Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cadeado no baú


A muito tempo atrás, a tanto tempo que a escrita não existia, as pessoas se reunião para contar histórias, compartilhar conhecimentos e experiências, eram tempos onde as pessoas se conheciam, respeitavam e sabiam antes de tudo ouvir... isso por que era o tempo da fala, da palavra onde, o que você dissesse teria um valor absurdo, mas como tudo muda e nada é perfeito.
As mentes foram se aprofundando, e como a palavra falada poderia ser distorcida ou entendida de formas pessoais, e as histórias mudavam tanto e os fatos eram sempre confundidos, o homem então inventou a escrita, e passou a copilar seus conhecimentos em folhas de papiros, então a palavra falada perdeu um tanto de seu valor, não valia mais o que se fala e sim o que esta escrito, A palavra falada tinha seu valor, mas só era levada em conta se existisse um documento comprovando isso, as pessoas passavam a levar o conhecimento em suas mãos.
A Escrita evolui ainda mais, a impressa de Gutenberg tornou os livros populares, e logo todos podiam ir para casa com suas histórias, noticias, conhecimentos, experiências, tudo, e de certa forma começou ai o isolamento, cada ser sentado em seu canto com um livro, revista, jornal nas mão, mas o ser humano não gosta de isolamento, e a cada oportunidade buscou contato com a pessoa a seu lado que lia, e assim trocavam experiências... noticias... fatos, mas como tudo muda, e nada é perfeito.
O mesmo homem que inventou a escrita inventou a TV, depois o computador, e a internet...
A internet acentuou o isolamento provocado pela impressa, pois agora vivemos todos isolados em nossas casas, lendo em telas iluminadas, conectados a uma rede, alimentando nossa fome de conhecimento, noticias, experiências mas isolando todo o convívio real...
Mas o ser humano é realmente um ser que gosta de contato e ai inventou a rede social, os programas de chat, e nos trás cada vez mais a um principio digital do mundo da fala...
Cada um pode alimentar aqui um fogueira virtual, onde todos podem vir, juntar-se a ela e contar histórias, noticias, fatos, conhecimentos, informações...
Mas como tudo muda e nada é perfeito, não pode-se acreditar em tudo que se vê na internet, as noticias, fatos e muitas vezes pessoas que aqui se encontram não são reais...
E as que são reais muitas vezes são esquecidas em um canto empoeirado desse mundo de bits e bytes...
Escrevo para contar histórias, experiências e conhecimentos... mas como tudo muda e nada é perfeito... acho que não tenho mas o que escrever, nem sei mais o que escrever...
Talvez... quando as mídias evoluírem e eu também... eu possa contar algo de uma maneira diferente dessa...
Acho que esse blog... não tem mais por que existir...
A pouco mais de 2 anos escrevia aqui por um motivo... bem... eu não acredito mais que seja importante escrever aqui...
Então... estou fechando esse baú... não sei se pra sempre... não sei até quando... mas não escreverei mais...
Obrigado a quem aqui veio... obrigado a quem ainda vem... quem sabe se “bilhetes” forem postos em meu baú eu possa escrever algo... mas agora... não tenho motivos, nem sonhos que me motivem a escrever...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Seu tempo acabou.

Ele deitou-se enquanto o senhor arrumava a mesa atrás dele, logo o som do relógio tomou conta do ambiente, e o o tic-tac, tic-tac, tic-tac, ritmava a respiração sem nem se fazer perceber, O senhor sentou-se na poltrona fora do ângulo de visão do jovem apoiou o pequeno caderno na coxa e então perguntou.
- Conte-me, o que foi que aconteceu de tão triste assim?
O jovem suspirou pesadamente, quis sentar-se e olhar nos olhos do senhor, mas as outras tantas vezes que foi repreendido o saltou a mente e ele apenas colocou as mãos na nuca e começou a falar.
- Quando a conheci eu achei que eu me controlava bem, não deixava ninguém entrar em minha vida, eu estava mesmo disposto a ser como todo mundo, um cara comum como tantos que andam por ai nas ruas... estava me protegendo, podia até parecer que não mas estava... o senhor sabe, tinha acontecido tanta coisa nos anos anteriores que e eu não acreditava mais em ninguém... até que encontrei ela...
- Ela?
- Sim.. ela.. foi meio que sem querer... na verdade totalmente sem querer... ela me disse que tantas vezes que não valia a pena eu apostar nela, por que... bem por que ela tinha uma história complicada... mas eu não conseguia evitar... e pouco a pouco eu fui sendo invadido por ela...
-Fale-me melhor sobre essa “ela”.
- Quando a vi a primeira vez, foi meio estranho... não a conhecia, nem se quer tinha contato direito com ela, mas a intimidade foi instantânea, a gente se falou, e acabamos indo a um bar, sentados falamos tantas coisas, sobre nos mesmos... ela me contou sobre ela, e o que tinha achado de mim, que minha primeira impressão não foi das melhores graças a um amigo em comum, mas depois ela viu como eu sou... eu contei de mim... ridiculamente abri todo meu peito no primeiro minuto, me desnudei... eu que queria me proteger... me descuidava.
- entendo ... prossiga
- A gente teve bons momentos juntos, aquela noite se estendeu um pouco, e logo estávamos andando de mãos dadas, eu ainda sinto o abraço dela... e os pés Dela cruzando por trás de minha perna enquanto conversávamos com conhecidos, ainda sinto o perfume.....
- Memórias são engraçadas, você se lembra de alguma coisa ruim desse dia?
- Sim... as 0h ela teve que ir embora.
-Há... síndrome de cinderela?
- Não... ela morava longe mesmo... depois disso a gente se encontrou de novo, e de novo.. e de novo até que um dia ela me disse que não queria mais...
- Te deu motivo?
- inúmeros... mas eu dei apenas 1 e ela continuou comigo... a gente tinha uma intimidade ancestral, nos falávamos como se já fossemos conhecidos de milhares de anos, eu entendia ela sem que ela precisasse falar nada... mas...
-Mas?
- Mas a gente acabou se desentendendo, eu tive meu papel de louco, ela teve o papel dela, e quando eu pensava que tinha sorte... me foi tirado a força... já faz tanto tempo que eu não a vejo, mas ainda hoje quando chego em casa... ainda sinto saudade e falta dela.
- Esse tempo todo você não esqueceu? Não desistiu?
-Não... eu passo todo tempo pensando que poderia voltar no tempo...
-E mudaria algo?
-Não, se eu pudesse eu faria tudo novamente, abriria a guarda de novo, seria o melhor e não teria medo de me entregar a ela, sabe. Covardia nunca foi uma característica minha, eu sempre enfrentei tudo, e não tenho medo de assumir a culpa de um erro ou dois, e nem tenho medo de tentar se feliz, nem que seja por pouco tempo, nem que seja por um momento tão curto se comparado a vida.
- E você ainda se sente vazio?
-Eu tenho que me sentir vazio... se tudo que eu sempre soube que me completaria esta com ela... e ela... esta agora longe... talvez nos braços de outro...
- E ainda assim você chega em casa e sente saudades dela? Não parece justo não é mesmo?
- E quem disse que o amor é justo? O amor é louco... cego, fogo, mas justo? A única coisa que o amor e a justiça tem em comum é a falta de visão...
O relógio toca e o senhor diz
- Seu tempo acabou...

cumplicidade

Eles se olharam uma ultima vez, antes que o silencio terminasse, antes que voltassem a estourar farpas um na face do outro... ela o observou passar a mão pela cabeça e os dedos enterrando-se nos cabelos negros dele, até sentiu vontade de fazer ela mesmo aquilo mas calou-se quando percebeu que ele tinha os olhos fundos em lagrimas.
-Você quem sabe. – Disse ele mantendo os olhos baixos – Não posso e nem vou ficar aqui contando tudo que já sabe, e nem vou ficar indo atrás de ti, toda vez que tento te fazer uma coisa me responde sempre da mesma forma, toda vez que tento te abraçar, me aproximar você vira esse porquinho espinho e sou sempre eu que estou errado...
- E vai me dizer que não esta?! – interromper ela levantando-se rapidamente do sofá mas parou e apenas suspirou pesadamente.
- ... Eu não disse que estou certo... aliais dessa vez, diferente das outras eu sei que estou bem errado... talvez até mais do que o de costume... mas você pede pra eu ver seu lado, me por no seu lugar, e você se pois no meu!?
Essa frase a fez penar... ela pensou no que ele sentia? Será que ela estava agindo certo mesmo? Ou será que os dois estavam errados?
-O que eu tenho que levar em consideração vindo de você? Por favor me diz, por que eu tenho que me colocar em seu lugar? Você não pensou, agiu sem pensar... e porque isso?
Ele levantou os olhos e a viu de frente a janela, a luz da rua entrava por ela em um tom alaranjado o que fazia suas mechas ganharem uma cor mais vida e seus olhos... seu olhos ficarem inda mais encantadores, ele quase a abraçou, mas calou-se vendo ela virar baixar a cabeça enquanto uma lagrima corria sua face.
-Eu Não sei o que te dizer... Tinha mil motivos para fazer o que fiz , mas estes motivos são meus, frutos de meus sonhos loucos... frutos de um sentimento que nunca consegui segurar, dominar ou apagar... e por isso fiz o que fiz... mas como disse.. você que sabe... eu não vou dizer mais nada.
-Acho bom mesmo... Cada vez que fala é pior... diz coisas que não faz sentido, nem mesmo se fossem ditas por uma criança, você não tem noção de como me fez infeliz, de como eu estou me sentindo nesse exato momento, de como eu gostava mas agora odeio pensar e lembrar que a gente se fala por minha culpa... como pude ser tão inocente, infantil e acreditar em você ... de novo?!
Ela dizia as palavras mais duras que conseguia pensar e as atirava sobre ele, e ele despido de desculpas e com o peito a mostra pela culpa aceitava as verdades como flechas, facas... e cada ponto, cada virgula, tudo doía como mil punhais... ele levantou-se tentando afastar um pouco a dor e caminhou para o outro canto da sala... olhando as fotos no aparador, as contas e o tapete que no espaço entre um pé e outro agora tinha uma mancha de lagrimas.
- Você diz que não sei como esta se sentindo agora... diz que o que digo não faz sentido e que te fiz infeliz... bem... acredite... eu sei bem o que você esta sentido... Da ultima vez eu fiquei sozinho enquanto você foi cuidar de sua vida, foi morar fora... foi atrás de seus sonhos, foi eu que fiquei aqui sozinho, da ultima vez por longos anos eu que chorei sua falta, eu sei bem como você se sente nesse momento... mas você pensou em como eu me sentia antes?
- Seria mais fácil se você aprendesse a separar tudo... você confunde o que falo.
-É ... é fácil para você agora? Por que não foi fácil pra mim perder quem eu amava antes, não foi e não é fácil ter lembranças unicamente em minha mente, você viveu sua vida... aproveitou o que pode, fez o que quis... eu ... eu nem sei se existia.
- Você que fez isso com você, eu não te pedi nada, eu nunca te pedi nada... quer dizer... pedia para você ter cuidado e se entender... mas....
-Mas eu nunca fiz isso, e sim você nunca me pediu nada, também não pediu para eu me apaixonar por você, também não pediu para me conhecer mas aconteceu... E o que aconteceu depois disso é sim um misto de culpa e reconhecimento do que estes atos foram, ou são ao menos para um de nós... Eu não só quero que me diga...
- Dizer o que?
- Me diga se realmente quer que eu suma de sua vida? Que vá embora e não apareça nunca mais... por que é isso que sua boca me diz... mas não sei se é o que você realmente quer.
-Vai... Me deixa... Não fale comigo mais... nunca mais... Acho melhor assim. – disse e repetiu uma vez mais.
- Ok... –Respondeu ele pegando sua mochila - Eu vou... e como te disse da ultima vez, eu digo de novo... Eu vou te ter sempre comigo... mesmo que não seja ao vivo... mas vai ser sempre viva em minhas lembranças... você é a melhor pessoa que já passou por minha vida...
A portas se fechou em suas costas e ele desceu os lances de escada e tomou a rua... e lá fora o dia parecia compactuar com ele... ao menos em lagrimas...

