Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

...

O que é?

Com o tempo as pessoas passaram a olhar para os sentimentos como uma competição, uma forma de se ganhar algo dando algo em troca, uma competição onde quem vence é quem faz mais, ou sente mais, ou ama mais... porém amor não é isso.. Amor não é um fogo, não é um ardor amor não é algo que move montanhas, muito menos te faz voar... amor é um sentimento.
E sentimento é algo que não se mede, não se vê, apenas se sente, ok, talvez a metáfora da chama esteja correta, queima sem se ver, mas vai além disso, amor é respeito, amor é vontade amor é dedicação.
A mesma vontade, o mesmo respeito e a mesma dedicação que você da a você, só que você faz isso para quem é importante para você. importante e especial.

O amor não é cego, ele apenas suporta certas coisas por ter esperança, o amor não é a causa do sofrimento, a causa do sofrimento é amar quem não sabe amar, ou quem não quer amar...

O amor verdadeiro surge do nada, fica por tanto tempo que a gente passa a achar que ele não existe, como aquele perfume que tu colocou de manhã e acostumou-se com o cheiro, mas quem passa parto de ti sente... assim é um amor verdadeiro... você pode nem sentir ele toda hora... mas quem passa do seu lado ou esta do seu lado.. sente.

O amor é assim... uma infinidade de possibilidades e um mar de duvidas... todo mundo sabe o que é amor, todo mundo sente isso... mas ninguém explica de verdade o que é amor...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Fim de ano.

Não importa a religião, se você reza ou ora, se você acredita em um único deus, ou em um panteão de deuses, não importa, se vê o natal de uma forma cristã, pagã, ou politeísta, pouco importa se você não se empolga com canções natalinas, se decora ou não sua casa, se gasta fortunas em presentes, pouco importa se acredita que nasceu alguém nessa data a 2 ou 5 mil anos...

O que importa é que bem ou mal, certo ou errado nessa época do ano todos, independente da crença olham para si mesmos e para o ano que passou analisando, entrando e um período de inverno onde mergulham fundo em si mesmos para ver se foram ou não “bons Meninos” e esperançosos de serem melhores no próximo ano.

O que importa é saber entender que o outro pode não compartilhar sua fé, mas nem por isso ele deixou de ser bom, de tentar ser bom, e assim como você ele pode ter errado, pode ter acertado, mas assim como você ele passou pelos 12 meses do ano, assim como você ele respirou fundo nos últimos segundos do ano passado e desejou de verdade que o próximo ano fosse melhor...

O que importa é que todo mundo deseja sempre isso.
Boas festas, e um Feliz ano novo a todos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

...

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarisse Lispector

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Taj Mahal

Nunca foi tão importante para ela passar aquelas poucas horas com ele no fim do dia, Pouco se importava se ao sair da escola ela tinha que cruzar a cidade toda para sentar-se em uma cadeira ao lado dele e ter ali as poucas horas que a faziam sorrir por horas depois.
Ela era jovem, mais que jovem, ainda era uma criança mas a tempos já convivia com a separação de seus pais, e sabia bem que já não era mais um “menina” como sua mãe dizia e nem uma mocinha como o pai a elogiava, ela estava ali, perdida no meio das duas pontas, Não era mais menina, e nem era uma “mocinha” .
A mochila em suas costas, o passe livre pelo ônibus e a longa jornada até o trabalho de seu pai, Sempre que chegava lá era recebida com olhares curiosos das pessoas que trabalhavam com ele, e com um sorriso amplo de seu pai, esse, aquecia qualquer dia, e ela mesmo sendo muito novinha já sentia e sabia a importância desse sorriso.
- Oi Pai
- Princesa!! - Disse ele sorrindo abertamente e a abraçando como se não houvesse amanhã.- Então como foi a escola hoje?
- Da mesma forma que ontem, de ônibus – falou olhando nos olhos dele, como se fosse zangar mas a brincadeira que ele tinha começado com ela a tempos o fez sorrir ainda mais
- Danadinha hein? , Sua mãe sabe que esta aqui?
- Sabe pai, eu disse que vinha ontem , eu posso ficar um pouco?
- Claro princesa, vem vamos lá pra minha sala.

