Por que um baú?

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Memórias (2)

Era fim de tarde, a noite começava a se esticar por sobre a cidade e o casal se alinhava entre os lençóis, risos soltos, e uma vontade louca de não parar de se tocar e beijar tomavam conta daqueles momentos, ambos deitados de lado um olhando fixamente para o outro.
- Você tem uma mania engraçada – disse ela tirando uma mecha de cabelo do que teimava em cair por sobre o olho dele.
- Que mania?
- Sempre que ta um pouco estressado você rói a unha do polegar, sempre... da mesma forma, é como se repetisse um filme, acho engraçado isso.
Uma gargalhada curta e forte e ele diz um pouco tímido
- É você me le como facilmente
- Sim – disse sorrindo vitoriosamente
- Mas não é a única, eu também sei muito de você por seus gestos.
- é eu sei... é estranho né?
- Não... não é... isso é perfeito.
- Nhaa... – Os dedos dela tocam levemente o rosto dele, o cabelo desgrenhado e a barba cheia davam a ele um charme a mais.
Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, a luz azul tremula da tv iluminava o rosto dela, e o brilho visível nos olhos dela o fazia se esquentar por dentro.
- O que foi!? - Perguntou ela
- Te amo.
A frase dita assim, perdida em uma tarde a fez tremer, e ele suspirando diz
- Te assustei né?
- Um pouco... eu não sei o que falar...
-Não precisa dizer nada – disse tocando os lábios dela suavemente – Eu falei por que tive vontade, não espero resposta sua, não falei para ouvir em troca, eu falei por que é verdade em mim, e eu tinha que falar, para abrir um pouco de espaço por que já estava apertado aqui.
- ... é que você já me disse que não costuma dizer isso, assim...
-É eu sei... talvez não tivesse que ter dito
- Por que? Ta arrependido?
-Arrependido de te dizer a verdade? não , na verdade agora eu entendi Cecilia Meireles “Nunca tivesse querido, dizer palavra tão louca, bateu-me o vento na boca e depois no teu ouvido, levou somente a palavra deixou ficar o sentido...”
- Não, eu sei o sentido, e só existe um ...
Os olhos dela abertos ainda brilhando pareciam ter agora um pouco mais de brilho, talvez a alma que se fez um pouco liquida e subiu aos olhos fosse a culpada, mas ele não conseguiu ler... e apenas disse
- É... – enfiando os dedos os cabelos dela, suspirou e disse mais uma vez. – Mas é verdade, eu te amo... desculpe se te assusto, ou espanto.
- Não... não peça desculpas.

A noite foi se chegando enquanto os dois trocavam olhares e beijos, ele sabia que tinha dito a verdade, sem receio não entendi como dissera tão rapidamente, mas nunca tinha sentido dessa forma . Ela tentava se entender, tentava se entregar... tentava viver o presente... mas os olhos podem estar voltados para frente... mas as memórias estavam presas a um passado
- Vamos comer? – disse ele
- Vamos... – Respondeu sorrindo timidamente
- Já sei... Mc Donalds
- SIMMMMM

E tomaram depois a rua e juntos frente a frente dividiram sabores e sorrisos, e durante esse dia e noite ele disse silenciosamente milhares de vezes “eu te amo” e a cada vez ele sabia que não tinha volta... a porta fechou-se atrás dele... e ele sorriu por isso.

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