Coça a cabeça

Esfregou a cabeça, talvez um ato impensado de seus desespero, mas esfregou de novo... não era uma coceira ou irritação epidérmica, era bem fundo... e bem longe da cabeça embora fosse ali.. na massa cinzenta comprimida no diminuto espaço de um crânio que se formava toda a sua angustia, e por fim só restava a ele rodar na cama e esfregar a cabeça.
E por que esse ato? Pensou ele tantas vezes enquanto instintivamente ainda esfregava a cabeça, os dedos e seus cabelos, o olhar perdido no teto, os pensamentos correndo ali dentro e ele simplesmente esfregava a cabeça e se perguntava por que esfregava a cabeça... na verdade, na pura verdade ele sabia o motivo por que repetia o gesto natural de esfregar a cabeça... mas queria não saber e simplesmente se perder nos pensamentos de quem esfrega a cabeça sem motivos.
O volume sobre a mesa, em um tubo bem enrolado o fintava como quem provoca, zombeteiro, parado ali apenas parado, com quem em uma discussão ao invés de gritar se cala e mantém a face plácida e quieta, calada enquanto o outro lado grita esperneia e esfrega a cabeça, o volume enrolado o fintava ali... desafiadoramente parado, inerte como todo e qualquer tubo, como todo e qualquer volume sem vida... Mas era o que continha o tubo que o inquietava.
O telefone até tocava, mas não era nada se não um ou outro amigo ou parente distante, e quando não o tinha nas mãos próximo ao ouvido, coçava a cabeça e o olhava, olhava o telefone como quem busca uma solução, como quem olha um mestre de sabedoria dizer tudo que sabe, e muitas vezes o que nem imagina para entreter seus seguidores... mas o telefone por si só não fala, nem liga... ele simplesmente espera ser chamado... e espera enquanto ele coça a cabeça...
Deitado no sofá, o filme começa... um texto qualquer apresenta um personagem qualquer, uma linha besta e uma pergunta e ele se pergunta “por que diabos coço a cabeça?” e o faz enquanto coça a cabeça, as horas passam o dia passa, a noite chega e ele coça a cabeça... irritado por saber o motivo mas não conseguindo evitar ele coça a cabeça e depois de fazer... coça novamente.
O pedaço de papel em braço é uma carta ainda não escrita, ao menos ali materialmente, pois ele já tem todos os pontos, virgulas e acentos em seu mente, ali... bem ali... debaixo dos dedos que coçam a cabeça, mas ele não escreve, teme... tem o receio de que diga algo fora do lugar, que mesmo se preocupando tanto em fazer algo certo erre e errando perca, e perdendo... viva seus dias vazios a simplesmente coçar a cabeça.
Um olhar perdido por todos os cantos, o telefone mudo falando tudo de sua solidão, as contas pagas e amontoadas, os bilhetes, cd´s e dvd´s em caixas plásticas tão sem vida como o volume sobre a mesa... aos infernos, abre o volume e vê... ali... tantos pontos que foge até a quantidade... tantos aglutinados pontos, mas ali na soma de todos os pontos esta ela... olhando para o nada... um olhar sereno... profundo e tão perdido no tempo como ele...
Ele que agora vendo ali pontos e mais pontos, tão de perto, tão próximo o coloca na parede e se afasta, e assim olhando os pontos se senta, e sentado faz a única coisa que pode fazer...
Chora enquanto coça a cabeça saudosamente dos carinhos que ela fazia... e pensa.
Por que diabos fui tão estúpido...
E coça a cabeça

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"A PESSOA"




Já teve alguma vez a sensação de que tinha, encontrado “A PESSOA”? Sabe, aquela pessoa que te entende sem muita explicação, que te faz sorrir no meio do dia sem nem te ligar ou falar com você, você sorri pelo simples fato de lembrar de algo que aconteceu, a pouco ou a muito tempo, ou pelo simples fato de lembrar dela?
Sabe aquela pessoa que te conta sempre as mesmas piadas, brinca sempre da mesma foram mas mesmo assim, mesmo anos se passando você ainda ri, ainda se diverte e gosta do “jeito” dela?
Sabe aquela pessoa que toma casa segundo livre da sua vida, e mesmo quando esta cansado querendo dormir ou apenas ficar em casa afogado em seu edredom, mas basta ela te dizer que ta afim de sair e você já se apronta e vai pra rua com ela?
Sabe aquelas pessoas que você adora por completo, mas tem pequenas partes que você nunca esquece, e talvez sejam essas coisas que te faz sorrir no meio do dia. Sabe aquela pessoa que as vezes no meio do dia você fecha os olhos e tem a nítida impressão de ter voltado no tempo e estar ali de novo vendo novamente uma cena de uma quinta sexta feira qualquer , em um lugar qualquer, e faz essa sexta deixar de ser uma sexta qualquer e esse lugar um lugar qualquer?
Sabe quando você pensa tanto nessa pessoa e tem lembranças imaginadas? Quando pensa tanto e tantas vezes a mesma coisa, uma carta, um telefonema, uma batida na porta, ou simplesmente um esbarrão na rua, sabe aquela pessoa que te faz pensar tudo isso, e mesmo que pareça triste você ainda sorri e quando perguntado o motivo, você responde simplesmente “é por que ela existe”, você já teve alguma sensação assim?
Sabe que as vezes “A PESSOA” não te vê como “A PESSOA” dela, acontece... acontece que as vezes somos “A PESSOA ERRADA” Ou “A PESSOA” é errada para gente... não sei... mas me diz... você já sentiu algo assim?
Já fechou os olhos sem eu sofá e pode ver ela sentada , se arrumando, ou fazendo alguma coisa qualquer, sabe aquela pessoa que você intuitivamente sabe quando ela muda o cabelo, quando esta feliz ou triste... e sabe-se lá por que compartilha com ela um frio na barriga ou um calor nas costas?
Sabe... se tu já sentiu isso, uma dessas coisas... ou todas... Se mesmo sabendo que não tem como, nem por que você continua sonhando e criando lembranças imaginadas... fique sabendo que você realmente encontrou “A PESSOA” ao menos é alguém que pode ser chamado de pessoa... já que hoje em dia nesse mundo louco...
Tudo isso passa tão despercebido que ninguém nem sabe que existe alguém assim...
Eu acho que já encontrei “A PESSOA” mesmo que ela ache que é errado, e que eu não seja para ela isso... mas... a gente leva a vida para saber quando encontrou alguém assim...
É sorte quando se encontra tão cedo... ou azar quando se perde inda mais cedo
É... se ela ler isso vai saber... que é “ A PESSOA”.

Mar morto

Ele caminhava pelas ruas a mochila pesava em suas costas e o vento estourava em sua face esquivando de qualquer contato inesperado, ele mantinha os olhos baixos, furtivos... o cabelo liso e úmido pela chuva fina caiam sobre seu rosto e como cortina escondiam as lagrimas que ali corriam, as pessoas alheias a seus sentimentos e medos o olhavam até com desconfiança, e se não fossem as roupas alinhadas ele seria visto como mias um.. um qualquer.
Ele caminhava pensando no que fazer, não podia voltar, não devia voltar... a porta fechou-se atrás dele como um baque ensurdecedor ele ainda sentia o vento do deslocamento passar por sua orelhas levando com ele o som seco e forte da porta se fechando, e no fundo o grito de dor e raiva dela...
A sua frente as pessoas discutiam coisas triviais como contas a pagar, quem iria buscar quem em casa, e quanto ficou o placar do jogo, mas ele estava ali... escorrendo como as gostas em seu casaco, mochila e em seu rosto... ele estava ali... derretendo-se sem que ninguém percebesse isso, e os poucos que notavam, davam-lhe as costas e se olhavam de novo não era sequer por pena, olhavam-no como quem estuda um efeito, queriam apenas... olhar acontecer de novo.
Logo ele entrou na rua de sua casa, a inclinação fazia com que poça alguma se formasse, e mesmo com o aumento da intensidade da chuva as águas ali corriam mais lentas que em seu rosto, por vezes balançou a cabeça tentado afastar as lagrimas e as memórias taxativas que o culpavam a cada passo.
O seu porteiro sorria por educação enquanto ele entrava, a figura encharcada do rapaz pouco lembrava quem ele era nos últimos meses, mas agora ali pingando no carpete esperando o elevador, o porteiro sentia pena do rapaz... e não era por suas lagrimas no rosto, mas por seu estado comicamente molhado... totalmente molhado.
No elevador a senhora que antes sempre puxava assunto com ele hoje afastou-se e fingiu arrumar o cabelo, no espelho manchado, e essa viagem pareceu durar mais do que o costume, o elevador parecia pesado, mais lento que o de costume, mas por fim ele estava entrando em casa, e despia-se das roupas molhadas, e caminhava pesadamente ao banheiro, e logo deitou-se na banheira e deixou que a água quente o trouxesse de volta a realidade... talvez seu pior erro.
Ali deitado com a cabeça recostada na aba da banheira, sentindo o vapor subir em seu rosto, derretendo a geleira que a tempos trazia no peito, chorou mais, tanto que logo a água da banheira esfriava e passou a lembrar o mar... um mar de tristezas e arrependimentos...
Afundou e afugentou assim do rosto mais uma lagrima que salgava-lhe a pele e regava tristemente seu rosto ...
Por fim ao abrir os olhos pode ver no aparador uma das tantas fotos que tinham juntos... mas agora... era impossível tal ato... Ela fechou a porta em suas costas... ele não teria mais como voltar...
Pensou em sair, em se enxugar e empurrar garganta a baixo uma comida sem gosto... mas a banheira, mesmo fria, parecia melhor que o mundo La fora... e ali deitado continuou a transformar sua banheira em uma pequena mostra do mar morto... salgado e triste.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

sem sentido... sentindo tudo.

