Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

domingo, 27 de novembro de 2011

Bem...

A fria estação já existia a muito tempo, muitos anos, mas nunca havia visto ali, correndo em seus grandes salões um jovem tão preocupado como aquele, o cabelo desarrumado os olhos buscando e procurando um detalhe, uma cor, uma forma uma pessoa em especial, o relógio grande no centro da plataforma mostrava que já eram pouco mais das 10h da noite e de alguma forma isso afetava ainda mais o jovem rapaz.
Ele para próximo a plataforma 22, olhando ao redor e alheio as pessoas a sua volta, e sem ser percebido por elas suspira ao reconhecer ao longe a pequena mulher que arrumava suas bolsas sobre um conjunto de malas.

- Hey... espera. – disse ele em alto tom correndo para próximo a ela.
-O que... o que você esta fazendo aqui?
- Eu vou com você.
- ... Não.. você sabe... você não pode vir comigo... para... me deixa ir.
- ... Então... me da tua mão... vem vamos pra casa... vamos esquecer isso.
- Eu estou indo pra casa... – Disse ela olhando a passagem em sua mão e tentando-se convencer disso, já esta na hora, Meu lugar não é aqui...
- Não – disse ele segurando as mãos dela, - Por que a gente não troca suas passagens, para mais tarde um pouco, vamos conversar e se você ainda achar que tem que ir eu espero com você... o que me diz!?
- Me desculpe, eu lamento...
- O que? O que lamenta?
- Ter que ir, mas eu vou ter sempre boas lembranças...
- E que lembranças são boas?
- ... Vou me lembrar dos passeios de fim de tarde, dos presentes sem motivo, das flores todos os meses, das ligações só pra dizer “ola” das mensagens, dos nossos sonos fujões que fizeram a gente se conhecer um pouco mais, vou me lembrar dos carinhos e dos sorrisos...
- É... você pode lembrar, pode lembrar como foi divertido, como foi bom, como é bom, e ai vai se lembrar de que não tentou um pouco mais, de que desistiu na primeira duvida... ou então pode nem lembrar... e logo esquecer, e as lembranças podem virar apenas um eco no vazio dos pensamentos antes de dormir.
- ...
- É... as lembranças podem ser cureis, podem te fazer olhar pra frente com esperança ou para trás com saudades, eu acho que você vai é se lembrar de mim como um idiota.
-Não... você é uma pessoa especial, Eu prometo que vou me lembrar de você, de coisas boas de você.
- ... E o que eu digo? Obrigado?
-... e por que não?
- Por que serão apenas lembranças, presas a duas coisas.
- Que coisas?
- Ao que já foi, e vão sempre se repetir iguais, mesmo com temperos de sentimentos diferentes, como melancolia, remorso, carinho, mas ainda assim vão ser iguais, sempre as mesmas memórias.
- ... e a segunda coisa – disse ela abaixando a cabeça com o peso do que ele havia dito.
- É que assim como as coisas boas você também vai sempre lembrar dos erros, das falhas e das magoas, e elas vão sempre se repetir, sem nunca me permitir corrigir, fazer diferente... – Tocou o rosto dela e segurando o queixo levantou até que seus olhos se tocassem uma vez mais – Você é uma mulher incrível, e eu sempre quis ter você comigo, e acho que lá no fundo você também queria estar comigo, Queria ter mais tempo com você e quem sabe te provar que nem todo mundo é idiota, nem todo mundo é igual.
- Por que “vocês” fazem tudo igual sempre? Por que “Eles”sempre erram assim?
- Não sei... você, ... você é especial.
- E por que todos me deixaram ir?
- ... Porque... – Disse girando em seus calcanhares e voltou a olhar para ela.. – Porque eram estúpidos, e não conseguem ver a pessoa maravilhosa que você é mesmo estando a frente deles, eu te conheço a o que? 3 meses? E posso ver, e eu nem sou esperto, mas posso ver, posso ver isso por que é claro... Você é a mulher mais amável do mundo, a mais fácil de se apaixonar... de amar... e eu te amo ...
- ... – os olhos dela tentavam represar uma ou outra lagrima, queria ser mais forte do que seu corpo permitia, e seus olhos fecharam-se uma vez e uma vez mais lentamente.
- E quer saber?...
- ?...
- Eu acho que você me ama também, você tem isso ai dentro de você e por mais que coloque um monte de coisas sobre, por mais que jogue outras tantas memórias por cima, por mais que volte para um passado, que eu não posso ir, você vai sempre saber disso... Eu te amo, e se você entrar naquele ônibus... você... você pode estar indo pra casa, mas eu não vou ter pra onde voltar... Eu te amo, e é você que é meu Lar... eu não volto a noite todo dia para casa para encontrar uma TV grande, uma geladeira cheia ou filmes... eu volto por você.
- ...
- Se os outros idiotas deixaram você ir, se um ou outro te procuram apenas quando tem vontade, eu não quero saber, porque eu... eu nunca...jamais, de forma alguma, vou deixar você ir sem lutar, sem te mostrar que você é especial para mim, e que não existe sequer a possibilidade de um dia eu encontrar uma outra pessoa que chegue perto de ser o que você é pra mim, mesmo agora, mesmo depois de uma briga, mesmo depois de tudo e mesmo com a possibilidade de você me dar as costas e ir para um lugar que eu não vou poder ir...
- E se eu for? Vai ser o fim disso? Você vai me odiar? Vai me deixar e nunca mais falar comigo?
- ... Eu vou correr o mundo todo procurando o meu Lar..
- Eu não posso...
- ?
- Eu não posso, desculpe... Preciso ter certeza de que EU tentei... eu tenho que ir pra casa... eu tenho que voltar...

