Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Alergia



Não adiantava apertar, puxar ou espetar... ele não sentia nada, a ponta do dedo  dormente não sentia sequer a aguda ponta da agulha, o médico de branco do outro lado da mesa espantou-se.

- A quanto tempo esta assim!?
- Não sei ao certo... acho que só reparei nisso agora.
- COMO ASSIM!?
- Não sei doutor... isso é ruim!?.
-Meu senhor,  de certa forma a dor é algo bom o senhor não a sentir pode por em risco seu corpo, a dor nos avisa de algo errado.
- Sabe doutor... acho que começou a uns anos atrás...
- Qual foi o primeiro sintoma !?
-Deixei de sorrir.... eu acho.
- ...!?
- É senhor eu comecei a não sentir graça em nada, depois deixei de chorar, no meu trabalho eu não sinto o ar condicionado frio... na rua eu não sentia calor...
- O senhor quer me dizer que não esta sentindo dor, frio, calor, e animo!?
- Isso doutor... eu não sinto mais nada...
- ...?
- Sabe, eu até que via uma vantagem nisso, Eu não sentia vontade de rir, nem de chorar, também não sentia dor... sabe doutor as primeiras dores que parei de sentir são as dores que ninguém quer sentir...
- ... entendo... e depois disso!?
- Depois disso comecei a não sentir mais dor de dente, e as dores do dentista... deixei de sentir quando dava uma topadinha na beira da mesa de centro... ou quando queimava a ponta dos dedos em algo quente... depois deixei de sentir, frio, calor alegria tristeza...
-A quanto tempo isso!?
- ... Desde que senti uma dor muito grande...
-Opa... dor de que? Costas? Cabeça!?
-Não senhor... a dor da perda...
- perda?
- Sim senhor... desde que perdi minha mulher ...eu nunca mais senti nada...
- Meus sentimentos, mas... Senhor... desculpe mas eu não sei o que fazer.... nunca ouvi na história da medicina um caso de analgesia congênita e a síndrome da neuropatia sensitiva autonômica crônica como a sua...
- O que isso quer dizer Doutor?
- Que o seu sistema nervoso esta como se estivesse anestesiado.
- Doutor... então temos um problema maior...- disse o velho levantando da cadeira e caminhando até a porta.
- E qual é senhor? – Disse o médico O acompanhando.
- Eu sou alérgico a anestesia...


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Diálogos que não acontecem



Deitados ali, no colhão no meio da sala com morangos mordidos em uma vasilha ao lado junto com umas duas ou três garrafas de vinho, o sol começava a entrar pela janela, mas os dois de olhos fechados cobriam-se um com o outro e vez por outro tinham a ajuda de um cobertor leve, ela então passando a mão no peito dele com mais carinho do que jamais fez, respira fundo e em um tom quase que pedindo desculpas por acorda-lo pergunta

- Quando a gente vai acordar!?
- Não sei... quando a gente parar de sonhar? – Disse ele afundando os dedos nos cabelos dela
- Então você concorda que é um sonho né?
- sim... um dos melhores eu acho... mesmo com todos os momentos ruins que tivemos ainda é um sonho com um bom final.
- Então talvez seja um filme.... será que falta muito para os créditos? – fingiu procurar algo que sabia que não existia
- Pode ser que sim, pode ser que venha ja ja e venha uma cena extra. – sorriu ao ver os olhos brilhantes dela.
- Será que vai ter continuação!? – Colocou as duas mãos no peito dele e o olhou nos olhos com um longo sorriso no rosto
- Acho que não... poucas continuações foram boas, algumas até estragaram a obra inicial. .- fingiu não gostar da ideia

- E se for uma serie como Guerra nas Estrelas? foram 6 filmes bem legais – piscou o olho e fez um biquinho e uma carinha que pedia que ele concordasse
-... Acho que a gente é mais um livro.. um romance...
- Por que? – Apoiando a cabeça no peito dele e colocando a mão dele em seus cabelos.
- Mesmo no fim ele continua ali, presente... e lendo a gente sonha viaja... – olhando nos olhos dela e fazendo um cafuné leve contrario a hora.
- Isso é verdade... mas também tem fim. – Fechou os olhos sonolenta
- Tudo tem fim não é? – beijou a testa dela
- Até a gente? – disse quase dormindo.
- Ok... quase tudo... – disse em sussurro vendo ela ser novamente dominada pelo sono e mexer  pé enquanto caia no sono. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pensando sobre mim mesmo.


Diferente dos outros textos esse é bem auto biográfico.
Esses dias eu estava olhando para mim, como quem olha um estranho, um dos raros momentos em que a gente consegue sair de nossa percepção limitada, comecei a lembrar de tudo que passei, das pessoas que conheci de quem ainda mantenho comigo de que deixei sair, de quem afastei  sem querer e de quem afastei por vontade.
Eu olho para trás e vejo meu caminho todo, e sabe o que é mais estranho!? Mesmo tendo escolhido o caminho mais cheio de dificuldades mais complicado, mesmo tendo feito as piores escolhas e cometido muitos erros eu mudaria pouca coisa, talvez evitasse uma grande pedra para ter mais energia na seguinte sei la... mas não faria outro caminho, acho que a vista que tive de onde andei foi a melhor que pude escolher.
Sim foi um longo caminho sozinho, e ainda é sozinho,  mas isso não importa, ou importa!? Se eu sinto falta é por que é importante certo? A gente sente falta do que precisa mesmo que negue pra gente mesmo... e isso serve pra tudo.
Tive poucos  romance na vida, e com essa metáfora de caminho eu os comparo a rios riachos, o primeiro foi uma nascente, por ver pequenas partes a gente pensa que vai ser suave e fraco, mas no fim percebe que é traiçoeiro e violento... e foi mesmo... quando menos esperei o rio desapareceu e foi se meter por debaixo da terra onde eu não gostaria de ir nem em pesadelos...

o segundo foi mais tranquilo, como um rio congelado, eu tinha que pisar com cuidado mas não estava muito feliz com o gelo nó pé ... e ainda tinha medo acumulado do rio anterior... acabei seguindo meu caminho antes de ver ele derreter... foi até bom... o rio seguiu o caminho dele e pelo que sei esta bem...

O terceiro ficou um tempo, foi um bom rio, as veze o encontro e tenho meus momentos de lavar os pés... sabe!? Descarregar as culpas da vida sem ser julgado... em fim virou um rio amigo...

O meu quarto e ultimo rio, o que me marcou mais, é um rio de planícies elevadas, era calmo, mas vinha já de uma longa história, já tinha descido tantos caminhos pelas encostas que agora mesmo sendo largo e raso era assustado, e eu tentei represar esse rio, poderia ter ficado a margem dele quando ele começou a correr forte para outro lado mas eu queria ter o rio... represei , mas ele estourou a represa e mudou o curso... agora eu não tenho nem onde lavar as mãos... e sinto falta do som do rio... sinto mesmo.
Eu escolhi meu caminho, errei com algumas coisas repeti erros algumas vezes... mas no fim eu posso dizer que foi o melhor que pude fazer... hoje olhando por sobre os ombros, e vendo que ainda tenho muito caminho pela frente eu só me arrependo de não ter escolhido manter um pouco do rio no cantil... onde pudesse beber de vez em quando, eu vejo ao longe o rio seguindo o caminho dele, fazendo  um laguinho la no fim... espero que ele seja um ruidoso rio feliz...

Eu tenho que continuar subindo... tentando achar um outro rio pra seguir ou ser acompanhado... quem sabe encontre quem sabe não... eu sei o que devo fazer e melhor ainda... sei o que não devo fazer...

Eu não devo esperar do rio nada além de sua passagem... o rio passa... tudo passa...
O que fica são as marcas e lembranças.


terça-feira, 24 de abril de 2012

U T I

O Café era a única coisa que o aquecia na noite, as longas horas esperando uma resposta haviam pesado em seu corpo que todos os anos que vivera até então, o corredor cheirando a algum produto de limpeza, as pessoas desconhecidas e os olhares complacentes eram tudo que ele vira nos últimos dias, mas aquelas ultimas hora eram ainda piores. - Ela quer ver o Senhor. – Disse uma enfermeira de olhos castanhos que lembravam os olhos da única mulher que ele amou verdadeiramente, - O senhor pode ir vela agora se quiser, mas não pode demorar muito, ela ainda esta muito cansada. Ele acenou levemente com a cabeça e depositou o copo pela metade de café na no balcão próximo a ele, os passos eram lentos, não pele idade, mas para dar tempo a ele mesmo de digerir o que tinha acontecido... Sentou-se ao lado da cama e segurando de leve a ponta dos dedos da pequena menina sussurrou baixo “Oi princesa, estou aqui” os olhos anestesiados dela piscaram uma duas vezes até que um leve sorriso se fez em seus lábios. - Pai! - Sim princesa sou eu. - Por que esta chorando? - Saudades minha linda, saudades. - Não quero ver o senhor chorando nunca... - Tudo bem amor... eu me controlo ta? - Ta, pai... -O que foi princesa? Quer um outro cobertor? -Não... eu só queria ta fazer uma pergunta. - faz, to aqui. - Me fala mais da mamãe? Ele abaixou a cabeça e deu um leve afago na mão dela e entre lagrimas respondeu. - Ela era uma Guerreira, sabe... Sorria o tempo todo, e quando não podia sorrir ela se forçava a sorrir só para confortar quem estava perto... sua mãe me dava sustos, muitas vezes quando chegava em casa ela estava escondida só para me dar susto... -O que foi pai? - ... é que você faz igual a ela, sempre me da sustos. A jovem menina sorri, e olhando nos olhos dele continua a ouvir que ele diz. - Ela cantava as vezes, na maioria das vezes quando estava feliz, mas quando algo a desagradava ela cantava baixinho quase como um sussurro... era assim que eu percebia que ela não estava bem, sabe... ela costumava cantar pra você dormir. - Eu não lembro. - Claro que não filha, você era muito nova... ela que te apelidou de princesa. - mesmo? - Sim, uma manhã de domingo você estava na sua cadeirinha ela olhou pra você toda cheia de pose na cadeira e disse “Amor, a gente tem uma princesa em casa” e você riu quando ela falou isso e ria toda vez que ela te chamava de princesa, ai ficou... a nossa princesa. - Eu lembro da ultima vez que ela me chamou assim... -Não pode filha, você era muito novinha ainda. - estranho mas eu lembro da voz dela... - A voz dela era linda... inesquecível mesmo... Mas princesa você tem que descansar. Depois a gente fala mais. - Pai? - O que princesa? - O que o senhor gostaria de dizer pra mamãe? Algo que o senhor não disse - ... - Pai? -Eu diria que estou com saudades, e que cada dia sem ela tem sido triste e que eu só tenho conseguido suportar eles por que ela me deixou você, me deixou a princesa para cuidar, diria que eu a amo muito mas que você é a minha paixão. - ... pai... ela vai gostar de ouvir isso... -...Princesa? -.... -Princesa!!?? O som continuo e agudo toma conta do quarto e antes que ele diga uma terceira vez os médicos se aglutinam sobre a pequena menina falando dosagens e procedimentos, e no corredor ele chorava, e antes que o médio o desse a noticia ele já sabia que sua pequena princesa havia partido... e que ele estava agora mais só do que nunca.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Curta

Ela entrou em casa, o peso do dia nos ombros, e os acontecimentos recentes ainda na cabeça e tudo que ela queria não era sair do banho e encontrar ele na sala, ou receber um telefonema dele dizendo que tudo tinha mudado e que ele estaria voltando pra ela hoje.. se ela aceitasse ele de volta... tudo que ela mais queria era entrar no banho e que o mundo acabasse em silencio... Tudo que ela queria era encontrar finalmente o verdadeiro sentido de PAZ... já que se peito vivia uma guerra sem fim a tantos anos... tudo que ela queria era conseguir esquecer ele... e para isso... só com o termino de tudo... por isso prolongou o banho o máximo que pode... mas o mundo não acabou e ela continuou a sentir as vontades de sempre... e os receios de sempre, e não esperar o que sempre não aconteceu e nunca iria acontecer.
Em fim... seu mundo acabou.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

João de barro.

