem querer em algum lugar e que tu me veja e me reconheça e veja nos meus olhos que pra mim isso nunca acabou... mas tudo bem... me desculpe.. eu sei que você esta feliz e eu só desejo O bem pra você, só desejo que seus sonhos sejam realizados... eu sei que eu vou passar o tempo procurando alguém como você... mesmo que eu tenha certeza que isso não exista... Eu de verdade só peço que não esqueça de mim... não me ponha para fora de suas lembranças... já que estou fora de sua vida.
Eu sei... eu sei que o ponteiro gira o tempo voa e certamente nosso tempo já passou, e aquele momento de nossas vidas não vão mais se repetir, por mais que a gente queira... ou melhor, por mais que eu queria não posso voltar no tempo, somos limitados nisso... a gente pode lembrar mas não viver de novo... não tem como viver de novo aqueles dias lindos...
Não tem como eu voltar e eu odeio essa sensação de tristeza que me bate ao lembrar dos bons momentos, lembra? Seriados, almoço, cinema e eu e você o resto do dia juntos?
Mas isso passou... e agora te vejo ai cuidando de sua vida e eu juro pra ti que quero te ver feliz... Eu as vezes passo pelas ruas que andávamos juntos... e te vejo... não de verdade.. mas te vejo andando ali... comigo... eu sei... eu acabo sendo ridícula dizendo isso depois de ter feito tudo que fiz... mas...
Me desculpe... e não esquece de mim... eu te imploro... e se um dia me ver passando por ai na rua, saiba que pra mim não acabou mesmo... e mesmo que eu esteja com alguém... esse alguém nunca vai ser o certo... por que o certo pra minha vida sempre foi e sempre vai ser você... e eu nunca vou achar alguém como você... “

Ele rele a carta umas 2 vezes e em todas seus olhos tendem a borrar as letras com uma lente liquida... ele olha a sua volta... e mesmo não sendo ela nos retratos... é o sorriso dela que ele vê.. e ele pensa guardando a carta
E ele mesmo sabendo de tudo isso, e mesmo acreditando nas verdades vindas delas ele não pode ligar e nem procurar ela... orgulho? Talvez, medo? Bastante... mas na verdade... ele não sabe o que esperar... e a aliança em seu dedo o impede de fazer qualquer coisa contra isso... ele deve esperar ela... e torcer para que o ditado seja verdade.
“o que tem que ser... será...”

"era uma vez - O bosque"

"O véu"

- Isso só pode ser um pesadelo só pode ser pesadelo... – Repetiu ela mais uma vez...
- Claro que não é um pesadelo minha pequena... não é pesadelo algum. – Disse uma voz noturna e pesada.
Marthinha abriu os olhos e viu na janela um pequeno corvo, ele plana calmamente e pousa na aba da banheira e martinha de olhos arregalados pergunta.
- Você falou também!?
-Na verdade não falei Também... mas falei que não é um pesadelo, na verdade nem um sonho... é apenas uma outra realidade.
-...HEIN!?
-Hum.. você nunca ouviu ou falou com nada que não falasse ?
- Não... não... nunca fui louca..
O pássaro negro ri e inclinando-se para traz quase cai da banheira então diz...
- Querida, a verdade é que de alguma forma você cruzou uma coisa que costumamos chamar de véu, e agora esta conseguindo ouvir e espero que que também vendo o mundo do outro lado.
- Outro lado? – Disse marta tirando metade do corpo da água - como assim ? –Continuou ela curiosa com a descoberta.
- hum com o tempo contarei mais a ti, porem agora devo dizer que Não deve contar a ninguém sobre nada que escute ou veja OK? Os adormecidos não costumam entender muito de nosso mundo e nem aceitar muito bem quem consegue abrir os olhos e ver pelo véu.
- OK ok eu não falo... mas... todo animal fala?
-Graaaa... animal? Não ser... todo ser pode falar, vivemos no que vocês passaram a chamar de FABULAS, ou contos de fadas... antes eram contos que as fadas contavam... agora são contos das fadas... e coitadas.. já não são mais tão numerosas...
- fadas não existe...
-AAAAA deus... matou mais uma... retire isso retire agora
-Eu não... fadas não existe mesmo... é impossível existir um pequeno ser com assas de borboleta e que brilhe no escuro.
- AAAAA é um Genocídio... um assassinato em serie – estão todas caindo feito folhas no outono... e graak.. graaak – Disse o pássaro negro curvando-se e parecendo doente...
- OK OK... eu acredito que elas, as fadas existe, se tu esta dizendo isso eu acredito afinal você fala...
-... a....arf... obrigado... já estava perdendo a minha alma onírica...Bem...
Aconselho que va se deitar... durma... e sonhe...Amanhã eu voltarei e vou contar a ti mais sobre nossa história... e nossos costumes e por favor...
Não diga mais nada contra o mundo fantástico ok?
-De verdade... sim sim, eu prometo...

A ave sai pela janela e ao longe diz
- E cuidado com as sombras sim? Ilumine com bons pensamentos
- Como assim.... Sombras?
mas a ave já estava longe de mais e ela não consegiu ouvir a resposta.
A sua mãe batendo a porta perguntou
- O Que foi filha? Que sombras? Dormiu foi?
- é mãe... cochilei... tive um pesadelinho....
-ok... agora vai pro quarto...
Martha caminhou até o quarto em seu pijama de flanela e olhando pela janela teve a impressão de ver um monte de vagalumes voando entre as folhas das arvores no bosque.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Vícios

Acendeu o cigarro e sentou-se no velho banco de cimento na pequena praça, olhava o cigarro mais com raiva que desejo, um misto de vontade e repulsa a cada tragada... as vezes rápidas outras tantas lentas e longas. Por vezes pensou em apagar o mesmo no banco frio de cimento as logo voltava a por ele em seus pulmões.
A sua frente uma jovem mãe embalava calmamente a filha em seu carrinho de passeio, um jovem corria e brincava com seu cão mais ao fundo, no gramado estreito, algumas crianças corriam por ali cortando caminho para voltar a casa depois da escola. E ele ainda sentado ali pensava no que tinha acabado de fazer.
Nunca pensou que faria isso, nunca quis fazer isso, mas a vida o levou a essa escolha, não existia como ele manter-se assim, ali, preso a algo que nunca poderia realmente estar com ele, fechou os olhos e sentiu apenas a fumaça tocar-lhe a face, não sabia se as lagrimas que agora brotavam de seus olhos eram na verdade frutos de suas tristezas ou da fumaça que subia de seu cigarro... e por fim apagou.
Queria na verdade não ter feito nada disso, nem ter caminhado a praça, nem ter acendido o cigarro, muito menos ter dito a ela o que disse... mas “foi o melhor para ela” pensou ele umas tantas vezes e outras tantas vezes repetiu isso tentando se convencer de tal frase.
Fechou os olhos e passou tudo que tinha vivido uma vez mais.
A porta fechada e logo ele tocou a campainha, ela abriu a porta com seu sorriso tímido, aquele que ela da sempre que se sente desconfortável, o “entra” carregava com ele um “o que você quer?” alem do gesto educado de tirar ele do corredor, os dois sentaram-se ladeados no sofá e foi ela que começou falando , algo tinha que ser feito, ela não poderia ficar ali trancando sua vida, se limitando apenas para estar ao lado dele, se ele mesmo pouco dava a ela em retorno, atenção e carinho, ele timidamente buscou proteção na almofada ao lado e colocando em seu colo ouviu mais algumas verdades vinda dela...
Logo ela silenciou-se nada mais poderia ser dito... ele então baixou seus olhos para os pés dela e com os olhos fixos nele disse
- Sabe, você esta certa, sua vida é melhor sem mim, não tenho como te acompanhar, não tenho como te dar o que você pede e precisa eu nem sei como ou por que você simplesmente não me deu as costas e sumiu, talvez por que você seja mais madura que eu e como sabemos maturidade não tem anda haver com idade, talvez tu esteja ai pensando exatamente isso, por que não dei as costas antes... deveria ter feito isso. Seria melhor pra você certamente hoje estaria em outra cidade, outro pais quem sabe, cuidando melhor de seus sonhos e vontades... e eu nem posso dizer para você não ir, nem posso dizer fica por que de que adianta!?
Ela olhou para ele com os olhos pesados e perguntou
- O que quer dizer com isso!?
- Quero dizer que vai lá segue sua vida, me deixa, eu não tenho nada pra te oferecer, e eu tenho sido essa “coisa” em seus dias, a tempos não tenho tido tempo pra nada e você ta certa, eu atrapalhei seus planos com os meus. Eu vou embora, não vou te procurar mais nem vou mais te atrapalhar... sem magoas, Não tenho por que ter magoas suas. Nunca tive...
Ela estende a mão para tocar a mão dele mas ele levanta e caminha até a porta.
-Eu não tenho nada em sua vida, não acrescentei nada, não mudei nada, não fiz absolutamente nenhuma diferença, você pode me dizer o contrario mas... é visível que eu não sou o que você quer... e talvez nunca seja...então melhor eu ir... antes que fique mais complicado que isso... melhor eu seguir meu caminho.
- ...
- Olha,as vezes a gente é pego de surpresas por sussurros, frases do tipo que a gente vai ter que viver nossas vidas repetidas vezes, assim como esta sendo essa, tudo igual, inumeras e inumeras vezes, e nela cada cor, cada prazer, cada dor, cada momento, pensamento,suspiro tudo tem que ser igual a essa vida, como tu iria reagir? Sentar no chão e chorar por viver sem poder mudar nada?
Ela o olha nos olhos e ele continua
- Ou você iria agradecer?
- ...
- Bem... com tudo que a vida me deu eu tenho apenas uma resposta a esse sussurro... OBRIGADO... por que mesmo que por pouco tempo que seja se comparado com todo o tempo da minha vida... esses dias que passei com você são sem duvida os melhores dias que pude viver nesta ou em qualquer outra vida... e eu vou esperar ansioso pelos próximos dias nas próximas vidas... mesmo sabendo que é apenas assim pra mim.
Disse isso fechando a porta a suas costas, e até pensou ter ouvido ela dizer algo mas não... logo tomou a rua o cigarro na mão e sentou-se no banco
Ela ao ver ele fechar a porta disse
-Você não sabe o quanto é importante e especial... – mas o som da porta se fechando fechou também seus lábios e abriu uma torrente em seus olhos... logo ela sentada no sofá abraçava a almofada buscando abrigo e pensava em beber... mais por raiva do que por vontade ou prazer...