No falto falante o locutor avisa ~ ultima chamada ~
-Então... vai...
- ... E como você vai ficar?
- ... Vou ficar... bem...
- tenho que ir..
-...
Ela pega suas malas e caminha até o ônibus, colocando as grandes malas na parte de baixo, sobe as escadas e procura sua poltrona, na plataforma ele parado olhando ela parece forte, parece firme e ela pensa que ele vai ficar bem, mas consegue ver os lábios dele se mexerem parece dizer algo... o ônibus liga o motor e logo ele não esta mais ao alcance dos olhos dela.. mas o que ele disse?

Ele a vê colocar as malas no maleiro e subir o pequeno lance de escadas, ela estava tão linda, e ele forçou-se a decorar cada momento, ainda tentando responder a pergunta dela, ainda tentando fazer a ultima palavra subir a boca e sair da garganta a viu sentar-se em sua poltrona e então como um esforço fora do comum disse baixo quase como um gemido..
- ... sozinho. – e repetiu... – Eu vou ficar bem sozinho...

E a estação rangeu fria aquela noite, e houve quem dissesse que ela chorava

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Memórias (2)

Era fim de tarde, a noite começava a se esticar por sobre a cidade e o casal se alinhava entre os lençóis, risos soltos, e uma vontade louca de não parar de se tocar e beijar tomavam conta daqueles momentos, ambos deitados de lado um olhando fixamente para o outro.
- Você tem uma mania engraçada – disse ela tirando uma mecha de cabelo do que teimava em cair por sobre o olho dele.
- Que mania?
- Sempre que ta um pouco estressado você rói a unha do polegar, sempre... da mesma forma, é como se repetisse um filme, acho engraçado isso.
Uma gargalhada curta e forte e ele diz um pouco tímido
- É você me le como facilmente
- Sim – disse sorrindo vitoriosamente
- Mas não é a única, eu também sei muito de você por seus gestos.
- é eu sei... é estranho né?
- Não... não é... isso é perfeito.
- Nhaa... – Os dedos dela tocam levemente o rosto dele, o cabelo desgrenhado e a barba cheia davam a ele um charme a mais.
Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, a luz azul tremula da tv iluminava o rosto dela, e o brilho visível nos olhos dela o fazia se esquentar por dentro.
- O que foi!? - Perguntou ela
- Te amo.
A frase dita assim, perdida em uma tarde a fez tremer, e ele suspirando diz
- Te assustei né?
- Um pouco... eu não sei o que falar...
-Não precisa dizer nada – disse tocando os lábios dela suavemente – Eu falei por que tive vontade, não espero resposta sua, não falei para ouvir em troca, eu falei por que é verdade em mim, e eu tinha que falar, para abrir um pouco de espaço por que já estava apertado aqui.
- ... é que você já me disse que não costuma dizer isso, assim...
-É eu sei... talvez não tivesse que ter dito
- Por que? Ta arrependido?
-Arrependido de te dizer a verdade? não , na verdade agora eu entendi Cecilia Meireles “Nunca tivesse querido, dizer palavra tão louca, bateu-me o vento na boca e depois no teu ouvido, levou somente a palavra deixou ficar o sentido...”
- Não, eu sei o sentido, e só existe um ...
Os olhos dela abertos ainda brilhando pareciam ter agora um pouco mais de brilho, talvez a alma que se fez um pouco liquida e subiu aos olhos fosse a culpada, mas ele não conseguiu ler... e apenas disse
- É... – enfiando os dedos os cabelos dela, suspirou e disse mais uma vez. – Mas é verdade, eu te amo... desculpe se te assusto, ou espanto.
- Não... não peça desculpas.

