Por que um baú?

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Rio - 2º dia

O Ruidoso som do riacho o acompanhou por boa parte do dia indo e vindo e por vezes cruzando seu caminho, rio trouxe a ele alivio e preocupação. Por vezes depois de um longa subida e depois uma forçada descida ele encontrava o rio contornando a colina, e ali sobre sobra amiga de algumas arvores descansou e reabasteceu seu cantil.
Outras tantas vezes depois de algumas topadas punha os pés nas águas frias do rio e isso trazia alivio a dor e relaxava, algumas vezes se via tendo que cruzar o rio com água alta e carregar sua mochila sobre a cabeça e temeroso de uma corrente mais forte o arrastar para fora de seu caminho.
Do rio neste dia conseguiu pegar alguns peixes, 2 na verdade, e isso deu sustento para o almoço e agora próximo a hora de novamente ver o sol se por o rio cintilava como um ria de prata ao longe, O rio estendia-se e era ele a fronteira entre os dois estados mas a frente, as colinas verdes o rio prateado o fizeram sentar-se um bom tempo antes do horário do por do sol e observar.
Nada poderia ser mais encantador que aquela cena, e na verdade nada mais bucólico, mas logo a imagem serviu apenas como pano de fundo para seus pensamentos sobre o dia... e o lápis corria pelo papel tão ávido por descrever seus pensamentos que esquecia a quantidade limitada de paginas...
“ Segundo dia...
Hoje trilhei a parte mais calma de meu percurso, a parte que o Rio acompanha a trilha e vez por outra se põem em seu caminho, mas mesmo nas horas mais estranhas desse dia me pequei pensando que é a melhor metáfora para a vida.
Temos nosso caminho na vida, na verdade a gente pode escolher para onde ir, como ir, se vamos preferir subir a montanha e nos esforçar um pouco mais ou apenas contornar, se contornarmos podemos levar mais tempo, porem nos cansamos menos, e se subirmos a montanha temos menos tempo perdido e a agradável vista lá de cima, sem contar que ao voltar para baixo, a gente reencontra o amigo rio, que nos mata a sede, nos limpa e ajuda a relaxar.
Hoje mesmo, após um longo período em uma colina sem vegetação alta, e com o sol a pino sentia-me totalmente cansado, e a ponto de desistir, por vezes pensei em sentar ali e apenas secar ao sol, quando levantei os olhos do chão pude ver o rio correndo calmamente entre as colinas e caindo em uma falésia, uma cena que nunca vou esquecer... o rio mesmo de longe deu a mim a esperança que faltava e logo a pesada mochila, o fardo que carregava não eram mais tão importantes e complicadores, eu tinha que chegar ao rio... era minha meta.
Na descida escorreguei, e um pequeno corte em minha perna pareceu que novamente me tirou a vontade de seguir... mas ai... o som do rio novamente me acalmou, ouvir ele ruidoso me fez ter certeza que faltava pouco e logo eu estava lá sentando a margem lavando o corte que nem era tão profundo mas por ter sido feito em um momento complicado parecia o pior de todos cortes.
Foi ai que percebi... somos assim na vida, em todas as áreas,passamos por algumas dificuldades e nem nos damos conta do que esta a nossa volta, se olhar bem em meio ao duro momento podemos ver algo que nos inspire a seguir em frente, como a vista do rio entre as colinas, e se algo nos atinge, nos fere podemos fechar os olhos e ouvir melhor, certamente vamos encontrar um som, uma frase um chamado que nos apóie, nos convide a seguir em frente. E posso dizer que quando chegamos a ele, por maior que seja a dor, por mais longa que foi a provação, somos bem recompensados. Mas isso depende de nós
Me peguei pensando que se eu tivesse escolhido outro caminho, um que eu fosse sempre por entre as arvores eu poderia sentir menos calor, e até poderia ver algo bonito mas nunca iria ver o que vi seguindo por este que escolhi, abri mão de uma comodidade para poder aproveitar a vista por completo.
O que me fez pensar que é a mesma coisa na vida... para alcançar a felicidade as vezes temos que abrir mão da comodidade... O rio me fez companhia o dia todo, por vezes perto por vezes ao longe, e até mesmo agora enquanto me sento aqui observando o sol deitando-se nas montanhas ao longe ele cantarola para mim alguma musica desconhecida. Hoje eu pensei que poderia passar o resto da minha vida o meu rio na vida... sem ela, mas sei que assim como o rio se fez presente mesmo não estando presente... assim é ela em mim... esta correndo ruidosamente mesmo que distante”
O jovem rapaz fecha o caderno, contando o numero de folhas que lhe sobram e então respirando profundamente observa os últimos raios dourados de sol a tingir o céu irem se apagando em um tom azulado escuro... e as primeiras estrelas pontilharem o lado oposto a ele... e sua mente novamente só trazia a imagem dela sorrindo... e ele se pegou pensando se ela estaria agora correndo ruidosa em outros braços.

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