Ele passou com ela por um longo corredor enquanto todos Diziam o nome dela, e uma ou outra em tom eufórico diziam “que linda cresceu tanto” ela pensava que não podia ser verdade, uma semana não é tanto tempo assim, mas o que a fazia esquecer de tudo era ver o sorriso no rosto dele enquanto ele dizia “ É... Cresceu muito, minha princesa já é uma mocinha, vem sozinha da escola pra cá, acredita? Já já vai querer meu carro para ir passear com as amigas”
Na sala dele, as uma ampla bancada e duas mesas uma para os desenhos e outra com o computador, ela corria e sentava-se na cadeira da mesa de desenho, ela adorava, pois ela girava, girava e girava.. e ele sentava-se seu lado.
- Já fez a lição de casa?
- Não
-E por que não?
-Por que acabei de sair da escola? – Disse colocando a língua para fora
-HAHAHAh é verdade... mas é que eu tenho que fingir que sou um bom pai, sabe como é né?
- Pai... você é o melhor pai do mundo
- E você a melhor filha que o melhor pai do mundo poderia querer, mas você não vai me enrolar, já fazer sua lição, assim a gente passa mais tempo junto no fim de semana.
-E o que a gente vai fazer?
- Não sei, pensa ai e me diz.
-Já sei... que tal a gente ficar em casa, Jogar vídeo game e comer pizza?
- Não vai querer sair não?
- Eu não... mamãe sempre me leva pra sair... não aguento mais...e eu gosto de ficar com o senhor
- Você.
-Como?
- Não me chama de senhor que eu não sou tão velho assim né?
- HEHEH Ta bom pai.
Ela no alto de seus 7 anos sorria e o fazia sorrir como se não houvesse nunca existido momentos tristes em suas vidas, e ao mesmo tempo, carregava com ela a tristeza de ver os dois, pai e mãe, separados e mesmo que não dissessem abertamente infelizes.
- Mas se “você” Quiser ir la no parque que a gente ia sempre... eu vou adorar.
-O que minha princesa quiser eu faço.
-Taj mahal!!!
- O que? – pergunto um tanto assustado.
- “Você” disse que faria tudo que eu quisesse, eu quero um Taj Mahal, eu li sobre ele esses dis.
- Minha princesinha nerd.... vem ca me da um naco desse “bacon” - Disse segurando ela no colo e olhando bem nos olhos.
- Pai... Te amo.
- ... Eu também filha... eu também te amo.
Assim sentados ladeados a tarde, cada um fazendo suas tarefas eles compartilharam risos, musicas e Brincadeiras.

Conselho de um velho apaixonado

Carlos Drummond de Andrade

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Isso ja diz tudo..

... certa vez.

Eu hoje digo em poucas linhas o que quer dizer muita coisa..
Eu queria dizer a uma certa pessoa um “eu te amo”
Mas o mundo e seus joguetes de tempo e formas me impedem disso.
Dizer um “gosto muito de ti” para mim é tão complicado como dizer um “eu te amo”...
Mas para ela... para ELA eu diria e disse certa vez...
Certa vez é um tempo que não volta... que se foi...
Certa vez eu tive todo o mundo entre meus braços...
Certa vez eu fui tudo que queria ser... mesmo que por pouco tempo.
Certa vez eu a tive... hoje... nem a vejo...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Florbela

HOJE, DIA 08 DE DEZEMBRO É O ANIVERSÁRIO DE FLORBELA ESPANCA. MARAVILHOSA POETA PORTUGUÊSA, DONA DE UMA POESIA SENSUAL, DE UM LIRISMO FORTEMENTE MARCADO POR SUA TERRA, A FIGURA FEMININA MAIS IMPORTANTE DA LITERATURA PORTUGUESA! PARABÉNS!

NOSSO LIVRO
Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.
Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!
Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
Versos só nossos, só de nós dois!...

AMAR
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e a toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.
E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que eu saiba me perder... pra me encontrar...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

apenas uma

Verdades absolutas,
assim são as loucuras
Não importa como diga
elas sempre aparecem
Sempre agindo hora com ou
Sem sentido algum,
apenas acontecendo.

Depois, quando tudo parece
incerto, me pergunto
“Assim que deve ser!?”
Sem resposta eu fico
Ao menos penso...
besteiras pensar assim

remoendo uma solução sem solução
existe solução para isso?
uma que seja final?

Eu penso que não
Talvez seja loucura
Eu, me forço a
Aceitar em algo assim
Mas acredite, no que digo
ou ao menos preste atenção

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

em paz...