A noite foi se chegando enquanto os dois trocavam olhares e beijos, ele sabia que tinha dito a verdade, sem receio não entendi como dissera tão rapidamente, mas nunca tinha sentido dessa forma . Ela tentava se entender, tentava se entregar... tentava viver o presente... mas os olhos podem estar voltados para frente... mas as memórias estavam presas a um passado
- Vamos comer? – disse ele
- Vamos... – Respondeu sorrindo timidamente
- Já sei... Mc Donalds
- SIMMMMM

E tomaram depois a rua e juntos frente a frente dividiram sabores e sorrisos, e durante esse dia e noite ele disse silenciosamente milhares de vezes “eu te amo” e a cada vez ele sabia que não tinha volta... a porta fechou-se atrás dele... e ele sorriu por isso.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Por entre janelas

Ele espremeu-se para passar pela porta enquanto ela se fechava, ali dentro a multidão se aglomerava e ele, não sabendo como, foi parar próximo a porta de acesso ao outro vagão, ali de costas para a porta olhando o vagão a sua frente pensava nela, era incrível como ela não saia de seus pensamentos, nem mesmo quando ele não pensava nela diretamente, ela tangia seus pensamentos.
Recostou a nuca no vidro da porta atrás dele fechou os olhos lentamente e deixou o ar sair lentamente por suas narinas... a próxima estação já estava sendo anunciada quando ele virou o rosto e viu pela janela na porta, de pé no outro vagão, ELA... era ELA... poucos metros separavam ele dela, duas portas uns 4 paços e um vagão especial para mulheres...

Esfregou os olhos como quem tenta acertar os enganos que ve, mas era real, não ilusão, era ela... sorria suavemente enquanto via algo em sua mão, mordia os lábios como sempre fazia quando algo a inquietava, por fim assustada guardou o objeto na bolsa e saiu... ele espremeu-se até a porta de saída e grudou no vidro da porta que agora fechada o afastava dela..
Ela na plataforma olha para o vagão, mas não o vê... ele percebe seu olhar perdido e queima por dentro, era ela.. e ela continua a mesma...

Um lugar vago e ele educadamente sede a uma jovem senhora, não era uma poltrona dura de metrô que iria o confortar... não eram 3 estações , nem os próximos 40 minutos no ônibus...
Ele sentia-se totalmente feliz, inacreditavelmente feliz pelo simples fato de ter a visto uma vez mais, de ter percebido um sorriso em seu rosto uma vez mais, de a ver arrumando os cabelos...
E por todo o dia, por toda semana, por todos os meses e anos que viriam depois, as cenas vistas por entre aquelas janelas foram as cenas que mais se repetiam em sua memória...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Então é natal...

Tenho andado pelas rua e visto cada vez mais a “animação” que esta data traz as pessoas, vejo as decorações , arvores, guirlandas, bolinhas velas, papai noel, bonequinhos de neve, renas e tudo mais... vejo as pessoas felizes, cantarolando dingles de lojas e magazines, repetindo segundo a segundo que “adoram essa época do ano” e eu me pergunto POR QUE?

Certo, é uma data bonita, onde os olhos tem milhares de motivos para se animar com luzes decorativas, mas... e dai? O sentido verdadeiro do natal ? alguém lembra? Vejo um bando de gente querendo ter a casa mais enfeitada que a casa do vizinho, ter a maior arvore de natal, preocupados em receber mais presentes e gastar menos com os presentes que vão dar... mas E DAI?

Vejo a cada segundo um jovem abandonado nas ruas, entregue a vícios, abusos e tantas coisas que nem posso dizer, prefiro generalizar como MALES, mas ao lado desses vejo gente com sacolas de presentes, donos de lojas decorando as fachadas, a indústria do panetone lucrando rios, enquanto aquele menino ali no canto da rua não come um pão a dias...

