Por que um baú?

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mar morto

Ele caminhava pelas ruas a mochila pesava em suas costas e o vento estourava em sua face esquivando de qualquer contato inesperado, ele mantinha os olhos baixos, furtivos... o cabelo liso e úmido pela chuva fina caiam sobre seu rosto e como cortina escondiam as lagrimas que ali corriam, as pessoas alheias a seus sentimentos e medos o olhavam até com desconfiança, e se não fossem as roupas alinhadas ele seria visto como mias um.. um qualquer.
Ele caminhava pensando no que fazer, não podia voltar, não devia voltar... a porta fechou-se atrás dele como um baque ensurdecedor ele ainda sentia o vento do deslocamento passar por sua orelhas levando com ele o som seco e forte da porta se fechando, e no fundo o grito de dor e raiva dela...
A sua frente as pessoas discutiam coisas triviais como contas a pagar, quem iria buscar quem em casa, e quanto ficou o placar do jogo, mas ele estava ali... escorrendo como as gostas em seu casaco, mochila e em seu rosto... ele estava ali... derretendo-se sem que ninguém percebesse isso, e os poucos que notavam, davam-lhe as costas e se olhavam de novo não era sequer por pena, olhavam-no como quem estuda um efeito, queriam apenas... olhar acontecer de novo.
Logo ele entrou na rua de sua casa, a inclinação fazia com que poça alguma se formasse, e mesmo com o aumento da intensidade da chuva as águas ali corriam mais lentas que em seu rosto, por vezes balançou a cabeça tentado afastar as lagrimas e as memórias taxativas que o culpavam a cada passo.
O seu porteiro sorria por educação enquanto ele entrava, a figura encharcada do rapaz pouco lembrava quem ele era nos últimos meses, mas agora ali pingando no carpete esperando o elevador, o porteiro sentia pena do rapaz... e não era por suas lagrimas no rosto, mas por seu estado comicamente molhado... totalmente molhado.
No elevador a senhora que antes sempre puxava assunto com ele hoje afastou-se e fingiu arrumar o cabelo, no espelho manchado, e essa viagem pareceu durar mais do que o costume, o elevador parecia pesado, mais lento que o de costume, mas por fim ele estava entrando em casa, e despia-se das roupas molhadas, e caminhava pesadamente ao banheiro, e logo deitou-se na banheira e deixou que a água quente o trouxesse de volta a realidade... talvez seu pior erro.
Ali deitado com a cabeça recostada na aba da banheira, sentindo o vapor subir em seu rosto, derretendo a geleira que a tempos trazia no peito, chorou mais, tanto que logo a água da banheira esfriava e passou a lembrar o mar... um mar de tristezas e arrependimentos...
Afundou e afugentou assim do rosto mais uma lagrima que salgava-lhe a pele e regava tristemente seu rosto ...
Por fim ao abrir os olhos pode ver no aparador uma das tantas fotos que tinham juntos... mas agora... era impossível tal ato... Ela fechou a porta em suas costas... ele não teria mais como voltar...
Pensou em sair, em se enxugar e empurrar garganta a baixo uma comida sem gosto... mas a banheira, mesmo fria, parecia melhor que o mundo La fora... e ali deitado continuou a transformar sua banheira em uma pequena mostra do mar morto... salgado e triste.

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