A pele suave da ponta de seus dedos percorreram toda a extensão da lateral do rosto dela, mesmo com o peso dos anos, mesmo com tantas marcas causadas pelo dias vividos ela estava ali, agora ainda mais linda do que no primeiro dia que a viu, ela em um gesto felino alinha a o rosto nas mãos rugosas e macias dele e assim segurando suavemente diz
- Sabe, nunca pensei te ver aqui... dessa forma...
- E nem eu pensei que tu viesse aqui... quanto tempo faz? 12? 15 anos!?
- Não.... acho que é um pouco mais que isso – disse sorrindo e passado suavemente a mão nas mãos dele.
- Pouco importa não é? O tempo parece que não passa pra você.
-Exagerado.... eu estou mais enrugada que uva passa.
- Para mim esta ainda mais linda... – A frase saiu como que acompanhando o polegar dele que acariciava a costas da mão dela relembrando um carinho tão antigo como o próprio carinho.
- Você Diz isso pra todas – Sorrindo como que evocando as lembranças de um tempo que a muito passou... e talvez passou rápido de mais.
-Nada... eu só falo isso pra quem merece.
- Como esta se sentindo hoje?
- Hoje? Como sempre, mas agora... agora eu sou capaz de correr uma maratona... ao menos meu coração já esta batendo como se tivesse feito isso.
- Seu bobo, não mudou em nada hein? Continua o mesmo ... com umas rugas a mais mas o mesmo bobo de sempre.
- É eu me esqueci que isso não muda...
-O que não muda? - tirando o cabelo ralo dele que teimava em cair sobre os olhos dele.
- O que sinto por você não muda, nem com meio século entre a gente... mesmo com tantos anos...
-Hei... você tem mais anos do que eu - Tentou assim com uma brincadeira mudar o rumo da conversa, mas ela mesmo queria continuar ouvindo a anos não sentia uma verdade dita assim tão francamente sem medo e sem receio.
-Eu sei... o que comprova que eu sei bem o que digo... nunca mudou...
- Mas me fala... nesses anos todos... o que fez da vida? Deve ter novidades né? São 50 ANOS
- Bem deixa eu ver... a ultima vez que nos falamos pra cá o que aconteceu? A sim.... eu soube de seu casamento... torci para que tu fosse feliz, e toquei a minha vida, conheci muita gente boa, tive algumas namoradas...
- Eu sabia, você sempre fazendo de bom moço mas é um mulherengo.
-Eu tentei foi te esquecer, afinal... você estava casada... e você sabe... como eu sou.
- Sim eu sei... apesar de as vezes você ser meio “inconsequente “ né?
- É mas eu culpo o amor por minha inconsequência.
- Mas não vamos falar disso não é?
- Não... claro que não, só deixa eu dizer pra você tudo que eu sempre pensei em dizer esses anos todos?
- ... E por que tem que ser agora?
-...Não sei... só quero dizer... posso?
- Pode...
- Eu passei muito tempo procurando alguém que pudesse chegar perto do que você é pra mim..
- Fui..- disse ela corrigindo
- Não... do que é! Como disse não mudou nada... e eu como te disse a 50 anos atrás, te trouxe comigo todos os dias da minha vida.
- Deixa de ser bobo... você ainda é “garoto” vai viver muito e vai acabar me esquecendo.
ele se senta na cama e esticando os braços abre uma gaveta, e tira um grupo de cadernos e entrega a ela.
- Leia... já que eu não consigo terminar de falar...
- Desculpe...
-Você nunca saiu de minha vida, e a prova esta ai nessas folhas, folha por folha tu vai ler que eu não digo coisa diferente ...
Ela abre um caderno e vê que de tempos em tempos, as vezes uma vez ou mais por dia ele escrevia ali alguma coisa, pequenos textos, pensamentos e frases e todas ela era citada, mas o que mais a espantou foi o fato da primeira data ser 1 dia depois deles terem se afastado...50 anos atrás.
- Você escreveu todos os dias!?
-Era a única forma de te dizer o que eu sinto por você...mas me diz... e você? Foi feliz esses 50 anos?
- Eu tentei muito, consegui umas vezes, outras nem tanto... e você foi?
- Eu sobrevivi... sabe... Por mais que eu tenha vivido com uma ou outra pessoa... eu descobri uma coisa.
- O que?
- Nunca vai existir na minha vida alguém como você...
- ... Já faz muito tempo... esquece isso...
-É complicado... se eu esquecer de você vou estar apagando de minha memória todos os dias de minha vida, eu vou estar esquecendo da minha vida... vou estar esquecendo de mim...
- Teve netos?
- Não, nem filhos...
- E por que?
- Por que sempre quis ter uma família com você...
-Eu tenho um casal de filhos e 5 netos.
-Invejo eles
- odeio essa palavra... mas por que inveja?
- Por que quando eles te abração eles conseguem ter nos braços todo meu mundo...
-...
O médico entra e avisa que o horário de visitas esta acabando, e que ele precisa descansar.
- Olha eu prometo voltar pra gente se falar mais. Ok?
-Não prometa... Mas vou tentar te espera um pouco mais. – disse sorrindo e beijando suavemente as mãos rugosas dela, e ela teve a certeza de ter voltado no tempo por alguns instantes.