Vejo tanta gente já pensando na ceia de natal, nas rabanadas e todas as outras guloseimas e pratos, mas tão pouca gene fazendo algo real para ajudar a quem não tem nada para comer.

O Vejo tanta gente feliz por que é natal, mas para eles é só um feriado comum, ou só mais um dia para ficar em casa ganhar algo.
Eu queria ver as pessoas decorando sim as casas, mas isso depois de decorar eles mesmos por dentro, enfeitar apenas não mas decorar e deixar o sentido do natal realmente vivo dentro deles.
Ok o natal é uma data inventada pela igreja, ajustada ao calendário Pagão para casar com a chegada da primavera, mas o sentido a meu ver vai além da religião.
Vamos pensar em como fazer o natal de algum desconhecido menos favorecido ser mais próximo do ideal que um natal deve ser.
Vamos decorar as fachadas, e a alma... vamos realmente fazer um NATAL, e não apenas um feriado.
Bem, temos um mês pra isso...
pensa bem... e se você realmente sabe e gosta dessa data... vai dar valor ao que falei.
E se não gosta, mas entende...vai dar mais valor ainda ao que falei.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

730

Ela chegava em casa ainda carregando o peso da semana nos ombros, os problemas e duvidas não tinham ido embora mesmo com as cervejas e as amigas no bar próximo ao trabalho, O Transito congestionado, as buzinas as cortadas e paradas bruscas só serviram para pesar ainda mais em seus ombros, e depois disso, depois de tudo isso ela ainda enfrentaria um apartamento vazio e frio.
O porteiro sorrindo como de costume fingindo uma simpatia que era completamente antagônica a sua postura normal a fazia ter ainda mais dores nos ombros, a senhora que puxava seu cão pela coleira com passos lentos só a fazia pensar que se ELA fosse pela entrada de serviço já estaria em casa, no sofá, entulhando-se de chocolates e filmes ou seriados.
A caixa de correio vazia, nem se quer uma propaganda para fazer ela pensar que é lembrada por alguém... os longos minutos de espera no hall esperando o elevador ao lado da senhora que falava o tempo todo sem usar de virgulas ou pontos a fez ter certeza de que era preciso parar e respirar... só um pouco... um pouco para relaxar.
Ela sobe seus andares caminha até a porta, agradecendo por ter saído do inferno claustrofóbico que foi o elevador ao lado de um poodle e uma senhora tagarela. Ao abrir a porta um pequeno envelope feito a mão em papel reciclado pode ser visto no chão...
Sem remente, apenas com uma frase no destinatário...
“Ao Grande amor de minha vida”
Abriu tremula por ansiedade começou a ler a carta.
“Princesa
Sim eu entendo que tudo tem que ter um fim, e aqui sentado sozinho eu me pergunto se tenho como deixar ir, ou me deixar ir, e mesmo não vendo isso agora eu acho que eu fui um cara de sorte por ter tocado com essas mãos a mulher que amo, e tanta gente passa a vida sem nem ter visto a imagem de alguém assim...
Eu queria dizer para você ficar comigo, só mais um pouco, eu te prometeria café da manhã com tudo que tu gosta, uma tarde vendo o sol se por, ou um passeio de mãos dadas, mas se eu disser que quero... se eu disser que preciso isso não muda nada.
Sempre que eu penso como seria minha vida, e como eu gostaria que fosse, eu sempre me vejo a teu lado, você apertando minha mão, ou sorrindo por de trás dos cabelos, sempre me lembro do peso de sua cabeça em meu peito, e de seu perfume em meu nariz...

Hoje é uma data ruim sabia? É ... hoje é a data que te vi escorrer entre meus dedos...
Eu sei que cometi muito erros, e muitos pecados, mas eles me ensinaram a ser quem sou, e me ajudaram a montar meu caráter, seja como for... Eu não quero mais causar dor, e nem sentir dor, mas a tanta coisa nesse mundo que nos fere...
Eu já disse que te quero? Eu já disse que preciso de você?
É talvez eu esteja sendo um idiota mesmo, afinal de contas eu to me abrindo pra você, e nem sei se você ainda esta ai segurando esse papel...
Eu queria muito ter você comigo em meus braços até seu ultimo suspiro...
eu queria muito isso... mas querer nem sempre é poder... e eu só posso esperar que esteja feliz... onde quer que seja...”

