Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Até a manhã

Ele abriu os olhos e pode ver ela deitada a seu lado, as mãos apoiando o rosto no travesseiro os cabelos mostrando a nuca, a luz quente que o abajur lançava levemente iluminava sua pele lisa e lustrosa, as pequenas pintas em seu ombro, e os fios finos e cacheados em sua nuca, ele sorriu e acertou-se a seu lado para poder ver melhor seus contornos.
Os pequenos pelos em seu braços, os delgados, as unhas de louça brilhando a luz fraca do abajur, ele suspira pesadamente e teme estender a mão, e como muitas vezes acordar antes dos dedos tocarem a pele que o chamava, ela se mexe puxando um pouco o edredom deixando uma parte de suas costas nuas a mostra.
Os nós da coluna, acertadamente alinhados, ele os persegue até as covinhas de suas costas, então em um ato louco e impensado, beija o ombro e depois a nuca.

- Pensei que nunca fosse fazer isso – disse ela guardando um sorriso vitorioso no rosto
- Eu pensei umas tantas vezes... mas não sabia se era sonho ou realidade.
- E o que acha que é? - Disse virando-se para o olhar nos olhos.
- Se for sonho... não quero acordar e se for realidade... e a mais perfeita de todas.
- ... Você não dormiu?
- Um pouco.
- E ficou me olhando tanto tempo por que?
- Estava me lembrando do meu tempo de escola.
- Como?
- Eu estava decorando contornos, montanhas, vales. – disse ele tocando com a ponta dos dedos a pele suave do corpo dela.
- Bobo... assim você me deixa arrepiada.
Ele aproxima o rosto do rosto dela e tocando com o lado do rosto o rosto dela disse calmamente em seu ouvido.
-É um convite?
- Um desafio eu acho - Disse ela afundando os dedos nos cabelos negros dele. – Você nuca me disse se era bom em geografia!? – completou sorrindo e olhando nos olhos.
- Eu sou esforçado...
Os dois se entregam as caricias e beijos, e logo ela deita sua cabeça no peito nu de seu companheiro passando lentamente a mão e ouvindo a batida de um coração que vai desacelerando.
- Eu sempre gostei de ouvir seu coração... mesmo assim agitado... ele me acalma.
- E eu adoro te ter ai, seu lugar é esse sabia?
- Eu gosto dele... gosto muito.
- Sabe... você já é dona de meu coração, você tem o melhor lugar dele, a cobertura de vista para o mar... você bem que podia tomar conta de todo resto né?
- como assim?
- Vem morar comigo... vem ser dona disso aqui..de tudo isso, Casa comigo?
- Você não ta falando serio esta?
- Eu nunca falei tão serio na minha vida... você é a mulher que eu sempre quero ter a meu lado, acordar e esquecer o que ia fazer por prender meus olhos em você... é quem eu quero sempre ver se arrumar a deitar do meu lado, eu te amo... e nunca amei ninguém assim... casa comigo?

A resposta demorou a chegar, mas foi tão forte como o sol que entrou pela janela.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

No fim da rua.

