Por que um baú?

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

No bolso do paleto

Tudo que ela queria era chegar em casa para poder deixar de ser forte, durante todo o dia seus amigos, familiares e conhecidos diziam a ela a mesma frase “seja forte, ele não gostaria de te ver assim” mas no fundo ela sempre ouvia seus pensamentos perguntando “quem essa pessoa pensa que é para me dizer o que ELE gostaria ou não?” mas respondia sempre com um cordial sorriso e um baixo “Obrigado, eu sei” mas tudo que ela queria era chegar em casa.
Seus últimos dias estavam longe do sonho traçado por qualquer pessoa, a máxima de “ser feliz para sempre” fora rapidamente substituída por outra “até que a morte os separe” ela sabia que isso um dia aconteceria, só não esperava que fosse tão rápido, e tão antes do feliz para sempre.
A rua parecia compadecer do sentimento triste e escuro que ela vivia, a casa no fim da rua mergulhada em um luto parecia vestir-se de negro ao cair da noite e ela com seus passos entrou no jardim, tentou segurar um pouco o choro mas a proximidade com as lembranças mais intimas a fez bambear e chorar, os olhares curiosos de vizinhos assistiam distantes a cena e pouco se compadeciam do sofrimento que ela transpunha do peito aos olhos em lagrimas.
A chave na porta e ao abrir a luz amarela âmbar do poste traça um tapete no chão da sala e corredor com a frágil sombra dela alongando-se até a parede... e na parede a foto ampliada do casal. Os olhos se fecham instintivamente e ela entra e fecha a porta.
Pronto... a imagem de mulher forte podia ser desfeita, cabia a ela agora a simples e frágil imagem de mulher... me mulher que perdera seu amor de uma hora para outra, que voltara pra casa sem os carinhos e caricias de seu marido, agora poderia deixar as pernas bambas dobrarem e cair de joelhos no chão e afundar a o rosto nas mãos frágeis de mulher fragmentada... ela pode em fim chorar seu luto e sua dor, ali próximo a porta onde tantas vezes foi surpreendida por um abraço no escuro por grandes buques de flores e sorrisos.
Enquanto seus olhos corriam em longos rios, ela forçou-se a ficar de pé e subir o lance de escadas até seu quarto, a noite ainda não tinha terminado, ela agora se entregaria a difícil tarefa de separar e guardar certas lembranças, a porta do quarto fechada anunciava a triste noite que viria. E ela sentia o frio da noite correr-lhe o rosto e tomar o peito.
A porta aberta e a cama, nela a desordem da pressa do dia e dos preparativos para a despedida, as roupas dele, espalhadas na cama, por um instante voltou no tempo e lembrou-se de como ele deixava tudo espalhado quando iriam sair ou viajar e de como ela brigava com ele por isso... e não foi a ultima vez que desejou voltar a ter tais brigas.
Os casacos, o paletó estava se arrumando nos cabides enquanto ela chorava as lembranças de cada dia que ele vestiu tais roupas, mas uma certa coisa fugia as lembranças.
No bolso de um blazer um envelope saltava os olhos, ela tomada mais pelo luto do que por curiosidade abriu o envelope e pode desmontar-se na cama enquanto lia.
“Princesa,

Se esta lendo isso, de certo o que temia aconteceu e eu não cumprir todas as promessas que te fiz, nem pude acordar você uma vez mais com um beijo na testa e um abraço.

Não serei tolo em te pedir para não chorar, e nem te pedir para ser forte, sabemos bem que se fosse o oposto eu não seria forte e não controlaria meu choro, Não sei bem o que te dizer, afinal de contas eu não consegui imaginar como seria minha vida sem você... é sem duvida impossível pensar nisso.
Então ao invés de te dizer como gostaria que vivesse ou se lembrasse de mim, vou te falar de como vivemos, e de como certas coisas tem importância pra mim, talvez assim com o tempo ao ler essa carta possa diminuir as lagrimas de dor e troca-las por sorrisos e lagrimas de lembranças e alegrias.
Vamos começar com o meu bom dia a você, toda vez que dormíamos juntos e eu te acordava com pequenos beijos no rosto ou com sussurros em seu ouvido era na verdade uma vontade de que o dia não acordasse e assim eu pudesse ficar ali mais horas te sentindo nos meus braços, toda vez que ao abrir os olhos você me via te olhando, tenha certeza que eu fazia aquilo para tentar entender como a vida pode demorar tanto para me aproximar de ti, até hoje não entendo como pode ser tão tardio nosso encontro, ou reencontro, e te ver dormindo e sorrindo me fazia pensar nisso e a única resposta que conseguia ter era que tudo aconteceu no tempo certo. E que eu não consigo deixar de olhar você.
Eu te dizia sempre que te amava, e acredite não disse uma vez se quer que não fosse verdade, todas as nossas brigas foram importante pra mim, as trago comigo sempre, não por que eu goste de lembrar delas, mas por que com elas eu aprendi a te apreciar ainda mais, e graças a elas eu percebi a mulher maravilhosa por quem eu me apaixonei.
Não importava quem estava certo ou errado, toda, toda briga que tivemos pude conhecer um tanto mais de ti, aprofundar um mundo mais em você e quando tudo apontava para uma separação meu coração mostrava-se ainda mais apaixonado e por isso eu fiquei te esperando, e por isso eu voltei tantas vezes e por isso eu nunca consegui segurar meus EU TE AMO.
As vezes quando tu tocava meus braços e eu te olhava com a cara de bobo que me dizia que eu fazia era apenas por um motivo, sempre sentia falta de seu toque, sempre senti que sua mão tinha o dom de me acalmar, eu te disse isso umas tantas vezes, sua mão, seus dedos apertando minha mão me faziam sentir muito mais calmo.
Talvez eu nunca tenha te dito, mas seu abraço era minha fonte de força durante o dia, sempre que podia fugia para um abraço seu, fosse como fosse, as vezes a distancia não me permitia ou qualquer outro motivo, mas mesmo ausente eu te abrasava, e me lembrava de seus abraços e assim tinha força para mais um ou dois anos de problemas e provações... seus abraços são pra mim muito importantes, mas não são nada comparados a seus lábios.
Cada beijo seu me completava o sentido a vida, me fazia entender o por que de eu existir e me fazia temer não ser o suficiente para ti, lembra que te disse logo no inicio que não queria te conquistar? Eu queria te merecer... sempre, sempre tive medo de não te merecer, e acho que não merecia você... você sempre foi mais do que sonhava... mais do que pensava mas sempre foi e sempre vai ser, onde quer que eu va, vai ser sempre a única mulher que me faz pensar e ter certeza de que não vou conseguir viver sem você.
Eu te amo, minha linda princesa, minha pequena, minha cereja, eu te amo e agora tenha certeza que eu vou ficar te olhando dormir, vou te abraçar, e até te beijar sempre, faça o que fizer, viva como viver, eu vou sempre te amar. E tenho certeza que vou sempre me apaixonar mais e mais por ti.
Sei que não fizemos nenhuma viagem juntos, não realizamos nenhum de nossos sonhos, mas se tu vier a viajar para algum de nossos locais sonhados, me faça um favor... me leve com você mesmo que seja por 1 segundo se lembre de mim...
Por que eu tenho certeza de que esteja onde eu estiver, nunca vou esquecer de você.
Abraços e beijos apaixonados de quem certamente sente sua falta.
Te amo”

Por horas ela leu e releu a carta, e quando os olhos ardidos de lagrimas deram lugar aos olhos pesados de sono, ela sentiu-se abraçada e observada por quem sempre a amou de verdade.

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