Ela dobra a carta, colocando novamente no envelope e suspira...
“ele e as datas...” pensa ela guardando a carta junto com as outras em uma caixa de sapatos no fundo do armário...
“ele e as datas....” pensa ela mais uma vez antes de perceber que não tem mais peso nos ombros...e um sorriso no rosto... um triste sorriso no rosto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Let it be...

Hoje eu não vou contar uma história inventada, nem tão pouco extravasar uma raiva... vou deixar uma tristeza sair em forma de relato real.
Eu lembro bem dela, tinha um sotaque diferente, afinal vinha de floripa, adorava surfar, adorava o mar, e adorava ser dentista, passávamos horas ao telefone, a gente se falava tanto que a cada promoção que alguma operadora fazia a gente entrava junto, falávamos até acabar a bateria, e as vezes, varamos a noite falando com o telefone no carregador... um tentando enganar o outro...
Fora o clichê de filme romântico a gente viu sim um monte de filmes juntos pelo telefone, falávamos e riamos das histórias da vida um do outro, nos emocionávamos e criticávamos com atitudes que o outro tomou... e muitas vezes nos ligávamos sem motivo aparente e encontrávamos na voz torta do outro lado a razão.
De uns tempos pra cá as coisas foram ficando mais complicadas, ela que já tinha um problema de saúde foi tendo crises maiores e por fim... passou um longo período internada, lembro que algumas vezes umas escapadinhas para telefonar ou mandar recadinhos por sms ou e-mail eram vistos como grandes “aventuras” em fim a gente brincava com tudo e brigava por nada...
Erramos amigos, grandes amigos, do tipo raro de amigo que não se importa em te dizer na cara que você fez besteira, ou que não quer saber se vai ser mal entendido em dizer algo, e sim do tipo de amigo que fala a verdade por que sabe que é o melhor, do tipo de amigo que pode sentar no sofá a km de distancia e por um aparelho ridículo ter momentos tão especiais como se estivéssemos ladeados.
Certa vez, quando eu, muitas vezes eu, reclamava de problemas ela ria e falava uma única coisa “vc acha que tem problemas?” e eu me calava... outras quando ela atendia o telefone com uma voz triste e cansada eu apenas fazia de tudo para animar e algumas vezes o fiz.

Certa noite ela me ligou, eram pouco mais de 11h da noite, ela me ligou e começamos a falar sobre tudo, o que era comum, e por fim decidimos ouvir musica juntos, cada um colocava uma e a gente fazia nossa interpretação das letras... rimos tanto que minha barriga doeu por uns 2 dias, no fim pouco antes das 3 da manhã a gente ouviu uma musica dela, “let it be”. Tantas risadas depois e sacanagens com a tradução e o sentido oculto de “Madre Mary” a ela me fala o ouvido com a sua voz que nunca vou esquecer.
"Todas as interpretações são ótimas, mas a que eu mais gosto é a minha, pra mim a "madre mary" são meus amigos que sempre me socorrem nos momentos de problemas e duvidas, sempre tem frases de apoio, você é uma “madre Mary” pra mim” confesso que zoei ela que rimos mais um pouco e fomos dormir.
Mas tempos depois, eu reparei na importância do que ela disse, e como ela também era pra mim uma “madre Mary” me tirava as duvidas, me socorria em momentos de problemas e dores, e sempre... sempre tinha frases com sabedoria pra me dizer...
Sinto sim a falta dela, por que hoje quando pensei em ligar para alguém e chorar ao ombro, quem eu penso em ligar não é possível e quem eu poderia ligar nunca mais ira me atender...
bem... eu estou de luto... e Let it be...
Beijos paixão sem dono... beijos e vai com deus... vai surfar nas ondinhas das nuvens.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mais uma despedida...

Sabe aquelas noticias que tu recebe do nada e seu chão some? sabe quando uma saudade perdida no meio da noite vira uma vontade absurda de ligar no dia seguinte, e o dia seguinte com telefones fora de área, fora de serviço e fora de tudo te deixam pensando que deve estar ocupada e liga de volta mais tarde? mas o mais tarde passa e passa o dia... e passa outro dia e a saudade não diminui? pois bem... hoje eu recebi essa noticia depois de uma semana de tentativas de ligar e falar com uma super amiga minha... descobri que ela faleceu....