1º Dia

Sentou-se próximo a fogueira, o vento suave tocava seu rosto e acariciava seus cabelos, seus olhos fecharam-se ao imaginar os suaves dedos dela acariciando seus cabelos ao invés do vento. As chamas iluminavam seu rosto e as sombras dançavam por vezes deixando seus olhos tristes e outras vezes acentuando seu sorriso deslocado.
Era sua primeira noite na trilha, e a pouco o sol se punha dando a ele um fim de dia perfeito, o pequeno caderno já tinha algumas anotações e alguns rabiscos feitos em suas paradas para descanso durante a caminhada e a maquina fotografia repousava agora dentro da barraca.
Ao longe outros pontos luminosos se acendiam, outras fogueiras pensava ele parado agora próximo a falésia, provavelmente o grupo Frances que ele encontrou na entrada e que caminhavam rápido sem perceber nada a sua volta, tudo parecia uma competição para eles, mas para ele... não cada passo era uma forma de pensar melhor de encontrar uma forma de limpar a mente, mas mesmo buscando uma forma não conseguia esquecer dela.
Buscou o saco de dormir e a câmera na barraca, estendendo no chão deitou-se e ficou observando as estrelas algumas vezes abriu ao Maximo o diafragma da maquina e estendeu o tempo de exposição para tentar captar o movimento lento do mundo e assim esquecer os suaves movimentos dela arrumando o cabelo.
Tomou uma vez mais um gole de seu cantil “especial” que trazia no fundo da mochila, um vinho comum mas que ali no meio do nada parecia o melhor vinho, espreguiçou-se uma vez, e então pegou-se pensando novamente...
“será que ela pensa em mim!? Não... certamente não, se fosse o oposto eu pensaria nela!? De forma alguma, certamente não e nem guardaria lembranças... ela certamente nem lembra de mim...deve ter se esquecido de mim no mês seguinte... mas por que eu não consigo fazer o mesmo!? Por que eu sempre eu tenho que me prender as lembranças?... As vezes uma mente sem lembranças realmente pode ser feliz... esquecer no minuto seguinte algo que não é mais necessário seria perfeito...”
E por longa horas pegou-se pensando nas estranhas linhas que a vida escreve, e nas mudanças simples que o fato de “esquecer” algo pode causar
“Se eu tivesse esquecido de toda vez que fui posto de lado e abertamente esquecido por pessoas que eu gostava como amigos na escola e tudo mais... eu hoje não me preocuparia em saber como algumas pessoas se sentem, e certamente não pensaria como penso... Se não tivesse as lembranças de meus tombos, quando visse as cicatrizes iria me questionar e quando eram , e certamente passaria a vida repetindo a mim as mesmas perguntas... Se eu tivesse esquecido do romance anterior a ela, e de como sofri, certamente não teria me atentado aos detalhes simples de me preocupar e cuidar, e certamente se eu esquecesse dela... eu não teria as melhores lembranças de meus dias... por mais que a soma de tempo seja curta... foram os melhores dias que tive... mas... será que a ela também foram!? Será que pra ela é melhor apagar e esquecer? “
Olhou a fogueira que agora brilhava em um tom laranja avermelhado pela brasas e então percebeu que já se passava das 23h... puxou seu saco de dormir para dentro da barraca, guardou a na bolsa a maquina e uma vez mais olho para a trilha a sua frente, e para a falésia, sorriu-se ao pensar que longe, em longe, ela certamente estava se preparando para curtir a sexta feira... e ele se preparava para dormir.

Deitou-se no diminuto espaço na barraca depois de ter apagado a fogueira e dormiu, não um sono calmo e simples... mas dormiu um sono cansado mas mesmo assim ainda mantinha as lembranças brilhantes como as chamas de uma fogueira.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dores

Digam o que quiser, mas a dor é a meu ver uma das grandes invenções do homem, Não existe no mundo quem ao sentir uma dor não se faça pergunta de quando isso vai passar ou por que esta acontecendo com ele... e de certo, enquanto a dor se prolonga e afina, a percepção do motivo da dor também se afina e acerta.
Ao sentir uma dor a gente tende buscar uma forma de diminuir, de curar essa dor, todos conseguem entender estas dores, todos conseguem curar com medicamentos e com anestésicos, mas existem dores que nunca são anestesiadas e nem escondidas com remédios... e essas dores são as mais pungentes...
Todas as vezes que fui atingido por uma dor dessas eu me abraçava a travesseiros e chorava copiosamente para encontrar uma resposta, um anestésico para essa dor, mas nunca encontrava quando o sol nascia ou quando a noite seguinte chegava... essas dores.. essas dores causadas por nós mesmos essas dores de romances, de carinhos de saudades... essas dores são as mais longas e difíceis de serem apagadas com remédios... se é que existe algum remédio.
Com as dores a gente tende a aumentar o limiar, acaba sentindo menos dores, quando criança a gente corta um dedo e chora, quando crescemos o mesmo corte não dói mais, a gente agora apenas lambe o dedo, e ponto coloca um band-aid e pronto... estamos bem.
Mas essas dores da vida aumentam o limiar também... mas de forma errada, nos torna insensíveis a vida e com o tempo, o único band-aid que encontramos é agir com a vida da mesma forma que ela tem agido com a gente... fria e dolorosamente... e assim acabamos causando dores a alguém que não devia sequer sentir uma leve dor.
Em muitos anos de minha vida eu me peguei perguntando a mim mesmo quando as topadas que dei na vida seriam menos dolorosas,as vezes me pego segurando uma cicatriz antiga, e pensando se ela ira parar de doer, na verdade... ela nunca parou de doer... e eu continuo ali olhando esse corte, já fechado mais ainda dolorosamente aberto...
Essas dores antigas, cicatrizadas são as piores... nada pode apagar essas marcas e nada pode impedir elas de doerem a não ser... que a causa da dor venha curar... e isso nem sempre é possível.
Eu de verdade hoje estou as voltas com dores... e a pior delas não é a dor de dentes...

domingo, 24 de julho de 2011

"Era uma vez - o bosque"

O Despertar

Martinha piscou uma, duas três vezes antes de finalmente abrir os olhos, o céu sobre o dossel de folhas parecia diferente, um pouco mais escuro... não... não poderia ser.. era um céu de quase fim de tarde... olhou em seu pulso e sim... já se passavam das 3h. sentou-se apresada no galho torto e recolhendo a mochila e suas coisas colocou-se logo a gritar por Chatran. A floresta atrás dela parecia já escurecer e os brilhantes tons de verde agora pareciam escuras manchas de musgo.
- Chatran seu gato arteiro, onde esta?
- Hummm acordou, veja só pensei que fosse dormir a tarde toda
- ... Quem... quem .... quem esta ai!? – Perguntou ela tremendo e temendo o tom de voz ouvido
- Hora bolas de lã... “Quem esta aí?” como assim quem esta ai!? Eu Lord Chartran seu companheiro e amigo ora bolas de pelo.
-... Pai é o senhor!???
-Pai!!!? Menina olhe para cá, no galho
Ela virou-se e olhando para o galho largo sobre sua cabeça viu o pequeno felino lambendo-se
- Ora ora chatran, acho que estou ficando um tanto louca, jurava ter ouvido, e até respondido, uma voz.. venha vamos para casa antes que a mamãe me proíba de sair de casa para sempre.
- Vamos sim, os esquilos já não tem mais graça, e eu realmente preciso de minha cama... o que foi? Por que esses olhos esbugalhados!? Hummm?
-VOCÊ... VOCÊ.... FALA!?
-Sim, sim e você também... opa.... quer dizer que me entende!?
- Ora gato... isso é uma brincadeira de alguém? Algum ventriloco? Vamos saia de onde estiver
O gato saltou no chão e sentou-se olhando fixamente os olhos de sua ruiva companheira e disse
- Estranho... nunca ouvi falar de um humano que entendesse a língua dos gatos... onde estão os esquilos quando se precisa deles...hummmm!?
- Pera... é você mesmo que esta falando!! Nossa... – disse ele sentando-se na grama baixa. – isso não faz sentido algum... como antes não falava e agora fala?
- “como antes não me entendia e agora entende” seria o certo né? Falar eu sempre falei, porem você não me entendia... mas agora... o que mudou!? Por que me entende?
- Chatran. Não sei, sei apenas que devemos ir para casa o mais rápido possível, esse bosque ou esta afetando minha razão ou eu já era maluca e não sabia... vamos.
E dizendo isso levantou-se e voltou correndo o caminho que conseguia se lembrar, por sorte Chatran, o gato, com seu instinto sabia bem o caminho de casa e logo estavam eles rompendo o jardim dos fundo, sua mãe de pé recolhendo roupa já a olhou enfezada e disse
- Já para os eu quarto mocinha, e nada de lanches ou joguinhos hoje... castigo por 2 semanas...
- Mas mãe... eu dormir e agora.. eu...
- não conte a ela!!! – disse o Chatran. – Ela não vai acreditar...
-Eu o que menina? Agora eu o que?
- Agora eu acordei e vim correndo pra casa... sabe mãe o bosque é tão fresco que acabei cochilando vendo as nuvens... e nem peguei grilo ou abelha...
-E vai continuar assim por 2 semanas NO mínimo...ja para o banho e quarto.
Logo Martha estava subindo os degraus para seu quarto pensando no que poderia ter acontecido, sua mãe de certo não entendeu o que o seu gato disse tanto que ignorou, ela não estava bem, sentia o mundo girar em sua barriga, e assim que entrou no banheiro e na banheira quis bem forte acreditar que ela ainda estava no tronco da arvore sonhando com tudo isso e que logo acordaria e ainda seria a manhã de Sábado que era antes.