Em um ou outra revirada na internet eu encontro umas perolas... uma dessas perolas foi essa musica que ouvi uma vez e cantei como se soubesse a letra de milhares de anos antes...

Espero que gostem tando quanto eu.

João de Barro
O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar
Traz nas asas um novo dia
Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menino aprendi
Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor...


Tornar um amor real é expulsa-lo de você para que ele possa ser de alguém...

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tarde da noite... um simples.... não é...

Algumas vezes na vida a gente se prende a fiapos, como velhos elefantes que por sua juventude foram amarrados e mantidos ali em cativeiro por longos anos impedidos de serem livres... algumas vezes somos assim, amarrados a esses fiapos de idéias, sonhos...

Pode doer, pode ser uma dor forte largar um sonho, largar uma paixão, largar um amor, mas a gente só sabe que é amor de verdade quando a gente acorda e olhando para o fato de estarmos sozinhos, de estarmos sem quem queríamos ter ou quem gostaríamos de ser, mas mesmo assim mesmo mesmo sem ter a gente percebe que prefere ver quem amamos e sonhávamos ter ao lado feliz, pode soar altruísta e falso mas é a verdade.

Assim como quem tira um espinho do Pé ou uma farpa das dobras da mão.
É triste, admito que perdi um tanto do que acreditava, perdi uma boa parte de mim de meus sonhos, de meus desejos... em fim... perdi a minha parte boa... perdi a crença nas pessoas, e no amor...

Rasguei a pele, puxei os espinhos... rompi as cordas...
Não sou um elefante... sou apenas um humano... um misero humano que erra... tropeça... e chora...
Em fim...

Acabou... foi bom... mesmo quando era ruim... hoje... simplesmente... não é...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Coincidências...

O bar vazio era incomum para aquele dia, e aquela hora certamente o velho balcão estaria apunhado de gente pedindo cervejas e bebidas, mas hoje estranhamente o bar tinha poucas pessoas sentadas a mesa, e o jovem senhor dono do bar lavava os copos pensado no tempo que parecia se arrastar.
Um outro senhor entrou e sentou-se no banco ao balão e pediu uma bebida e antes de ser servido lançou-se a falar sobre a vida e as coisas estranhas dela, o barman serviu já pensando que seria mais um daqueles chatos bêbados que vivem atrapalhando os bares do centro.
- A vida tem um jeito estranho de te dar o que você pede... sabia?
Acenando positivamente para ele o barman queria apenas que o tempo passasse e ele fosse embora logo.
-É serio... Passei os últimos 20 anos da minha vida tentando esquecer uma pessoa mas ela nunca saiu da minha cabeça... nunca... Outra bebida por favor.
-E por que o senhor não vai atrás dela? – disse ele servindo a bebida enquanto o senhor estava de cabeça baixa, e assim que disse o viu levantar o rosto com os olhos vermelhos e regando a barba de seu rosto com lagrimas.
- Por que não posso.
- Desculpe.. ela faleceu?
-Diabos... não... ela esta bem viva... e pelo que sei tem 3 filhos, dois meninos e uma menina linda... linda como ela.
- A o senhor ainda a vê?
-Não prestou atenção no que falei não é? Eu não a vejo a 20 anos.
-E como sabe de tudo isso?
-Eu sempre tive uma facilidade de entender e de me lembrar das coisas, dos gestos dos modos das pessoas, por exemplo você lava os copos da mesma forma que lavava a 15 anos atrás, sempre no sentido horário, depois dobra a toalha 2 vezes e apoia na mesa sempre da mesma forma, mas faz isso só quando esta chateado, de certo.
-Sim é bem isso mesmo..
- Eu sei... bem como dizia, Meu filho me ligou hoje e disse que iria me apresentar a sua namorada, Ele é meu filho único, menino estudioso, quando era mais novo eu pensava que ele seria um físico ou químico mas ele decidiu virar Advogado, um dos bons, ele me disse que ela é a mulher dos sonhos dele...
-E me desculpe mas o que isso tem haver com a história?
- tudo tem ligação meu velho, tudo, ele me ligou e eu disse que sim, claro, que faria um jantar especial pra isso, faria um prato que ela nunca esqueceria, sabe como é mulher dos sonhos a gente conquista com sentidos, olfato, tato e paladar.
“ o Barman sorriu, lembrou-se de um jovem que a tempos sentou-se ali naquele mesmo banco e disse a mesma frase”
- Bem, o jantar já estava pronto quando a campainha tocou, dois toques curtos, típico do meu filho, por isso abri a porta sem nem olhar pelo olho mágico, e lá estava ELA... como se tivesse voltado no tempo eu vi ELA ali vestindo seu vestido florido, com os óculos no rosto, o mesmo sorriso... se não fosse meu filho me chamando a realidade eu acho que estaria lá ainda olhando ELA, Outra bebida por favor.
O barman serviu enquanto ouvia a história do velho.
- Eu disfarcei fazendo um elogio a ela mas sempre que ela fazia algo, arrumava o cabelo ou tomava a taça de vinho nas mãos eu via ELA fazendo as mesmas coisas, a conversa correu durante todo o jantar, ela me fazendo perguntas sobre meu filho, sendo simpática e eu me deleitando com o fato de ter ali na minha Retina a imagem DELA, no fim comecei a perguntar da vida dela, e ai meu velho... ai vem a coincidência... Ela era filha DELA...
- Agora entendi como o senhor sabe sobre ela.
- Pois é... A tempos eu pedia a Deus para que ELA entrasse em minha vida, que voltasse a ela, que a gente formasse uma Família... E a vida me deu isso... de uma maneira diferente... mas deu.
- O mundo é muito pequeno...
-O mundo é gigantesco, meu velho, é gigante mas alguns destinos se enroscam por ai e sempre se encontram, ela me mostrou uma foto DELA, eu me controlei para não dizer que a conhecia, mas posso te dizer... que ELA não mudou nada... continua linda como sempre...
-E por que não fala com ela?
- Por que tudo que é bom dura pouco... e as vezes o presente não é nem sombra do que foi a muito tempo... e como ouvi a tempos... a nossa história ficou lá atrás... não tem volta... foi bom... mas FOI...
- Entendi... é isso é muito ruim.
- É principalmente que para ELA foi... e para mim sempre É....
No fim da noite, ou inicio da manhã o velho dono do bar volta pra casa e encontra deitada seu esposa que sorrindo o olha nos olhos e diz.
- Nossa filha conheceu o sogro dela hoje... parece que ele é um homem muito simpático.

O velho dono do bar apenas sorri... a vida é repleta de coincidências.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Frio

Enquanto ele arrumava sua casa, limpava seus pertences ouvindo “Jeane” The Smiths, tentava não pensar em nada, apenas fazer seus trabalhos de casa, limpar, arrumar e por fim deitar-se no sofá e esperar o fim de semana terminar o quanto antes.

Ela do outro lado da cidade, penteava seus cabelos preparando-se para sair, logo pela manhã de um sábado já estava cansada, sabia que seu fim de semana seria corrido e cheio de coisas a fazer, olhou no reflexo no espelho e de súbito lembrou-se dele. E como não lembrar, mesmo não estando presente em seus dias a tempos era presente naquele cômodo como se tivesse vivido ali com ela por anos, No radio, “Back to the old house” já começava seu segundo verso quando ela pegou o telefone.
Ele arrumava seus dvds na prateleira quando o telefone tocou no quarto, o pano no ombro e o dvd “500 dias com ela” nas mãos .
- Alô.
-Oi. ... tudo bem?
- ... Oi... sim e você?
- To bem... e sua família?
- Estão melhor, na medida do possível melhor, e a sua?
- Bem.
-Que bom.
-... Acho que não devia ter ligado né?
- Esta arrependida de ter feito isso?
- Não... mas parece que não te fiz bem.
-Por que diz isso?
-Sua voz... as “vaciladas” que esta tendo na voz.
-... Entendo... eu sou assim você sabe... não consigo esconder nada.
-... Eu sei... só não queria te fazer mal.
-Você não fez... só não estava preparado.
-Preparado?
-Sim... Receber seu telefonema, ouvir sua voz... em fim... você sabe.
- É que senti saudades suas, as vezes penso em você pela manhã quando vou ao trabalho, as vezes você ainda me faz companhia.
-É bom saber disso, afinal... você sabe que também sinto sua falta.
-... Mas e a vida como anda? Casou?
-Não... tive um ou outro romance mas não me envolvi o suficiente para pedir em casamento, e você?
-Não quero falar disso.
-E por que perguntou?
-... Não sei...
-...
-A gente se dava bem né? Era bom... um amor bom... um conto de fadas.
-Não, era bem diferente.
-Como assim?
-Contos de fadas tem finais felizes.
-Sim ...
- E Amor de verdade não tem fim...

O tempo passou, e um silencio existiu na linha por algum tempo, por fim, ela terminou de se arrumar e ele de arrumar sua casa... e o fim de semana passou lentamente.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da mulher...

Ok, temos que dar o braço a torcer, o que seria de nós homens, sem as mulheres? certamente estaríamos ainda grunindo e chacoalhando nossos troncos de um galho a outro em busca de alimentos, viveríamos ainda apoiando as mãos no chão sem nos preocupar em criar nada, em produzir nada... em conquistar nada.

O que seria dos homens sem as mulheres, certamente não teríamos descoberto o fogo para aquecer no frio, e preparar alimentos mais energéticos, não teríamos descoberto a forja, metais ainda estariam em forma de pedra nas montanhas, não teríamos desenvolvido as moradias, as construções, não teríamos desenvolvido carros, aviões.... deus como pude esquecer se não fossem as mulheres não teríamos criado os tecidos, as roupas os sapatos... Se não fosse as mulheres a gente não iria disputar a atenção de ninguém, não teríamos que conquistar ninguém. e logo todas as descobertas, invenções e soluções não seriam necessárias... em fim... Se não fossem as mulheres os homens não teriam motivação para nada....

Feliz dia das mulheres as mulheres que MOTIVAM os homens a fazer algo, nem que seja acordar cedo e sair de casa por não aguentar mais aquela MULHER no pé da gente :)

Brincadeiras a parte. Feliz da das mulheres, a todas. e espero que mesmo sendo ironia no texto vocês entendam a importância da MULHER.
Feliz dia da Mulher.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pensamentos

"Quando alguém não diz a verdade por medo de consequências não é prudencia,
É omissão, e assim o mundo ganha mais mentiras complacentes" - Weverson Garcia

"Não é por que alguém não espera de mim uma verdade que eu vou me calar com mentiras" - Weverson Garcia

"Não sou dono da verdade... afinal de contas sempre que pode ela escapa por minha garganta" - Weverson Garcia.

"Eu nunca pensei que certas coisas mudassem, talvez o amor seja como fogo mesmo, pode mudar de estado todo o resto, mas se apaga com um balde de descaso" - Weverson Garcia.

"Andar em círculos não é esta perdido... é ser tolo, fazer sempre as mesmas escolhas esperando que algo mude, a vida não é um teste cientifico" - Weverson Garcia.