A cada ano eu tenho inda mais raiva desse fim de ano... a cada novembro e dezembro eu tenho mais raiva desse periodo do ano... no ano retrasado perdi uma outra amiga por uma doença e esse ano... essa mesma doença arrancou de novo uma grande amiga...

O que me derruba é que de novo... mais uma vez eu não consegui falar nada com a pessoa, e quando sentia falta, saudades e vontades de ligar... era na verdade uma vontade uma certeza de que algo acontecia... e que perdia alguém importante...

Pode dizer o que for, podem se animar com essa epoca podem decorar suas casas, mas eu... eu tenho 3 motivos para não comemorar esta data...

Tathi Cohen... saudades é algo que a gente não apaga e amizade é algo que vai alem do tempo... vou sentir saudades de nossas "brigas" ao telefone... vou sentir saudades de tu paixão sem dono...

Deus... recebe essa pessoa com cuidado... ja que ela ficou tão pouco tempo aqui, e fui privado de tantos momentos que planejamos... ao menos cuida dessa guria invocada ai... por que ela merece um lugar bem especial...

A dois anos eu também perdi uma pessoa especial uma não duas... uma grande amiga, e um grande amor... e esse ano... mais uma...

... hoje eu to sem chão... mas não sinto falta dele... eu sinto falta é dela.....

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

memórias

A muito tempo, na verdade não tanto tempo assim, mas a algum tempo um jovem subia alguns lances de escada para encontrar uma menina que até então era desconhecida a ele.
O jovem olhava pelas janelas do alto edifício e esperava um toque simples em seu celular, esperava assim ter quem sabe uma boa companhia um bom papo, e conhecer finalmente ela, que tantas vezes pois um sorriso em seu rosto mesmo não existindo realmente, ele e ela iriam se ver pela primeira vez depois do tortuoso e complicado encontro virtual.
Ele olhava as pessoas na escada e sabia que reconheceria facilmente, mesmo nunca tendo a visto ao vivo já tinha visto umas tantas vezes as poucas imagens que ele tinha dela, engolia a seco cada segundo, e o nervosismo cego o tomava por inteiro.
“como pode... como posso estar assim tão ansioso pra conhecer uma pessoa!? – se perguntava ele enquanto caminha de um lado para o outro. Até que ele a vê... subindo ali um lance de escadas rolantes... o som do andar todo tornou-se mudo, as pessoas pareciam mais felizes, ele estava mais feliz... ela subiu guardando algo na bolsa, um fone de ouvido talvez, e buscando uma coisa.. um telefone... ela timidamente caminhou até atrás de uma pilastra e buscou o numero...
Ele sorriu, e indo até ela disse “- Não precisa eu to aqui”, eles se cumprimentaram como seria o de costume e logo tomaram a decisão de não ir ao cinema, a noite estava convidando para uma cerveja, e assim os dois foram, o papo rolou fácil, confiante e explicativo, ambos tomaram a liberdade e a segurança de dizer os medos anteriores, os motivos e as duvidas e assim o sorriso simples foi tomando conta dos rostos.
No bar, sentados frente a frente, ele tentou uma ou duas vezes tocar a mão dela. Por alguns momentos conseguiu... a conversa tomou rumos mais pessoais, e antigos e os dois assumiram seus medos mais íntimos... e receios... ele sobre seus inquietantes medos e ela sobre um romance antigo, ele sorriu, era desafiador, mas não era esse o motivo do riso... ele sentiu que não tinha mais o que fazer... ele já estava dominado... ela sorriu de volta acreditando talvez que fosse apenas um sorriso perdido, mas não... ela não sabia que ele sorria ali dizendo mudamente um “você é apaixonante”.
Ela olhava para ele com os olhos suaves, temerosa de qualquer erro, ou interpretação errada do que ela pudesse dizer, mas logo o humor louco do jovem a fez sorrir soltamente, e as brincadeiras tomaram conta da mesa.
A noite, que esta noite terminou cedo acabou trazendo aos lábios dele uma doce lembrança, uma lembrança que ele nunca conseguiu esquecer...
O jovem a viu voltar pra casa, e voltou para a sua, com passos lentos, olhos nas estrelas e o pensamento indo longe dentro de um vagão de trem... mas tarde um sms e um sorriso que tomou conta de sua noite... e durante um bom tempo seus dias...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cinzeiro