- Isso só pode ser um pesadelo só pode ser pesadelo...

Regras do Jogo.

Não tem feito muito sentido… nada tem feito muito sentido, sempre pensei que deveriam existir algumas regras na vida, como as que vem em jogos, explicando as principais jogadas os porém e tudo mais, ou então que fosse passado oralmente como as regras de jogos amplamente difundidos como jogo da velha ou amarelinha... mas nesse jogo da vida... as regras não são ditas, nem escritas em lugar algum.
Muitas vezes a gente se depara com situações que gostaríamos de saber o que podemos fazer, mas... não tem manual, e os conselhos que foram passados oralmente por anos não tem mais o mesmo valor nos dias de hoje, certa vez um amigo meu me perguntou o que fazer sobre as brigas que estava tendo com a mãe e o pai dele por um fato simples... ele queria cortar o cabelo de uma forma diferente meio maluca... bem pensei e disse a ele uma coisa simples.
“Quem vai pagar o corte de cabelo?” ele respirou fundo e me respondeu que seriam os pais dele, então estava na cara de que ele deveria ter primeiro como pagar o corte dele para depois poder escolher como cortar, ele entendeu isso e logo depois estava trabalhando e decidindo o que fazer com o dinheiro que ganhava, Claro quando ele me perguntou isso o jogo ainda seguia regras simples.
Certo e errado, bom e mal, pode e não pode... mas hoje em dia... o certo pode ser o errado, o errado pode ser o certo, o bom pode ser mal o mal é o melhor... o que se pode fazer depende de quem faça... hoje existe uma serie de “Regras” que não são as regras do jogo mas sim as regras que foram colocadas ali pelos jogadores desonestos.
Lembra de quando era criança e você e seus amigos começavam a brincar juntos e de uma hora para outra alguém dizia que não valia aquilo, que só ele podia fazer tal coisa, as vezes a gente percebia que as regras eram destorcidas para favorecer a ele mesmo, e somente ele, mas continuávamos a brincar afinal.... ainda gostávamos de nos divertir mesmo que apenas um dos lados realmente estivesse se DIVERTINDO.
Pois é ... a vida hoje em dia é assim, todo mundo quer jogar com todo mundo, mas sempre segundo as SUAS regras, as regras que ele vai inventando a cada segundo, e mesmo contradizendo-se no instante seguinte ele continua a escrever e a descrever suas regras as pessoas que ali estão jogando... muitas vezes e digo isso penosamente, muitas e muitas vezes por se sentirem incapazes de sair e buscar um jogo melhor, mais justo e com regras conhecidas por todos.
Eu gosto muito de jogos, um dos que mais gosto é o RPG, depois desse, o poker, xadrez, quebra cabeças e enigmas e por fim os viciantes vídeo games... em todos esses, a gente consegue entender uma regra, uma formula um “passo a passo” mas no jogo da vida, no dito jogo do romance... nenhuma regra se aplica. Ou melhor... todas.
No RPG a gente interpreta um papel, um herói, vilão, vampiro, que seja, a gente finge ser uma outra coisa para ganhar pontos, para subir de nível, para então realizar alguma tarefa e ganhar mais pontos... em fim, o jogo se baseia na INTERPRETAÇÃO, no faz de conta...
O romance errado é assim, a pessoa faz de conta que é uma coisa, ganha pontos por sua interpretação, conquista mais níveis de itimidade e vai ganhando mais pontos conforme vai fingindo ser exatamente o oposto que é ou escondendo os grandes defeitos que tem... em alguns casos, essa pessoa até tenta MESTRAR enquanto joga... e ai leva o outro jogador a fazer coisas que não quer fazer ou que não faria se não fosse a prestedigitação do jogador pareceiro.
No Poker, a meu ver uma das metáforas a vida mais bem aplicadas ao jogo, se pode fazer quase tudo, pode-se mentir, ”blefar” e com isso fazer com que outros jogadores abram mão das fichas apostadas ou então apostar mais e mais... geralmente quando o jogador que blefa não tem nada ele acaba saindo do jogo por não agüentar e sustentar a mentira por muito tempo... ele acaba saindo e esperando uma próxima mão para mentir de novo... e quem sabe ter a sorte de Sugar as fichas dos outros jogadores..
Também se pode checkar as chances, esperar que a vida, ou melhor, a mesa apresente outras cartas e ai decidir se damos um lance, uma aposta ou se apenas saímos do jogo, novamente quem não sabe jogar, pode blefar, e com isso pode iludir o outro jogador, parecendo não ter nada na mão ou não estar confiante do que tem, ou confiante de mais... bem... de qualquer forma mente.. e pode acabar iludindo e fazendo que o outro perca a vontade, ou melhor... as fichas..
E por fim, nos temos as fichas, as cartas e as combinações, quando se sabe jogar, se usa as fichas nas horas certas, sabe-se quando apostar, quando chekar a mesa, quando se tem boas cartas na mão e quando não se tem... sabe ver as combinações de suas cartas com as cartas da mesa e calcular as probabilidades de uma boa mão... e mesmo perdendo as vezes a gente sabe que uma hora... uma hora dessas a gente ganha uma boa quantia em fixas e continua no jogo... poker é um jogo para ser jogado em grupo... mas suas escolhas assim como no amor, são só suas.
Xadrez é pura matemática, calcula-se probabilidades movimentos e pronto se ganha o jogo.. não tem como blefar, não tem como mentir... moveu a peça ok sua jogada acabou... agora é a minha... se estou atento vejo que pode ter armado uma “arapuca”pra mim, se não... entro no seu jogo...
O quebra cabeça é pura lógica e atenção...
Mas o viciante vídeo game que me perturba... por se um mundo fechado onde mesmo estando com alguém jogando com você existe Poucas opções, você é guiado por um enredo e não sai dele... esse é o pior tipo de jogo, pode até ser divertido mas cansa rápido...
E eu me pergunto que jogo é o que melhor se enquadra em certos momentos da vida? Por que hoje pensando na vida eu não vejo regra aplicada, não vejo chances calculadas, não vejo movimentos para serem feitos... nem botões a serem apertados...
Hoje até altas horas da noite eu me peguei pensando se existe realmente uma regra para esse jogo da vida....
E a minha resposta veio em tom de pergunta
“e a vida é realmente um jogo? O amor é um jogo? E se for... não é um jogo perdido!?”
é sim amigos... o romance é um jogo perdido...onde ninguém ganha por ser honesto.

sábado, 23 de julho de 2011

poltrona 35

Não fazia muito tempo que ele estava ali esperando o ônibus mas algo o inquietava profundamente, por vezes abriu e fechou a mochila pensando e revendo se não tinha esquecido nada, mas não, estava tudo ali, óculos, o livro, a maquina fotográfica, uns tantos cartões de memória e as roupas, as muitas roupas que iria usar na sua peregrinação pelas trilhas, a comida, apouca mas bem programada comida para dos 5 dias e um caderno com lápis para suas anotações, segundo ele, era mais intimo e menos mecânico escrever a mão e certamente no meio da trilha não vai ter uma tomada para recarregar a bateria do seu laptop.
Estava tudo ali na mochila, mas o que o estava inquietando tanto? A passagem? No bolso de trás, o mapa? No bolso largo da mochila, dinheiro? Bem guardado no espaço escondido da mochila... o que era?
Sentou-se mais uma vez no banco, e colocou seus fones de ouvido, tentando apagar suas preocupações ao som de algum clássico do jazz ou Blues... mas nada conseguia apagar ou melhor, aquecer a sensação fria que sua barriga tinha e que o fazia temer por algo estranho em seu dia.
O fiscal parou no ponto e logo uma pequena fila se fez, alguns outros como ele com suas mochilas nas costas, outros tantos apenas com algumas bolsas e malas de viagem, na mochila de um rapaz a sua frente a bandeira da frança, em um outro apenas bugigangas dependuradas e amaradas . Lembrou-se das suas “decorações”na mochila um misto dos dois, a bandeira do Brasil, e algumas fitas de nosso Senhor do Bom fim.
Entrou no ônibus e caminhou até a poltrona que era sua companheira de viagem por longas 6 horas, sorriu ao ver que a poltrona ao lado estava vazia, pensou que poderia por ao lado a grande mochila ou esticar as pernas um pouco... mas logo uma senhora veio sentar-se a seu lado e sua esperança de poder esticar as pernas resumir-se-ão somente as horas que fosse ao banheiro.
A senhora falava algo a seu lado e somente agora ele lembrou-se que estava de fone, tirou envergonhado e a senhora disse
- Nossa sua bolsa é grande hein?
- é sim senhora, para poder carregar tudo que preciso
-Hummm, e ta tudo ai dentro?
-O que preciso nos dias que vou acampar sim
-AAAA acampar, por que na vida tem coisas que não cabem em mochilas né?
Ele gelou... não sabia o que responder... é verdade nem tudo que se precisa cabe em uma bolsa ou mochila...
- Mas eu sei que você ao menos tem ai dentro algo que te lembre as coisas que não cabem ai né?
gelou novamente... era isso que faltava... uma lembrança dela...
- O que foi meu jovem... ficou pálido...
-É que a senhora acabou de me lembrar que falta uma coisa aqui na mochila...
- E você precisa muito disso?
-É, não é um “isso” mas seria bem melhor se estivesse com ela aqui
- Então esqueça o “isso”e lembre-se sempre dela.
- Não senhora... eu nunca posso lembrar dela... por que lembrar é ter um dia esquecido... e eu nunca esqueci dela, apenas de uma coisa que me fazia ver ela mais concretamente.
- Então você tem uma foto dela bem melhor ai na sua mente não é?
- Foto? Não... mas os melhores momentos em filmes... que não perdem a cor nunca.
A senhora olho para ele com os olhos sorridentes e disse.
- Que sorte dessa pessoa... mas esta indo para onde?
- Perder tenpo...
- Como assim?
- Estou indo acampar para tentar esquecer dela...
- ... e por que?
- Por que ela certamente precisa de algo para lembrar de mim... mesmo que seja tempo...
Os dois então voltaram a seu pensamentos pessoais, ele ouvindo alguém cantando em seus ouvidos, a senhora ouvindo um chiado baixo vindo da cadeira ao lado e pensando que houve um tempo em que homens como esse rapaz eram vistos aos montes nas ruas ... e hoje.. só se encontra um ou outro sempre fugindo de suas lembranças...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Respira... Respira para inspirar