"Se eu amei? Eu amo... mesmo que seja apenas verdade pra mim e absurdo para o resto" Weverson Garcia.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sem importância

-Porque você vai? – Perguntou ela escondendo o desapontamento.
-Porque pergunta? Quer que eu fique? – disse ele arrumando a mochila.
-... Você faz o que quiser.
-Sim, eu faço o que quero, sempre fiz, desde o inicio, Mas porque a pergunta!?
- ... Sei lá, só quero saber, esquece não importa.
- É eu sei que não importa, nunca importa, e por isso eu estou indo, por que nunca importa o que eu faço ou fiz, Nunca importou nada.
- Não foi isso que eu quis dizer – Disse abaixando a cabeça e percebendo que ele tinha razão, ela pouco ou nunca demonstrou se importar com o que ele fazia. – O que você queria que eu fizesse? Saltasse em cima de você sempre que recebesse algum recado seu? Que desse uma festa a casa vez que fazia algo pra mim?
- Não, eu queria que fosse importante para você como era importante pra mim fazer as coisas para você.
-Eu pensei que fazia sem esperar nada em troca.
-Eu fazia por vontade, mas o mínimo era ter um pouco mais te importância pra ti as coisas que fazia, até as coisa que você não percebe de cara... acho que você nunca parou para reparar nisso.
-... ? Não entendi?
- Sempre fiz um mundo de coisas por você, e deixei de fazer umas outras tantas pelo mesmo motivo, você nunca me pediu nada, nunca, mas se parasse para pensar em certas coisas ia entender melhor o meu lado, e talvez eu não estivesse indo embora agora.
- ... Me explica então, pois ainda não entendi.
-Quando a gente se afastou a tempos atrás, eu te disse que nunca te esqueceria, que nunca iria deixar de ser quem era pra mim, isso é fácil, mas eu sempre estive presente pra você, e por todo o tempo que foi viver sua vida, que buscou seus sonhos eu me mantive quieto, no meu canto, tá certo nem tão quieto, mas fiquei ali, sempre, foi escolha minha de fato, mas pensa... com a ausência você continua gostando? Ninguém faz isso eu fiz.
- Mas fez por que quis, eu não te pedi nada.
- Pois é... por que para você não tinha importância se eu estava ou não do teu lado, não fazia diferença se eu gostava ou não de você.
- MAS QUEM DISSE QUE NÃO IMPORTAVA?
-Ninguém disse o contrario.
-... Se não importasse eu deixaria de falar com você, eu já tinha te dito isso...
-E esses últimos meses tem sido como?
-...
-Chego em casa, e se você ainda não chegou eu preparo tudo pra você, e quando você chega... age como robô, mecanicamente come, mecanicamente fala comigo e dorme... e quando ou se me beija, eu quase sinto o gosto do metal robótico de seus beijos.
-... É tão ruim assim estar comigo?
-... Se eu estivesse com você não seria ruim, mas você nunca esta comigo.
-... – Ela não tinha o que falar, a tempos sua cabeça se encontrava em outro momento, outro estado.
- ... E não é ruim te ver, e estar perto de você mas... Você nem isso mais faz... acho que é melhor eu ir, e se um dia , SE um dia você sentir falta de meu jeito, bobo, adolescente, romântico, e tudo mais que já disse de mim sabe onde me encontrar... quer dizer tem como me encontrar... eu não sei se vou ficar no mesmo lugar sempre... eu já fiz muito isso... já esperei muito... já sonhei muito... já me importei muito com alguém que me tinha sempre como mais um... apenas mais um qualquer.
-...
Ele fecha a mochila, caminha até a porta, coloca no aparado as chaves e olhando nos olhos dela diz
- Pode se desfazer de tudo que eu deixei aqui ou te dei se quiser... Talvez não tenha importância para você... Pode jogar fora cada carta... cada traço... cada presente.
- e por que faria isso?
-Não sei... talvez eles tenham importância mas quem deu não..
Fechou a porta e colocou-se a caminhar, a mochila pesada pouco incomodava... o rosto que logo encontrava-se encharcado é que o assustava e o entristecia profundamente, para ele tudo sempre era importante... tudo.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Soneto da Desesperança

Vinicius de Moraes

De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.

Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.

Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!

E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.


Desapontamento maior é aquela que a gente não espera, pois espera o melhor de algo, para algo, ou de alguém e para alguém... mas este teima e ser menos, ser pequeno limita-se a viver iludido, preso e amarrado a algo que já foi e não é mais nem sombra do que foi... o pior desapontamento é acordar olhar no espelho e perceber que só esta desapontado por que sonhou de mais, quis de mais... desejou de mais...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

para bom entendedor.. uma musica basta.

Folheando memórias.

Sentado em seu canto, o jovem rapaz folheava as suas lembranças como quem folheia uma revista, algumas imagens o faz parar mais tempo enquanto outras ele passa sem se atentar as legendas ou textos.
Durante a tarde toda ele andou de um lado para o outro tentando lembrar-se da mais antiga lembrança de sua mãe, a que ele mais gostava, e agora no fim do dia ele finalmente lembrou-se, não eram as lembranças de uma tarde no parque ou um passeio. Foi apenas uma tarde com ela depois de um dia ruim na escola e uma lição de moral...
Sorriu ao lembrar ela dizer sentada a seu lado “Filho, quando a gente desiste de algo que a gente gosta ou que sabe que precisa a gente acaba desistindo de nossa vontade” o tempo todo ele pensou nisso, viveu com essa frase na mente, e os valores presos a ela.
Hoje, anos a frente enquanto folheava as lembranças deparou-se novamente com a memória presa a outra mulher, aquela mulher que ele viu subir as escadas e que desde então nunca mais deixou de fazer parte das paginas de sua vida... ao menos nas lembranças, mesmo que a cada novo volume de lembranças ele colocasse sempre as mesmas fotos era ela, era sempre ela.
Ele lembrava-se de ver os cabelos com cachos suaves, lembrava-se dos olhos vivos e fortes, e lembrava-se principalmente do perfume dela, mas agora ali, folheando as lembranças lembrou-se do ultimo dia em que a viu, da ultima vez que puderam se encontrar e se olhar nos olhos, lembrou-se dela se despedindo dele, dando um beijo suave na ponta de seus dedos e colocando os mesmos no peito dele, lembrou-se dos passos que deu se afastando, do peso que sentiu, e de uma senhora perguntando se ele estava bem... lembrou-se que chorava por não ter força de olhar para trás... e lembrou-se que nunca mais pode olhar nos olhos dela sabendo que ela olhava nos olhos dele.
A cada pagina que virava, ele a via a lia e entendia que tinha feito o oposto que sua mãe dissera anos antes... ele tinha desistido de uma vontade, de algo que gostava, de algo que precisava... ele tinha desistido dela.
Olhou a sua volta, e ali sozinho, proscrito e tendo como companhia apenas as lembranças em sua cabeça e os travesseiros a suas costas, um lençol embolado em seus pés e a luz quente de um abajur, olhou novamente para a imagem dela e teve medo de nunca mais conseguir esquecer aqueles olhos e aquele dia em que ela subiu as escadas e iluminou o andar como o sol faz ao surgir de um novo dia...
Ele não tinha mais vergonha em assumir a quem quer que fosse, que ele a amava... mas sabia que para ela isso não fazia diferença... ele sabia que para ela era diferente...
E assim ficou ali... folheando as suas memórias com ela .

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"De nada adianta um homem se ao ganhar o mundo ele perde sua alma"

Ela estava sentada em sua poltrona de frente a tv, enrolada em uma coberta com uma grande caneca de chocolate quente nas mãos assistindo um daqueles filmes mornos de comédia romântica e se perguntando até quando sua vida estaria presa daquela forma, até quando ela estaria assim, cansada de tentar e nunca lograr sucesso.
Sentada ali começou a lembrar dele que ela não via a tempos mas sempre estivera presente de alguma forma, com fosse como fosse ele sempre conseguia por um sorriso mesmo que pequeno no rosto dela, fosse com uma frase, fosse com uma imagem ou algum filme visto em algum site, o sol entrava pela janela, e mesmo naquela tarde fria o sol parecia guardar um pouco de calor e ela recostava a cabeça, deixando seus pensamentos subirem e se desfazerem como o vapor da xicara em sua mão .
Quando seus olhos fechados começavam a traçar os contornos do rosto dele, a sua campainha tocou, a pantufa, e o casaco e logo ela tomava o caminho ate a porta.

- Oi.
- Nossa... oi... oque você faz aqui?
- Preciso te falar uma coisa.
- O que?
-...
- Fala...
-Tudo que aconteceu, até as pequenas coisa que você fez comigo me marcaram muito, eu tentei esquecer, e esfriar tudo que sentia por você, mas ai você aparece em meus sonhos e derrete todo muro de gelo que eu coloquei aqui para me proteger, Eu me senti no fundo do poço mas eu to voltando... eu to subindo de novo.
- E?
- Por mais que tudo pareça errado, por mais que eu veja motivos para te deixar eu descubro que te amo, amo tudo em você amo mesmo, adoro como você me provoca, sinto falta de sua insistente mania de me tirar do sério, sinto falta de seus suspiros a meu lado sinto falta de suas mordidas, sinto falta de seus abraços... deus... eu sinto falta de te esperar a tarde toda...
-...
-Eu quero dar o melhor de mim pra te fazer feliz, não importa o que tenha acontecido, ou aconteça de agora pra frente eu quero te fazer sorrir como sorria antes, como sorria quando te conheci.
-...
- Eu queria muito vir aqui antes, te ver antes mais hesitei muito, mas não vou mais hesitar, não vou, vou por pra fora tudo que sinto por você mesmo que pareça loucura, e que todo mundo venha tentar me impedir e interferir, acho que só deus pode me impedir de algo... e mesmo assim com muito trabalho.
-... ( ela sorri e o olha nos olhos)
-Você tem procurado no mundo algo que seja seu, E EU SOU, já sou a tanto tempo que nem sei por que perde tanto tempo indo e vindo para outros lugares... Deus... eu to aqui, sempre te acenando sempre te gritando... sempre te mostrando que é verdade e que eu sou sim seu.
- ... Meu?
- Sim, seu, desde que nos afastamos eu não consegui ser nem superficialmente de outra pessoa, sempre tinha você nas frases, sempre tinha você na mente, sempre tive você de olhos fechados ou abertos...
- O que você espera que eu faça?
- Nada, mas não hesite, abra seu coração, mergulhe nele, e escute o que ele tem a te dizer, lembre-se, que eu te amo, e mesmo que não seja comigo, ou pra mim que você nade... Eu te amo, e não hesitei em te dizer isso por que sei que é verdade.
- Eu nunca duvidei que fosse, só não posso te dizer que é igual de minha parte.
- ... Eu nunca esperei que fosse...mas eu precisava te dizer, a vida é curta e eu tinha que seguir meus conceitos.
-Por que eles são tão importantes pra você?
- Porque são as únicas coisas que mostram quem eu sou de verdade, como eu penso, como eu ajo e como eu falo, isso é aprendido, são convenções, mas como eu vejo o mundo, como eu escolho entre o que posso, o que devo, e o que quero é o que diz quem eu sou... e quando tudo acabar... somente isso que vai dizer quem eu fui... no mundo e na sua vida...
-...
-EU te amo...
-... Quer tomar uma xícara de chocolate?

Valores, conceitos e princípios, nunca perca sua alma, nunca aposte eles em seus atos

"De nada adianta um homem se ao ganhar o mundo ele perde sua alma"

Ela estava sentada em sua poltrona de frente a tv, enrolada em uma coberta com uma grande caneca de chocolate quente nas mãos assistindo um daqueles filmes mornos de comédia romântica e se perguntando até quando sua vida estaria presa daquela forma, até quando ela estaria assim, cansada de tentar e nunca lograr sucesso.
Sentada ali começou a lembrar dele que ela não via a tempos mas sempre estivera presente de alguma forma, com fosse como fosse ele sempre conseguia por um sorriso mesmo que pequeno no rosto dela, fosse com uma frase, fosse com uma imagem ou algum filme visto em algum site, o sol entrava pela janela, e mesmo naquela tarde fria o sol parecia guardar um pouco de calor e ela recostava a cabeça, deixando seus pensamentos subirem e se desfazerem como o vapor da xicara em sua mão .
Quando seus olhos fechados começavam a traçar os contornos do rosto dele, a sua campainha tocou, a pantufa, e o casaco e logo ela tomava o caminho ate a porta.

