Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
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domingo, 27 de novembro de 2011

Bem...

A fria estação já existia a muito tempo, muitos anos, mas nunca havia visto ali, correndo em seus grandes salões um jovem tão preocupado como aquele, o cabelo desarrumado os olhos buscando e procurando um detalhe, uma cor, uma forma uma pessoa em especial, o relógio grande no centro da plataforma mostrava que já eram pouco mais das 10h da noite e de alguma forma isso afetava ainda mais o jovem rapaz.
Ele para próximo a plataforma 22, olhando ao redor e alheio as pessoas a sua volta, e sem ser percebido por elas suspira ao reconhecer ao longe a pequena mulher que arrumava suas bolsas sobre um conjunto de malas.

- Hey... espera. – disse ele em alto tom correndo para próximo a ela.
-O que... o que você esta fazendo aqui?
- Eu vou com você.
- ... Não.. você sabe... você não pode vir comigo... para... me deixa ir.
- ... Então... me da tua mão... vem vamos pra casa... vamos esquecer isso.
- Eu estou indo pra casa... – Disse ela olhando a passagem em sua mão e tentando-se convencer disso, já esta na hora, Meu lugar não é aqui...
- Não – disse ele segurando as mãos dela, - Por que a gente não troca suas passagens, para mais tarde um pouco, vamos conversar e se você ainda achar que tem que ir eu espero com você... o que me diz!?
- Me desculpe, eu lamento...
- O que? O que lamenta?
- Ter que ir, mas eu vou ter sempre boas lembranças...
- E que lembranças são boas?
- ... Vou me lembrar dos passeios de fim de tarde, dos presentes sem motivo, das flores todos os meses, das ligações só pra dizer “ola” das mensagens, dos nossos sonos fujões que fizeram a gente se conhecer um pouco mais, vou me lembrar dos carinhos e dos sorrisos...
- É... você pode lembrar, pode lembrar como foi divertido, como foi bom, como é bom, e ai vai se lembrar de que não tentou um pouco mais, de que desistiu na primeira duvida... ou então pode nem lembrar... e logo esquecer, e as lembranças podem virar apenas um eco no vazio dos pensamentos antes de dormir.
- ...
- É... as lembranças podem ser cureis, podem te fazer olhar pra frente com esperança ou para trás com saudades, eu acho que você vai é se lembrar de mim como um idiota.
-Não... você é uma pessoa especial, Eu prometo que vou me lembrar de você, de coisas boas de você.
- ... E o que eu digo? Obrigado?
-... e por que não?
- Por que serão apenas lembranças, presas a duas coisas.
- Que coisas?
- Ao que já foi, e vão sempre se repetir iguais, mesmo com temperos de sentimentos diferentes, como melancolia, remorso, carinho, mas ainda assim vão ser iguais, sempre as mesmas memórias.
- ... e a segunda coisa – disse ela abaixando a cabeça com o peso do que ele havia dito.
- É que assim como as coisas boas você também vai sempre lembrar dos erros, das falhas e das magoas, e elas vão sempre se repetir, sem nunca me permitir corrigir, fazer diferente... – Tocou o rosto dela e segurando o queixo levantou até que seus olhos se tocassem uma vez mais – Você é uma mulher incrível, e eu sempre quis ter você comigo, e acho que lá no fundo você também queria estar comigo, Queria ter mais tempo com você e quem sabe te provar que nem todo mundo é idiota, nem todo mundo é igual.
- Por que “vocês” fazem tudo igual sempre? Por que “Eles”sempre erram assim?
- Não sei... você, ... você é especial.
- E por que todos me deixaram ir?
- ... Porque... – Disse girando em seus calcanhares e voltou a olhar para ela.. – Porque eram estúpidos, e não conseguem ver a pessoa maravilhosa que você é mesmo estando a frente deles, eu te conheço a o que? 3 meses? E posso ver, e eu nem sou esperto, mas posso ver, posso ver isso por que é claro... Você é a mulher mais amável do mundo, a mais fácil de se apaixonar... de amar... e eu te amo ...
- ... – os olhos dela tentavam represar uma ou outra lagrima, queria ser mais forte do que seu corpo permitia, e seus olhos fecharam-se uma vez e uma vez mais lentamente.
- E quer saber?...
- ?...
- Eu acho que você me ama também, você tem isso ai dentro de você e por mais que coloque um monte de coisas sobre, por mais que jogue outras tantas memórias por cima, por mais que volte para um passado, que eu não posso ir, você vai sempre saber disso... Eu te amo, e se você entrar naquele ônibus... você... você pode estar indo pra casa, mas eu não vou ter pra onde voltar... Eu te amo, e é você que é meu Lar... eu não volto a noite todo dia para casa para encontrar uma TV grande, uma geladeira cheia ou filmes... eu volto por você.
- ...
- Se os outros idiotas deixaram você ir, se um ou outro te procuram apenas quando tem vontade, eu não quero saber, porque eu... eu nunca...jamais, de forma alguma, vou deixar você ir sem lutar, sem te mostrar que você é especial para mim, e que não existe sequer a possibilidade de um dia eu encontrar uma outra pessoa que chegue perto de ser o que você é pra mim, mesmo agora, mesmo depois de uma briga, mesmo depois de tudo e mesmo com a possibilidade de você me dar as costas e ir para um lugar que eu não vou poder ir...
- E se eu for? Vai ser o fim disso? Você vai me odiar? Vai me deixar e nunca mais falar comigo?
- ... Eu vou correr o mundo todo procurando o meu Lar..
- Eu não posso...
- ?
- Eu não posso, desculpe... Preciso ter certeza de que EU tentei... eu tenho que ir pra casa... eu tenho que voltar...

No falto falante o locutor avisa ~ ultima chamada ~
-Então... vai...
- ... E como você vai ficar?
- ... Vou ficar... bem...
- tenho que ir..
-...
Ela pega suas malas e caminha até o ônibus, colocando as grandes malas na parte de baixo, sobe as escadas e procura sua poltrona, na plataforma ele parado olhando ela parece forte, parece firme e ela pensa que ele vai ficar bem, mas consegue ver os lábios dele se mexerem parece dizer algo... o ônibus liga o motor e logo ele não esta mais ao alcance dos olhos dela.. mas o que ele disse?

Ele a vê colocar as malas no maleiro e subir o pequeno lance de escadas, ela estava tão linda, e ele forçou-se a decorar cada momento, ainda tentando responder a pergunta dela, ainda tentando fazer a ultima palavra subir a boca e sair da garganta a viu sentar-se em sua poltrona e então como um esforço fora do comum disse baixo quase como um gemido..
- ... sozinho. – e repetiu... – Eu vou ficar bem sozinho...

E a estação rangeu fria aquela noite, e houve quem dissesse que ela chorava

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