Respira... Respira para inspirar
(weverson Garcia )

Respira, fundo, respira devagar
respira, e continue, vá adiante
esse peito que agora esvaziaste
para depois voltar a inspirar

Quem expira sem inspirar
inspirar é dar ao mundo
tudo aquilo que vive a buscar
e deixa o mundo inflado

respira, nunca deixa de respirar
viver pode parecer complicado
quem respira logo vai encontrar
que a vida é como um fôlego tomado

pode ser pesado, forçado
e as vezes pode até engasgar
mas ouça o que tenho anunciado
Nunca deixe de respirar.

Assim aprende a caminhar
inspira, e logo vai expirar
na vida para receber tem que dar
inspire para poder expirar
Respira, a vida é assim
uma hora cheia, inflada
mas acredite mesmo no fim
damos uma ultima inspirada.

"Era uma vez"

Queridos leitores, começo ou recomeço aqui a contar uma história que muitas vezes me fez dormir. eu mesmo me contava e imaginava essa história em diversas formas, hoje decidi contar a vocês ela é longa e por isso preciso dizer que sempre que vier e postar um texto com o titulos de "era uma vez - o bosque" será deste conto, dessa história que julgo eu ser boa de ser lida. espero que gostem dos próximos textos como gostam dos anteriores.

E não tenham medo, os românticos e poemas ainda vão ter seu lugar aqui no baú, estou apenas deixando um pouco mais LEVE por um tempo ok!?
Bem vamos ao texto.


Era uma vez... o bosque.

Era sábado de manhã, e isto torna esse fato ainda mais inusitado, era pouco antes das 8 horas e ela ja estava de pé, com seu vestido e sapatos azuis, a janela ja aberta ilundava o quarto com uma luz amarelada, a luz da manhã, que recobria cada canto do seu quarto, e deixava o bosque nos fundos de sua casa ainda mais encantador, Martha, sim esse é o nome da pequena menina de 9 anos que em uma manhã de sabado acordou cedo, acompanhada de seu fiel gato Chatran animada e curiosa.
- Viu Chatran, eu disse que iamos fazer nossa aventura hoje, e vamos sim, so temos que pegar os biscoitos e correr para o bosque... - Martha estava tão animada que desceu as escadas quase que de uma vez, Chatran vei atras dela tão ou mais animado que Martha.
-Bom dia mãe!!
- Martha!! Martha, você ja acordou menina? - disse sua mãe mais surpresa do que feliz.
- Sim, hoje eu sou uma cientista.
- ?
- Bem, eu e Chatran vamos ao bosque colher amostras mãe, prometo não demorar ta bom?
- Claro, mas não va longe e volte antes do almoço. dando um beijo em sua testa e acariciando seus cabelos ruivos.
"nossa isso me lembra que eu não apresentei a marta a vocês, Martha como eu disse é uma menina de 9 anos, com cabelos ruivos e pele branca com tantas sardas que ela mesma acha que esta enferujando, seus grandes olhos castanhos, e por vezes verdes a deixavam com um rosto mais adulto que inocente. Martha desde pequena agia e se comportava como uma jovem, precoce e muito inteligente Martha encantava seus profesores e seus pais com as perguntas mais sofisticadas possiveis. e é facinada por ciencias.
Bem apos esse pequeno prefácio, podemos continuar com nossa história."
Atrás da casa de Martha, exite um bosque, na verdade uma grande reserva ambiental, seu pai nunca quis fazer um muro, dizia que " Assim ganhamos um quintal maior ainda" e assim Martha se sentia uma felizarda por ter um grande bosque.

Martha, pegou sua pequena mochila e jogou dentro um pequena garrafinha de água biscoito e uns vidros de coleta, Bem assim ela chamava os Tape ware que ela tinha etiquetados, ela desceu os 3 degrais dos fundos de sua cassa e correu até o bosque Chantran, seu gato vinha atrás com o rabo em pé e orelhas alertas, aos olhos dos dois nada passava desapercebido, borboletas, moscas e outros insetos, ou segundo ela “objetos de estudo”.

A pouco mais de 1 ano Martha ganhou de seu pai um pequeno quite com microscópio, tubos de ensaio, e produtos “químicos” sua mãe não gostava da idéia mas isso a manteve quieta em seu quarto um bom tempo, fazendo e refazendo todas as “misturas “ que se via no pequeno manual que vinha com o quite, porem a poucos dias Martha descobria o prazer de observar seres vivos, seu maior encanto foi com a grande quantidade de incetos, e por ter um bosque perto de sua casa se sentia em um paraíso.

- Hoje Chatran eu quero encontrar um bicho de pau. Dizem que ele é igual a um graveto então vamos procurar todos os gravetos viu? Assim ele não escapa da gente.
Chatran respondia com miados e pequenos saltos a seu lado. Ela mal percebia que corria pelo bosque ao invés de andar. E assim mal percebeu que já entrará e muito no bosque.

- Veja Chatran, uma arvore no meio de uma clareira.. não é lindo?.
Era realmente uma visão encantador, uma arvore com tronco torto formava uma acomchegante cama natural com um dorceu de folhas verdes.

- Vamos descansar um pouco né? Ainda não vi um graveto se mexendo... você viu algum? Não né? Você é um gato brincalhão e não viu nada.
- Miauuuu – Respondeu o gato.
- Bem, ao menos podemos deitar aqui, e olha só tem uma passagem entre as folhas... da pra ver as nuvens la no céu.

Emoldurada pelas folhas verdes as nuvens tomavam as mais diferentes formas e Martha deitou-se deixou seus pensamentos de menina perceberem as formas delas, ela ria, ou se assustava com algumas imagens, mas o que mais acontecia na jovem Martha era que o Sono se aproximava, um sono muito muito pesado, e em pouco tempo a Pequena Marthinha dormia profundamente nos braços da grande Arvore torta da clareira.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Frases

ela recebe um pequeno bilhete solto em meio a seu dia e nele apenas uma frase

"Posso abrir mão de tudo na vida, só não consigo deixar de te amar"
Por todo seu dia ela revirou e leu e no fim... guardou onde pudesse ser lido e relido sempre.

Ponteiros




Jogou-se na cama tão pesada como seu dia,a face afundava no travesseiro, os pés doidos e para fora da cama ainda traziam o sapato, a bolsa agora no chão espalhava seus pertences e ela apenas gemia para si mesmo as angustias de seu dia.
Em meio a mais uma bufada virou-se e viu as horas no letreiro vermelho de seu despertador, pouco mais de 19h e ela queria que fosse mais tarde, assim poderia dizer que chegou tarde e que não pode ir... odiava as convenções sociais, detestava os convites formais e impossíveis de serem evitados... mas como sua amiga disse no e-mail, “é ai pertinho e você NÂO PODE FALTAR, NÃO TEM DESCULPA” sentou-se na cama tirando os sapatos e vendo seus dedos quase gritarem a liberdade. Espreguiçou-se mais para relaxar os músculos do que por sentir-se confortável , o caminho até o banheiro não era longo mas o peso de seu dia atribulado fazia qualquer passo parecer uma milha.
No espelho fazendo caretas a si mesmo desarrumou seu cabelo só par ter motivos para dizer que estava um “caco” a blusa branca e a calça jeans agora no canto e ela se preparava para o banho, quem sabe isso não me anima, pensou ela fechando a porta do Box e ligando o chuveiro, logo o vapor quente condensava nas paredes e ela deixava a água quente correr por seu rosto e ombros.
Quem iria a essa festa, pensava enquanto derramava seu sabonete liquido na esponja, talvez Ele fosse... seria bom encontrar com ele hoje... ela sempre sentia-se bem ao vê-lo, as risadas eram comuns em seus encontros... algo aquecia seu peito... mas... veio a lembrança logo depois... ele esta saindo com aquela menina... qual é mesmo o nome dela..... bem não importa... pensa enquanto coloca a cabeça sob a ducha...
Nem tudo é como a gente gostaria, pensa ela massageando seus cabelos, Quando eu o conheci...era eu que estava envolvida, e ele me falava que tinha vergonha as vezes das coisas que pensava... mas... respeitava... e ela não podia fazer diferente... afinal... eles eram “bons amigos” sorriu ao pensar isso.
“bons amigos” quem dera fosse verdade, quando ele começou a sair com aquela menina, ela sentiu uma ponta de ciúmes... mas ela também estava saindo com um rapaz e logo deixou passar, mas agora... agora ela sente vontade de estar no lugar da menina... mas nunca disse isso a ele... e será que ele ainda pensa nela como antes!?
O vestido longo florido era a pedida certa para a noite, leve e bonito nada de sexy ou apertado.. colocou sua rasteira e pegou as chaves... 10 minutinhos só ok? Nada alem disso disse ela se olhando no espelho... e se ele estiver La? Com aquela menina? 5? 35... ok..se ele falar comigo eu fico até de manhã.
Pouco depois sentava-se junto a amiga, brindava a data mas...cade ele? Sua amiga logo diz que ele não vem, não estava muito bem... tinha brigado com aquela menina e não estava bem para festa, mas mandou um beijo especial para ela.
15 minutos, pensou ela... e eu vou embora, mas antes que esse tempo acabasse ela viu um sorriso sem precedentes surgir em seu rosto, ele sentou-se a seu lado.... ele veio...
“Pensei melhor, é melhor beber com amigos do que passar a noite com o travesseiro.”
Ela sorriu, e logo estavam os dois em uma serie de risadas, mas ele levantou-se e ficou um pouco afastado... ela veio logo atrás com a desculpa de “acender um cigarro”
- Estava penando que você não viria, já estava até pensando em ir embora – ela falou olhando ele acender o cigarro.
-Eu também pensei que não viria
-E por que veio!?
-Você...
- Eu?
- A gente se conhece a um bom tempo, nosso tempo nunca coincidiu, estamos sempre em momentos diferentes, nunca conseguimos ser francos um com o outro... sempre por respeito ao momento que um ou ambos vivíamos, mas... hoje eu vim por você.
- Nossa... não sei o que dizer... eu estava pensando nisso hoje.
- E eu penso nisso a longos anos...
- ... Você quer dizer o que?
- Que hoje, mais precisamente agora, meu ponteiro esta marcando a mesma hora que o seu...

