Por que um baú?

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Trilha sonora

Ela nem queria estar ali, nada parecia ser certo, mas mesmo assim ela tirou os sapatos e pisou na areia que estranhamente ainda estava morna, mesmo o dia já se ido a um tempo, ao longe uma duas ou 3 fogueira e umas pessoas gritando e rindo, ela se aproxima sorrindo, respondendo educadamente os acenos com a cabeça, e cominha até o único rostos conhecido, uma amiga com uma taça de vinho na mão de pé a vê e acena alegremente.
O som suave e sem ritmo das ondas chocando-se nas pedras e areia eram um convite a introspecção, mas ela logo ao abraçar sua amiga acabou esquecendo o desejo de sentar-se em um canto qualquer e apenas penar na vida, uma voz forte, e rouca cantava não muito longe dali começava a cantar Creed - “With Arms Wide Open” e ela se encantou, aproximou-se do grupo e mesmo estando afastados da fogueira o rapaz sentado na areia com um violão surrado parecia iluminado pelos olhos brilhantemente apaixonados das meninas a sua volta, as atrás dela pareciam cada vez mais distantes como se estivessem se afastando, e logo se ouvia apenas o jovem rapaz tocando, e cantando com sua voz rouca e pesada, os cabelos longos cobrindo o rosto, ela conhecia o rapaz, mas a voz... ele só usava essa voz quando falava com alguém desconhecido no telefone, ou um assunto serio... e agora ela sabia mais um lugar onde ele usava a voz... enquanto cantava.
Logo depois do ultimo acorde ele balançou a cabeça e emendou direto com Pearl Jam “ Alive” ela podia jurar que até mesmo as ondas estavam silenciosas ouvindo ele cantar “Son, she said, have I got a little story for you What you thought was your daddy was nothin' but a...” e todos que ali estavam balançavam as cabeças em um mesmo ritmo, a platéia se comportava com se estivesse em um show de rock com milhares de pessoas as meninas a seu lado iluminavam com os holofotes de desejos e admiração que derramavam por seus olhos e ele apenas ali tocando mais um acorde e outro, por fim... olhou a volta e disse com sua voz comum e suave.
- E ai? Oque querem ouvir?
Ela, la do fundo disse
- Even Flow.
Ele buscou a origem da voz no grupo e reconheceu os olhos inesquecíveis, e um sorriso fugiu de seus lábios para o canto de sua boca e então disse
-Eu Canto essa sim, mas você tem que cantar uma outra pra mim... uma troca o que acha, eu não aceito não como resposta, e então o que diz?
Ela calou-se... ruborizou-se a ponto da taça de vinho em sua mão parecer pálida, ele sorriu uma vez mais e disse
Enquanto ela pensa... vou cantar uma outra,
Dedilhando os acordes iniciais fez com que ela se arrepiasse e logo a voz dele começou
- Alone... Listless breakfast table in na otherwise empyt room”
Ela sabia... ela conhecia e adorava a musica
Agora era visível o silencio no ar sendo cortado apenas pelas notas vindas do violão surrado, da voz suave, rouca e forte, e do ritmo acelerado em seu peito...
Antes mesmo da ultima nota ter sido tocada ele já começou a cantar os versos de Even Flow e no fim da musica olhando ela nos olhos disse.
- Agora cante comigo... – E começou a tocar... – Eu começo...
- Waitin´, watchin´the clock, it´s four o´clock, it´s got to stop…
E logo ela começou a cantar ... e juntos cantavam um dueto singular de “better man”
E quem quer que passasse ali na praia aquele momento tinha a nítida impressão de que as ondas mudas chocavam-se nas rochas não por uma ação da maré, mas por que queriam ouvir também os acordes e a voz suave e rouca do jovem acompanhado pela voz dela...
No fim os ele pois o violão nas mãos de um outro jovem, e levantou-se caminhou até ela, caminhando ao lado dela na areia puderam então voltar a ouvir o som das ondas os risos e gritos atrás deles e ela disse primeiro.
-Nunca pensei que te veria por aqui!... confesso foi uma surpresa agradável.
- Sem duvida... melhor Para mim, Como esta a vida?
- Igual... e a sua?
-... vazia, mas o que posso fazer né? É o que me resta...
A conversa acaba se desenvolvendo e logo estão os dois sentados um pouco distante do som dos risos e gritos apenas cercados apenas pelo som das ondas quebrando na areia a sua frente. E novamente ela diz
- Eu queria ter coragem de te fazer uma pergunta... mas tenho medo.
-... Medo de que? Faz... o Maximo que pode acontecer é eu não responder.
- ... Como esta seu coração!?
-... como sempre... batendo no peito e apanhando na vida.
-... Namorando?
- Não depois de você...
- ... Como Assim!?
- Não me envolvi de verdade com mais ninguém depois de você.
- ... é eu tinha medo disso... E por que? Todas as meninas lá no luau estavam loucas por você dava pra ver nos olhos dela.
- É eu sei... mas elas querem apenas aquilo, aquela voz, aquele cara tocando violão, o cara aqui de dentro... ninguém conhece de verdade e nem quer.
- Eu Conheço.
- E não quis...
- ...
-Desculpe... eu falo de mais...
- Você fala o que tem vontade... não esta errado nisso... eu que não estava preparada para ouvir uma verdade assim, mas você me entende né?
- Eu aceito... entender acho que nunca vou entender...
- ... Desculpe...
Um silencio frio os separou por alguns minutos em fim ele disse
-Sabe, que eu gostaria?
- O que?
- Que mais alguém no mundo amasse alguém como eu amo você e esse amor fosse correspondido, assim eu poderia ver como é bonito e como seria bom viver ele.
- ... E você acha isso bom?
- Não sei se é bom... mas também eu sei que é impossível alguém te amar como eu amo... por que nem eu mesmo sei explicar como é o que sinto por você...
- Para.... você sabe... não da... não misture tudo...
-Não... eu não misturo... só to te dizendo a verdade... ninguém vai te amar assim, feliz por te ver feliz mesmo que não seja com ele... e infeliz por ter um desejo a certo ponto errado...
- ...
-...
O Sol surgia por entre as montanhas enquanto eles voltavam para as risadas e gritos dos jovens... mas eles traziam no peito um silencio ensurdecedor.

Um comentário:

Luana disse...

Lindo... triste, mas lindo