Ninguém percebeu e talvez nunca iriam perceber, mas aquele rapaz franzino já carregará nos ombros pesos maiores que muitos homens maduros e fortes, seu andar timidamente decidido o fazia passar despercebido aos olhos ávidos por heróis e exemplos e ele até certo ponto era feliz por isso.
Este jovem, magro e pálido que trazia os olhos fundos no rosto, sentava-se sempre a praça no fim da rua, invisível aos olhares de qualquer, ele sentava-se ali deixando o dia passar por sobre sua cabeça, poucas vezes alguém sentava a seu lado, mas mesmo assim... ninguém percebia seu espaço.
Foi o senhor do fim da rua, aquele que sentava-se todo dia na mesma hora em sua cadeira de palha em sua varanda que o viu passar, cabelos negros cobrindo o rosto que fintava o chão, as mãos enfiadas nos bolsos e uma pasta frouxa debaixo de um braço, foi esse senhor que todo mundo percebia e notava, que o acompanhou com os olhos até o fim da rua e o viu sentar-se no banco e passar o dia ali... virando e revirando a pasta.
O velho senhor, levantou-se e aprumou as calças, apertou o sinto e seguiu em passos lentos a rua que subia, e no fim como que esperando o jovem sentado fintava o chão e pousava a pasta em suas pernas, o velho, aquele mesmo que andava lentamente apressou os passos, como quem soubesse da urgência do encontro ou quem foge de um outro... logo ofegante sentou-se ao lado do jovem e pode olhar com um pouco mais de intimidade a pasta que o jovem mantinha segura em seu colo.
Através do material transparente da pasta pode ver uns tantos poemas e desenhos e em meio a versos estranhos reconheceu um.
- aaa Ismalia, A louca da torre...
- Hein? – Respondeu o jovem franzino que franziu a sobrancelha.
- A perdão vi em sua pasta uma frase de Ismalia, “queria a lua do céu queria a lua do mar”... sempre gostei desse texto, mas nunca entendi muito bem. Você entende?
- É simbolismo, é difícil explicar, cada um “Le” de uma forma.
- Eu acho que ela é louca... e solitária, na verdade... ele fala logo de cara né que ela é louca.
- Na verdade ele diz que ela enlouqueceu, não quer dizer que seja louca.
- Como? Se enlouqueceu é louca.
- Quantas vezes já ouviu alguém dizer “estou louco de raiva” e nem por isso ele é visto como um louco realmente... quantas vezes um casal faz juras de amor “loucamente” um para o outro? E confessam entre beijos que são “loucos de amor” ?
- Hummm nunca tinha pensado dessa forma... mas de qualquer forma... é louca... se jogou da torre por causa da lua.
- Por causa de um sonho, mais uma dica para entender o poema... ela tinha duas escolhas, aparentemente iguais mas em formas e meios diferentes, uma real, concreta mas intangível, e outra a imagem distorcida, virtual e invertida do reflexo.
-Não entendi... – Disse o velho apoiando a mão no joelho e a outra coçando o rosto.
- Ela tinha dois caminhos a seguir... estava dividida, em duvida... não sabia o que era melhor ou pior... apenas sonhava com o toque de um imagem ou a perfeição impossível da outra.
-A...e daí?
- E daí ela se entrega a perfeição, transforma em verbo seu desejo,” e, no desvario seu Na torre pôs-se a cantar, estava perto do céu, estava longe do mar” ela mostra de novo que estava em duvidas, ela se mostrava a uma imagem impossível de ter, e sentia-se atraída pelo toque do real, queria o mar...
- AAA então ela estava apaixonada, a lua era seu amante então?
-... acredito eu que sim...
-Mas e o resto?
O jovem olhou o senhor, e só agora percebeu que estava gostando de conversar com ele, sentia-se bem em falar e então continuo a explicar o que entendia das linhas
- Ai fica complicado... ela se lança no meio das escolhas, buscando as duas ao mesmo tempo, mas não pode ser assim...
-Ela cai e morre
- Não vejo ela morta realmente .
-Mas no poema fala, “sua alma subiu aos céus, seu corpo desceu ao mar”
- Ela jogou-se, correto, mas metaforicamente falando ela se jogou na vida, foi atraída pela gravidade da vida e como nesse mundo não existe perfeição, manteve-se na terra junto a imagem da lua no mar, mas sua “alma” suas idéias seus pensamentos... bem esses ficaram com a outra opção... a perfeição o impossível.
- ... Olha meu jovem... nem que eu lesse esse poema mais 80 anos eu entenderia dessa forma...
- ... É senhor... e como entenderia?
- Ela ficou maluca , por algum motivo, e decidiu abrir mão de sua vida. Ela era uma Lunática.
- O senhor se atenta apenas a que diz as palavras e não ao que elas querem dizer.
- Verdade... mas obrigado viu? Gostei da nova forma de leitura que me mostrou.
- Que nada...
- Mas se me permite perguntar... por que senta-se aqui sozinho o dia todo?
O jovem baixou a cabeça... respirou fundo e levantou os olhos... o senhor a seu lado acompanhou a linha que os olhos do jovem traçavam no espaço e viu uma casa no fim da rua, com uma janela aberta e uma jovem menina no portão envolvida nos braços de um outro rapaz.
-Humm... esta admirando sua lua é?
- Não...
- Então o que faz olhando a jovem no fim da rua?
- Eu observo a Ismália escolhendo a imagem real.
O senhor olhou o jovem, olhou a pasta em suas mãos e colocando a ponta dos dedos em seu ombro disse ao jovem.
- É vai ver que logo logo ela cai na realidade, e olha a imagem do reflexo...
- Acho que isso pode acontecer... ou não... enquanto isso eu fico aqui... refletindo o dia todo.

