Por que um baú?

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

"que frio"


As pequenas gostas de chuva corriam no vidro como milhares de lagrimas perdidas, ela com a cabeça recostada no vidro via lá em baixo o movimento caótico de guarda chuvas, mas seus pensamentos estavam na verdade em um dia de sol... um dia que a muito tempo tinha passado.
A sua volta os colegas de trabalho discutiam amenidades, programas de tv, musicas e até um sapato ou vestido novo, mas ela... ela não conseguia pensar em outra coisa a não ser naquela tarde em que o vento suave tocava o rosto dela e acariciava os cabelos, muitas vezes ela pensava ser o vento mas de fato eram os dedos suaves dele... em fim... ela lembrava de uma ultima tarde com ele... talvez a primeira e ultima.
Aquelas crianças correndo com balões de hélio amarados em seus dedos, os pais afoitos atrás como quem tenta evitar um grande acidente, mas naquela tarde, naquele parque, o único acidente que se via eram os sorrisos e as gargalhadas espontâneas.
Ela apertou forte a mão dele logo depois que ele disse algo sobre os cabelos dela, e sobre o sorriso sem jeito que ela dava por perceber que ele a estava olhando, em um momento até correu um pouco a sua frente, e ele sorrindo atrás dizia apenas que ela era uma princesa... e que com aquela luz, com aquele cenário... tudo parecia eterno... parecia.
Assim, lembrando do que veio depois, o calor amigável do sol foi dando lugar ao frio cortante de um ar condicionado e a luz dourada a um brilho cinza molhado que entrava pela janela. Os dias se passaram, tantos que ela nem sabia contar, e ele... será que ele sabia?
Olhou os contatos do celular, e o contato ausente a fez somar as lagrimas do vidro uma gota a mais, buscou na mente os 8 números, a sequencia certa mas... o numero não existia... não mais existia. E ele? Será que ainda existia?
Caminhou como que ausente de pensamentos por entre os colegas de trabalho que alheios a seus pensamentos mantinham o som de euforia, o caminho até sua mesa parecia maior, e o frio parecia seguir seus paços. Sentou-se e lembrou de que com era a tempos atrás, com coisas bobas chegando de surpresa em sua porta, sorriu, e talvez tenha até deixado um suspiro sair, sua amiga ao lado até olhou como quem procura a origem, mas apenas sorriu de volta como quem entende sem entender nada.

Na carteira, talvez ainda existisse um bilhete, um feito em guardanapo, ou um outro escrito com cuidado em folha fina... ou quem sabe, ainda existisse uma flor dobrada em papel? Bem se não existia ali, ao menos na memória dela tudo isso ainda existia, talvez as muitas linhas talvez as poucas frase... mas no fim.. o fim frio ainda a trazia a realidade. A dura e fria realidade de que ela não sabia mais onde e nem como ele estava...
E ele. Em algum lugar da cidade lembrava dela, e lembrava das mesmas coisas, e sorria dos mesmos motivos, e pensava...
“será que ela ainda sorri como antes? Espero que esteja bem... espero que esteja feliz... “
fechou os olhos e deixou ali... presa na ausência de motivos visíveis uma lagrima correr no rosto... e se disse
“Só quero que esteja feliz... só espero isso...”
E lá fora, na chuva alguém reclamava do frio.

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