Ela o olhou nos olhos e o abraçou forte, mesmo aquela noite tendo terminado apenas comum abraço os ponteiros dos dois caminhavam compassados, e o tempo agora era parceiro deles e o momento certo ainda estava por vir.

Para sempre.

imagem google - internet -



A senhora sentou-se na cama olhando o armário de portas abertas, a muito já largara o luto, mas abrir mão dos ternos, e camisas dele estava fora de cogitação, mantinha apenas para marcar, um vidro do perfume que ele mais gostava e vez por outra borrifava sobre as camisas apenas para sentir, como se fosse o cheiro dele... mas não era, seria só metade... a outra metade se foi... a metade que a fazia se sentir completa.
As meias, gravatas, cintos, tudo organizado como ele sempre deixou, os paletós que ele gostava de usar no domingo quando ia a missa ladeado a ela, no pé do armário uma pequena caixa de sapato e dentro dela, os bilhetes que ela mandou a ele, as entradas te todas as seções de cinema, teatro e shows que foram juntos, em uma pequena caixa de madeira avermelhada, com detalhes art noveau, ele guardava algumas fotos, com datas e frases no verso... isso tudo ela sempre via... sempre que abria o armário.
Ela levantou-se e começou a mexer nas roupas, cheirava os colarinhos, observava se alguma estava sem botão, ou com alguma mancha, pouco a pouco foi aproximando-se de um velho paletó, o mais antigo, ela tirou-o do cabide e vendo os bolsos encontrou um envelope já amarelado pelo tempo, olhou a data... não existia... olhou remetente.... em branco... destinatário... “minha doce e querida Cereja” . seus olhos velhos e cansados boiavam agora em uma fina camada de lagrimas, ele a chamava assim no inicio do namoro e foi assim até os dias finais... ela tremula e em duvida abriu o envelope e deleitou-se com a caligrafia dele em um papel sem pauta.
“Minha doce e querida cereja...


Eu pensei tanto em te dizer o que sinto por ti, por muitas vezes eu pensei em não dizer, em me guardar em esconder ... mas não tinha como fazer isso... a verdade é que sempre que me olhava com seus doces olhos eu sentia que não tinha como negar... eu realmente não tinha como negar.
Eu passei tanto tempo sem acreditar, não queria mesmo acreditar que isso poderia acontecer comigo, eu não acreditava mais nisso, e você sabe, para mim isso não era real, mas agora com você eu não posso negar... é amor.
Toda vez que acordo, e te vejo a meu lado, toda vez que me sorri e me fala das coisas banais de seu dia... eu tenho certeza que só pode ser você o meu verdadeiro e amor, eu te pediria em casamento todas as manhãs, e me casaria com você todas as noites só para poder ver seu sorriso regado a lagrimas no dia de nosso casamento. Na verdade eu vejo esse sorriso todo dia... sempre que fecho os olhos... e acho que vai ser assim pra sempre.

“Para sempre”... quem diria que eu estaria dizendo isso, eu que não acreditava mais em romance, amor e nem nada disso... mas eu agora acredito...tenho certeza toda vez que desperto e te vejo ainda dormindo mexer os pezinhos, toda vez que te vejo se espreguiçar antes de abrir os olhos... e toda vez que posso me entregar ao desejo de beijar sua nuca com os fios mais lindos e revoltos que já vi...
Mas não sei até quando será o meu para sempre... não sei se viveremos para sempre juntos e no fim viraremos estatuas de mármore sentados em um banco de praça, ou se Deus por maldade ira tirar um do outro antes do tempo... mas se isso acontecer saiba de uma coisa.
A cada dia que me contar suas chatices do dia, a cada briga que tivermos por besteiras da vida, a cada não por cuidado ou proteção, a cada deslize de humor... eu vou sempre saber que eu não estaria em lugar melhor no mundo se não a teu lado.
Você é a única mulher com quem eu gostaria de caminhar, de seguir meu caminho, sem você eu certamente estaria melhor sozinho, tenho em seus olhos o conforto que preciso, na sua voz as respostas e em suas mãos o meu melhor cobertor.
E como diz o poeta.. que seja eterno... e eu termino assim... é eterno... é para sempre...”

A carta não tinha data, e ela nunca havia lido, nem ele nunca havia dito nada disso para ela, mas enquanto lia pode sentir que não havia hora melhor de encontrar essa carta... não podia ser em melhor hora... virou-se instintivamente para a porta e para a mesa de canto próxima a ela, e na foto o vejo senhor de cabelos grisalhos sorria para ela... o seu melhor sorriso e ela só conseguiu dizer...
- É meu lindo... é para sempre....

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Caminhos



“Bom dia estrela...” dizia o cartaz, o grande cartaz colado no muro frente a sua casa, e ela pensou não ser para ela, pensou de novo e não... era só coincidência, vestiu-se e preparou-se para o dia de trabalho. Desceu o pequeno lance de escadas, pegou sua chave no aparador, próximo a porta, e quando já estava quase no quintal, lembrou-se de por comida a seu gato, voltou e mesmo não o vendo deixou a sua tigela cheia, “hump.. homens não importa a raça sempre ausentes”.
Fechou a porta, e desceu os dois degraus até o quintal, passando pela caixa do correio conferiu se tinha algo e lá estava Um bilhete.
“Vamos fazer um joguinho, no seu caminho até o metrô espalhei alguns recados, você certamente não os veria, por isso peço que preste atenção a tudo... espero que esteja disposta... são só 3 quadras... 15 minutos no Maximo. .. Pronta? Então abra o portão”
ela virou o envelope, girou e girou e não existia remetente... por uns instante pensou em não sair de casa mas...
Assim que saiu colado em seu portão um cartaz
“ Espero que tenha conferido sua caixa de correio”
- Humm ok ok.. então vamos La... – disse ela descendo a rua atenta a tudo, logo viu que em um poste um outro cartaz dizia
“Espero que ainda esteja a tempo de te dizer umas coisas que deixei passar” e no poste seguinte
“É que as vezes a gente não percebe, não nota tudo que tem para ser notado.”
“Não damos importância a tantas coisas, por exemplo já viu a pracinha que tem na próxima esquina?”
Ela olhou para frente e viu um pequeno recanto com uma arvore, uns balanços e 4 bancos, nunca tinha notado aquele espaço, passava por ali tantas e tantas vezes mas nunca notou, caminhou até a praça e sentou-se em um dos bancos... pensando onde estaria o próximo bilhete, então um vendedor de pipoca aproximou-se dela entregou um saquinho dizendo apenas que já estava paga, e junto com o saquinho de pipoca um outro envelopinho
“viu? Aposto que nunca sentou-se ai e comeu uma saquinho de pipoca, e aposto que nunca olhou a sua volta e viu as flores, e nem reparou que nessa arvore existe um casal de macaquinhos, bem aproveite a pipoca mas não deixe de prestar atenção... ainda temos muitas surpresas”
Ela levantou-se e caminhou até as flores, passando pela arvore se pegou procurando os sagüins e acreditou ter os visto... agora sua curiosidade estava em buscar os próximos bilhetes, e logo avistou um colado em um muro na saída do parque.
“Além de ser um lugar bonito te ajuda a cortar caminho.. veja onde já chegou”
assim que ela saiu percebeu que já estava do outro lado do quarteirão, ela costumava dar uma volta para chegar ali... sorriu e olhou a sua volta, mas a frente um outro poste trazia uma outra frase
“Pensei tanto em como te dizer tudo, te fazer prestar atenção no que te falo, e espero que me entenda nas próximas linhas”
A palavra “linhas” estava escrita de forma diferente, um pouco mais forte e em itálico, ela olhou a sua volta e nos em um muro um pouco mais a frente uma serie de barbantes com bilhetinhos presos a eles... ela correu até o primeiro e leu
“Puxe cada um bem devagar depois de ler” ela puxou bem devagar e na outra ponta do barbante vinha uma rosa. E foi assim a cada barbante, Mas os recados.
“As vezes a gente não percebe, que o tempo passa nem damos muita importância a um lugar
ou um fiapo qualquer que a gente veja. Mas acho que deveríamos nos apegar aos detalhes
juntar cada fiapo, cada bilhete,cada frase e entender , que se isso aparece em nosso caminho,
deve ser percebido e levado em consideração o caminho pode ser curto, poucas quadras,
ou poucos dias, meses ou anos.. Não importa, O que importa é onde se quer chegar nesse caminho”
Ela agora com quase uma dúzia de rosas na mão se via chegando a estação do metro, os olhos dela brilhavam como nunca... se perguntava se ele realmente estava fazendo isso com ela, ou se ela estava estragando o dia de outra pessoa... mas o bilhete no portão... a carta... não ... aquilo era pra ela mesmo...
Mas... não tinha mais bilhetes... parou... olhou a volta e nada... releu todos... procurou uma dica... e nada... caminhou até a escadaria do metrô ... e nos degraus que levavam a estação pode ler
“Achou que tinha te deixado? Não... nunca... hoje tenho certeza que meu caminho é com você.”
Ela desceu os degraus atenta a qualquer detalhe, paredes, chão, teto... tudo mas não via nada.
caminhou até a roleta e quando ia entrar um segurança entregou a ela uma pequena caixa com um bilhete