O senhor levantou-se despediu-se educadamente e voltou pra casa, Foi esse mesmo senhor, que reconheceu no jovem franzino e pálido, um mundo contido... como em uma estrela que se comprime esse jovem se espremia dentro daquele jovem franzino e pálido... e tudo que o jovem queria era uma chance de mostrar todo seu mundo a sua “ismália” do fim da rua.



Ismália
Alphonsus de Guimaraens


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Parque

Ele estava sentado no gramado, o vento suave tocava levemente seu rosto enquanto ele observava o mundo a sua volta, em seu colo um caderno de desenhos com alguns rascunhos de mãos e olhos, algumas imagens de crianças correndo e casais sentados juntos a beira do lago, ele mantinha um sorriso calmo no rosto, um olhar investigativo procurava a sua volta uma cena que merecesse ser traçada ali. Atrás dele uma jovem menina se aproximava o observando, os cabelos negros dele brilhavam ao sol , sua pele com pequenas gotinhas de um suor suave que surgia lentamente e pontilhava ele com pequenos brilhos, como constelações sob o sol...ela sorriu... não era dada a fazer comparações poéticas, na verdade era pouco intima das metáforas românticas e carinhosas, mas logo pois se ao lado dele. - Esta um dia lindo não é!? – Disse ela sentando-se a seu lado - Estava um belo dia... agora esta perfeito. – Disse ele fechando o caderno e olhando nos olhos castanhos dela. - Desculpe o atraso... sabe como é né? - Tudo bem, Já disse, te esperaria para sempre se soubesse que você viria. -Eu vim. - Por isso esperei. A conversa continuou sobre musica, cinema contas a pagar, viagens e medos, claro cada um contando ao outro um medo que tem ou tinha, e assumindo sem perceber outros tantos medos. As horas passaram calmamente enquanto os dois ali sentados lado a lado provavam o calor suave do sol e a brisa que os lembrava que a noite já estava se aproximando. - Posso ver? – Disse ela estendendo a mão para o caderno de desenhos dele. -Claro... Mas são só rascunhos ok? -Tudo bem... eu não sou nenhuma critica de arte. – Disse sorrindo e abrindo o caderno. Ela como de costume começou a folhear o caderno das ultimas paginas, crianças corriam casais se abraçavam, pássaros pousados em galhos, um gato ou outro brincando ou estendido em algum gramado, todos desenhos bem feitos, todos a fizeram dizer “lindo” umas tantas vezes... mas a certo momento ela calou-se e nada saiu de sua boca... Umas tantas paginas, mais da metade eram desenhos que ela conhecia bem... eram seus olhos, boca, mãos e inúmeras vezes seu rosto, rostos diferentes das fotos que ela tinha rostos expressões que ela fazia corriqueiramente e agora ela ruborizava vergonhosamente ao se ver tantas vezes ali... -Como!??.... quando... quando você me desenhou assim!? – Perguntou com a voz envergonhadamente vestida de admiração. -A sei la... quando eu esperava um ônibus ou em casa, sempre que lembrava de alguma vez que tu sorriu ou fez uma expressão diferente eu te desenhava... agora tenho que fazer uma sua tímida... esta linda... -Mas ... Como você consegue me desenhar assim... sem eu estar presente? -Eu te desenharia de olhos fechados... Já decorei seu rosto... Seu rosto não tem mistérios pra mim. - A quer dizer que me conhece bem então!? - Não... eu conheço seu rosto... Você eu pouco conheço, mas adoro, e adoraria te conhecer melhor... é meu sonho. - Já Te disse, Não tente, não sonhe... eu não sou o que você pensa... sou muito complicada...Louca. - É sem duvida não é, mas você ... você sabe o que é? - Não... Eu também não sei. - Você é a mulher que eu sempre quis ter comigo, mesmo sem saber quem é, sempre quis ter você junto de mim, te conhecer a todo dia, mesmo sabendo que nunca se conheceria alguém por completo... eu adoraria estar sempre com você, se você quisesse claro. -As vezes você me deixa sem saber o que dizer... falando assim... e com esses desenhos... eu não sei o que dizer. - Diz apenas.... Também quero. As crianças já se afastavam do gramado, os casais ainda sentavam-se a beira do lago o sol já se punha ao longe... e eles ficaram ali por mais um tempo, sentados cada um colhendo dos olhos do outro um pouco do calor que os aquecia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Importância do 1º amor.