- Oi.
- Nossa... oi... oque você faz aqui?
- Preciso te falar uma coisa.
- O que?
-...
- Fala...
-Tudo que aconteceu, até as pequenas coisa que você fez comigo me marcaram muito, eu tentei esquecer, e esfriar tudo que sentia por você, mas ai você aparece em meus sonhos e derrete todo muro de gelo que eu coloquei aqui para me proteger, Eu me senti no fundo do poço mas eu to voltando... eu to subindo de novo.
- E?
- Por mais que tudo pareça errado, por mais que eu veja motivos para te deixar eu descubro que te amo, amo tudo em você amo mesmo, adoro como você me provoca, sinto falta de sua insistente mania de me tirar do sério, sinto falta de seus suspiros a meu lado sinto falta de suas mordidas, sinto falta de seus abraços... deus... eu sinto falta de te esperar a tarde toda...
-...
-Eu quero dar o melhor de mim pra te fazer feliz, não importa o que tenha acontecido, ou aconteça de agora pra frente eu quero te fazer sorrir como sorria antes, como sorria quando te conheci.
-...
- Eu queria muito vir aqui antes, te ver antes mais hesitei muito, mas não vou mais hesitar, não vou, vou por pra fora tudo que sinto por você mesmo que pareça loucura, e que todo mundo venha tentar me impedir e interferir, acho que só deus pode me impedir de algo... e mesmo assim com muito trabalho.
-... ( ela sorri e o olha nos olhos)
-Você tem procurado no mundo algo que seja seu, E EU SOU, já sou a tanto tempo que nem sei por que perde tanto tempo indo e vindo para outros lugares... Deus... eu to aqui, sempre te acenando sempre te gritando... sempre te mostrando que é verdade e que eu sou sim seu.
- ... Meu?
- Sim, seu, desde que nos afastamos eu não consegui ser nem superficialmente de outra pessoa, sempre tinha você nas frases, sempre tinha você na mente, sempre tive você de olhos fechados ou abertos...
- O que você espera que eu faça?
- Nada, mas não hesite, abra seu coração, mergulhe nele, e escute o que ele tem a te dizer, lembre-se, que eu te amo, e mesmo que não seja comigo, ou pra mim que você nade... Eu te amo, e não hesitei em te dizer isso por que sei que é verdade.
- Eu nunca duvidei que fosse, só não posso te dizer que é igual de minha parte.
- ... Eu nunca esperei que fosse...mas eu precisava te dizer, a vida é curta e eu tinha que seguir meus conceitos.
-Por que eles são tão importantes pra você?
- Porque são as únicas coisas que mostram quem eu sou de verdade, como eu penso, como eu ajo e como eu falo, isso é aprendido, são convenções, mas como eu vejo o mundo, como eu escolho entre o que posso, o que devo, e o que quero é o que diz quem eu sou... e quando tudo acabar... somente isso que vai dizer quem eu fui... no mundo e na sua vida...
-...
-EU te amo...
-... Quer tomar uma xícara de chocolate?

Valores, conceitos e princípios, nunca perca sua alma, nunca aposte eles em seus atos

domingo, 19 de fevereiro de 2012

tarde da noite sem sonhos....e sonhando

Queria tanto poder abrir o peito e dizer sem medo umas tantas coisas, mas não posso, já fui tão imprudente na minha vida, principalmente nos últimos anos, que acho que qualquer ato que venha a fazer hoje tem o peso de umas mil toneladas... e sendo assim esmaga qualquer broto de esperança que florescesse onde pousa a atitude.
Queria muito poder decorrer com tantas verdades nessas linhas que você nem pode supor, mas acho que a maturidade finalmente chegou, e como monstro assustador espantou tanta coisa que antes eu dava valor...
Espantou a euforia da vida, a alegria infantil de ver o mundo sempre com olhos de quem nunca viu nada...
Espantou o sorriso fácil.
Espantou a confiança descabida e descuidada .
Espantou a esperança de dias menos tensos, e pesados
Espantou os sonhos de vida. As crenças... a fé.
espantou até o que guiava a vida.. espantou o que eu admirava, o amor.
Será que ser maduro é ser frio?
talvez seja, pois antes tinha esperança em tantas coisas, e uma ou outra maior que todas... e agora não tenho esperança, acho que a esperança que tinha transmutou-se em sonho, um daqueles sonhos que a gente sabe que são impossíveis, mas sonha só por que assim, talvez, a gente se sinta mais vivo.
Queria sonhar com coisas reais de novo... com algo que eu possa realizar...
Porque sonhar com alcunhas de “anjo” beijos no peito e polegares nas costas da mão são hoje mais impossíveis que viagens a marte, e super heróis

No bolso do paleto

Tudo que ela queria era chegar em casa para poder deixar de ser forte, durante todo o dia seus amigos, familiares e conhecidos diziam a ela a mesma frase “seja forte, ele não gostaria de te ver assim” mas no fundo ela sempre ouvia seus pensamentos perguntando “quem essa pessoa pensa que é para me dizer o que ELE gostaria ou não?” mas respondia sempre com um cordial sorriso e um baixo “Obrigado, eu sei” mas tudo que ela queria era chegar em casa.
Seus últimos dias estavam longe do sonho traçado por qualquer pessoa, a máxima de “ser feliz para sempre” fora rapidamente substituída por outra “até que a morte os separe” ela sabia que isso um dia aconteceria, só não esperava que fosse tão rápido, e tão antes do feliz para sempre.
A rua parecia compadecer do sentimento triste e escuro que ela vivia, a casa no fim da rua mergulhada em um luto parecia vestir-se de negro ao cair da noite e ela com seus passos entrou no jardim, tentou segurar um pouco o choro mas a proximidade com as lembranças mais intimas a fez bambear e chorar, os olhares curiosos de vizinhos assistiam distantes a cena e pouco se compadeciam do sofrimento que ela transpunha do peito aos olhos em lagrimas.
A chave na porta e ao abrir a luz amarela âmbar do poste traça um tapete no chão da sala e corredor com a frágil sombra dela alongando-se até a parede... e na parede a foto ampliada do casal. Os olhos se fecham instintivamente e ela entra e fecha a porta.
Pronto... a imagem de mulher forte podia ser desfeita, cabia a ela agora a simples e frágil imagem de mulher... me mulher que perdera seu amor de uma hora para outra, que voltara pra casa sem os carinhos e caricias de seu marido, agora poderia deixar as pernas bambas dobrarem e cair de joelhos no chão e afundar a o rosto nas mãos frágeis de mulher fragmentada... ela pode em fim chorar seu luto e sua dor, ali próximo a porta onde tantas vezes foi surpreendida por um abraço no escuro por grandes buques de flores e sorrisos.
Enquanto seus olhos corriam em longos rios, ela forçou-se a ficar de pé e subir o lance de escadas até seu quarto, a noite ainda não tinha terminado, ela agora se entregaria a difícil tarefa de separar e guardar certas lembranças, a porta do quarto fechada anunciava a triste noite que viria. E ela sentia o frio da noite correr-lhe o rosto e tomar o peito.
A porta aberta e a cama, nela a desordem da pressa do dia e dos preparativos para a despedida, as roupas dele, espalhadas na cama, por um instante voltou no tempo e lembrou-se de como ele deixava tudo espalhado quando iriam sair ou viajar e de como ela brigava com ele por isso... e não foi a ultima vez que desejou voltar a ter tais brigas.
Os casacos, o paletó estava se arrumando nos cabides enquanto ela chorava as lembranças de cada dia que ele vestiu tais roupas, mas uma certa coisa fugia as lembranças.
No bolso de um blazer um envelope saltava os olhos, ela tomada mais pelo luto do que por curiosidade abriu o envelope e pode desmontar-se na cama enquanto lia.
“Princesa,

Se esta lendo isso, de certo o que temia aconteceu e eu não cumprir todas as promessas que te fiz, nem pude acordar você uma vez mais com um beijo na testa e um abraço.

Não serei tolo em te pedir para não chorar, e nem te pedir para ser forte, sabemos bem que se fosse o oposto eu não seria forte e não controlaria meu choro, Não sei bem o que te dizer, afinal de contas eu não consegui imaginar como seria minha vida sem você... é sem duvida impossível pensar nisso.
Então ao invés de te dizer como gostaria que vivesse ou se lembrasse de mim, vou te falar de como vivemos, e de como certas coisas tem importância pra mim, talvez assim com o tempo ao ler essa carta possa diminuir as lagrimas de dor e troca-las por sorrisos e lagrimas de lembranças e alegrias.
Vamos começar com o meu bom dia a você, toda vez que dormíamos juntos e eu te acordava com pequenos beijos no rosto ou com sussurros em seu ouvido era na verdade uma vontade de que o dia não acordasse e assim eu pudesse ficar ali mais horas te sentindo nos meus braços, toda vez que ao abrir os olhos você me via te olhando, tenha certeza que eu fazia aquilo para tentar entender como a vida pode demorar tanto para me aproximar de ti, até hoje não entendo como pode ser tão tardio nosso encontro, ou reencontro, e te ver dormindo e sorrindo me fazia pensar nisso e a única resposta que conseguia ter era que tudo aconteceu no tempo certo. E que eu não consigo deixar de olhar você.
Eu te dizia sempre que te amava, e acredite não disse uma vez se quer que não fosse verdade, todas as nossas brigas foram importante pra mim, as trago comigo sempre, não por que eu goste de lembrar delas, mas por que com elas eu aprendi a te apreciar ainda mais, e graças a elas eu percebi a mulher maravilhosa por quem eu me apaixonei.
Não importava quem estava certo ou errado, toda, toda briga que tivemos pude conhecer um tanto mais de ti, aprofundar um mundo mais em você e quando tudo apontava para uma separação meu coração mostrava-se ainda mais apaixonado e por isso eu fiquei te esperando, e por isso eu voltei tantas vezes e por isso eu nunca consegui segurar meus EU TE AMO.
As vezes quando tu tocava meus braços e eu te olhava com a cara de bobo que me dizia que eu fazia era apenas por um motivo, sempre sentia falta de seu toque, sempre senti que sua mão tinha o dom de me acalmar, eu te disse isso umas tantas vezes, sua mão, seus dedos apertando minha mão me faziam sentir muito mais calmo.
Talvez eu nunca tenha te dito, mas seu abraço era minha fonte de força durante o dia, sempre que podia fugia para um abraço seu, fosse como fosse, as vezes a distancia não me permitia ou qualquer outro motivo, mas mesmo ausente eu te abrasava, e me lembrava de seus abraços e assim tinha força para mais um ou dois anos de problemas e provações... seus abraços são pra mim muito importantes, mas não são nada comparados a seus lábios.
Cada beijo seu me completava o sentido a vida, me fazia entender o por que de eu existir e me fazia temer não ser o suficiente para ti, lembra que te disse logo no inicio que não queria te conquistar? Eu queria te merecer... sempre, sempre tive medo de não te merecer, e acho que não merecia você... você sempre foi mais do que sonhava... mais do que pensava mas sempre foi e sempre vai ser, onde quer que eu va, vai ser sempre a única mulher que me faz pensar e ter certeza de que não vou conseguir viver sem você.
Eu te amo, minha linda princesa, minha pequena, minha cereja, eu te amo e agora tenha certeza que eu vou ficar te olhando dormir, vou te abraçar, e até te beijar sempre, faça o que fizer, viva como viver, eu vou sempre te amar. E tenho certeza que vou sempre me apaixonar mais e mais por ti.
Sei que não fizemos nenhuma viagem juntos, não realizamos nenhum de nossos sonhos, mas se tu vier a viajar para algum de nossos locais sonhados, me faça um favor... me leve com você mesmo que seja por 1 segundo se lembre de mim...
Por que eu tenho certeza de que esteja onde eu estiver, nunca vou esquecer de você.
Abraços e beijos apaixonados de quem certamente sente sua falta.
Te amo”

Por horas ela leu e releu a carta, e quando os olhos ardidos de lagrimas deram lugar aos olhos pesados de sono, ela sentiu-se abraçada e observada por quem sempre a amou de verdade.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

fred Astaire

Fred Astaire
Clarice Falcão

Deu pra escutar
A canção que tocou pra gente
E o meu coração que
De repente
Inventou de sapatear?