“Não esquece... eu quero estar com você onde for... seja por sobre ou sob a terra, meu caminho é com você, e você minha estrela... me mostra o caminho sempre”
Dentro da caixa, envolto em um veludo vermelho, um colar com um pingente , nele gravado uma constelação em forma de cruz, e no verso a frase
“Eu te amo, você é meu caminho”
Ela não conteve e seus olhos se encheram de lagrimas... ela buscou a sua volta mas o segurança não mais estava ali, apenas a observava de longe, e acenou como quem diz... segue... e ela seguiu...
E quando descia o segundo lance de escada para chegar a estação.... viu ele... parado, olhando para ela, na mão uma outra rosa vermelha e no rosto um sorriso.
- Não acredito que você fez isso?... que trabalheira hein? - Disse ela beijando de leve
- Trabalho algum... é apenas para te desejar um bom dia, eu faria isso todos os dias, todos os dias mas não tenho como planejar isso.
- Por que? Fez tão bem hoje
- Por que não sei se você vai aceitar
- como não? Adorei... de verdade...
- Não linda... eu não sei se você vai aceitar isso...
assim que disse... um trem do metro parou atrás deles e no vagão a frase
“eu te amo.... casa comigo”
E enquanto alguns passageiros saltavam e outros embarcavam, e todos se perguntavam sobre a frase estampada no vagão eles se beijavam e juntos escolhiam o melhor caminho juntos para suas vidas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

planos e planos.

Ele voltava apressadamente para casa, o dia não foi dos melhores e a noite anterior não tinha terminado bem, a mochila pesava em suas costas e as ruas do centro da cidade pareciam ainda entulhadas de gente, era impossível caminhar sem esbarrar ou ter que desviar de alguém, a cada passo a cada esbarrão ele se sentia menos animado, mas tinha que se erguer, ele sabia que sua noite, a noite de hoje seria terrivelmente fria e um frio que cobertor algum poderia aquecer.

Longe dali ela arrumava suas coisas na bolsa, seu dia começava a terminar, mas as expectativas para a noite estavam crescentes, um bar com amigas, um bom papo e depois a cama, nem mesmo os pensamentos que teimavam em ir para ele iriam fazer ela perder o animo essa noite, nada diminuiria sua vontade de viver, a maquiagem era o ultimo passo para o inicio de sua sexta feira, e o que ela mais gostava de se atentar aos detalhes.
O ponto de ônibus cheio como sempre, as pessoas brigando para serem as primeiras a entrar em um ônibus já lotado, ele por outro lado preferia esperar “o próximo” mais uma vez, as horas não estavam sendo gentis com ele, mesmo sentindo no corpo como se o dia tivesse 40 e não 24horas o relógio teimava em mostrar que ainda nem havia passado das 19horas e ele fintava a inevitável certeza de que não importa a hora que chegasse em casa... ele teria que enfrentar de qualquer forma, era impossível fugir de certas coisas em sua vida.
Ela terminava de se produzir e seu celular já dava sinais de que a noite não iria ser perdida, enquanto ela se maquiava ligações de um rapaz interessante, um outro bem legal e uma terceira de um jovem que prometia muito... mas ela não estava para “amassos” hoje queria apenas umas cervejas com as amigas e curtir sua noite dançando e rindo, os homens podem esperar um pouco mais.
Saiu do banheiro e uma amiga já lhe saudou a boa sexta, “poderosa” foi o que ela pensou se sentir, o vestido justo e decotado, as costas abertas, o salto, o cabelo... tudo perfeito, passou por sua mesa, pegou a bolsa e até breve cotidiano trabalho diário e boa noite fim de semana de diversão.
Ele olhou para os lados, a rua ainda entulhada, não parecia existir chance de ficar calmo, o transito agora parecia as geleiras que via na TV... lentas e modorrentas, tão lentas que preferiu ir a pé para casa. Puxou os fones e colocou nos ouvidos, pronto assim ao menos poderia escolher o que entraria agudo em seus ouvidos, a escolha, um clássico talvez? “jonny be good” isso ia ajudar a manter o ritmo na caminhada, não era muito mas a mochila em suas costas parecia transformar ela em uma jornada pelo deserto.
No caminho o pub aberto convidava festivamente todos para entrar, uma sexta comum, mas o movimento estava bom, fora do normal para a hora, ele pensou que poderia tornar menos desagradável a noite com uma ou duas cervejas, e o que o esperava poderia ser bem mais suportável.

La dentro tudo estava perfeito, as mesas de sinuca, o dardo, o balcão, hoje ela iria se divertir, entrou e já foi entregando a comanda para uma garçonete e pedindo a sua cerveja preferida, “a mais gelada” as amigas logo começaram o jogo de flerts mas ela não, não aquela noite.. essa noite eu quero apenas a minha alegria pensava ela, e repetia isso inúmeras vezes.
Umas tantas vezes foi abordada por jovens, outras por homens ainda de terno e gravata e marcas de aliança nos dedos, era fácil perceber, mais fácil ainda livrar-se deles, bastava um “ e sua mulher vem junto?” apontando para o dedo que eles logo davam as costas e voltavam para o grupo de amigos risonhos e bebados
Ele entrou no corredor e logo estava no grande salão, jovens andavam de um lado para o outro, uma ou duas garrafas se quebravam no chão, o luminoso verde de cerveja piscava excitadamente, e ele logo sentiu vontade de beber mais que duas cervejas.
Caminhou pesadamente até o balcão alheio a qualquer etiqueta, colocou sua mochila pesada sobre o mesmo e pediu uma grande taça de cerveja.. a maior.
A seu lado uma jovem colocava moedas em uma jukebox, E logo Black de Pearl Jam estava tocando.. ele institivamente diz... “pronto agora eu morro feliz”
Ela após escolher sua musica predileta escuta um jovem rapaz do lado dela dizer que “morreria feliz” e isso a fez rir, ao que parece a musica não é a preferida apenas dela.
A frase rendeu sorrisos dos dois lados, e logo a conversa estava indo sem freios, ela tremia pode dentro por não conseguir deixar o rapaz sozinho e voltar a suas cervejas com as amigas, mas ela estava feliz ali.
Ele não temia mais voltar para casa e encontrar a casa fria sem vida, morar sozinho para ele era sem duvida bom mas... em uma sexta feira tudo parece ruim...
Ambos se entregam ao papo, conversa e a noite flui lenta e prazerosamente... a sexta feira terminou diferente do que ele pensava, e melhor do que ela planejou.