Enquanto caminha para fora do hospital, e acenava para o taxi, pensou que devia voltar no dia seguinte... talvez todos os dias seguintes...
No taxi abriu os livros e folheou-os rapidamente, eram muitos cadernos, então teve a ideia de ler a última folha escrita.

E assustou-se... a data era de hoje. E dizia

“ Hoje, não sei por que mas acordei lucido, uma certa alegria, as dores menores, mas ainda sentindo o peso de nunca mais ter a visto, essa noite sonhei que a via entrando pela porta do meu quarto, ainda vestindo aquele vestido florido, ainda com os cabelos soltos, e os fios revoltos em sua nuca...
Talvez seja isso mesmo... talvez ela seja o anjo, a valquíria que me leva para o valhalla, eu só peço os deuses que eu possa ver ela uma ultima vez e dizer tudo que quis dizer esses anos todos... embora tudo se resuma em uma única frase... Eu te amo, depois disso... ok... depois disso eu posso ir em paz.”

E foi assim, com os olhos boiando em sentimento que ela atendeu o telefone que dizia que ele tinha realmente ido em paz.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Escolheu Esperar.

O jovem rapaz lutava conta a tristeza ao descer os últimos degraus do velho ônibus, a sua frente a vila onde morava e no fim da rua sua casa, a casa dos sonhos, a casa que ele sempre voltava com um sorriso largo no rosto, depois de um dia de trabalho ou uma viagem para visitar seus pais, mas hoje... hoje ele voltava triste sem o sorriso e sem os acenos aos vizinhos.
O fim de tarde frio parecia feito especialmente para ele, uma garoa fina e triste, sem crianças nas ruas, sem gritos de “Tio” muito embora ele não tivesse a sorte de ter tido sobrinhos, ele voltava pra casa sem a alegria de costume, apenas um andar pesado as mãos afogados nos bolsos e os olhos baixos... vistoriando os passos próximos.
Sua casa que antes ao final do dia se iluminava com luzes no jardim, musica e algumas vezes ele mesmo sentado a varanda tocando um violino ou gaita, hoje mergulhou-se em uma escura onda de silencio... os vizinhos acostumados a ver o jovem na janela até tarde mirando as estrelas espantaram-se ao ver as mesmas janelas fechadas, e quando não, apenas uma brecha de luz pálida e um vulto sorumbático a olhar por ela.
Ele andava pela casa recolhendo em si mesmo forças para não deixar o grito subir a garganta, mas... a força que fazia era gigante e mesmo negando o grito, um gemido e lagrimas não podiam ser evitadas, principalmente ao segurar ou apenas lembrar do envelope que abriu aquele dia...
Um envelope branco, com adornos prata, letras bem feitas em uma tinta escura, letras feitas a mão, por algum grafista... era sem duvida um convite... e as letras escreviam seu nome, mas quem convidava? E pra que?... ao abrir.. a resposta... ela o convidava para seu casamento... com Aquele rapaz... ele desde então não sorriu mais... e teve a sensação de que o céu sobre sua cabeça tornava-se cinza.
A Anos não a via pelas ruas, a anos não tinha noticias, a anos ainda guardava a esperança de um reencontro... a anos guardava a imagem dela... Mas hoje...
As letras bem feitas e desenhadas, o convite com as iniciais dela e daquele rapaz, o endereço e a hora... Faltava pouco... Pouco mais de uma semana.. e ele sabia que não poderia fazer nada... E se pudesse o que faria? Entraria a igreja aos berros dizendo não case? Ligaria para ela e passaria hora dizendo o que sente para no fim ter a resposta que já ouviu umas tantas vezes?
ou escreveria uma carta longa com tantas verdades quanto lagrimas que ou a faria acreditar ou afogar-se nelas? Restava a ele o que sempre restou... Deixar a vida seguir seu rumo.
Sempre fora assim, desde o primeiro momento lembrou ele, a vida sempre teve que seguir um rumo, hora ele dizia a ela que ela deveria olhar a frente e perceber quem acenava a ela, hora ele se dizia para fazer isso, muito embora não visse ninguém acenando para ele, lembrou-se e com uma certa culpa de ter argumentado algumas vezes que ela se prendia a um passado, e que deveria dar-se a chance de viver, embora ele agora não conseguisse fazer o mesmo... percebeu assim que não adiantaria escrever, ir ou ligar... Percebeu então que não adiantaria então esperar, sonhar ou pedir a quem quer que seja por um reencontro ou retomada... Percebeu que não a perdia aquele dia... Percebeu que a perdeu anos antes... Antes mesmo de tê-la conhecido.