Ou eu fui louca
E tudo foi um grande engano
E eu faço o plano
E o contraplano
De um filme prestes a acabar?

Só pra saber
Nesse tal filme de romance
Antes que o público se canse
Você me beija no final?

Um sim cai bem
Mas não se sinta pressionado
Porque um beijo obrigado
Na tela
Imprime meio mal

Sem problema
Ser figurante da sua história
E, olha, nem força sua memória
Nem nome eu preciso ter

Mas, cuidado
Me deixa no canto da sala
Que se eu tiver alguma fala
Eu mudo pra 'Eu amo você'


( e não é que ouvindo achei uma musica que toca a velha frase )
Essa musica é o meu momento!!!

Revirando o baú

Revirando meu baú encontrei um texto escrito a quase 1 ano, na verdade bem próximo a isso, no dia 20 do corrente mês, só que no ano de 2010.

Dois anos atrás, dois anos... eu escrevi esse texto e hoje relendo deu-me vontade de postar novamente, ja faz tempo que venho relendo meus textos, tentando encontrar nele uma dica de onde me perdi e se me perdi e como faço para me encontrar, talvez por conta do momento que viva em minha vida talvez por conta de não saber mais como escrever algo novo... mas espero que assim como eu gostei de reler, e me fez pensar muito, tu que agora lê isso também goste de reler, e aos novos leitores uma chance e um convite a ler os antigos textos.

Com vocês um texto e um poema

Bifurcação

Sentados frente a frente em um café qualquer da cidade eles trocam mais olhares que palavras, a verdade é que não existe muito a ser dito, acordar de um sonho pode ser muito mais traumático do que despertar de um pesadelo, ele ainda tenta tocar na mão dele, mesmo que por 3 segundos, mas ela evasiva foge e se recolhe, os olhos sérios e pesados dela dizem em gritos silenciosos que ela vai tocar a vida dela, e que é melhor ele não ir junto.
Ele a olha nos olhos, e mesmo sabendo que pode ser por pouco tempo, que ela pode ir para outro país e voltar, que ela pode ir e não voltar... ele olha nos olhos e deixa sair tudo de seu peito...

- Eu mal posso acreditar quando me disseram isso, eu tinha que vir aqui e olhar nos seus olhos e saber pro você que é verdade. Me disseram que você estava de partida, e que já tinha até destino mas o pior é que não sabem se volta,eu até pensei que você tinha uma outra pessoa... e olhando nos seus olhos eu vejo que é verdade, você nunca me fez crer que eu um dia seria mais do que um amigo seu, então me conta seus planos, o que pretende fazer, mas antes disso me conta como eu faço pra viver sem você?
Ela se assusta, e o olha nos olhos... um “ como assim?” pode ser ouvido no silencio de seus lábios...
-Me conta como eu posso viver sem você se já ta amo a tanto tempo.como eu posso continuar meus sonhos sem o motivo de meus sonhos? Eu não to aqui lamentando, nem implorando por nada, mas realmente é que estou acordando de um sonho, eu volto a dizer que não posso te culpar de nada, a culpa é minha por realmente sonhar que poderia ser mais que amigo..eu que construi esse mundo, agora eu que devo pagar por esse sonho... Mas isso é muito pra mim suportar...Então de verdade me diz... como vou fazer pra viver sem você?
Ela fecha os olhos, abaixa a cabeça, com as duas mãos segurando seu próprio pescoço ela respira fundo e em suspiro diz
- Talvez um dia de cada vez, pode ser que encontre alguém... ou eu... não sei como vai ser. Apenas viva tua vida...
- Viver uma vida é fácil, mas o complicado é viver uma vida incompleta... (ele se levanta, olha ela nos olhos e diz) Mas eu posso viver minha vida, andar acompanhado, comer, dormir , ler, pensar, escrever, posso até ficar com alguém, mas nunca vou estar por completo fazendo isso, por que esse alguém nunca vai ser você... e só você tem uma coisa que veio comigo, mas eu te dei...
-o que? - Pergunta ela..
-Meu verdadeiro amor... e isso que bate aqui no meu peito... nunca me pertenceu... eu carregava até te encontrar... ele é seu...
Dito isso ele se vira paga a conta... e sai... e ela olhando a xícara de café pensa... o que poderia se feito de diferente... e a resposta.... ela nunca revelou....


Bifurcação
(weverson Garcia)

Por tantas vezes nos vemos assim
uma estrada a se percorrer
por quantas vezes foi o fim?
Mas depois voltou a sofrer?

Um caminho, uma bifurcação
uma escolha, uma simples ou não
uma certeza, e uma duvida em cada mão
no fim uma flecha transpassa seu coração

De que vale tanta vontade assim?
se vontade não move a peça esperada
talvez só um pouco de mim
e o que devia dar frutos não da em nada.

Um caminho, uma bifurcação
uma escolha, uma simples ou não
uma certeza, e uma duvida em cada mão
no fim uma flecha transpassa seu coração

Existe uma motivo na lagrima que corre
e não é molhar a face que chora
e enterrar mesmo que por hora
um amor que parece que morre.

Um caminho, uma bifurcação
uma escolha, uma simples ou não
uma certeza, e uma duvida em cada mão
no fim uma flecha transpassa seu coração

Se a mão não mais me toca, apruma
eu vejo teus passos, e tua vontade
a teu sonho tua vontade ruma
e eu meus passos dou a saudade.

Um caminho, uma bifurcação
uma escolha, uma simples ou não
uma certeza, e uma duvida em cada mão
no fim uma flecha transpassa seu coração

Quem sabe a frente não passe novamente
um caminho no outro derrepente.
uma ponte, um trevo ou simplesmente
o desejo de se ver frente a frente.

A vida é feita de escolhas, simples ou não
a sua foi feita, e eu não tenho opção
deixo saltar dos olhos, em precisão
a tristeza em liquida emoção

Um caminho, uma bifurcação
uma escolha, uma simples ou não
uma certeza, e uma duvida em cada mão
no fim uma flecha transpassa seu coração

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Somente ela.

Vendo assim, de longe, distante
a gente pensa se a alma engana
negar que o peito nesse instante
enobrece a vontade que se ama
Sem saber se ao dizer comete falha
Sai assim da boca a frase, enxuta
a nela poucas letras, mas a quem escuta

Esse som pra sempre no ouvido encalha
Um frase dita assim por entre os dentes
Tem força de muros derrubar
e agora dito sem muito enfeites
a verdade tenho que falar.
Minha boca abre e fecha sem um som
obrigando aos olhos se molharem.

E assim lubrificando em bom tom
é assim que dizem os que sabem.
Enquanto a boca busca na garganta ardente
tem os olhos a imagem mais instigante
existe frase que resuma o que há entre a gente?
nem sei se é passado ou presente
o sentimento que me faz te amar.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Poemas

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro
1889-1915

AQUELA RUA.

Quando ele virou a esquina não esperava ver nada fora do costume, as pessoas olhando as lojas, algumas sentadas às mesas nas calçadas, alguns senhores de terno andando apressadamente de um lado para o outro carregando suas pastas. Alguns jovens de mãos dadas e alguns casais se beijando escondidos nos cantos, mas ficou quase congelado ao ver vindo em sua direção entre as tantas pessoas que passavam daqui para ali aquela menina que por muitas vezes e noites o tinha tirado o sono.
Ela vinha andando olhando a vitrine com seu vestido de alça a bolsa clara a tira colo, um olhar assustado muitas vezes, talvez por medo de que alguém metesse a mão em sua bolsa e roubasse-lhe seus pertences, aquele celular que ela enfiava um plug e punha os fones no ouvido, dando assim a ela um ritmo todo diferente ao dia, por vezes sorria, talvez contente com o que via na vitrine ou com o que ouvia nas musicas, mas era um sorriso tão miúdo, tão fraco que ele pouco conseguia sentir o calor destes. Ele escondeu-se atrás de um poste, e ficou ali... olhando ela passar.
Ela parou em uma loja bem de fronte a ele, com os cabelos castanhos claros cobrindo quase o rosto todo, mas para ele, ali naqueles pequenos segundos fora como se o mundo parasse e ele pudesse ver a face da mulher mais linda que existira até então, era ela... e para ele poderia ser noite escura e ela estar mascarada, se ele soubesse que era ela... tudo estaria límpido e claro... afinal ele sempre a via com outros olhos, ele sempre a via com os olhos cegos de um amor mudo.
Ela arrumou o cabelo por de trás da orelha e com a ponta do dedo tocou o lábio, parecia pensar se devia ou não entrar na loja algo saltava seu interesse, ela olhou uma vez mais a vitrine mas fazendo um biquinho miúdo de canto, como uma negação mental que seu desejo consumista desaprovava, deu as costas a loja e seguiu lentamente pela rua.
Ele tremeu, a tempos não a via assim, e quando achava que a via e corria atrás era para logo depois dizer a frase que não aguentava mais repetir. “Desculpe, pensei que fosse uma outra pessoa” mas não agora era ela, de fato era ela, o vestido de alça, o andar decidido mas mais forte que isso o perfume inconfundível... era ela dizia o coração dele que socava o peito como que pedindo para sair e quem sabe assim correr atrás dela, mas a perna tremeu, a voz secou na garganta como gota de agua em chapa quente, e a coragem fincou seus pés na duvida, ele agora era ali aos olhos atentos de quem o via a personificação do termo “congelado”
Sua mente a seguiu por mais três ou quatro passos, até que em um suspiro mudo disse também em pensamento, “vira... vai... vira e me vê” ela trocando a bolsa de ombro, joga o cabelo por de um lado para o outro e ele tem ali a certeza de que ela ira se virar, e talvez por dois ou três milésimos de segundo ela o tenha feito, mas ela não viu... ele apenas viu o perfil perfeito de seu rosto, os óculos postos e o olhar que se fechou tão lentamente quanto o resto do mundo se movia.
Ele em fim moveu-se, um passo depois outro e outro e por fim estava já tocando com seus dedos a sombra dela quando por impulso recolhe a mão e a vê sorrir no reflexo para um rapaz que vinha na direção contraria, parou novamente, o mundo agora corria, e só ela e o rapaz moviam-se lentamente, jovens casais passavam sorrindo e rindo, adultos apressados também sorrindo e rindo e ele ali congelado tinha para si que todos riam apenas e unicamente dele.
Ela levanta o rosto para beijar o jovem que vinha na direção contraria e o rapaz abaixa o rosto para receber os beijos... os olhos dele se fecham e ele não vê mais nada... ouve apenas os passos a sua volta e seu coração que socava forte o peito ir minguando as forças e por fim cair no ritmo firme de sempre...no ritmo frio de um tum tum ... tum tum...
Ao abri os olhos a rua estava como sempre esteve, sem motivos de sobressaltos, sem motivos de sorrisos, sem motivos de corações desparrados... ao menos para ele...
Ele virou-se de novo para onde ia, e mesmo não querendo sorriu, afinal... ele a viu... e mesmo que ela nunca mais o olhasse nos olhos ele tinha a imagem delicada dela pondo a ponta do dedo e pensando se devia ou não entrar em uma loja... para ele, nesse momento, bastava.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

é isso ai...

