Por que um baú?

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Sem importância

-Porque você vai? – Perguntou ela escondendo o desapontamento.
-Porque pergunta? Quer que eu fique? – disse ele arrumando a mochila.
-... Você faz o que quiser.
-Sim, eu faço o que quero, sempre fiz, desde o inicio, Mas porque a pergunta!?
- ... Sei lá, só quero saber, esquece não importa.
- É eu sei que não importa, nunca importa, e por isso eu estou indo, por que nunca importa o que eu faço ou fiz, Nunca importou nada.
- Não foi isso que eu quis dizer – Disse abaixando a cabeça e percebendo que ele tinha razão, ela pouco ou nunca demonstrou se importar com o que ele fazia. – O que você queria que eu fizesse? Saltasse em cima de você sempre que recebesse algum recado seu? Que desse uma festa a casa vez que fazia algo pra mim?
- Não, eu queria que fosse importante para você como era importante pra mim fazer as coisas para você.
-Eu pensei que fazia sem esperar nada em troca.
-Eu fazia por vontade, mas o mínimo era ter um pouco mais te importância pra ti as coisas que fazia, até as coisa que você não percebe de cara... acho que você nunca parou para reparar nisso.
-... ? Não entendi?
- Sempre fiz um mundo de coisas por você, e deixei de fazer umas outras tantas pelo mesmo motivo, você nunca me pediu nada, nunca, mas se parasse para pensar em certas coisas ia entender melhor o meu lado, e talvez eu não estivesse indo embora agora.
- ... Me explica então, pois ainda não entendi.
-Quando a gente se afastou a tempos atrás, eu te disse que nunca te esqueceria, que nunca iria deixar de ser quem era pra mim, isso é fácil, mas eu sempre estive presente pra você, e por todo o tempo que foi viver sua vida, que buscou seus sonhos eu me mantive quieto, no meu canto, tá certo nem tão quieto, mas fiquei ali, sempre, foi escolha minha de fato, mas pensa... com a ausência você continua gostando? Ninguém faz isso eu fiz.
- Mas fez por que quis, eu não te pedi nada.
- Pois é... por que para você não tinha importância se eu estava ou não do teu lado, não fazia diferença se eu gostava ou não de você.
- MAS QUEM DISSE QUE NÃO IMPORTAVA?
-Ninguém disse o contrario.
-... Se não importasse eu deixaria de falar com você, eu já tinha te dito isso...
-E esses últimos meses tem sido como?
-...
-Chego em casa, e se você ainda não chegou eu preparo tudo pra você, e quando você chega... age como robô, mecanicamente come, mecanicamente fala comigo e dorme... e quando ou se me beija, eu quase sinto o gosto do metal robótico de seus beijos.
-... É tão ruim assim estar comigo?
-... Se eu estivesse com você não seria ruim, mas você nunca esta comigo.
-... – Ela não tinha o que falar, a tempos sua cabeça se encontrava em outro momento, outro estado.
- ... E não é ruim te ver, e estar perto de você mas... Você nem isso mais faz... acho que é melhor eu ir, e se um dia , SE um dia você sentir falta de meu jeito, bobo, adolescente, romântico, e tudo mais que já disse de mim sabe onde me encontrar... quer dizer tem como me encontrar... eu não sei se vou ficar no mesmo lugar sempre... eu já fiz muito isso... já esperei muito... já sonhei muito... já me importei muito com alguém que me tinha sempre como mais um... apenas mais um qualquer.
-...
Ele fecha a mochila, caminha até a porta, coloca no aparado as chaves e olhando nos olhos dela diz
- Pode se desfazer de tudo que eu deixei aqui ou te dei se quiser... Talvez não tenha importância para você... Pode jogar fora cada carta... cada traço... cada presente.
- e por que faria isso?
-Não sei... talvez eles tenham importância mas quem deu não..
Fechou a porta e colocou-se a caminhar, a mochila pesada pouco incomodava... o rosto que logo encontrava-se encharcado é que o assustava e o entristecia profundamente, para ele tudo sempre era importante... tudo.


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