Abriu a carteira, e tirou ali de entre os cartões uma foto, uma pequena foto dela sorrindo a seu lado em um domingo feliz, uma foto roubada... uma foto que ela nunca sequer soube que existia... logo as horas passaram e era hora de voltar pra casa... Enfrentar o ônibus, as cotoveladas o que fosse... nada iria doer mais do que a frase.
“convidam você para a cerimonia a realizar-se”... e a data... nada o fez mais mal...
A lembrança do envelope e até mesmo as horas com ele na mão aquele dia pensando se deveria ou não ir e se despedir o tornavam cada vez mais triste... mas não..
Fechou a janela, desligou as luzes, e sentou-se a varanda... escuro e triste
Afinal hoje, uma semana depois do convite... ela se casava com aquele rapaz... e não existia para isso um “fale agora ou cale-se para sempre”... ele não tinha o que falar... ela escolheu o outro rapaz...
E ele escolheu... esperar...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

É estranho

É tão estranho quando se sente saudades de coisas simples... na verdade não é saudade...é falta... quando se sente falta de coisas simples como um sorriso de canto de lábio, um olhar de rabo de olho apenas para constatar que você estava olhando para ela, alguns fiapos de cabelo arredios na nuca e uns outros nos lençóis...
São coisas simples que na hora podem passar despercebidas, na verdade para muitas pessoas passaria mas quando se sente algo realmente forte você acaba percebendo a grandiosidade dessas minúsculas lembranças... são como pontinhos... milhares de pontinhos que juntos fazem um quadro grande e lindo...
Algumas vezes, até sem querer, a gente se pega sentindo falta até de uma briga, uma birra que teve, lembra-se com exatidão quase que filmo gráfica as brigas, as vezes que bateu a porta, ou que levantou-se nervoso... ri... ri muito por lembrar que era tão idiota o motivo, mas... aconteceu e você lembra... e relembra e lembra de novo como quem busca uma forma de voltar no tempo e ao invés de dizer um “isso” dizer um “aquilo que faria tudo mudar”... mas o tempo não volta... e o tempo é ainda mais estranho.

O tempo é uma força estranha, que pode te fazer amar loucamente uma coisa em poucas horas e não esquecer dela por anos depois... tempo pode fazer com que anos sejam gastos construindo uma imagem e esta mesma se destrua em poucos segundos... mas o mais estranho do tempo é que mesmo passando freneticamente e cada vez mais “rápido” para alguns momentos da vida eles esta completamente congelado... talvez seja culpa da falta que a gente sente destes momentos.
Outrora eu fechava os olhos e lembrava com exatidão o meu avô, lembrava dos fios bancos em sua barba, da voz pesada e forte... mas cresci, o tempo passou e eu passei a lembrar de outros momentos, me lembrava dos olhos perdidos procurando, das frases loucas nas conversas, das musicas trocadas como segredos e dos segredos trocados pela madrugada.

Lembrar é uma arte, acredite, não é essa que se ensina em dvd´s de métodos para memória, eu falo das lembranças, que as vezes tem pegam no metrô e te fazem lembrar de um pé solto balançando suavemente antes de dormir... ou de um gesto um ato que repetidas vezes viu e esperou se repetir... ou que por sorte ou azar aconteceram uma única vez, com um beijo no peito e selar a mão sobre o lugar onde beijou...

Pode dizer o que quiser, pode apontar e pensar que este é um tolo que se prende em lembranças, mas pense comigo, conhecimento não é lembrança? E eu amo conhecimento... eu amo minhas lembranças sejam elas de uma tarde de domingo que nunca aconteceu, ou das longas horas de espera da sexta que chegava...
Pouco importa.

Lembrar não muda o passado e não aproxima o futuro ou reescreve um presente... lembrar serve apenas para acalmar um peito que triste pelo hoje e desacreditado do amanhã busca o conforto de um ontem...