Cattleya labiata

A comida sem gosto rolava em sua boca, a parede do hospital era tão tediosa como um programa de domingo, e as visitas que antes alegravam e davam força a ele agora estavam cada vez mais escassas, afinal a vida de todos continuava e só a dele deslumbrava um fim.
As mãos tremulas não conseguiam manter a gelatina na colher, e ele a muito já tinha desistido das sobremesas, eram tão sem gosto como a própria comida, a única coisa que o agradava e fazia seus dias passarem eram os longos momentos que se sentava na cama e com um bloco de papel e lápis desenhava e desenhava por horas e horas, As enfermeiras muitas vezes ficavam ali ao lado dele observando as únicas horas em que suas mãos rugosas de tempo mantinham-se firmes para traçar os contornos de uma arvore, ou uma flor. Mas um desenhos se repetia sempre, ao menos parecia ser o mesmo desenho.
Uma jovem sentada em uma pedra debaixo de da copa de uma arvore tendo em suas mãos uma orquídea, o vendo suave mexendo no cabelo dela, ela olhando com um sorriso suave e doce para um lado e o sol atrás se pondo e contra o sol um vulto indecifrável, não conseguia saber se ele estava indo ou vindo.
- O senhor desenha muito bem sabia? – disse uma jovem enfermeira bem ao lado dele.
- Poxa obrigado, é o tempo sabe? Muito tempo fazendo algo te faz fazer isso bem, seja o que for.
- Verdade... experiência é algo muito importante, mas o senhor tem um DOM, isso é um fato.
- HAAA nem tenho, dom é algo que independe de prática, de trabalho árduo, eu passei minha vida toda tentando desenhar, é apenas pratica, o que você chama de dom eu chamo de esforço.
- HAHAHA ok, são lindos, mas quem é essa menina?
-... Que menina? – disse disfarçando muito mal.
- Essa que o senhor desenha sempre. Essa com as flores na mão?
- Orquídeas, são orquídeas... é alguém que eu conheci a muito tempo, e que embora eu ame perdidamente não pude ter comigo.
-E por que não?
-... Tem coisas que a vida nos da sem que a gente entenda, da mesma forma a vida nos tira coisas sem que a gente consiga explicar... mas eu não a tive por mais tempo por que ela tinha um sonho, uma vontade e um... um desejo que tinha que buscar... e mesmo eu não aceitando tão bem de inicio hoje sei que ela se foi por que tinha que ir...
- Ela Deixou o senhor? Viajou?
- é... digamos que sim, agora me faça um favor, e me traga aquele copo com agua sim
- Mas o senhor nunca mais a viu? – disse entregando o copo com agua.
- Sim, acho que a vi um certo dia em meio a multidão, ela estava agarrada ao braço de um rapaz, achei até que ela tinha me visto mas depois percebi que não.
- E por que não foi falar com ela? – sentada no banco de visitas folheando os desenhos e atenta a história como uma netinha ouve os relatos do avô.
- A... Quando eu e ela nos separamos, não foi uma coisa fácil, brigamos e falamos coisas um para o outro que não deviam ser ditas, ela estava feliz, sorrindo, era ele o sonho dela, eu... eu era só um jovem apaixonado, um infante apaixonado... embora não fosse infante a tempos.
- Infante quer dizer sem fala o senhor sabe não é?
- sim. As crianças não tinham direitos a falar, por que dizia-se que só falavam besteira... eu so falei e fiz besteira aquele tempo.
- E por que o senhor a desenha sempre?
- Por que eu já desenhava ela antes, esse desenho eu fiz a muito tempo atrás, e o tempo passou e passou até que eu conheci essa mulher, que tinha os traços desse desenho, lindos olhos vivos e brilhantes, cabelos quentes como chamas, lábios ainda mais quentes e doces... e era apaixonada por orquídeas... Logo orquídeas.
- Por que logo orquídeas?
- São flores lindas, mas solitárias, elas não vivem em grandes plantações, são flores que se prendem a galhos, arvores... mas sempre por pouco tempo. Tem uma vida curta.
-Ela já morreu?
- POR DEUS NÃO... a ultima noticia que tive dela não... e nem quero... acho que prefiro morrer primeiro.
-Mas o senhor nem fala com ela, que diferença faz?
- Para mim faz toda, acordo todo dia com a esperança de que eu a veja, de que e ela entre por essa porta e me diga uma de suas frases típicas, que me sorria como sorriu a ultima vez que a vi, e que deixe eu olhar para ela uma vez mais.
- O senhor ainda a ama muito não é?
- Mais do que amava no dia que disse a ela “eu te amo”.
-... Poxa já não se faz mais amores como esse hein? O senhor é o ultimo.
- ... o que é uma pena... logo tudo vai acabar.
-... Sabe... se eu soubesse o nome dela eu poderia procurar para o senhor
- Não... eu acredito que borboletas devem voltar se sentirem-se bem para isso, não por artimanhas ou convites... em algum lugar ela sabe que eu ainda a amo... e sabe como me achar.
A enfermeira levanta-se e caminha até a porta, e antes de sair o olha desenhando e pensa que algumas pessoas passam a vida toda procurando uma pessoa para amar, outras passam por ela amando e desamando pessoas erradas mas esse senhor passa sua vida amando alguém a quem ele sequer pode ver... e por fim fechando a porta diz suavemente
“é... isso é um amor que não existe mais”
e ouve o som do lápis caindo da mão inerte do velho senhor.
No desenho, os olhos brilhantes, a boca, o cabelo esvoaçante e a sombra definida de um jovem indo embora enquanto ela sorri para outro lado.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

UP

Eu estava vendo up, aquele filme do velho que enche um monte de balões para levar a casa e assim cumprir uma promessa feita a sua falecida esposa, por si só o inicio do filme já é lindo, incrível, de uma poesia e romantismo sem tamanho. Mas me espantei com o que eu deixei de ver da primeira vez que vi o filme.
Fora o romantismo do inicio e o mal humor do Frederickson, durante todo o filme ele segue tendo um dialogo único com a casa, com as lembranças, ele mantem sempre um olhar para um lugar no passado, preso a uma promessa que fez, mas assim que ele completa a promessa que ele chega a onde tinha planejado o velho olha e pensa no que fazer agora, e novamente lembrando do passado, e da promessa que nessa hora é representada por um álbum de fotos.
Quando ele pensa que acabou, que não restava mais nada ele percebe que estava limitado as lembranças, e nas lembranças por acidente ou então por mais interesse ele descobre outras, se lembra de outras e por fim se da conta de que estava limitado, preso, mas é uma frase escrita que me fez sorrir e pensar que esse filme é realmente o máximo.
“Obrigado pela aventura agora parta para a próxima”
HÁ... eu ri... com um recado, uma lembrança acorda alguém e diz “foi bom enquanto durou, agora volta a viver” e melhor, nessa mesma hora o jovem rapaz sai em pra ajudar alguém, e o velho, em mais um show de símbolos é obrigado a se desfazer de todas as lembranças que pesavam nele para que pudesse ir atrás de uma outra aventura...
Não atoa chorei, não atoa escrevo esse texto com agua nos olhos e por que?
Porque a gente se prende a lembranças, a memórias e carrega elas pesadas em nossas vidas, casas e mentes sem perceber que o mundo é cheio de possibilidades de novas aventuras, descobertas e momentos de vida.
Acho que eu vi esse filme na hora certa, não que eu esteja me defazendo de memórias e esperanças mas conheço gente que esta preso a um passado, a uma memória de algo que foi bom mas “já deu” o que tinha que dar... e talvez seja a hora de somar a vida NOVAS experiências, retomar um velho sonho, buscar uma nova oportunidade ou simplesmente tirar o peso das costas e seguir leve pele vida.
Em fim.
Quem não viu, aconselho que veja, quem já viu, veja de novo, e preste atenção nos símbolos. Não falo dos gráficos e sim no simbolismo de tudo... existem muitos... basta saber ver.
E eu... bem eu continuo como o velho Frederickson, lutando para levar minha casa ao lugar certo, ainda sou preso a uma memória que não sei quando e se vou me desfazer... afinal... tem memórias que nos tornam leves.

... até quando?

Eu não sei onde isso tudo vai acabar, de verdade não sei, a cada momento vejo uma foto de alguém espancado por motivos que deveriam ser vividos por todos sem violência, mas... parece que o conceito de "cada um vive sua vida" se perdeu, e o povo prefere socar a cara de alguém, espancar um sem teto e depois quem o defende, prefere espancar pessoas com escolhas e opiniões sexuais diferentes, mas quando se trata de lutar por direitos, de lutar contra corrupção o povo se cala. e aceita numa boa.
Cada vez que vejo uma atrocidade contra uma pessoa, seja ela quem for e tenha a crença ou escolha sexua que for, eu penso que se o povo ao invés de socar esses povo decidisse parar de aceitar as "picas" que os políticos ladrões, corruptos, que a midia idiota nos soca toda noite, e fosse lutar por direitos verdadeiros a gente iria viver em uma sociedade.. no sentido amplo da palavra sociedade.

Estou de verdade farto de ver igrejas serem atacadas com o discurso da "dominação" de massas, estou farto de ver homosexuais serem espancados, sem tetos, negros, amarelos, azuis, verdes que seja serem espancados por idiotas que sentam a porra da bunda em uma cadeia, e recebem uma enrabada intelectual toda noite, por que ver BBB pra mim é aceitar uma grande pica no cu.

Enquanto se discute a porra de um estupro se ouve ou não em um programa de tv idiota, temos pessoas sendo expulsas de casa a base de bala em cidades do interior e tv alguma fala sobre isso, policiais violentando moradoras desta e ninguém fala nada em lugar algum, Pinheirinho para muitos é apenas uma arvore que é decorada no natal... e não uma cidade em guerra.

Sem contar a crença religiosa de índios que esta sendo destruída por membros de uma igreja que diz que "URUCUM É BOSTA DO DIABO"...
Eu acho graça quando vejo uma geração "luiza Mel"(não que ela não seja um bom exemplo, mas muita gente não faz metade do que ela e se acha o máximo) lutando para proteger os animais e esquecendo de educar os homens, quando os homens estiverem em paz com eles não vai haver mais maus tratos com animais.

Em fim... onde tudo vai acabar? no dia 21/12/2012? com uma mudança de pensamento? pois bem... para isso acontecer o povo tem que começar a pensar de agora. e não de véspera. coisa que brasileiro adora fazer.

De boa se você chegou a essa linha é por que pensa, e se pensa pode agir e se pode agir, faça algo... não fica ai com sua bunda em uma poltrona, faça algo.
EU esse idiota aqui saio sempre que posso compro marmitas e tento ajudar a quem ta na rua, é pouco? é... ja vi cenas terríveis, sim ja vi mas ao menos eu faço algo...

