Por que um baú?

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

mãos dadas.

Ela deitava-se de costas para ele, o verbo no dia parecia ser “evitar” ambos evitavam se falar, evitaram ficar muito tempo no mesmo lugar, evitaram discutir mas não evitaram trocar olhares e estes muitas vezes falavam mais que uma longa conversa, ela vestida com sua camisola passava seus cremes e o olhava de costas para ele pelo espelho, a hora gritando no relógio digital só a fez pensar que o dia todo passou sem que ela pudesse ao menos tentar um dialogo... sem farpas... sem aspas... sem porem e sem reticencias.

Ele deitado na cama enquanto ela passava o creme em suas pernas, e sem perceber deixava o ambiente com um doce perfume de morangos, ele mantinha os olhos semicerrados fingindo já dormir e a olhando pelo reflexo no vidro da janela, ela estava linda usando sua camisola preferida, e a dele também, ele imaginava como puxar assunto o que dizer sem parecer que assumia a culpa de algo que não era culpa dele... mas não conseguia pensar em nada... nada parecia certo.
Ela fechou o pote de creme e foi guardar no armário, ele respirou fundo pesadamente, ela segurou a vontade de virar-se, mas apenas arrumou as coisas no armário e fechou a porta, apagou a luz e deitou-se a seu lado, o brilho vermelho das horas no relógio digital nunca pareceu incomodar tanto como agora, ela girou na cama e quando abriu os olhos ele estava olhando para ela.
- Não entendo como a gente pode fazer isso, como podemos ficar assim, fazer isso um com o outro, quer dizer não sei você mas eu passei o dia todo com a sensação de que faltava algo, desde ontem a noite depois daquelas besteiras todas... hoje pelo café mesmo fazendo tudo como sempre fazíamos, ao menos partes, sentia a falta de alto que não conseguia identificar o que era...
- ... Seria, falar comigo? – Interrompeu ela, se ajeitando na cama.
- Não... já passamos dias longe um do outro e nos falando bem pouco, não era isso era algo diferente, eu só descobri agora a noite, quando vi você se preparando para dormir, passando seu creme.
- ... E o que é?
- Eu sempre tive a certeza, mesmo que muda de que você estava ali comigo em qualquer momento, a qualquer hora, mesmo que longe, mesmo que calada eu sempre tive a certeza de que era só estender a mão e tu iria estar também fazendo isso. – disse estendendo a mão e colocando no centro exato da distancia dos dois. – E eu sempre tive a certeza que mesmo que não percebesse isso, mesmo que nunca notasse eu também estava ali, preparado para te segurar a cada tropeço, a te apoiar a cada escolha, te animar a cada tristeza... mas hoje... te senti tão distante e me senti igualmente longe de ti... e por que isso!?
- ... Nem eu sei bem o motivo... começou tão estranho e uma coisinha virou uma guerra...
- E eu me perdi por isso... Percebi que não sinto falta de falar com você, não sinto falta de seus carinhos, não sinto falta de seus toques... por que sentir falta é aceitar que posso viver sem isso... e eu não posso... mesmo não aceitando a culpa da briga eu te peço desculpas, mas eu me sinto sozinho e perdido sem você... sem sua mão... sem seu polegar apertando as costas de minha mão...
- Hey... esquece... eu que iria te pedir desculpas mas não sabia como, também não te acho culpado de nada e nem eu sou culpada de nada... apenas estávamos em um dia ruim... e acabamos “acertando” um ao outro.
- Acertando... não... errando... errei você o dia todo... Eu te amo.
-Eu te amo – disse colocando a mão sobre a mão dele – Vamos esquecer tudo isso?
- Esquecer o que?
Dito isso os dois sorriam como se o dia nunca tivesse acontecido e se beijaram como se o amanhã não existisse.

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