Posto meu caminho sob a sola de meu pé,
caminho, caminho calmo, mesmo sem destino
caminho, para frente, um passo após o outro, com fé
buscando ali, ou aqui um espaço um cantinho
As vezes, a vida vã, vacila e Poe no trilho que sigo
uma pedra sem motivo, e a topada inevitável vem
penso eu, é maldade desse deus? É com todos ou só comigo?
mas depois, sinal da cruz rezo, peço desculpas e digo amém
De todas as topadas que dei, talvez a ultima seja a pior
e ver a pedra vindo, ver ela chegando e por o dedo sem pestanejar
só para o dedo, não o grande, nem o do meio, o menor
em cheio, bem no meio, bem medido a pedra acertar.
Sabia que a dor ia vir, sabia que ia até sangrar
Mas qual caminho não se tem uma dor?
Qual vida não se pega a chorar?

É verdade, não devia, mas aconteceu, não da pra voltar
Queria de verdade a tento a dor, e ela evitar
Mas as vezes a pior dor, não é a que faz sangrar

As vezes ela vem do nada, e causa um suador
As vezes ela esfria, te faz da barriga um congelador
é acredite... a pior dor...é a dor do amor.

O TEMPO

O tempo
(Mário Quintana)

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Para que você saiba.

Ela subiu as escadas, o elevador estava com defeito de novo, mas eram poucos lances de escada, o dia nem tinha sido complicado... ela só queria mesmo tomar um banho e preparar a janta para seu marido que estava para chegar... queria poder sentar-se com ele e ver tv...
Assim que parou frente a sua porta, viu uma pontinha de envelope por baixo da porta, puxou e pode ver que era uma carta dele...
Abriu ali mesmo do lado de fora da porta e entrou lendo...

“Para que você saiba
Eu só quero que você saiba o que você foi pra mim e que eu realmente só desejo coisas boas para você, ou vocês.
Eu sei que tem aversão a mim, que hoje estou a sombra de algo que já fui um dia e que estou nesse lugar por que eu mesmo fiz assim, mas espero que você saiba que não tenho toda culpa.
Eu sei que você esta feliz, e que provavelmente tem seus planos, deve ter uma aliança em seu dedo e um projeto de casa em sua mente, deve sorrir ao caminhar ao lado dele e certamente nem deve lembrar de mim, eu não lembraria, Devo ter sido apagado de sua mente tão facilmente como você entrou na minha.
Eu espero que ele te faça feliz que te de a atenção que gosta, quando casarem que ele sempre seja o marido que quis ter, que sua linda filha pareça com a mãe, tenha os olhos assim fortes, que saiba sorrir como a mãe... em fim que seja linda.
É por mais que eu diga isso tudo eu no fundo acho que não e justo, mas a gente cresce e hoje eu sou uma versão mais madura do que fui um dia, com os tropeços e quedas que tive, e tive tantas, que as vezes até me confundia, que cicatriz foi você que vez e qual eu já tinha...
Eu só quero que você saiba que mesmo que não veja, e não perceba, eu realmente me importava, me preocupava... estranho dizer isso no passado... mas...
Eu sei que você esta indo bem, que esta em paz, mas eu só quero que saiba que mesmo que você esqueça de mim, mesmo que eu veja seu sorriso por outros motivos... eu só quero que saiba que quando disse que era até morrer eu não menti... talvez você só perceba isso quando eu realmente deixar de viver...
Mas o importante é que você saiba que mesmo errado, mesmo sendo culpado e esquecido, eu espero que não se esqueça das coisas certas ditas e feitas, que não é justo ter dois pesos e duas medidas, que nunca foi uma vontade te ver chorar...
Eu só quero que saiba...
E eu acho que você já sabe...”

Depois de ler... guardou o envelope e a carta em sua caixa, e foi cozinhar... pensando se realmente ela sabia o que ele quis dizer com aquilo... e ser realmente era verdade....
Mas o pensamento que mais a atormentou foi...
“Realmente eu esqueci rapidamente... e nem lembrava mais dele”

O tempo passa rápido, as vezes a gente não se lembra, se esquece por descuido ou idade... mas eles sempre aparecem... eles os sonhos, as vezes a gente sonha com algo que acredita que nunca vai acontecer, e acontece inesperadamente, pode até dar errado, pode até sair contra o planejado... mas é ele... o nosso sonho...
E tem horas que os sonhos parecem bons... mas acabam virando pesadelos...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"é hoje"

Ela prendeu a respiração enquanto sua mãe fechava o vestido, seus olhos brilhavam ao se ver no espelho, as longas luvas e logo as flores em sua mão, sua irmã em um vestido de festa a olhava da porta e tentava segurar as lagrimas, mas uma ou outra escapavam e corriam o rosto maquiado... Ela Sorriu de volta e disse apenas.. “é hoje”
Ele olhava o relógio, e quando menos esperava estava olhando novamente o relógio, a igreja já estava cheia , vez por outra um amigo vinha a seu lado, punha a mão em seu ombro e dizia um calmante “relaxa”, era fácil dizer isso, mas para ele que estava ali de pé ao lado de um padre, esperando era bem complicado... Seu amigo fingiu arrumar sua gravata e disse olhando para ele “calma... ela vem” e ele respondeu “é... É hoje”

Ela entrou no carro, arrumando calmamente o vestido, a frente seu pai e no carro que seguia atrás sua mãe, seu cunhado e sua irmã, ela sorria mas sentia um estranho frio na barriga... não era apenas a anciedade.. era como se algo estivesse faltando... “Pai, as alianças?” e logo confirmou que estava ali no bolso dele, e que estava tudo certo... mas o que estava faltando!?
Ele respirou fundo, quando sua futura cunhada o sorriu do fundo da igreja, e as portas se fecharam, Todos sentados em seus bancos os olhavam com admiração, ele sorria mas em seu peito algo apertava, olhou para o padre, e depois virou-se aos primeiros acordes da macha nupcial .
Ela Saiu do carro e deu os braços a seu pai, ambos não agüentavam a emoção e subiam paço a paço pequena rampa e depois uns poucos degraus, a porta fechada, ela olhou para seu pai e ele perguntou calmamente “ Esta pronta?” e ela acenou com a cabeça e uma mordia suava em seu lábio... Lá dentro os violinistas iniciaram sua musica preferida e a porta foi se abrindo.
Ele viu ela entrando de braços dados com seu Pai, a frente os seus padrinhos logo a noiva era entregue a ele, um pequeno dialogo entre noivo e futuro Sogro, e agora os dois de costas ao publico davam atenção ao discurso do padre.
Ela entrou calmamente, de braços dados com seu pai, a sua frente uma pequena dama, e no altar seu noivo a esperava ,um sorriso largo no rosto, e ela quase chorou, mas caminhou, afinal era hoje...
O padre falava sobre amor e fidelidade equanto ele já pensava que algo estava errado, a seu lado a sua esposa sorria e ele sorria de volta, logo os votos e por fim estavam juntos entrando no carro sob uma chuva de arroz.
Ela apertava a mão de seu noivo com força e esperava que tudo terminasse bem, o sim, a assinatura, e logo estavam rumando para o salão de festas e seu noivo perguntou...
“você esta feliz? Esta segura mesmo de tudo?”
E ela respondeu com um beijo calma em seu lábio...
Ele abriu a porta enquanto sua esposa entrava no salão e la dentro os convidados e parentes sorriam e salvavam, sua esposa sorrindo olhou o nos olhos e se beijaram sob flashes de fotógrafos e convidados.
Ambos se casaram, cada um com outra pessoa, cada um em um canto da cidade, mas ambos sabiam que “era hoje” o dia de dizer adeus, de se afastar e seguir em frente... cada qual com um parceiro diferente, nem melhor nem pior... apenas uma outra pessoa...
Ambos disseram sim... e nessa hora esqueceram de verdade de tudo que já tinha passado, não pensavam mais no que havia sido, ou no que podia ser.. pensavam em ser feliz com quem estava a seu lado... e era isso que importava.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

DOR

Descobri qual o sentimento mais egoísta que existe, e me surpreendi com isso achava antes que esse sentimento unisse as pessoas, mas acho que quando isso acontece é a famosa exceção da regra... esse sentimento meus amigos... a gente convive com ele desde pequeno, mas ainda assim somos incapazes de entender e suportar... o sentimento da dor... é o sentimento mais egoísta que existe.
Nunca vi alguém que sentindo dor, uma qualquer, se pergunta-se se sua dor é maior, pior, melhor ou mais suportável que a dor do outro, as nossas dores nos cegam as dores alheias, a gente esquece de tudo a nossa volta, e se concentra unicamente em sanar, curar, fazer a dor parar... e quando não podemos, pedimos a alguém para ajudar com a famosa frase “faz parar” sem saber se este a quem falamos também sente dor...
A gente sente uma dor, uma dor terrível, e esquece que alguém pode ter passado anos sentindo uma dor lasciva massacrante, e mesmo assim a gente pensa que a nossa dor, essa que estamos sentindo agora, é a pior dor do mundo.
As vezes a dor que sentimos foi causada por alguém, foi feita por alguém sem cuidado, sem preocupação sem atenção, e a gente sente essa dor, tem vontade de matar a pessoa... mas não olhamos que ela tem nela todos os traços de uma dor terminal, uma dor triste que não existe anestésico que resolva...
E por falar nisso, eu sou alérgico a anestésicos, sinto toda dor, em tudo, de uma ida ao dentista a um corte para retirada de um cisto ou biopsia... talvez por isso eu possa dizer que sempre que sinto dor acho uma coisa normal, nunca fui anestesiado por nada, acho que sou um cara que provou de tudo realmente, da dor a uma alegria...
Eu tenho me perguntado se existe culpa na dor alheia, se realmente alguém é culpado por uma dor sentida? Acho que depende muito da dor... mas não vamos ser egoístas e achar que somos sempre os certos em tudo e que a dor que sentimos é culpa de outra pessoa, apenas, é nossa também.
O prego não tem culpa de ser pisado, o martelo não tem culpa de acertar o seu dedo, fulano não é culpado por não amar a uma certa pessoa, nem sicrano é culpado por se preocupar com beltrano... e beltrano pouco se importar com isso por que esta preocupado de mais com sua dor.