Mas tem gente que prefere ficar discutindo quem vai ser o eliminado da semana...
De boa..
cambada de idiotas, de babacas...
o mundo ta uma merda por que ninguém tem coragem de fazer porra alguma.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Roteiro de um filme

A ponte velha no parque certamente já deve ter visto aquela cena algumas vezes, muitos casais já deve ter se sentado em sua beirada vendo o rio passar por sob ela, a ponte certamente curvada por sobre o rio já deve ter visto e feito parte de grandes histórias de amor... mas acho que nunca esteve tão presente como aquele dia.
- A gente tinha tudo para ficar junto sabia? – disse ela abaixando a cabeça e olhando o rio passar calmamente por sob seus pés.
- ... Você acha? – respondeu ele arrancando um pequeno pedaço de reboco da ponte e lançando ao rio.
- ... não eu não acho, eu tenho certeza.
- Como pode ter tanta certeza assim?
- A nossa história... ela daria um filme sabia?
- Um drama, um “filme de chorar” né?
- Você acha?
-...
- Eu não acho isso, a gente se conheceu sem querer, a gente se gostou rápido, acho que até foi a primeira vista, embora a gente tenha se visto de outras formas, mas aquele dia foi forte não foi?
-... foi... mas Romeu e Julieta também foi um romance forte, e o fim é triste.
- Eu acho que o nosso fim não seria assim tão dramático, a nossa história é um enredo perfeito, presta atenção, Uma mulher conhece um homem, ambos estão tentando esquecer os fracassos de romances anteriores, ambos tem seus medos e receios, mas com o tempo os dois vão se envolvendo e se envolvendo, tem cumplicidade, amizade, momentos de risos, umas brigas para parecer que é o fim... e até uma grande briga que coloca realmente um fim em tudo, tem até um vilão que esta sempre oculto, e estragando tudo, que acaba por separar os dois...
- viu... um fim triste.
- Mas a gente não terminou ainda... ainda estamos vivos não estamos?
- ... o que você quer dizer com isso?
- A nossa vida pode ser o filme que a gente quiser, você pode ficar ai puto, triste e me afastando de você, eu posso continuar gostando de você por um tempo, posso me jogar na espera, ou posso desistir disso e sair a busca de algo real... você pode voltar, pode terminar tudo e voltar para seu mundo, seus sonhos, pode me deixar, ou pode voltar pra mim, a gente pode voltar a ficar juntos, retomar nossa história como se esse tempo longe fosse um grande intervalo... um intervalo longo de mais até...
- E sabe-se la se vão ter outros? E se o fim vai subir um “ e foram felizes para sempre” ou uma tela preta com letras brancas contando que 3 meses depois a gente se separou de novo, Não... eu não sei se seria bom pra você, e nem sei se seria bom pra mim... você sabe do que acontece comigo, Eu posso ficar com você, me envolver mas...
- Mas existe sempre um “ela” ai com você não é? Ela sempre sai e volta e você aceita, você sempre aceita...
- É... e se eu fizer isso de novo? E se rolar isso de novo?
- Cabe a você escolher como escrever seu roteiro nesse filme, Eu já te disse, quero muito voltar com você, e acho que a gente pode escrever uma história boa juntos.
- Não tenho certeza, eu já te fiz muito mal, te magoei, e você já fez muita coisa também, já aprontou muito.
- Sim, como em todo filme, a mocinha quer conquistar e merecer o mocinho.
- E as vezes não percebe que tem gente que quer o mesmo com ela.
-Não tem... eu não dou espaço a ninguém... já tem tempo... desde aquele dia...
-... Mentira... eu sei que você ficou com aquele rapaz, o musico.
- ... é e sabe por que terminei com ele?
- Não... isso eu nunca soube.
- Por que eu sempre falava de você e sem querer comparava você com ele... ele não merecia isso.
- E se eu ficar te comparando com ela?
- Pode comparar... desde que eu consiga ser melhor que ela em alguma coisa.
- Você sabe que mexe comigo... mas... eu tenho que me resolver...
- “ A mocinha finge ser amiga e compreender mas no fundo de seu peito ela anseia um algo a mais com ele”
- É assim que tu se sente?
- Não vou mentir... eu nunca deixei de te amar.
Ele olha para ela nos olhos e arrumando o cabelo cacheado dela por trás da orelha como ela odeia que ele faz ele diz.
- Vamos deixar esse papo para um segundo filme se os diretores e produtores acharem que vale a pena?
- Ta bom... mas acho que o publico vai querer... tem muita gente que quer isso.
O fim de tarde, o rio ruidoso e os dois ali juntos apenas fazendo companhia um para o outro sobre a ponte velha que adormecida sobre o rio compartilhava os sonhos e desejos dos dois corações em silencio faziam a cena parecer a cena final de um filme que deveria continuar e terminar de outra forma.

Apenas uma musica que gostei nesse versão, e umas verdades que gostaria de compartilhar.

Porta.

Ela bateu a porta o mais forte que pode, sentou-se no chão com as costas segurando a porta enquanto ele andava de um lado para o outro no quarto, “va embora” foi sua ultima frase antes de trancar a porta... mas ele apenas arregalou os olhos e começou a andar de um lado para o outro...
No rosto dela, lagrimas corriam como rios revoltos, e o som nervoso dos passos dele atrás dela a faziam tremer e temer que as lagrimas nunca tivessem fim.
-VA EMBORA – Gritou ela mais uma vez, e dessa vez bateu com sua cabeça contra a porta.
- E porque eu devo ir?
A voz dele tinha um tom triste, um certo tom úmido de choro, mas aquele ainda preso nos muitos nós da garganta.
- VA EMBORA.... VA EMBORA – Repetiu duas vezes tentando convencer ela mesma de que era o melhor a ser feito.
-Ok eu vou se você me responder por que eu devo ir?
-Por que você não me entende... você não me ama.
Do outro lado da porta o som dos passos cessou e apenas o som de alguém escorregando as costas na porta pode ser ouvido, depois... como que dizendo ao pé do ouvido ele disse.
- Eu até iria embora, mas pra isso eu tenho que te falar que esta enganada... eu te amo, e eu não sei direito como e nem por que isso acontece mas eu suspeito... acho que é algo que você faz quando se move, ou arruma os cabelos e me atrai como nenhuma outra, sei la... é algo em você me agrada, eu não quero deixar você agora, e você sabe que é serio, e muito.
A voz dele estava carregada e pesada, a porta mesmo grossa não conseguia diminuir a força do que ele dizia e ela com o a nunca encostada na porta ouvia cada suspiro dele.
- Quando eu te digo o que sinto por você, mesmo de forma boba e você sorri, você sabe, bem la no fundo você sabe que eu não preciso de mais ninguém, e quando você me mostra que me ama... Droga... eu não quero te deixar nem agora nem nunca... você diz que eu não te amo e que não te entendo... eu não sei... simplesmente não sei, mas se você aceitar, se você ficar comigo isso pode mudar e você pode ver que te amo e te entendo mais do que imagina, e isso é verdade, muita verdade, Acredite em mim... Eu te amo, e não tem nada e nem ninguém que me façam mudar isso. Só você... somente você pode me afastar de você.
Essa frase pesou nos ouvidos dela...
- Eu cheguei agora em casa, e não sei o que aconteceu, brigamos por besteira, discutimos por tolices mas a única coisa que posso te dizer é que te amo, e acredite é muito, ontem te vendo dormir e sorrir, talvez o sonho fosse bom, talvez comigo não sei, eu tomei a decisão de fazer uma coisa, e embora o mundo seja maluco, você esta do lado certo da porta.
Ela abriu os olhos e prestou atenção no que e dizia.
- Eu não tinha onde guardar então escolhi um lugar bem inusitado, e acabei guardando ai dentro, na terceira gaveta de baixo pra cima, aquela que a gente nunca guarda nada por que é pequena, abre ela.
Antes de ele falar ela já estava abrindo se esforçando para não fazer muito barulho, e la dentro ela pode ver um envelope de papel pardo, bem gordo.
- Se a empregada não mexeu deve ter um envelope ai, abre ele.
Ela abriu e de dentro dela saltou uma pequena caixa forrada em camurça azul com detalhes dourados nas pontas.
- Eu ia fazer algo bonito, diferente disso, talvez um jantar em algum lugar importante pra gente, talvez, encher a casa de flores ou te mandar milhares de bilhetes... mas acho que não é como você faz o importante, o importante é a verdade nele... abre a caixa, por favor abre a caixa e me diz se aceita.
Ela abriu a caixa e la dentro duas alianças perfeitamente ajeitadas.
- A muito tempo eu venho pensando em te pedir em casamento, antes não podia, a gente estava sempre em desalinho com as possibilidades, a gente nunca se alinhou nas horas... mas se o destino quis te deixar ai dentro, e eu aqui fora, talvez essa seja a hora...talvez seja a hora certa de te dizer o que eu pensei em dizer antes...
Ela abriu a porta com os olhos vermelhos e ali os dois ajoelhados um de frente para o outro ela perguntou...
- E o que você queria me dizer?
- Que eu não sou melhor do que ninguém, eu tenho muitas falhas, muitos erros, e errei com você umas tantas vezes atrás, eu não vou te promete que nunca mais vou errar, por que não posso, eu sou humano, eu erro, e muitas vezes faço isso tentando acertar, e muitas vezes por que quero te ver bem, quero te ver sorrindo e feliz, mas as vezes te faço chorar como agora... Eu não posso te prometer uma vida de rainha, não posso te dar tudo que sei que merece, mas prometo que vou fazer de tudo pra te dar o melhor que puder, Eu não sou o cara mais bonito, não sou o mais forte, mas quero muito que ser seu marido... te amo e isso me faz querer ser melhor... ser o mais forte, e o mais bonito pra você.
Ela tentou falar algo mas ele tapou os lábios dela com dois dedos e disse
- Casa comigo? Eu sei que quero casar com você por que não vejo ninguém que seja pra mim metade do que você é, casa comigo, e eu prometo te pedir em casamento todo dia de manhã, e me casar com você todo dia a tarde, e viver com você uma lua de mel todo dia a noite... case comigo, e mesmo que pareça errado agora, mesmo que seja confuso em seu peito, entenda que eu te amo... e vou te amar mesmo que me diga de novo pra ir embora... e vou te amar e esperar sua resposta pra sempre... eu já te disse, posso te esperar pra sempre... só não demora muito.
Ela apoia a cabeça nos ombros dele e com os olhos vermelhos e molhados o olha uma vez mais antes de selar seus lábios com um beijo longo e apaixonado.

Aviso

A quem não sabe. mas
Ausência é como veneno lento...
Mata lentamente o afeto, carinho e amor.

seja presente para quem te faz bem.
;)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

DESABAFOS

Desabafo
(weverson Garcia)

Não é o fato de não me querer que me dói
não é o fato de não me querer que me enlouquece
é o fato de não saber, se é te sigo ou me esquece
é o fato dessa duvida que me corroi.

Não sou eu quem vai dizer de forma simples
vou sumir e não voltar, quem sou eu, pode falar
Minha vida era tão vazia, assim mesmo sem enfeites.
mas pinta cor, suja as paredes,marca teu lugar.

E assim fica difícil dizer não, não quero
quero, mas não posso, e me afundo nos joelhos
quero mas não posso, e nem sei se espero.
quero mas não posso, erros, não posso ter-los

E eu? Proscrito imundo de mim
me pego pensando, vale a pena?
vale a pena gostar mesmo assim?
E digo assim, a miude, de boca pequena

Vale, e como vale, não se espante
se amanhã ou mais tarde, aparecer
ai na sua porta um solitário andante
e assim sujo acabar por te dizer

"dona, não podes assim esquecer
quem a tempos de ti não se esquece
vem, sai do altar, desce
deixe ele ao menos te ver

E quem sabe, assim ao solo pisar
tu possa sorrir, e sorrindo aceitar
que esse verso a desabafar
Seja só mais uma forma de te amar.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"OBRIGADO"

Ela chega em casa tarde, mais tarde que o de costume, e como sempre, assim que entra deixa a bolsa no apoiador perto da porta e da o play nas mensagens da secretaria eletrônica, enquanto acaricia sua gata, e coloca leite para ela ouve os recados de sua família e amigos, a casa esta arrumada, sua diarista faz bem seu trabalho e na geladeira um recado.

“ As cartas estão nem sua mesa, precisei comprar produtos de limpeza o troco esta no pote de vidro, semana que vem eu volto. Maria”

Ela sorri e volta para a sala, liga a tv e vai ao quarto despindo-se da semana como faz com as roupas, no quarto passando por sua mesa vê o montante de cartas e da uma “chegada” nelas, todas comuns... menos um envelope escrito no remetente apena sum “ obrigado”.
Abre a carta com mais curiosidade do que vontade, e dentro dela uma ou duas folhas finas de papel escritas com uma letra trabalhada... alguém tinha gasto um bom tempo escrevendo ali.

Não sei como receberá essa carta, na verdade acho que nunca ira ler, assim como acho que nunca terei coragem de te enviar, mas se esta lendo, é que em fim tive coragem, em fim pude caminhar as duas quadras até os correios e correr o risco de seu endereço ainda ser o mesmo, o que espero muito que seja, afinal seria estranho receber essa carta de volta em minha casa.