O cinzeiro estourou na parede espalhando pedaços de vidro por todo os cantos, ele levantou a cabeça calmamente, com os olhos pesados, ele que costumava sorrir tanto agora seriamente mantinha os olhos frios nela que congelada ficava na postura de quem acaba de arremessar... lentamente como que deixando o calor voltar ao corpo ela aprumou-se e o fintou o mais forte que pode.
Ele levantou-se e caminhou, ela temeu que ele fosse agredir ou qualquer outra coisa mas ele apenas passou por ela foi a geladeira, pegou uma garrafa de agua, a sua mochila no sofá e saiu pela porta.
Ela atônita ajoelhou-se e começou a juntar os inúmeros cacos de vidro finamente decorado, começou a pensar nele, e em como ele era cuidadoso, e como as vezes os cuidados eram tão intensos que a sufocava, mas logo lembrou-se de como sentia-se bem entre seus braços e como era seguro estar ali... e em pouco tempo recolhia os cacos de um cinzeiro que pouco ou nunca tinha sido usado como tal, recolhia esses cacos regando-os com suas lagrimas hora felizes com o sorriso de seu rosto... outras frias e amargas como as lembranças ruins.
Ele apertou o botão, mas logo a escada o convenceu que seria mais rápido, a cada degrau a lembrança de tudo que fez, de todas as vezes que a protegeu e até abusou na tentativa, de todas as vezes que sentou-se a seu lado na cama apenas para ver ela dormindo, de todos os momentos de sorrisos ... mas não conseguia se lembrar do motivo desta briga, e nunca conseguiria... não existem explicações... a única coisa que ele não consegue esquecer são as palavras ditas enquanto um cinzeiro voava rente as usa cabeça e estourava-se na parede “Eu não quero nunca mais falar com você”
O porteiro abre o portão, o comprimento de sempre tem apenas a resposta silenciosa de um olhar atordoado e lacrimoso, a rua fria, mais fria ainda sem ela agarrada em seu braço, ou a mão dela apertando a sua.
Ela sentou-se no sofá e só então pode perceber o quão perto foi o cinzeiro, a marca na parede, e os minúsculos cacos de vidro no braço do sofá... ele poderia estar ferido agora... pensou até “seria bem feito” mas logo o arrependimento... um ato desmedido poderia ter piorado ainda mais tudo... só então ela buscou se lembrar do motivo da briga... e para sua surpresa... não se lembrou... nada que ela se lembra-se era motivo o suficiente para que um cinzeiro voasse por toda a sala.
Ela levantou-se e pegou o telefone, os dedos rapidamente discaram o numero e logo o triste som do telefone tocando no quarto a fez perceber que não tinha mais nada a fazer... ele tinha tomado a rua sem um meio de que ela pudesse dizer “desculpe”...
O vento frio tocava sua face e gelava as lagrimas, poucas que ainda corriam, em seu rosto ele sentou-se no velho banco da praça, abaixou a cabeça e no silencio que ali estava pode ouvir o som do cinzeiro se partindo... dos cacos estourando no chão, e da voz doce dizendo frases duras... e as pequenas gotas de chuva que começavam a cair não o fizeram se mover um único milímetro.
Ela abraça os joelhos, sentada no sofá enquanto as horas vão passando, e logo a noite chega e com ela o som costumeiro dele abrindo a porta... úmido por dentro.. e totalmente molhado por fora, ela corre, tenta o abraçar e tirar seu casaco molhado dizendo inúmeros, “me desculpa” e ao olhar nos olhos dele não vê tudo que via antes... um vazio, um frio... uma existência de não existência... os passos até o banheiro, os passos pesados até o banheiro, e a roupa no chão, ela o observa encostada na porta ao vê-lo despir-se e encher a banheira tentou puxar assunto, mas ele pouco... na verdade nada respondia.
Por fim com a banheira cheia, quente, e ele dentro dela, parecendo derreter ele finalmente disse.
- O cinzeiro era presente de sua mãe...
-...
- Eu gostava dele...
-...
- Eu não entendo por que jogou ele em mim.
- Nem eu... Me desculpa!?
-Você juntou os cacos!?
- Sim... joguei fora...
- Não tentou colar!?
- Não.. ele era cheio de detalhes.
-É... as coisas são assim, umas difíceis de serem restauradas, outras impossíveis, mas todas tem uma facilidade incrível para partir...
-...
-Não lembro o motivo da briga, mas lembro que não queria mais falar comigo, não lembro como, mas lembro do som do cinzeiro estourando na parede atrás de mim... não lembro de nada que possa ter causado isso...mas sei que por longas horas na chuva, eu tinha uma única certeza...
- Qual!?
- Você quebrou não apenas o cinzeiro...
-E tem como colar?
-... eu estou aqui não estou!?
- ...
-Pega o cinzeiro e um vidro de super bonder... vamos tentar colar juntos
Ela sorri e entende que ela já tinha sido perdoada, agora faltava ela se perdoar...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Horizontes