Pequenos momentos

Os dois se olharam uma ultima vez em silencio antes que ela dissesse qualquer coisa,ele de abaixou a cabeça e ouviu atentamente o que ela dizia.
- Não adianta me dizer certas coisas e esperar que eu acredite e esqueça todo o resto!? Eu realmente não entendo isso, realmente não da pra entender, você diz um monte de coisas mas não age de acordo com o que diz.. você argumenta mas não sustenta, e dizer “eu te amo” não é amar de verdade.
Ele mantinha a cabeça baixa incapaz de olhar ela nos olhos... incapaz de ver ela com lagrimas nos olhos e incapaz de dizer qualquer coisa contra o que ela dizia... é verdade pensava ele, tenho dito tanta coisa... mas não tenho provado nada disso... não tenho sustentado nada...
- E agora fica ai, calado...não tem nada pra dizer não é? Acho melhor a gente se afastar... acho melhor você ir embora.
Ele levantou-se calado, passou pela porta que ela estava de pé e caminhou até o quarto, cada paço pesava mais que 1 tonelada, mas logo ele estava ali, a mala sobre a cama, as portas abertas, as poucas peças de roupa, sapatos pequenos itens, detalhes tudo sendo meticulosamente arrumado na mala, o som frio da TV ligando na sala dava a impressão de que ela não se importava, que ela não ligava... e ele pensou uma vez mais que a culpa disso era dele, ele não demonstrou ele não sustentou ele abriu mão... ele deixou escapar dizendo apenas e não provando seu carinho.
Ela sentada no sofá mordia o lábio para não deixar subir aos olhos o rio largo que seu peito produzia, ela ainda buscava forças para manter sua decisão mesmo seu peito dizendo “levanta vai lá segura ele e diz que você só quer um abraço... e que o ama... que ainda o ama” mas ela parecia que seu corpo não obedecia mais seus comandos e ela apenas mudava de canal.
Logo ele estava de pé na porta, e ela sentada, a mala no chão, ele olhava em volta como que procurando algo... então olhando ela no sofá disse.
- Você tem razão... Todo razão... Dizer eu te amo não é te amar de verdade, Eu dizia muito, e mostrava pouco, e não consigo entender o por que disso, não tem nada que eu possa dizer ou fazer agora que possa corrigir o que não fiz antes... eu posso apenas lembrar de todas as pequenas coisas que fiz e que não são vistas... quem sabe assim um montante delas possam ajudar a somar algo de peso....
Ela levantou os olhos para ele quando ele começou a falar.
- Nunca deixei que carregasse mais peso do que carregava quando te vi a primeira vez, não por que não acreditasse que você poderia não suportar, mas por que não queria te ver cansada e com dores, Nunca em todo esses tempo deixei passar um dia sem te acordar sorrindo, não por que queria que me visse feliz... mas por que eu não conseguia esconder minha felicidade em poder te acordar, Nunca deixei que ficasse sem resposta de nada, não por que seria educado, mas por que sempre achei que merecia saber de tudo, mesmo quando eu não sabia eu buscava apenas para você.
- Sempre deixei o controle remoto com você, não por que a TV estava chata, mas por que eu queria que você decidisse a hora de ir pra cama comigo, sempre que pude deixei seu café pronto, não por cuidado, não por comodidade, mas por que sempre soube como gosta e como seu dia é sem ele. Sempre marquei sua revista nas matérias que sabia que ia gostar, só por que sabia que ia gostar... sempre te disse eu te amo.. não por que é bonito, forte, romântico... mas por que se eu não dissesse eu iria acabar estourando.
Ela o olhou nos olhos, embora dissesse tudo isso não tinha nos olhos o mesmo brilho de antes... algo nele estava diferente... ela quis se levantar e o abraçar mas apenas o olhou
- Sempre te vi brilhando, sempre foi pra mim mais querida que tudo, nunca em dia algum, nem mesmo nos momentos mais complicados de seu humor eu deixei de estar a teu lado, de te ver linda e brilhante... nunca deixei de admirar seu trabalho, nunca deixei de me encantar com seu riso... ... nunca deixei nem mesmo quando não nos víamos por longos períodos nunca deixei de me lembrar de seu perfume, de seus cabelos entre meus dedos... e de seu toque em meu peito... nem esqueci aquele beijo que enterrou no meu peito um almoço que tivemos juntos a tanto tempo atrás...
Ela lutava para ficar de pé mas suas pernas bambas e a falta de força a fizeram apenas recostar no sofá...
-Mas uma coisa que eu nunca mais vou esquecer são 5 palavras que me disse, e que fizeram tudo isso que eu disse, que eu sempre fiz perder um tanto da importância... “Acho melhor você ir embora” ... Você esta certa... é melhor eu ir embora... é melhor eu sair e não voltar... sabe por que?
Ela o olha nos olhos e percebe que ele chora, Mas incapaz de dizer qualquer coisa apenas diz “Hum”
- Por que te amo, te amo tanto que sou incapaz de querer te ver infeliz e triste, prefiro que viva sua vida e se alguém tiver que ser infeliz... que seja eu... você pode esquecer que te amo, e pode esquecer as pequenas coisas mas eu me lembro de todos dos minúsculos detalhes que me fazia por carinho... e isso eu nunca vou esquecer.
Ele abaixa, pegando a alça da mala o casco na outra mão, coloca as chaves no aparador, e abrindo a porta diz...
- Ela me perguntou se eu estava feliz com você....
- E o que você respondeu ? perguntou ela mudando de canal
- Que eu não seria feliz de outro jeito.

A porta se fecha, ela fica horas vendo a tela da TV mudar de cor e imagens mas não esta realmente assistindo TV... esta lembrando de cada minúsculo detalhe que ele fazia para ela... e que ela não via... e quando olhou para o lado... ele sorria para ela no porta retratos....

“será que a vida poderia ser assim? Uma soma de pequenos momentos, de pequenos erros e grandes erros? Será que a soma de tudo é positiva? Será que existe uma respostas para todas as perguntas? E me pergunto por que algumas estrelas param de brilhar no céu desse tolo de uma hora para outra...”

Desculpe

Eu queria hoje pedir licença, pedir desculpas a todos que aqui vem sentar-se por alguns momentos a frente da tela e ler, mesmo que mal feitos, esses textos e tentar sugar dele alguma coisa, alguma resposta alguma esperança o que seja... mas eu peço desculpas...
Peço desculpas por que hoje não sei o que falar, não tenho historias?, pode pensar alguém e não na verdade tenho ainda infinitos encontros e reencontros, pedidos de casamento e romances , mas não sei o que dizer por que as vezes a gente se sente vazio sem sentido algum... e essa noite eu estou me sentindo assim.
As vezes a gente se surpreende comas coisas da vida, essas voltas e voltas que ela gosta de dar. Seriam as voltar de saturno? Os 29 anos como diria Renanto Russo? Mas assim como o gênio Sheldon eu não acredito que a posição do sol tenha influencia sobre minha pessoa ou sobre qualquer uma... mas seria bom se fosse assim não é?
Seria tão mais fácil culpar um astro que esta a milhares de anos luz de nós, por nossa forma de pensar e agir... mas só essa idéia já me deixa roendo as unhas... por que quando a gente olha um céu estrelado não vemos ele como ele é agora... e sim como ele ERA a anos atrás... então no ano que nasci o céu que brilhava não era o do meu nascimento mas talvez o que deveria ser atribuído a um Gengis kan , Ana Bolena, Hitler... ou qualquer outro vilão que seja...
Então , se o céu de hoje não é verdadeiramente o céu de hoje... como posso acreditar que ele rege minha vida? E isso me deixou pensando que não existe regra alguma a que guie ninguém, não existe um manual que diga “seja assim por que você é de tal zodíaco”... e faria sentido?
Não... e pensando nisso tudo deixou de fazer sentido e passou a fazer mais mal... mais vazio, mais duvidas por que antes eu acreditava em um amor verdadeiro que pudesse ser escrito nas estrelas, que pudesse ser lido, e vivido mas... se nada disso existe esse amor existiria?
Foi ai que me dei conta de que se minha vida foi escrita por alguém, ou alguma coisa, que me diz como devo agir e colocou ali no vazio do espaço estrelas para me lembrar isso ele também pode ter criado esse amor?
Novamente me senti mal.. triste e vazio pois já não acredito nisso... não mais.
Por que eu pensei uma coisa simples..
Se as estrelas iluminam o passado, meu amor pode ter passado? Pode ter seguido em frente ou sido sugado para um buraco negro ... onde ninguém, nem ela mesmo veja a luz que tem? E será que eu emito alguma luz para ela? Será que sou como um farol que ilumina o passado para alguém?
De certo algo antigo eu tenho... se é culpa de estrelas ou não, não posso dizer mas posso pedir desculpas a você leitor... pedir desculpas por não gastar meu tempo escrevendo a você um texto que pudesse te fazer sorrir, ou pensar algo bom... e ao invés disso escrevo linhas e mais linhas de frases sem sentido a ti... bem... posso dize apena que eu sei o que quis dizer com tudo isso... e se eu apenas entender isso não é de todo mal... as vezes é bom ser egoísta...
Mas desculpe de novo leitor... desculpe por que eu tenho essa mania de as vezes deixar esse peito maluco tomar conta de meus dedos e deixo ele falar e falar... muitas vezes ele diz algo antigo, outras vezes algo a frente ... as vezes diz algo de agora... e outras ele não diz nada do que deveria...

Desculpe leitor... desculpe... mas hoje eu realmente não saberia o que dizer a não ser...
Desculpe...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Clik

http://www.flickr.com/photos/o_design_do_brubs/



Ajustou o foco o tempo de exposição e “click” “fotografar não é tão complicado”, pensou ele “o complicado mesmo é achar o momento certo” continuou a caminhar o vento frio passava em seus cabelos e gelava a ponta de seu nariz, vez por outra um raio de sol cortava as grossas nuvens e ele se pegava levantando o rosto para eles... as vezes como por destino ou mágica esses mesmos raios de sol iluminavam perfeitamente o tema de sua foto...
Aquele parque era como seu Studio preferido, toda vez que ia ali passava horas e horas fotografando insetos, flores.. e o lago Não existia ali nada além de seus motivos, seus planos de fundo e luz de preenchimento... nada alem de planos macro ou paisagens...
Ele contornava a trilha por baixo da velha torre quando viu a sua frente uma jovem mãe de mãos dadas com sua filha, logo atrás um jovem pai orgulhoso fotografava as duas... ele sentou-se no banco
Acertou obturador, a câmera para fotos p.b, diminuiu o tempo de exposição e
- OI!!! - Disse a menina saltando a sua frente
- oi... – Respondeu ele também em um salto assustado.
- O que o senhor ta fazendo!?
- Fotografando – disse ele em um sorriso tímido meio sem saber o que falar.
-Meu pai também! Ele ta fazendo um álbum meu e da mamãe. E você?
- Eu... bem... eu to fazendo fotos de coisas bonitas
-AA então tem que fazer uma da mina mãe... ela é linda – disse apontando para a mãe que vinha se aproximando um tanto tímida.
- ... desculpe ela é muito curiosa.
- A curiosidade é uma coisa boa. Acredite - Disse ele pondo-se de pé por educação
-Posso ver suas fotos!? – perguntou a menina sorrindo encantadoramente
Ele ajoelhou-se e começou a mostrar as fotos. Insetos,folhas, uma flor bem de perto, um lago com folhas na superfície, a luz do sol entre as arvores,um casal se beijando sentados em um banco de pedra, um macaquinho curioso em um galho, um pássaro banhando-se em uma fonte... e a cada foto a menina sorria e olhava para ele com os olhos mais vidrados...
- Nossa... que lindooo, eu quero o macaquinho onde ele ta?
- a deve estar em algum lugar ai no parque... comendo ou dormindo – respondeu o pai dela apressadamente e acrescentou – Vamos filha temos que ir.
- Certamente o macaquinho esta agora no caminho para a saída, ele adora ver a gente chegando e saindo...é muito curioso... assim como você. – disse do fotografo colocando a ponta do dedo no nariz dela... e perguntou – Posso fazer uma foto de sua filha?
Os pais acenaram que sim com a cabeça e a menina perguntou
-Isso por que eu sou curiosa?
-Não... por que é uma coisinha linda – disse o fotografo sorrindo
Ela olhou para a mãe e “clic”...
-AAAAA eu não estava preparada
-E quem disse que se esta preparado pra tudo na vida? Mas veja a foto...
Ela olhou e La estava ela, com olhos brilhantes com a luz do sol suave em seu rosto, o fundo borrado de escuro e brilhantes pontos de luz... ela parecia uma fada,...
- Nossa ... olha mãe como eu to linda?
- Ta sim filha... ta sim
a família se afastou e o jovem fotografo ficou ali sentado no banco revendo as fotos e pensando....
Eu não estava preparado..... mas a vida surpreende tanto...
- OI, eu esqueci de fazer uma coisa moço...
-o que?
“clic”
-Tirar uma foto de uma coisa legal que vi no parque – disse ela e virou-se dizendo “ Tchaw...
...
Sorte deles... pensou mais uma vez... sorte deles terem um ao outro e essa princesa com eles.
Levantou-se e seguiu fotografando coisas menos importantes que uma menina de olhos brilhantes.