Mas bem, o fato é que escrevo por um motivo simples, na verdade não tão simples, ou simples o suficiente para se complicado de mais para ser dito diretamente e sem rodeios, lembra da vezes que ficávamos deitados falando sobre nossas vidas? E que ali sem querer confessávamos um ao outro os medos e falávamos muitas vezes com os olhos cheios de lagrimas sobre quem a gente admirava e amava? Ali deitados naquele colchão vendo tv até tarde, ou depois de saciarmos nossa vontade um do outro, a gente ria, se conhecia mais e mais e nos entregávamos sem medo um ao outro. Lembra?

Acho que eu nunca dei muita importância aqueles dias, nem ao dia que por raiva levantei pisando forte, e falando duras frases, ou das vezes que me olhou do outro lado da cama e me disse um simples “meu amor” era incrivelmente feliz por ter esses momentos bestas, não faz a menor ideia de como eu era feliz, e sabe por que? Porque mesmo que a semana demorasse a passar, mesmo que na outra semana eu ficasse te esperando, ou que não desse pra gente se ver por qualquer motivo, eu sempre, sempre mesmo recebia uma mensagem ou um telefonema que me fazia sorrir como uma criança. Aqueles meses foram e ainda são os melhores meses de minha vida, talvez você nem saiba disso, ou agora comesse a se lembrar e perceber isso, talvez lembre dos motivos que nos separaram ou dos erros cometidos, mas eu mesmo lembrando de tudo isso, ainda lembro das coisas boas... e são tantas não?

Não sei se sente saudades, na verdade nem sei se pensa em mim, se lembra de mim, ou se quer lembrar, acho que o não querer lembrar, sentir ou pensar é pior do que ele simplesmente não acontecer, um você faz por descuido, apenas por uma ocupação ou preocupação da vida, o outro você faz por vontade, se força a não lembrar, pensar e sentir e no fim isso acaba parecendo normal, e certo... queria que não fosse assim.

Mas meu querer é tão bobo, tão falho que me prendi a ele por esse tempo todo, muito tempo de certo, e fiquei vendo você de longe, na verdade nem ver eu vejo, apenas imagino e espero que esteja indo como eu gostaria que fosse, a vida caminhando, o trabalho bom e como gosta, e a família se formando, se fortalecendo e crescendo... ao menos é assim que gostaria que fosse.
Mas meu querer não mudaria nada, nem faz você ser feliz pelo simples fato de eu querer te ver feliz, se fosse por querer estaríamos juntos sentados ou deitados agora na cama rindo e nos conhecendo mais e mais. Mas não e assim.

O tempo passa né? Segundo a segundo ele da essa volta absurda que chamamos de horas, e as horas em dias, e os dias em semana, semanas em meses, meses em anos... e anos em vida, mas o tempo por mais que a gente diga que não volta, é cíclico, ele volta sim, amanhã tudo se repete, as mesmas horas, no dia, ano que vem os mesmo meses no ano, mas a vida não, a vida passa, e no fim dela, acredite ou não em uma vida após essa, ou em uma eternidade em algum outro lugar, é o fim desta vida, se vai se repetir na próxima eu não sei... não faço a menor ideia, mas acho que é uma perda de tempo deixar a vida passar como as horas.

Ainda estou morando no mesmo lugar, ainda frequento os mesmos lugares, ouço as mesmas musicas, vejo os mesmos filmes, danço do mesmo jeito, rio do mesmo modo, embora faça tudo diferente eu ainda faço tudo igual... estranho? Bem... não é... isso se chama LEMBRAR.
E por mais estranho que pareça, eu lembro, me recordo de cada segundo, do tempo que passamos juntos e ainda escuto as musicas, ainda te vejo a minha frente dançando, ainda sinto seu toque no meu rosto, no meu peito, nos meus cabelos, ainda escuto sua voz sussurrando que gosta deles...

Eu tenho passado minhas horas, meus dias, minhas semanas, meus meses e até anos lembrando de ti, alguns amigos me dizem sempre que estou louco, que eu devia esquecer, que nada mais me resta a não ser viver, e eu concordo, mas também quem são eles? O que sei é o que sinto por você. E por isso eu quero te agradecer.
Obrigado por ter ido me ver aquele dia, por ter subido as escadas daquela forma, obrigado por ter segurado minha mão no parque, obrigado por ter me dado aquele beijo, obrigado por ter me confessado seus receios, obrigado por ter ouvido os meus, obrigado por ter me feito carinho, obrigado por ter aceitado os meus, obrigado por ter me olhado em quanto eu fingia que não via você me olhando, obrigado por deixar eu ficar te olhando enquanto dormia, obrigado por me fazer sorrir ao ver seu pé se mexendo antes de dormir, obrigado por me encantar com os fios revoltos de sua nuca, obrigado por me mandar sms nas horas que os nossos sonos fugiam um com o outro, obrigado por me dizer sempre a verdade, mesmo que dura, obrigado por sorrir como só você sorri, obrigado por fazer com que eu sorrisse como só você conseguia fazer eu sorrir, obrigado por ter ido ao cinema comigo, por ter visto aquele filme que ERA A NOSSA CARA, obrigado por me morder, obrigado por me apertar, obrigado por me atender e por não me atender, obrigado pelo “gostoso”, obrigado por correr a minha frente, obrigado por entender minhas piadas, obrigado por rir das piadas sem graça, obrigado por gargalhar tão linda, obrigado por deixar fios de cabelo na minha roupa, obrigado por deixar marcas em min, obrigado por todo tempo que esteve comigo, obrigado por me dar a prova de que amar é possível, obrigado por deixar eu te amar...
A lista seria grande se fosse colocar todos os “obrigados” que queria te dizer, a lista seria imensa, mas assim resumidamente acho que faz bem seu papel, e por falar em papel, já estou acabando com mais uma folha. Bem.. acho que é hora de dizer aquele pequeno motivo que me fez escrever essas linhas todas para em fim ter coragem de dizer que.
Eu te amo.

Pode parecer pouco, só essas 7 letras, e dois espaços, mas elas tem muita coisa na simples existência delas nessa ordem. Em fim. Saudades de você e espero que saber disso não te faça mal, e que ao ler algo nessas linhas tenha sentido ao menos um pouco do calor que tenho por ti. Afeto, é algo que aquece as almas... a minha queima por você.
Te amo pequena.
Te amo princesa.
Beijos.”

Sentada na cama ela apenas suspirou e por fim acariciou novamente sua gata que alinhava-se em seus pés... era hora de tomar banho e quem sabe lembrar de quem enviou a carta...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sexta

O dia tinha passado como de costume, lentamente e carregado de preocupações, e aquele chopinho com as amigas parecia perfeito, era uma maneira de deixar o peso da semana cair de seus ombros, sentar-se a mesa com as amigas e rir, falar sobre besteiras, e sentir-se vive de novo.
O banco próximo a calçada era o preferido, poderia acender seus cigarro, ver as pessoas passando e sentir-se notada as vezes, se bem que nem era isso que ela buscava, queria apenas, a sensação de relaxamento da cerveja, de um fim de noite, e da proximidade de um fim de semana.
Enquanto sua amiga rasgava elogios para o novo celular que comprou, ela olhou por sobre os ombros, a multidão na calçada, as meninas vestidas de maneira provocante, e ela sentia-se um tanto quanto “cansada” para isso, sentia o peso dos anos que carregava nas costas, mas também ela tinha algo que as meninas não tinham ainda... experiência, tinha vivido tanta coisa, uma boas outras nem tanto mas... o resultado era bom.
Riu ao ouvir a amiga comparar o novo celular com um homem, tomando um gole do seu shop olho para o outro lado da rua e viu alguém que a muito não via, ele com olhar tão cansado como o dela, olhos vermelhos e um passo quase que inexistente.
- Meninas, já volto.
- IIIII já vi tudo, vai pescar né?
- Não, eu vim só me divertir, já volto.
Atravessou a rua e correu um pouco atrás dele, e segurando a mão dele o fez girar por sobre os calcanhares.
- Oi!! Tudo bem?
- Oi...não muito bem, mas vai melhorando.
- Poxa quanto tempo não te vejo hein?
- Pois é muito tempo...e o que ta fazendo por aqui?
- Com umas amigas ali (apontou o bar do outro lado da rua) tomando uma cerveja, arejando a cabeça, ai te vi passar e vim dar um oi.
- Opa então obrigado pelo oi.
- Você ta bem?
- Não, na verdade, não
- Poxa te conheço a tanto tempo e você sempre me diz que ta mal... por que isso?
- Porque eu não estou com você.
-...
- Desculpe... devia ficar calado.
- Você sempre me deixa sem saber o que falar, e ai diz que devia ter ficado calado... por que?
- Porque eu aprendi a um tempo a ler seu silencio como uma maneira de se afastar, ou mudar de assunto.
- ... As vezes nem sempre...
- Eu sei, mas não devia ter te falado isso.
- Me fala, você ainda sente isso por mim?
- Isso?
-Isso que sentia antes? Ainda ta assim?
- Algumas coisas não mudam nunca... principalmente as que a gente descobre que eram verdadeiras, o tempo não apaga né?
- Não sei...
- Bem volte la pra suas amigas, elas deve estar te esperando.
- Tudo bem, deixa elas la... To preocupada com um “Amigo” agora.
- Não precisa, esse seu “amigo” sabe se cuidar.
- Mesmo?
- Já sou crescidinho não é? Aprendi com as topadas que dei.
Segurando a mão dele e olhou nos olhos dele.
- Eu Gosto muito de ti, e isso é muita coisa ta?
- Eu entendo, mas sei que não é o bastante
- Bastante?
- É... não é o bastante para voltar a ver seu sorriso como antes.
- ... Eu te ligo um dia e a gente conversa ta? Mas posso te fazer uma pergunta?
- Duas.
- Você estava com os olhos vermelhos quando cheguei aqui. Aguados... por que?
- Sempre que passo por essas ruas eu me lembro de certas coisas, ali na praça em frente ao cinema eu te abracei a primeira vez, e senti seu perfume, andamos de mãos dadas até aquele bar ali, onde a gente bebeu um pouco e falamos de nossos fracassos na vida, depois a gente saiu e passou por essa rua, e ali, bem ali perto daquele poste a gente se beijou a primeira vez, ainda com gosto de batata frita, a gente parou ali perto aquela barraca com seus amigos e ficamos ali por horas falando, e eu sentindo o seu perfume... sabe que eu ainda sinto ele as vezes? Claro que não sabe... Bem existem certas coisas que eu nunca esqueci... as datas, os locais, as cores, os perfumes e você. E passando por esses lugares é impossível não deixar eles aguarem os olhos.
- ... eu sei bem como é.... – disse ela agora com os olhos vermelhos – você lembra de tudo.
- Eu já tentei esquecer... mas devo admitir que foi meu maior fracasso...
O celular dela toca, é uma amiga mandando mensagem dizendo que estão esperando por ela.
- Tenho que voltar,... você vai ficar bem?
- Sem você? Difícil...
- ... – Deu um beijo no rosto dele e mexeu em seu cabelo. – Fica bem... por mim ta?
- Por você eu faço tudo... e você se cuida.

Cada um seguiu um caminho diferente, ela foi beber com seus amigos, ele subiu as escadas do seu prédio e sentou-se em sua sala, que também era cheia de recordações dela... e só pode dizer a si mesmo em voz alta.
- Diabos... como ela é linda...
Ela sentou-se a mesa e ouviu por uns minutos as amigas brincarem com ela, mas na verdade não conseguia mais prestar atenção nelas... lembrava-se apenas dos olhos castanho escuros dele dizendo “ – Por você eu faço tudo...” e pensou
“será que faria tudo mesmo?”