A dor é sem duvida o sentimento mais egoísta que existe e mesmo nas horas que une as pessoas o faz por egoísmo, une para que alguém pare de sentir dor, e quando para de sentir pouco se importa se a outra pessoa esta sentindo-se bem ou não...
Você pode ir a um velório sanar a dor de alguém, ou ao menos tentar já que isso somente a pessoa pode curar, mas você vai dar seu carinho a dor... por egoísmo... para que você se sinta melhor... pela perda alheia... você quer sentir-se bem acreditar que fez algo de bom... e assim diminuir a SUA dor.
A dor é um sentimento, um sentido uma guia um mal, uma proteção e ainda assim não é vivida por todos como algo comum, algo que acontece e passa... ou melhor.. quando é para os outros passa, mas na gente é sempre para sempre e sem volta... sem fim...
A dor é sem duvida... egoísta de mais... quer ter todos os sentidos trabalhando unicamente para ela, e as vezes até toma a vida...

Eu estava em um momento egoísta... vivia minha dor... aquela dor... sabe..A DOR? Pois é... acontece que abri os olhos e vi que tem muita gente sentindo “A DOR” a minha volta...
O chato é que a minha dor não é percebida por ninguém... nem por quem eu causei uma dor, e nem por quem me causa dores... engraçado né?
Acho que vou ser egoísta de novo e esquecer a minha dor... se doer mais tarde... bem... vou ao dentista... dizem que uma dor cura a outra...

domingo, 14 de agosto de 2011

Faço dessas as minhas palavras

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Ultimo bilhete.

Ele chegou em casa e por baixo da porta um bilhete, abriu despretensiosamente e leu.

“Estou indo embora para não mais voltar, a gente nunca daria certo, a gente nunca deu certo... sempre existiu esse buraco entre a gente, essas coisas que você busca e eu não posso te dar, e eu nunca vou ser quem você gostaria que eu fosse, assim como você nunca é quem eu gostaria que você fosse,
Por mais que a gente se goste, por mais que a gente se respeite, sempre acontece de um magoar o outro de um fazer mal ao outro sem perceber, as vezes por pensar que esta fazendo a coisa certa outras por não saber o que fazer...
Eu admito que não é uma pintura na parede que me fazia ficar louca, nem as cartas guardadas com tanto carinho, muito menos as horas que passava trancado em seu escritório relendo as mesmas... o que mais me fazia mal, e ainda faz, é olhar nos seus olhos e perceber que você nunca estava ali, estava sempre atrás a um tempo, em um lugar que eu não podia ir com você...
Sempre temia que um dia você me dissesse aquela frase maldita, e se afastasse de mim, eu sei que tentou se aproximar, tentou ser diferente, e eu também tentei mas... mas você vai sempre pensar nela, vai sempre sorrir quando ouvir o nome dela na rua, vai sempre ... sempre esperar por ela... E todo erro que eu cometo, toda vez que eu piso na bola é terrivél é a pior falha que poderia ter, mas quando me contava das coisas que ela fez... mesmo sendo ruins... você fechava os olhos e eu sabia que você já tinha perdoado... mesmo quando eram erros terríveis e te faziam sentir-se mal...
Eu não sei como, nem por que a gente ficou junto tanto tempo... na verdade eu me via como sendo uma válvula de escape para você, sempre que seu dia não era bom, eu estava lá pronta pra te ajudar te apoiar e te animar... mesmo que recebesse apenas um afago bobo em troca...
Mas hoje eu vi que não posso ser assim, que já tinha te perdido pra ela antes mesmo de você ter se ficado comigo... Não posso pedir muita coisa depois de tudo que a gente já teve, e tudo que eu sei que me deu com todo respeito e carinho, mas quero te pedir uma ultima coisa.
Seja feliz... Seja realmente feliz... por que Não existe no mundo homem como você, não existe no mundo, pessoa tão especial e maravilhosa como você... eu vou sempre fechar os olhos e sorrir quando ouvir seu nome... mas sei que quando você fizer o mesmo não vai ser o meu que vai pensar... e ouvir...
Desculpe não ser a mulher perfeita pra ti... desculpe ter tentado tapar um buraco que não é o meu tamanho... desculpe por minhas tentativas de ser presente e melhor a sua vida... mas..
Eu sei que nada seria bom e nem suficiente... por que Eu não sou ELA...
Adeus... Cuide-se... e seja feliz.”

Ele sentou-se no sofá olhou a volta e a casa vazia apenas os mesmos moveis de sempre, as mesmas coisas fora do lugar... e o mesmo retrato pintado na parede...
Mas agora... ele sentou-se no sofá e soube que seria sempre assim... ele vazio... esta que estava a seu lado partindo por que vivia a sombra dela.... e ela longe... sabe-se lá onde...

sábado, 13 de agosto de 2011

Uma história de cinema

Sempre via os filmes e me imaginava sendo um personagem, um herói um dos mocinhos, sempre foi assim, desde que me lembro, e acho que não sou o único, todo mundo sonhava ser como o Rambo, ou dizer “I´ll be back” em socar uma porta como Bruce Lee... e com o passar dos anos a gente vai ficando mais velho e vamos mudando um pouco os heróis...
Hoje eu não me vejo sendo um Obiwan Kenobi, ou um Luke Skywalker, na verdade... não me vendo sendo nenhum desses heróis, ou mocinhos dos filmes... mas ainda me imagino em algumas cenas...
Tornei-me um apaixonado por cinema, talvez por ter uma preguiça louca em ler, depois apaixonei-me pela leitura e vivenciava os personagens da mesma forma que os filmes... e por fim... passei a escrever com base nessas duas paixões... na verdade três... tendo em vista que quando deixei de gostar dos filmes de ação me entreguei a paixão pelos filmes com enredos românticos e complexos...
Até hoje quando vejo um filme com uma cena marcante penso que gostaria de ter vivido aquilo, ou algo assim, sempre penso em dizer as frases de efeito que todos vêem em filmes, outras penso, e até escrevo, as declarações de amor que sinto falta em alguns filmes... mas uma coisa nunca mudou... eu continuo querendo viver uma história assim.
Eu sei que escrevo aqui muitas vezes coisas que podem ser bonitas, mas estão longe de ser a verdade no mundo, eu escrevo o que eu gostaria que fosse verdade, muito embora não seja... escrevo esperando que alguém leia e pense como eu, “eu gostaria de ter dito isso a ela”...
Eu devo admitir que tenho uma grande paixão, quem sabe a maior que poderei carregar nesse peito, e que tirando um ou outro elemento, que por não ser um filme não muda e continua sendo escrito sempre da mesma forma, essa minha história seria um bom filme de romance.
Mas como disse anteriormente eu escrevo como eu gostaria que fosse o mundo, e não como ele é... Nos meus textos muitas vezes o “mocinho” acaba só, mesmo ela ainda sendo apaixonada por ele, ou ela o procura e ambos percebem que se amam perdidamente... mas é um texto... na vida real isso não acontece e se acontece... não acontece comigo.
O tempo vai passando, e as duras horas de um filme podem contar romances que levam meses, anos, décadas para acontecer, ou então romances que passam rápido, tão “ligeiros” como os 120 minutos... pode parecer loucura isso mas quantas vezes você já ficou sentado em uma sala de cinema imaginando o que aconteceu com os personagens do filme? Será que foram felizes? Será que ficariam juntos mais tempo?.. e quanto tempo? E melhor...e qual seria a qualidade desse tempo?
Eu enquanto escrevia esse texto me pegava realmente pensando nessa minha história que seria perfeita para um filme, talvez com um tom de comédia, ou um dos clássicos pesados britânicos... não sei... sei apenas que se eu visse um filme que contasse o que vivi, e posso dizer que alguns chegaram bem perto. “500 dias com ela” foi um que cheguei a olhar para o lado por ter frases ditas idênticas as que dizia e ouvia...