Esses dias eu estava pensando, como sempre sobre como a gente age, em relação ao romance e amor. Estava conversando com uma pessoa e ela me falou a frase comum e batida “A gente só ama de verdade uma vez” eu até então concordava com ela, para mim também só se vive um único amor verdadeiro... mas eu me perguntei.. “por que ?” Então eu acho que descobri. Quando somos mais novos, crianças ainda e começamos a conhecer esse sentimento, essa força que é amar, gostar, nos preparamos para ele, esperamos que aconteça, e mesmo que a gente não tenha sido feliz nos “romances” infantis, a gente espera de braços abertos um novo romance, afinal somos jovens infantes que pouco se preocupam com o que vem depois... quando a gente se machuca nesse época basta 5 minutos parado e tudo fica bem de novo. Mas quando a gente cresce, tudo muda de figura. Quando vivemos um grande, o primeiro amor geralmente, a gente esta... digamos assim, nu de magoas, de preocupações e pré conceitos sobre o amor. Então é mais fácil para nós nos entregarmos e vivermos tudo com plenitude, com vontade sem receios, sem medos e magoas. Mas quando, ou melhor, se esse romance acaba de alguma forma, se não foi bom, se por culpa dele a gente cai, se machuca e quebra a cara, ou o coração, os romances seguintes nunca serão os mesmos. A gente parte para o próximo, quando parte, com conceitos de que “doi” do que faz mal, de que pode sofrer e ai como criança que tem medo de altura a gente pouco se arrisca a chegar na borda e ver a beleza total da vista... É normal, a gente aprende com tudo e inclusive com romances e amores, mas acho que é errado dizer que não existe um outro amor verdadeiro, que não podemos viver um ou mais amores na vida... acho que quem limita, quem impede quem não faz o “próximo” amor ser tão forte como o primeiro não é ninguém se não nós mesmos. Eu mesmo, digo por que analisei a mim mesmo, e como quem me conhece sabe, eu sou um cara que se joga nos sentimentos, que vive, mas mesmo assim, mesmo com isso eu percebi que tenho me “jogado” com cautela, antes eu pulava de olhos fechados, depois de um tempo passei a abrir os olhos, depois passei a parar na borda e olhar para ver e depois pular.. e hoje, eu espero muito antes de por a ponta do pé na piscina... Antes pouco me importava se a piscina tinha agua ou não, se a agua estava fria ou se tinha muita gente... eu me jogava e só depois de atingir a agua ou o fundo, eu via como estava a situação Hoje eu percebi que poderia sim ter vivido outros amores bem intensos e fortes, outros romances bem agradáveis e até melhores que o amor que eu julgava ser o mais forte, o mais importante... Não estou desmerecendo as pessoas que vivem unicamente com um romance, muito menos dizendo que estão erradas, o coração é NOSSO e a gente faz dele o que bem quiser. Podemos deixar ele la, arranhado, partido, escondido ou até mesmo ausente por culpa de um romance anterior, ou então podemos por ele no peito, e mesmo com cautela deixar que o romance venha, sem que a gente diga, pense ou evite com a frase “Eu já amei uma vez” A vida é um tempo muito longo, as vezes, muito especial para viver um único romance e passar o resto da vida apenas lembrando de como foi bom... ou não, Acho, acredito.... ou melhor ... eu penso que Romances, amores e paixões são o tempero da vida... As vezes ela esta sem gosto... muito aguada, e um romance pode fazer diferença... imagina se a gente se permitir temperar a vida com não um... mas com alguns amores vividos como se fossem o primeiro!? O primeiro amor é sempre o mais forte por que se viveu sem medo....