Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Coça a cabeça

Esfregou a cabeça, talvez um ato impensado de seus desespero, mas esfregou de novo... não era uma coceira ou irritação epidérmica, era bem fundo... e bem longe da cabeça embora fosse ali.. na massa cinzenta comprimida no diminuto espaço de um crânio que se formava toda a sua angustia, e por fim só restava a ele rodar na cama e esfregar a cabeça.
E por que esse ato? Pensou ele tantas vezes enquanto instintivamente ainda esfregava a cabeça, os dedos e seus cabelos, o olhar perdido no teto, os pensamentos correndo ali dentro e ele simplesmente esfregava a cabeça e se perguntava por que esfregava a cabeça... na verdade, na pura verdade ele sabia o motivo por que repetia o gesto natural de esfregar a cabeça... mas queria não saber e simplesmente se perder nos pensamentos de quem esfrega a cabeça sem motivos.
O volume sobre a mesa, em um tubo bem enrolado o fintava como quem provoca, zombeteiro, parado ali apenas parado, com quem em uma discussão ao invés de gritar se cala e mantém a face plácida e quieta, calada enquanto o outro lado grita esperneia e esfrega a cabeça, o volume enrolado o fintava ali... desafiadoramente parado, inerte como todo e qualquer tubo, como todo e qualquer volume sem vida... Mas era o que continha o tubo que o inquietava.
O telefone até tocava, mas não era nada se não um ou outro amigo ou parente distante, e quando não o tinha nas mãos próximo ao ouvido, coçava a cabeça e o olhava, olhava o telefone como quem busca uma solução, como quem olha um mestre de sabedoria dizer tudo que sabe, e muitas vezes o que nem imagina para entreter seus seguidores... mas o telefone por si só não fala, nem liga... ele simplesmente espera ser chamado... e espera enquanto ele coça a cabeça...
Deitado no sofá, o filme começa... um texto qualquer apresenta um personagem qualquer, uma linha besta e uma pergunta e ele se pergunta “por que diabos coço a cabeça?” e o faz enquanto coça a cabeça, as horas passam o dia passa, a noite chega e ele coça a cabeça... irritado por saber o motivo mas não conseguindo evitar ele coça a cabeça e depois de fazer... coça novamente.
O pedaço de papel em braço é uma carta ainda não escrita, ao menos ali materialmente, pois ele já tem todos os pontos, virgulas e acentos em seu mente, ali... bem ali... debaixo dos dedos que coçam a cabeça, mas ele não escreve, teme... tem o receio de que diga algo fora do lugar, que mesmo se preocupando tanto em fazer algo certo erre e errando perca, e perdendo... viva seus dias vazios a simplesmente coçar a cabeça.
Um olhar perdido por todos os cantos, o telefone mudo falando tudo de sua solidão, as contas pagas e amontoadas, os bilhetes, cd´s e dvd´s em caixas plásticas tão sem vida como o volume sobre a mesa... aos infernos, abre o volume e vê... ali... tantos pontos que foge até a quantidade... tantos aglutinados pontos, mas ali na soma de todos os pontos esta ela... olhando para o nada... um olhar sereno... profundo e tão perdido no tempo como ele...
Ele que agora vendo ali pontos e mais pontos, tão de perto, tão próximo o coloca na parede e se afasta, e assim olhando os pontos se senta, e sentado faz a única coisa que pode fazer...
Chora enquanto coça a cabeça saudosamente dos carinhos que ela fazia... e pensa.
Por que diabos fui tão estúpido...
E coça a cabeça

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