Foi ai que percebi que eu vivi um filme, e ainda vivo um grande filme de romance, muito embora eu não saiba como vá terminar, eu vivo, e como no cinema a gente roendo as unhas tem uma suspeita do fim, eu também tenho a minha, mas não fico roendo as unhas... eu apenas me sento muitas vezes no canto escuro de meu quarto e escrevo linhas... linhas que descrevem inúmeras vezes o que eu gostaria de dizer a ela... e não posso.
E por que não posso? Porque Pedro Almodovar certamente escreveu minha vida, e meu romance não é um clássico shakespeariano, mas vive seu momento de amor impossível.
Mas eu me sento... e me forço a escrever linha a linha, declaração a declaração tudo que gostaria de dizer a ela, muitas vezes ao pé do ouvido, outras tantas olhos nos olhos, e escrevo o fim que espero... mesmo sabendo que a vida nem sempre imita a arte, e eu nem sei se o que faço é visto como arte ou “artifício” mas escrevo e espero que ela leia, espero que ela entenda espero que ela pense assim como eu... “eu gostaria que ele me disse isso” muito embora o “ELE” não seja eu...
Esse filme que eu não sei como termina, nem sei se tem muito tempo ou se vai acabar no próxima cena sem explicar nada ou dar solução a nada... e talvez nem tenha fim, nunca se sabe se teria um segundo filme, se o que vivia antes era apenas um trailer... ou cenas de promoção... sei la...
Sei apenas que toda vez que me sento para ver um filme ou escrever um texto... eu penso Nela.. e sim leitor, ou leitora, ela existe... é alguém verdadeiro, mas não é alguém que tenha vivido comigo o que esta escrito nos textos...
Não tenho um filho, mas sonho ter, não tenho uma casa com um belo quintal mas é um plano, não sei se vou ficar velho e ter milhares de lembranças, mas vivo cada segundo pensando e guardando tudo que posso nesse baú... Eu nunca pedi ela em casamento como escrevo... mas escrevo como gostaria de pedir... em fim.. eu realmente sinto muito a falta dela... talvez esse seja o único ponto em comum dos meus textos comigo... a eterna saudade que tenho.
Eu não sei como terminar um filme... nem sei como descrever uma cena perfeita, onde possa-se notar todo o universo que cerca os personagens, meus textos também são assim meio sem fim, meio que sem saber como terminar... as vezes ponho uma reticências outra uma frase que eu penso que descreve bem o texto mas... não termina nada... acho que é melhor assim... por que a vida só termina quando ... acaba... e por um ponto final nas coisas as vezes é presunção de mais...
Assumir que acabou, que nada mais pode ser escrito depois... é um tanto que burrice...
Acho que eu uso a sua imaginação mais do que escrevo...
Talvez seja melhor assim, eu imagino tanto a minha vida como um filme... talvez a sua seja assim também...
Mas acredite.. nenhum filme é melhor que a minha história com ela... mesmo sendo curta, louca e intensa... mesmo parecendo não ter existido....
Em fim... “ Que seja saudade então”...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pensamentos bestas...



Quantas vezes quis dizer algo importante, algo que fosse visivelmente importante a quem eu insensatamente mantenho viva em meu peito, mas sempre que pensava em dizer algo as palavras se misturavam e eu me via repetindo sempre uma mesma frase ou sentença... e nada de novo acrescentava a ela... por longos dias, meses eu passei repetindo as mesmas letras e frases... e hoje... eu não sei o que falar, na verdade nem tenho como falar.
Acredito que o tempo possa sim fazer milagres, que nosso corpo junto com o tempo podem sarar ferimentos, sanar as dores, isso é fato... mas tem coisas que o nosso corpo não apaga, nem o tempo consegue fazer sumir...
Por longas noites eu me via pensando que perder um grande amor é a pior coisa do mundo, e eu posso dizer o que digo, perdi uma grande amiga a 2 anos, e acabei por perder um grande amor... acho que o maior... tempos depois perdi um outro amigo, alguém que tinha se tornado um companheiro em um momento bastante difícil mas... por sorte minha passou mas para ele não...
Hoje eu me pego pensando se esse amor que perdi foi realmente perdido? E eu não sei o que dizer... O tempo que passou me fez pensar em muitas coisas, em até tentar me envolver com outra pessoa mas... o tempo pai de tantas coisas me fez perceber que estava enganado... que não tem como apagar ou curar algo que vem de dentro... o corpo não apaga a si mesmo.
Quando joguei xadrez a primeira vez pensava que era o melhor jogo do mundo, eu costumava jogar imaginando histórias, onde cavalos e cavaleiros se enfrentavam, com os anos eu passei a olhar este jogo e pensar nas metáforas para a vida... e que ele seria a imagem do PLANEJAMENTO, basicamente xadrez se resume em saber umas poucas regras e planejar...
A vida seria bem mais fácil se fosse feita assim, o corpo iria curar muito menos cortes, e o tempo seria o melhor amigo de jogos...
Hoje em dia o jogo que vejo ser o mais próximo da vida é como já disse algumas vezes, o poker, estou em uma mesa complicada... acredite... Tudo a minha volta diz que eu deva dar um Fold... abrir mão das fichas apostadas, e sair... mas eu já estou a tanto tempo dando check, e cobrindo apostas... que recuar agora seria a pior coisa a fazer...
Eu não tenho cartas na mão... sei apenas das cartas da mesa, e para mim a dama que esta ali parece ser a melhor de todas... mesmo tendo um valete ao lado, ou um rei não sei... eu ainda aposto... talvez esse as que eu trago na mão funcione, talvez as próximas cartas a serem viradas mudem tudo... talvez... to talvez o tempo...e o river... possam me ajudar.
Mas na verdade... eu temo que no fim de tudo eu esteja jogando sozinho... e que a pessoa que joga comigo já tenha dado seu fold.. e que esteja jogando para outras mãos em outra mesa... para sempre..
Hoje eu me sinto um joker... uma carta fora do jogo...
Talvez... hoje... talvez amanhã... talvez para sempre....
Mas o que posso dizer é...
Eu adoro, amo mesmo quem estava jogando comigo...
Seja bom ou mal... vou sentir falta dela em minha mesa para sempre... em todos os jogos que vier a fazer... ninguém joga como ela.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Bar

Ele entrou no bar e logo foi saudado por um velho amigo na mesa ao fundo, ele sorriu em retribuição e caminhou até a mesa, a cerveja gelada os dois copos, e o abraço fraternal de seu amigo de longa data... tudo indo bem, sentaram-se e começaram a beber.
Futebol, cinema, viagens e por fim... as mulheres...
- Cara tenho que te contar, sabe to tendo problemas com a minha namorada... a gente briga mais que tudo, esse fim de semana eu viajei com ela... passamos o fim de semana todo brigando... nem aproveitei e nem ela, acho que a gente cansou um do outro... e acho que ela nem gosta mais de mim cara...
- E o que pretende fazer?
- Sei lá já namoro a tanto tempo, 6 anos... acho que se terminar vou curtir um pouco a “solteirice “ aproveitar a vida como você esta aproveitando eheheh.
- Estou é?
-A poxa solteiro a quanto tempo mesmo?
- Tanto que nem quero contar.
- Serio, desde que vocês se separaram né? Já tem o que? 3, 4 anos?
- 3 anos, 11 meses e 26 dias.
- PORRA e tu ainda diz que não ta contando?
- Eu disse que nem quero contar...
- Cara mas tu que ta certo o esquema é esse mesmo, sair, beber, curtir a noite, se conhecer alguém legal e rolar algo.. beleza se não rolar... beleza também, não ficar se prendendo a nada.
- ...
- Que foi?
- E quem disse que não me prendo a nada? Nunca fui muito de ficar nessa vida ai que falou tu me conhece... não sou assim...
- Verdade... mas qual foi? Ta meio pra baixo?
-Sabe, a ultima vez que a vi eu e ela acabamos brigando, não consegui travar uma linha de dialogo com ela... e por fim ela mandou que eu parece de procurar ela..
- Quanto tempo tem isso?
- Tem uns 2 anos...
- PORRA CARA e tu não procurou mais?
- Não... ela pediu pra eu fazer isso... fiz o que era melhor pra ela
-Velho... só você... não te entendo... tem um monte de amigas nossas que, sem sacanagem, são doidas por você... dizem isso pra mim algumas vezes, mas velho.. toda vez que uma chega perto tu se afasta... fica mudo... ou então muda com elas, A Sarah, velho ela tava doida por você... e ai na festa tu ficou todo caladão... sem fazer nada... o Pedro acabou pegando ela.
- Eu não sou de sair ficando, e a Sáh é amiga... sempre foi, disse isso a ela na primeira vez que veio falar comigo... nunca rolaria... e se rolasse? Velho eu não sei se você me entende mas Como eu posso ficar com alguém se penso nela o tempo todo? Lembro da primeira vez que sai com ela, lembro do perfume que ela usava, da roupa, dos gestos, lembro do que bebemos, do que ela pediu, do que falou... lembro do olhar tímido dela lembro do sorriso, da mão fria que segurou a minha sem querer... lembro ... lembro de detalhes que ficaram sendo piadas entre eu e ela por tanto tempo... em fim... lembro de tudo.
- E será que ela lembra de você assim? Será que tem tantas memórias assim?Ela pediu para você se lembrar dela ?
- Não... nunca.
- E porque você não a esquece?
- Por que ela também não me pediu isso...
Ambos amigos se olharam uma vez mais e outras tantas cervejas vieram depois, e no fim da noite, que estendeu-se até o principio da manhã os assuntos abordados foram menos pessoais, e mais fáceis de serem apagados com o álcool.
Mas a ressaca que mais marcou os dias seguintes não foi a dor na cabeça... e sim a incrível dor que levava no peito.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ok... só por ela..

Afastou-se da porta e fechou os olhos enquanto ela se fechava e a voz padronizada informava as próxima estação, as portas se fecham e ele apóia a cabeça a mochila em sua mão pesava menos que os pensamentos e estes estavam andando mais rápido que o tem.
Os olhos espremidos retinham ao máximo a vontade de tornar liquido seus sentimentos, mas não agora... a saudade era grande mas não era o momento, logo o aviso da estação o trouxe de volta a realidade, e seus passos percorreram a estação, as pessoas se espremiam ávidos por um lugar na escada rolante mas ele... ele preferia o espaço mesmo que cansativo da solitária escada, passo a passo, degrau a degrau ele subiu a superfície e pode sentir o vento frio tocar sua face... chovia.
Ela acordou cedo, o banho que a despertava melhor que o som agudo do seu despertador, as roupas a bolsa tudo em seu devido lugar e logo ela descia o pequeno lance de escadas te caminhava a cozinha. O café quente já espera na cafeteira, e junto a ela um bilhete, nada muito elaborado, apenas umas poucas linhas com pedidos de favores e informações para o dia, no fim um simples “beijo, bom dia”
Suspirou profundamente e quase arrependeu-se, mas não... ela nunca se arrepende de nada, as suas escolhos são feitas e as conseqüências aceitas, passou pela geladeira, pegou as contas que ali estavam afixadas com um imã decorado com a imagem de um esquilo de óculos, ela adorava essas pequenas besteirinhas mas seu companheiro achava “tolices” ... as contas na bolsa e o guarda chuva em punho... parecia que iria ser um dia modorrento.
Ele abriu o guarda chuva e caminhou apressadamente para o ônibus, mais 40 minutos de transito e ele estaria no seu trabalho, a fila no ponto não era longa,8 pessoas, desajeitadamente ele segurou o guarda chuva enquanto punha seu head fone, Adele cantando “i´ll be waiting” o fez temer que o nó em sua garganta voltasse forte... mas ele pensou de novo não é a hora... nem o lugar... logo ele estava sentando-se em um banco alto perto da janela, e a seu lado uma senhora de mãos tão enrugadas lhe dava um sorriso mais antigo que possuía e ele sorriu de volta o mais verdadeiro que pode.
Logo ele reparou que todo dia os mesmos rostos estavam ali a sua volta, as vezes trocando de lugares as vezes sentando-se metodicamente no mesmo lugar... e isso o fez pensar que seu dia seria altamente Monótono.
Ela entrou no ônibus, entulhado de pessoas guarda chuvas,bolsas e crianças indo a escola, sorriu ao encontrar um lugar para pode se recostar e por seus fones de ouvido, Renato Russo começou então seus primeiros versos de fabrica, e ele logo pensou em tudo que a esperava em seu trabalho... mas foi ela quem escolheu esse, e isso a fazia bem, ela suspirou novamente e passou a seleção de suas musicas, logo escolheu a seqüência que iria ocupar sua mente já que ali no aperto claustrofóbico de sua condução estava impossível ler seus contos e livros.