Ela abriu os olhos, ainda cansada da noite anterior, as amigas as horas dançando, pulando e gritando e não podia esquecer as muitas e muitas bebidas, mas sempre manteve-se firme a suas obrigações esticou-se e olho para o relógio, a hora que costuma levantar, talvez um ou dois minutos depois... mesmo tendo ido dormir tarde ela acordou na mesma hora, sorriu por dentro e rolou na cama até a beira para se levantar quando o seu celular tocou, 2 toques curtos... um sms.
Em algum lugar da cidade ele olhava o aparelho de celular como quem enfrenta um dilema, as pessoas que por ele passavam sentiam no ar a duvida e o peso, ele digitou mais algumas coisas e por fim encostou o celular no joelho e fintou uma vez mais...
A duvida se devia ou não devia mandar tomava conta de cada centímetro de seu corpo, tremia com o receio e transpirava por vontade, e por fim, “enviar”... mesmo que fosse fora de hora, era preciso e foi.
Recostou a cabeça no encosto do banco em que sentava e suspirou...
“agora foi... e que seja...”

Ela olhou a tela com cuidado, e percebeu, era dele, ele de algum lugar do passado, perdido no tempo e em ações sem sentido por qualquer motivo voltou, pensou se lia ou não, e por pouco não apagou, mas ela acabou aceitando e lendo.
“Oi, Ta difícil, é complicado tudo que acontece, tudo que aconteceu, e eu me pergunto se fiz ou faço bem a ti... na verdade sei que fiz muito mal, e durante muito tempo fui talvez um espinho lacrimoso em seus dias, e não minto como sua falta é nos meus, mas eu sei que suporto certas coisas e você? Será que a gente ainda se falaria? Será que ainda seriamos amigos!?... Espero que sim, mas se não puder, se ainda for lacrimoso para você basta me dizer e acredite... não me verá mais de forma alguma, mas por favor me responda.”
Ela respirou fundo, já não sabia o que dizer, tudo que era dito muitas vezes era entendido de forma errada, e o cansaço e desanimo tomaram seu peito, pensou se devia ou não responder,
As vezes um nada a dizer é mais eloquente do que o dizer tanto... pensou... estou vivendo minha vida, estou finalmente seguindo meus caminhos e desejos... não... não vou dizer nada, não tenho que dizer nada... ela caminhou para o banho, vestiu-se, e foi trabalhar, a mente logo tinha apagado o sms, assim como ele o fez depois de ler... e sua vida seguiu
Ele sentado olhava agora pela janela do ônibus e sabia, sabia que não teria resposta e que isso só significava uma coisa... o fim... a cabeça no vidro, escondiam a quem sentava a seu lado as lagrimas que rolavam em seu rosto, o headfone nos ouvidos abafavam os gritos de sua memória, ele sabia que era o fim, mas ela a saudade como demônio gales gritava e matava quem destruía sua coragem e tomava sua vida...
No trabalho ela fez seu afazeres, trabalhou e tocou sua vida, como sempre fazia como sempre fez, com cada detalhe se repetindo, dia após dia, casou-se teve filhos, e mesmo assim tudo se repetia, em uma constante narrativa preconcebida.

Ele viveu cada dia de sua vida mantendo os olhos fixos em algum do horizonte, esperando uma aproximação que nunca veio, um telefonema que nunca aconteceu, uma carta que nuca chegou, um sms que nunca recebeu... viveu sua vida, envolveu-se, até gostou bastante de alguém mas nunca conseguiu apagar por completo , com o tempo a imagem do rosto dela tronou-se feita por pontos, não era tão real e preenchida, mas ainda era forte e quanto mais ele se afastava desta imagem... mais real ele a via...

Ela viveu sua vida sem olhar para trás, e ele viveu sempre olhando um futuro que não chegou a acontecer...