Por que um baú?

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domingo, 6 de junho de 2010

Monólogo da madrugada

O vento uivava nos galhos e ao longe parecia que alguém sentia mais frio que a noite, ele com a cabeça apoiada na vidraça da varanda, observava a calma e gélida noite. Seus pensamentos iam e vinham de um tempo distante a aquele exato momento em poucos segundos. Uma ou outra lagrima vez por outra vertiam de seus olhos escondendo os mananciais de lagrimas que ele teimava em manter ali, guardados e de olhos alheios.
A noite fria era sua única companhia, talvez se ele não tivesse tomando tão rapidamente o vinho, a noite passasse mais lentamente, mas a taça vazia e a garrafa seca eram sem duvida a prova de que ele fora apressado de mais... em tudo...
A mão busca a foto no bolso, e ela de braços abertos saltitando no caminho a frente, parece tão real que ele pode até sentir o calor do sol no rosto e o vento suave nos cabelos... e o perfume... o doce perfume dela...
Mas não... longe disso... ele fecha os olhos, esfrega as lagrimas, e sente o vento frio da noite, e seu peito vazio batendo insistentemente.
Ronronando em uma almofada perto da ali o gato se mantém aquecido enquanto ele olha com uma pergunta se formando, “Seria melhor esquecer?” ninguém sabe. E quem poderia saber? O relógio continua em suas voltas tediosas e ele em sua vida sinonimamente escrita.
“Maldita sorte”, pensa ele, “Que destino tresloucado me obriga a viver uma vida visando um futuro com a mente presa em um passado? É de certo seria melhor esquecer...” suspira ele sentando-se na poltrona velha que range como ele range os dentes... “seria esse o carma de um homem com eu?” passar a vida nas noites frias esquentando apenas com vinho, e ouvindo os gemidos de uma velha poltrona?... Maldita sorte !!” exclama inda mais uma vez antes de por os pés sobre a mesa de cento...
“Não... pensar em esquecer é tentar lembrar... como se fosse difícil, todo dia me vem a mente os olhos, a boca... toda hora me vem aos ouvidos as frases ditas quando nos embaralhávamos nas cobertas como carta de um tarô de cigana a ler o futuro... esquecer... talvez seja fácil tirar do pensamento, mas e tirar um sentimento? Seria igualmente oportuno?” liga a tv apenas como companhia e puxa a coberta fina por sobre o peito...
“Ridiculamente infantil... é essa vontade de pensar que pode se esquecer o inesquecível, e seria mesmo inesquecível? Todo mundo julga o ultimo amor o ULTIMO amor... O amor... e será que é mesmo O amor? Nem mesmo o tempo sabe... ninguém sabe... O TEMPO É O REMÉDIO DE TUDO, quem dera fosse verdade... se fosse assim nasceríamos doentes e morreríamos saudáveis... o tempo é a doença da alma... não foi a ganância, a mesquinheis, a usura e a guerra que puzeram fim a Roma... foi o tempo que se tinha vaga na época, foi o tempo que se gastou pensando ao invés de se fazer algo..”
O gato se alinhava em seu colo buscando dividir um pouco do calor, e de certo modo cedendo uma orelha ao monologo da madrugada...
“Pense comigo felino amigo... a cada segundo que se passa pensando, buscando uma resposta se chega a inúmeras outras perguntas e nessas voltas tortas e tontas de ponteiros, assim como ele, voltamos a mesma pergunta... feita em roupa nova, vale a pena? Se fosse de pensamentos curtos, me diria a velha frase do poeta... TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO FOR PEQUENA... e quem sabe o tamanho de uma alma? Se fosse valido assim, todas atitudes do mundo poderiam ser julgadas e perdoadas pelo tamanho da alma... mas na verdade, na mais pura e fria verdade, o que faz valer a pena não é a alma. E sim a vontade... e esta meu peito se transborda, em dúbias vontades em antagônicas formas de desejo, esquecer e seguir em frente. E lembrar e se fazer presente...
Seria essa a essência de um livre arbítrio? Mas uma vez digo... MALDITA SORTE, que sorte de vida é essa que me da o direito de escolher entre ir ou ficar, aquecer e sentir frio, em comer e minguar de fome... AH! Sorte louca sorte sem dente... sorte demente, sorte amarela... moribunda... por que não cala logo este jogo de vida? Por que não suprime a sublime vida? Seria... pecado?
Aos infernos o pecado... uma eternidade de danação seria menos dolorida que uma vida de lembranças ou esquecidas memórias? E se eu esquecer e viver, dia por dia e até me permitir ser feliz e na hora das badaladas finais de meu coração atrasado ou adiantadamente lembrar dos dias atuais e dos idos... e nessas lembranças lembrar de entes que foram e inda são queridos? Será que ao fechar os olhos vou me perguntar a pergunta sem sentido... E SE TIVESSE SIDO?
Mas não foi... é verdade não foi... por mais que eu tivesse me esforçado e em parte alcançado conseguido, mas a sorte de uma vida me deu as costas... me negou os lábios... antes tivesse me sorrido.
Largado o peito louco de uma verdade sem sentido... a ouvidos atentos da sorte, um gemido é um brado ao longe ouvido....mas me responde felino amigo...falávamos de que mesmo? Não que tenha esquecido, mas pra que lembrar de sombra fraca do que deveria ter sido.”
Acaricia ele o gato que se estica em seu colo como que se tivesse entendido, e olhando nos olhos do rapaz faz a única coisa que lhe era cabido...
Mia, se levanta e sai a andar com o rabo erguido...

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