O transito parecia pior talvez a chuva, mas ela fechava os olhos e se ligava as vozes em seu ouvido, calando os gritos mudos de sua mente. “Melhor não pensar... não quero pensar” do lado de fora a chuva diminuía e ela se aproximava do lugar costuma descer, mais uma ou duas quadras andando e logo estaria no trabalho, mas seu celular tocou, ao que parece sua chefe chegou mais cedo e já pedia os relatórios do dia anterior, o balanço do mês... e ela só pode dizer que assim que chegasse no escritório mandaria para ela, seu dia não prometia ser dos melhores...
Ele abriu a porta e entrou na pequena sala, atrás a jovem produtora já vinha com mais uma lista de tarefas e a sua mesa já estava repleta de outras tantas, ironizando disse um “bom dia para você também “ ao contato que entrou em sua sala já pedindo os trabalhos do cliente logo que ele entregou o aviso de e-mail recebido e a mensagem “reunião as 13h” abaixou a cabeça e quis desistir mas...

Ela sentou-se na sua cadeira enviou os e-mails com os relatórios e balanços, leu a lauda da reunião do dia anterior fez o balanço e programou seu dia, respirou fundo e quando ia iniciar seus afazeres suas colegas de trabalho aparecem entulhando ainda mais sua mesa com projetos e tabelas, as contas não batiam, a verba era pouca... ela respirou fundo e pensou em desistir mas...
Ao levantar os olhos, em meio as folhas de e-mail, planilhas, bilhetes e pastas, uma menina de olhos fechadinhos e uma boca com dois dentinhos em um sorriso largo estivava a mão com seus dedinhos gordinhos, como quem tenta alcançar a realidade fora daquela pequena moldura .
Ele pensou em como elas estariam, e se sua princesa estava bem... e como ela estaria, fechou os olhos e quase deixou escapar mais de uma lagrima mas ele pensou...não .. não é hora nem lugar
Ela lembrou-se dele, fechou lentamente os olhos, pensou em se arrepender de ter deixado essa vida para trás, mas não... ela não se arrependia de nada estava vivendo o que sempre quis viver... estava fazendo a sua parte.

Ambos olharam novamente para a foto e cada um, em seu dia monótono e cotidiano pensaram apenas
“Ok... Por ela... só por ela...”

A se repetir

A se repetir
(Weverson Garcia)

Não adianta voltar o ponteiro
quando o tempo da sua volta
ele roda, roda o tempo inteiro
e desse ciclo nunca solta.

Vive indo e vindo, girando no mesmo erro
é como ler a mesma frase, a mesma frase
um eco do que foi, no momento derradeiro
é ler acento agudo, esperando ser crase

A vida da voltas, em sua roda sem parar
nos faz fazer escolhas, nos momentos certo
mas quando tudo se repete, sem inovar

É hora de abrir os olhos e ver o que há por perto
será que tudo aconteceu de novo, e outra vez
ou será que abrir os olhos e perceber o que fez

Torna inda pior a certeza do erro se repetir
e saber que a não tem anda de esperto
e por nossa atitude, tola, que nos impede de sorrir?

A vida da volta, isso eu sei não vou iludir
mas quando tudo se repte, com todo respeito
tente olhar a sua volta, uma brecha vai surgir

Não se jogue no mesmo erro... tente sair
por que se tudo volta a se repetir.
é como ler a mesma frase, uma frase a se repetir.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Era uma vez - O bosque"

O chamado


“Acorde... vamos pequena acorde...”
- Nha mãe só mais 5 minutinhos - respondeu Martha tapando o rosto com a coberta. Mas logo a voz voltou a dizer
- Mãe? Ora bolinhas de lã... eu sou um gato e não uma gata, e já passou da hora da senhora me dar minha tigela de leite.
Ela arregalou os olhos... queria que tudo fosse um sonho mas não era... ela realmente entendia o que seu gato estava falando, sentou-se na cama e olhando para o gato que se lambia a sua frente disse
-Isso não pode estar acontecendo... Deve existir uma explicação lógica pra isso.
- Lógica? Mais onde falta lógica? Nossa... quantos seres deixam de existir quando uma criança busca a lógica e não a mágica. – respondeu uma voz forte vinda de fora de sua janela.
Martha caminhou até a janela, e abriu e lá no parapeito da janela estava um pequeno Camundongo, levantou-se e curvando-se como se estivesse a frente de uma rainha disse
- Bom dia boa senhora, Martha eu presumo?
- ... ele fala...
- Entre outras coisas, sim, eu falo, e trago uma mensagem do bosque para a senhora
-Pra mim?... mensagem... do bosque?
- Acredito que tenha sido isso que acabei de dizer... pois bem... A senhorahaaaaaa – Gritou com uma voz forte que parecia não caber em seu pequeno peito ao ser pego de surpresa pelas patas de Chartan.
- Me solte seu bola de pelos, mensageiros não deve ser atacados e nem comidos.
- Nham... é verdade... desculpe minha indelicadeza mas meus instintos ainda falam mais alto...
- Pois bem... onde estava? – disse se arrumando como alguém que acabou de levantar de um tombo... e continuou - Ah sim... O bosque convida a senhora para um encontro hoje onde tudo será explicado e a senhora poderá entender tudo que acontece.
- Mas minha mãe me proíbe de sair do quarto... estou de castigo...
-Castigo? - Perguntou o camundongo levantando a orelha e mexendo os longos e finos bigodes.. – Pois bem direi ao bosque que sua resposta foi estar de castigo. Seja lá o que isso significa talvez ele entenda.
-Não... calma. Castigo é quando estamos impedidos de fazer algo, uma punição, ontem no bosque eu adormeci e quando acordei era muito tarde minha mãe me pois de castigo por isso.
- Por dormir? Nossa que mãe complexa... em meu ninho não se impede ninguém de dormir no bosque.. pois bem... o que digo ao bosque minha senhora?
- Diga que irie, após o meio dia, ok?
- Direi minha senhora, e não se atrase sim? Existe muita coisa a ser dita e pouco tempo para isso
- Acredite eu estou muito interessada em saber se estou louca ou o que...
-Acredito que seja mais “o que” do que loucura... pois bem vou indo dar o vosso recado. – Dito isso o pequeno camundongo pulou para a parede ao lado e desceu rapidamente por ela entre os galhos das trepadeiras que subiam a parede até próximo a janela e logo tomou o jardim e entrou no bosque...
-Chanrtran ... algo me diz que isso não é um sonho qualquer... e que realmente algo de inacreditável esta acontecendo.
- Sim sem duvida... é inacreditável que eu ainda não tenha tomado minha tigela de leite a uma hora dessas.
- Eu sempre achei que você fosse resmungão mas não tanto seu gato chato – disse ela fazendo carinho na cabeça de Chartran e depois caminhando a porta continuou – então vamos tomar nosso café e pensar em um jeito de ir até o Bosque... Mamãe não vai deixar tão facilmente.

Por do sol




Sentados um ao lado do outro, mantém os olhos fixos na paisagem a frente, o sol se põe ao longe, e as colinas verde vão tingindo-se de dourado e aos poucos tornando novamente a ficarem verdes e escuras, as montanhas que agora cobrem o sol tem suas bordas brilhantes e o céu um tom suave de violeta e laranja. Conforme a luz do sol vai se afastando pontinhos brancos vão surgindo na cidade lá em baixo.
- É realmente lindo, você tinha razão – disse ela apoiando a cabeça em seu ombro.
-...
- O que foi?esta tão calado? Aconteceu alguma coisa?
- As vezes eu não sei o que falar, é isso.
- Como assim não sabe o que falar?
-Já ficou alguma vez na vida sem palavras? E por mais que buscasse de verdade encontrar um, adjetivo, ou elogio para algo não encontrava?
-Sim isso se chama “branco” sabe... DEU BRANCO!
- Não sua boba – disse ele tocando a ponta do nariz dela - Não é isso... é que tudo que eu penso em dizer parece errado... pouco... imperfeito.
- Como assim?
- olha... a quanto tempo a gente se conhece?
- Nossa. Muito tempo... mas o que tem isso?
-É que ....
-Vamos fala? Sem medo, somos amigos né?
- Somos... e eu acho que é mais que isso
-Como assim?
- Eu disse a pouco que o que quero dizer as vezes me parece errado não é?
- Sim... disse... mas..
-Então... olha... na verdade eu sou seu amigo... mas não por que eu queira e sim por que é só o que posso ser nesse momento... você... bem... nossa.. você esta apaixonada por outro rapaz, esta até namorando ele... e eu ... bem ... eu te amo.
-...
- é eu sabia que tu ficaria muda... não iria falar nada... é eu sei.. besteira minha, mas é verdade... eu te amo... no inicio pensei que poderia apagar isso, viver uma vida normal e ser seu amigo mas... toda hora eu penso em você e quando beijo alguém... eu sinto que estou beijando você... eu te trouxe aqui por que todo fim de tarde eu vinha aqui sentava e ficava vendo a cidade la em baixo pensando no que você estava fazendo... e as vezes eu chorava por isso.
-...
- É eu sei... loucura minha você é linda, uma mulher linda.. tem tudo pra ser feliz, ter sucesso e se dar bem na vida... e eu o que eu tenho? Um punhado de gatos, umas tantas contas para pagar, uma carreira mediana, ele tem tudo que tu busca, pode te dar uma vida segura, um café da manhã de novela... um carro na porta... eu nem carro tenho.
-...
- Toda vez que eu pensava em te dizer isso minha garganta secava, eu até tentei umas tantas vezes, mas sempre era a hora errada, ou então você me dizia algo e eu perdia a coragem, então você começou a sair com ele e eu pensei que poxa... ok ela vai ser feliz e tal.. eu vou conseguir esquecer... mas.. não... não consegui... toda vez que eu pensava em dizer algo acontecia... algo que me fazia parar de falar ou de dizer isso e eu não conseguia fazer mais nada a não ser sonhar e ficar te vendo.
-...
- E se eu te escrevesse alguma coisa... como eu fiz inúmeras vezes... eu sempre achava que era pouco que cada linha era insuficiente... você merece sempre mais.. e eu nem posso te dar isso... eu... eu sou tão limitado... tão besta por acreditar que uma mulher linda como você iria olhar para mim e pensar da mesma forma... sabe... eu nem devia ter dito isso... é ridículo... mas... é verdade... agora que disse não posso voltar atrás... olha... eu te amo... não existe um dia que não pense em você e não inveje ele por estar com você. é isso que tenho pra dizer
-...
- ... viu... estraguei tudo...
- Não... é que ... eu não sei o que dizer...
-...como assim?
- Sabe... você é especial pra mim... queria poder te dizer um monte de coisas... mas...eu não mando em mim... ao menos nesse aspecto... eu não sou dona de mim.
- ...
- E agora como a gente faz?
- Vamos apenas... observar?
- Observar?
- É
- Por que?
- Por que as vezes falar estraga tudo...
-...
-...