Quantica

Eles estavam já a algum tempo sentado ali ladeados vendo os carros passarem na rua, ambos tinham no rosto essa vontade de dizer algo mais do que estavam dizendo, mas a vergonha ou a timidez tornavam impossível fazer isso, e ela pediu mais um suco ele acompanhou o pedido com uma cerveja a mais...
- Tem coisas que não entendo.... – Disse ela olhando para o perfil dele que tomava um gole longo da cerveja.
- O que não entende?
- Essa teoria das cordas... não entendo... se estiver certo... Deus joga dados diferente do que Albert Einstein disse... se for verdade... o caos governa?
ele sorri e diz
- Sim, Deus joga dados, mas ele tem uma vaga idéia do resultado que vai ter...
- Como assim?
- Quando ele disse que “Deus não joga dadaos” ele estava tentando entender exatamente a teoria das cordas, tentando entender e colocar tudo em uma formula matemática que explicava tudo, mas ele estava em um nível muito “grande” ainda, Protons, elétrons, newtrons tudo isso é gigantescamente grande perto das cordas. Ele estava tentando explicar a quântica... com matemática mas no mundo quântico... nada funciona exatamente “ordenado”.. então não se tem como prever nada.. mas se pode “supor”.
- Isso tudo é muito complexo pra mim... admito... – Disse ela rindo se si mesma.
- Vou tentar explicar de uma outra forma, deixa eu pensar..
- Viu é tão complicado que você nem consegue pensar em uma forma de me fazer entender.
- Não é isso eu estou buscando exatamente o ponto certo para te apresentar a teoria... bem vejamos.. eu e você ok? Eu acho que você se conhece bem certo? Sabe exatamente tudo de você correto?
- Sim
-E eu me conheço bem, sei exatamente tudo a meu respeito certo?
- assim eu espero - disse ela sorrindo encantadoramente linda
- Bem. Sendo assim se eu e você nos conhecemos bem, e conhecemos razoavelmente bem um ao outro eu posso dizer que você pode supor algumas ações minhas e eu consigo supor algumas suas. Correto?
- Sim correto,você é bem previsível - Disse apoiando um pouco a cabeça no ombro dele, mas recolheu-se rápido ao perceber seu ato
- ta bom.. bem... somos os átomos, podemos ser previsíveis as vezes e outras vezes surpreendentemente imprevisíveis - Disse isso olhando nos olhos dela, e ela percebeu que ele tinha notado seu ato. – Bem isso quer dizer o que? Que somos guiados por essa força invisível? A gravidade mesmo era tido como uma força gigante mas no mundo quântico ela é tão pequena que nem poderia fazer sentido existir mas existe.. então nem tudo pode ser controlado entende?
- Acho que sim mas o que isso tem haver com eu e você?
- Simples e complexa sua pergunta...
- fala ...
- Fico me perguntando, a nossa história juntos, e separados, tudo que aconteceu...a gente brigou se fez mal, magoas e tudo mas ai estamos aqui... mas não estamos... e pergunto se a gente poderia ter dado certo?
- Não sei... mas será que é a pergunta certa?
- Temos que esperar os dados serem lançados... e esperar as probabilidades quânticas...
Ela então apóia a cabeça no braço dele... e ele a cabeça na cabeça dela...
E os carros continuam a passar lá fora.

Moranguinhos.

Esmurrou a porta do armário.. e depois mais uma vez... não era mais dono de seus atos, não controlava sequer seus sentimentos... os nódulos em sua mão, as marcas de outras tantas vezes que socou as paredes e portas sangravam um tanto, talvez bem menos que seus olhos.
Não entendi como a vida poderia ter pregado tamanha peça nele, como pode acontecera algo assim, e não entendia, e nem sabia se existia algo a entender e quando uma outra onda de lagrimas começou a surgir em seu peito... esmurrou novamente as portas do armário.
Exausto, terrivelmente exausto sentou-se na cama e deitou-se olhando o teto, estrelas e luas podiam ser vistas... mas ele não sentia prazer algum em velas agora... o quarto ainda com brinquedos de criança, a parede decorada com detalhes infantis e no teto as estrela que ela pediu tanto a ele... coladas com todo cuidado para lembrar um pouco as constelações de verdade... tantas... tantas estrelas... mas ela não estava mais ali.
Levantou-se triste... ainda na cama de lençóis macios com suas flores e “puccas” ele sentiu-se sozinho e um incrível derrotado... na estante as fotos dela em seu colo ainda criança, um pouco maior aprendendo a andar de bicicleta... mas agora... esses momentos...
Seu celular tocou e ele atendeu... a voz do outro lado mesmo conhecida e profundamente ligada a ele não o fez alegrar...
- OI, desculpe mas... é melhor assim
- Melhor? Pra quem? Para você? – Disse ele apoiando a pesada fronte em sua mão.
- ... , melhor sim... pra ela, a gente não esta se entendendo... você...
-Eu? ... eu o que?
- Você não tem tido tempo... não tem mais parado em casa... e eu.. digo ela sente muito sua falta... ela me disse essa semana que já não se lembrava mais de seu abraço. – Essas frases atingiram tanto o peito de quem disse ao telefono como o peito dele que agora silenciosamente molhava o tapete a sua frente com lagrimas.
- Mas eu estou aqui não estou!? Eu voltei não voltei? Eu estava fazendo o que achava ser bom para as duas...qualquer uma entenderia isso, mas você...
- EU?
- Você preferiu... me dar as costas... e levar .... ela embora...
-Não foi para te atingir mas sim por que eu tenho como ficar mais tempo com ela.
- Tempo... a gente já perdeu tanto tempo... já gastamos tanto tempo da nossa vida longe... quando? Quanto vamos gastar tempo com a gente mesmo?
- ...
- Eu não sei o que fazer sem ela... a casa parece um mausoléu sem a risada dela... sem ela me chamando toda hora...
- Se você a ama tanto... por que a deixava tanto tempo sozinha? – Disse a voz feminina já tremula demonstrando que também chorava. – Ela não precisava de luxo.. não precisava de tudo isso... ela só queria você com ela...
- E você?
- O que tem eu?
-Você precisava de todo luxo? Precisava de tudo isso? Ou só queria a mim?
- ...
- Todo dia que passei longe de vocês eu só pensava em uma coisa... no fim eu vou poder sentar no parque que ela gosta, e ver as duas brincando no gramado, vou poder beijar a mulher que amo... abraçar minha filha... e vou poder dizer “valeu a pena”....
- E valeu?
- Não... por que não tenho a filha no meu colo e nem a mulher que amo em meus lábios...
-... Vamos apenas dar um tempo... não quero que abra mão de seus sonhos... mas não posso deixar que ela fique sonhando esperando e você nunca entre pela porta.
- ...
- Eu sei que você é um excelente pai, o melhor que uma criança como ela pode querer ter... mas... não esta sendo tudo que pode ser e é de verdade.
- Não fale por ela o que gostaria de dizer por você mesmo...
-Ok... Eu não estou feliz também... você não se importa mais comigo... acha que pagando as contas, me dando presentes... estaria suprindo sua falta... e não é isso que eu quero...
Não é o que eu quero também – Disse ele, mas depois disso ficou difícil dizer qualquer outra coisa e logo desligou
Ele deitou-se de novo na cama fofa de sua filha enrolou-se em um edredom e abraçou uma boneca de pano... a noite chegou e ele dormiu ai... com olhos pesados e secos de tantas lembranças e culpas liquefeitas que agora molhavam a boneca... mas assim que pensou em se levantar seu telefone tocou uma vez mais ele atendeu ...
- Alo...
Papai... conta uma historinha pra mim dormir?
ele contou... e quando ela não mais respondeu... a outra voz disse...
- ela dormiu... ela te ama... muito....
- Só ela?
-... a ligação estava no viva voz... boa noite... beijos.
E ele pode dormir mesmo ali entre lagrimas ele pode dormir sabendo que ela ainda lembrava dele.... que o amava ... as duas....
Boa noite princesa... boa noite anjo... boa noite.... pensou ele antes de finalmente dormir abraçado com uma boneca envolto em um edredom de moranguinhos.