sábado, 6 de agosto de 2011

A Tela mais bela que a pintura.





Ele observava seus movimentos precisos, os gestos, o padrão cada segundo era seguido por seus olhos, e sorria sorri a cada vez que ela assoprava as unhas e logo após limpava com seu algodão e acetona...

- Eu nunca sei que cor usar.. – Disse ela de cabeça baixa olhando a caixa com tantas cores e nomes que seria praticamente impossível decorar todas - Eu realmente estou em duvidas desses... – Continuou esperando não mais do que a resposta comum ao gênero interlocutor, um profundo silencio ou um longo e tedioso “um humm... tanto faz” mas a resposta...
- Deixa eu ver... este é um tanto forte, acho que não combinaria muito, e pelo que me lembro você estava com uma cor escura esses dias...
-... Quem é você? - disse ela olhando por entre os cabelos que lhe caiam a face. – Devolve já o meu namorado... , sorriu colocando os cabelos por trás das orelhas como ele adorava ver e ela pouco suspeitava.
- E por que não posso ser eu mesmo? O que há de errado no que falei?
- Nada... mas você é homem e eu não devo te perguntar isso...
- AAAA entraríamos na famosa guerra dos sexos? Homens não podem saber nada dos modos femininos e as mulheres nada devem saber dos esportes masculinos? Pois bem... já temos algo errado... ambos sabemos que você adoro futebol e eu sei bem menos disso do que você..
- A esportes não tem nada haver com pintar unhas e cuidados de beleza
- Certamente que não... mas sabe que eu realmente não me importo em ficar aqui com você escolhendo as cores de suas unhas. Na verdade até gosto de te ver pintar elas calmamente.
- É já percebi que fica me olhando.. hummm quer que eu pinte as suas?
-Não... acho que ai cruzaríamos uma linha um pouco mais ao sul hehehehe
-HEHEHE Ta certo, mas mesmo assim não vou te perguntar.
-Por que não?
- Por que você não entende
- Ora como não? Eu sou pintor esqueceu? Trabalho com cores formas posso sim te ajudar
- É você tem razão... to com pena de você agora
-Pena?
-É vou abusar do meu namorado até quando for pintar unha

os dois passaram um bom tempo ali, falando sobre as cores e testando muitas combinações, o riso solto e leve de uma tarde despretensiosa enchia o ambiente e os olhares muitas vezes apaixonados eram trocados por toques suaves de pontas de dedos...
-Sabe... eu devo admitir que você é melhor que o meu namorado, - disse ela sorrindo, - ele ficava me olhando pintar a unha até sorria um pouco mas nem me respondia e nem me ajudava em nada.
- AAA quer dizer que foi um avanço de minha parte?
- Um grande avanço
-ok ok.. e como estão as cores agora?
- Pintei com duas... uma mão de smalte de cada cor e vou dar o brilho agora.
-Nunca pensei que pintar unhas fosse tão demorado.
- Pintar unhas é uma arte meu bem – disse fingindo um tom snobe
- É mas é a única vez que vi a tela ser mais importante que a pintura.
Ela o olha sorrindo e pergunta
- Como assim?
-Poderia pintar suas unhas de qualquer cor e ainda assim eu iria dizer... perfeita... não por que não repare em cada detalhe seu... mas por que reparo e sei que tudo... da ponta de sua unha a cor que usa em seus cabelos... tudo isso não seria nada se não estivesse em você... a melhor tela a mais linda... a pintura... pouco importa.

Depois de um longo beijo e um demorado abraço os vizinhos puderam ouvir um grito

“aaaaaa droga... estraguei a pintura”
E uma longa gargalhada que se estendeu por boa parte da noite.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Amor livre

Amor livre
(Weverson Garcia de Oliveira)

Prende-se o amor a uma rima dura
muitas vezes, o fogo a chama o calor
Mas há sempre a sem qualquer candura
pois existem rimas que se liga a dor

Mas poucas vezes as rimas são puras
muitas vem de anos, ou versos atrás
quem dera eu pudesse inovar as pinturas
ou fazer rima que ninguém faz

Mas a verdade, liberto o amor das amaras
amor é livre, e assim deve ser
é atando o amor que vamos desatar mas
e liberando que vamos realmente ter

Amor é feito de liberdade, e como ter
muitas escolhas, e outras tantas pra ver
e ainda assim sempre a mesma escolher
Amor livre, que loucura vão dizer

Mas é melhor rimar amor a liberdade para ver
por que a dor, essa rima, não quero viver
Libertar um amor, pode ser a dor que se fala
mas amor amarrado é mudo não fala

E se falasse o que iria dizer? Seja como for
Em sua vida nunca deixe a rima , dor
Cair como luva para a graça do amor
Se puder re escreve a estrofe anterior

e dela tire esse peso, essa farpa, esse pavor
reescreva ele em nova linha, adiante
E dela encontrara o amor o seu amante.
Pois rima rica, as vezes empobrece

e amor verdadeiro na vida não se obriga
vem devagar, traz livremente o frio na barriga
e quando pensa não existir ele acontece
Amor livre pode durar anos, acredite

E mesmo desacreditado, volta atrás
e quando pensa que acabou, vem Afrodite
e no peito te mostra que ama ainda mais.
Amor livre, doce ilusão, vale ponderar

se é livre, não é meu nem teu ou dele lá
é so esse amor que surge cresce e faz brotar
e transforma o peito em seu lar.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bom dia



Preguiçosamente espreguiçou-se e antes mesmo de abrir os olhos um sorriso já nascia em seu rosto, o edredom macio sobre suas pernas, o lençol , a luz passando pela cortina e trazendo um tom quente ao quarto... ela olha para o lado e esperava encontrar um espaço ocupado mas um vazio na cama quase a fez gelar sentou-se na cama e esfregou os olhos buscando assim ver o que não estava ali... Mas tão logo abriu os olhos assustada ouviu o som ao longe de alguém em sua cozinha, e novamente sorriu... a noite anterior não havia sido um sonho.
Jogou-se na cama novamente sorrindo e quase gargalhando, a felicidade transbordava em eu rosto pelos lábios sorridentes, embora seus olhos sorrissem junto, seus lábios eram mais eloqüentes,fechou os olhos e instintivamente fingiu dormir.
Ele Abriu os olhos e por longos momentos ficou ali vendo ela a seu lado, deitada quase de bruços abraçava o travesseiro, o que de certa forma o fez ter inveja, mas ficou ali olhando observando cada detalhe, os pés que saiam do Edredom, a suas costas descobertas, a nuca e os minúsculos pelos que ali nascem e os cachos revoltos que evitavam se juntar aos restante de seus cabelos, temia acordar ela mas aproximou-se e beijou suavemente sua nuca “Parece um sonho... “ disse ele bem baixo quase um sussurro ela mexeu-se amavelmente, e ele levantou-se
A cozinha arrumada o fez temer não achar nada mas... era tão fácil... e logo ele estava fazendo um café da Manhã digno de uma Rainha... era isso que ela era para ele, e logo um suco, pão quente, queijo, biscoitos, geléia, café tudo preparado... faltava penas uma coisa...

Ela escuta seus passos e o som da porta se abrindo, tentou conter seu entusiasmos e permanecer ali, imóvel e sonolenta... um cheiro suave começou a tomar conta do quarto era quase impossível não virar para o cheiro... mas uma voz suave em seu ouvido a fez sorrir, “acorde minha linda, a manhã esta linda mas mesmo se esforçando não esta perfeita sem você nela... Bom dia minha linda... seu café esta aqui”
Ela sentiu os fios de sua nuca arrepiarem, e sorriu abriu lentamente os olhos e olhou para ele ajoelhado na cama olhava carinhosamente e assim que ela se virou ele pois a sua frente a bandeja com tudo que podia.. uma flor e um pequeno bilhete.
“ Acordar a teu lado foi tão bom quanto dormir, mas acordar e poder ver tudo que a tempos sonhava ter comigo, ter a meu lado... Me fez inda mais feliz.. Obrigado por entrar em minha vida”
Ela sorri e tocando seu rosto beijo-lhe os lábios, e ali sentados na cama ambos tomaram um café calmo e regado a sorrisos e risadas suaves.
La fora o vento mexia nas folhas das arvores, e entrava por pequenas brechas e acariciava as cortinas, o tom agradável do sol entrando pela cortina iluminava boa parte do quarto, ela suspira apaixonadamente e ele então pergunta
- O que foi?
- Isso tudo... parece sonho , tenho medo de acordar e estar de novo como antes.
-Se acontecer eu volto a te procurar, e te encontro de novo e faço isso todos os dias que acordar longe de mim.
- Para ... não fala isso, eu já estou apaixonada não tem mais espaço pra nada aqui, e falando assim eu vou estourar.
-Nunca... prefiro te ver gorda de meu amor do que segurar um segundo que seja isso que tenho aqui dentro.
- AAA então quer me ver gorda hein? HEHEHEH
Uma risada leve tomou conta da casa e ela agora disse
- Sabe... as vezes eu penso que tudo tem um por que né? Você apareceu na hora certa, mesmo sendo o momento errado.. mas tudo foi se acertando... tudo se encaixou, estou feliz viu?
- E você acha que eu não estou!?
-Eu não sei você não disse nada – Disse ela fingindo desdém.
- A não?... Poxa .... Obrigado por ter entrado em minha vida viu?
-Eu que agradeço viu?... lindo... meu anjo...
-Obrigado minha linda... minha cereja... minha esposa...

Dito isso beijou-lhe a mão e a aliança que a poucas horas passou ocupar sua mão esquerda...

Era uma vez ... De certo toda história deveria começar assim e essa não é diferente...



Era um vez em um outro tempo, neste mesmo mundo, ou em outro que poderia saber, existia um espadachim, este jovem espadachim era conhecido como Algusto Bellagua um jovem porem muito conhecido espadachim do reino.

Bellagua, era conhecido não apenas por ser bom com a espada, mas por manter-se sempre preso a um voto feito quando ainda era jovem, “ Amar sempre, verdadeiramente, intensamente mesmo que isso lhe custa-se a vida” e de fato foi o que aconteceu.
A poucos meses Bellaqua havia se deparado com a jovem Luisa Gomez, uma jovem espanhola das terras da Catalunia o que lhe presenteara desde pequena com lindos cabelos negros encaracolados e olhos brilhantes e extremamente eloqüentes. Luisa era uma jovem incrivelmente bela, e atraia olhares de todos na cidade em especial de Bellaqua e do estranho Miguel Amandez, um arrogante e bruto espadachim, mas não um espadachim real... apenas um soldado de posto alto... um sargento.
Certo dia, Bellaqua vagava pelo centro da cidade quando viu ao longe a imagem de Luisa, e seus olhos fixaram-se instantaneamente nela, ela que alheia o mundo inteiro, reclusa em sua vida, casta e pura como o véu que cobria seu cabelos ao ver olhar diferente do jovem, também rendeu-se aos olhares e retribuía com sorrisos e risos tímidos.
Logo esses encontros acidentais tornaram-se corriqueiros, e de corriqueiros a programados e logo a cidade toda podia ver os dois jovens, belos caminhando calmamente pelas ruas centrais, o que ninguém poderia ver, e nem sequer suspeitar, era a sobra que vem por outra os seguia, na verdade seguia exclusivamente a jovem Luisa. Armandez o sargento da guarda sempre que dispunha de tempo, os seguia e amargamente consumia-se me uma vontade lasciva e feroz de tomar Luiza.
- O bom senhor a muito me acompanha em meus passeios, eu só devo agradecer por sua proteção - disse a jovem Luisa quase que olhando exclusivamente par o chão que seguia a sua frente.
- De forma alguma deve me agradecer, eu que devo lhe perguntar se minha companhia a agrada, e se agradar ser eternamente grato por tal honra, nunca a vida me pusera a frente de dama tão bela, e de fato... acredito que nunca existira nas terras em que piso mulher mais bela. – Disse ousando tocar-lhe a mão o que deixou ambos rubros.
- O bom senhor tende sempre a me dizer coisas lindas... muito embora eu não mereça tal agrado, mas antes que pense qualquer coisa, sua companhia é sempre bem vinda e muitas vezes esperada.

Os dois jovens caminhavam assim ladeados por todo caminho, e quando a cidade já havia rodado sobre seus pés e ela se via novamente a frente de sua casa, ele se punha mais ereto e honrada mente abria-lhe o portão dizendo
- Se meu dia não atrasar cá estarei eu novamente a abrir-lhe o portão para seu caminho ser sempre livre.
- O bom senhor escolhe bem as palavras, o que sempre busquei foi a liberdade e uma boa companhia... aguado o senhor na próxima quinta, mesmo horário se o senhor assim puder.
Segurando sua mão aos olhos atentos do pai de Luiza que se punha na janela sempre a mesma hora cheirou-lhe a mão e em um ato de cavalheirismo disse
- Se o sol sempre nasce no mesmo horário, mesmo sabendo que tu brilhas mas que ele, eu não iria me atrasar por nada.
Miguel na data marcada arma seu plano ardiloso e com a ajuda de um companheiro grafista, escreve um recado a Bellaqua, uma carta do rei convocando-o imediatamente, Mesmo estando próximo a hora do encontro com Luisa Bellaqua, prepara um bilhete e pede a um mensageiro para entregar na morada de sua bela Luisa e parte para encontro do rei.
Miguel interceptando a mensagem troca os envelopes e o mensageiro entrega uma carta marcando coma bela Luisa Um encontro a margem do rio próximo ao bosque...
A cobra vil de Armandes Preparara seu bote, e a jovem lebre Luisa corre afoita e sorridente ao bosque e a margem do rio, a hora esperada chega e ela ao invés de trazer seu sorridente e atencioso Bellaqua, traz a figura escura de Miguel Armandes.
- ora... ora... ora.. se não é Luisa a bela encantada da cidade, o que faz aqui tão distante de sua morada. E tão sozinha?
- Bom senhor, espero por um amigo
- AMIGO!? Bem dizer a verdade rameira... encontra-se aqui a espera de teu homem...
- O senhor não diga tais injurias... minha família sabe de meu encontro com meu amigo e esperam minha volta.
- Vais voltar sim... mas não voltara como dama... serás agora transformada em mulher.
E antes que pudesse terminar a frase, já estava jogando o fraco corpo de Luiza no chão e cobrindo-a com o seu... De nada adiantava ela gritar... olhava a sua volta e aos gritos surdos aos ouvidos da cidade, buscava ver ele, seu cavaleiro aproximar-se.
E ali na agonia lasciva que era obrigada a viver, foi deixando de amar seu adorado Bellaqua, não por se entregar a outro amor... mas por que ele não a protege-ra como dissera que faria para sempre... e ali a beira do rio... chorou e entregou a terra seu primeiro sangue... e suas lagrimas de raiva e dor...
Antes de chegar ao cruzamento na estrada avisou 3 companheiros de armas vindo em sua direção e após saúda-los Bellaqua soube que o rei não estava na cidade... logo a carta era falsa... e em um rápido galope colocou-se a caminho da casa de sua amada Luiza talvez houvesse tempo ainda de abri-lhe o portão, pensava ele, mas ao chegar deparou-se a imagem do pai de Luisa espantado ao vê-lo ali e contando rapidamente o manda ao bosque, a Luisa corria perigo.

Bellaqua ao longe ouviu o que antes pareciam ser adagas em seu ouvido, e pode constatar com seus olhos ela, sua bela Luisa tomada a força por um monstro. Bellaqua chuta Armandes que rolando no chão se coloca de pé em seguida enquanto Bellaqua ajuda Luiza a se recompor e ordena que corra para casa, Luiza ao fugir deixar cair de seu arranjo no cabelo uma flor branca, uma rosa branca.
Bellagua e Armandes agora travam um duelo de olhares,
- Bom senhor Bellaqua, atrasou-se foi? Não se preocupe senhor, abri a porta de sua dama... agora o caminho esta bem largo para que possa ir visitá-la sem riscos
-Cala-te animal, Não diga sequer uma frase mais, se ainda esta vivo e a respirar é por que bem sei a punição a estupradores.
-Estupradores? O meu encontro com ela estava marcado, e o pai dela tem em suas mãos minha carta... se duvida de minha palavra bom senhor... acredito que teremos que repor minha honra com sangue
- Sim existe uma honra a ser tomada... e não é a sua e nem a minha mas a da jovem que covardemente tomou...
Ambos desembanhinham suas espadas e travam ali uma luta, Bellaqua mesmo sendo superior na esgrima tomado por raiva cega-se a alguns movimentos e acaba sendo atingido em seu a barriga, um ferimento fundo, fatal... sabe ele que tem poucas horas de vida. Mas não se entrega e ali com o aço de seu algoz no ventre transpassa sua espada a cabeça de Miguel Armandes
Tonto com o sangue que perde.. vê brilhante no chão a flor branca de sua dama. Pega e montando em seu cavalo posta-se a frente da casa de Luiza
- Bela dama... Minha amada Luiza, - disse primeiro baixo entre o gosto de sangue que subia por sua garganta – BELA DAMA... ME PONHO A SUA FRENTE ESPERANDO SEU PEDÃO POR MEU ATRASO, E POR TUDO QUE DECORRERA DESTE ATO. – aos berros a praça toda pode ouvir e esperavam a resposta da jovem. Mas não houve resposta alguma.
Por longas horas Bellaqua postou-se a frente da casa imóvel seu cavalo trazia ao lado uma longa mancha de sangue, vinda de seu cavalheiro, e o cavalheiro trazia nas mãos uma rosa vermelha pingando sua cor...
Quando Por fim a dama abriu a janela Bellaqua sorriu
- Bela Dama... sua rosa
E mudo caiu ao chão.
A bela dama desceu as escadas correndo e a frente de sua casa no lago vermelho que se formou, encontrava-se Bellagua... Bela água de olhos fixo no infinito apertando a rosa em seus dedos.
- Nunca ouve, nem vai haver no mundo cavalheiro melhor que meu bom senhor, disse ela retirando de seus dedos a rosa que antes era pálida e pura como ela mesmo... mas agora era rubra e maculada, e continuou dizendo - O tempo foi cruel, eu em duvidas não acreditei... e por fim... o tempo, o mesmo tempo que abrias meu portão fechou também seus olhos....
No fim não existe um foram felizes para sempre... na verdade nem mesmo um feliz acontece... Bellaqua enganado por sua vontade de possuir algum valor perdeu seus dois maiores valores
A vida que tinha e o amor de sua vida... Luiza reclusa em seu mundo limitava-se agora a vestir preto, não por vergonha mas por um luto eterno de quem perdera seu único amor... e todas as noites quando fechava os olhos... a imagem negra de seu agressor a atormentava... mas acalmava-se ao lembrar de seu cavalheiro abrindo-lhe a porta de casa e cheirando a mão.