Por que um baú?

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Uma carta

Sua família reunia os pertences dele, as ultimas lembranças que faltavam ser empacotadas e enviadas para o sótão, o velho solitário não mais caminhava por aquela casa, não mais sentava-se a varanda e tocava seu violino, não alegrava as crianças com suas histórias e tão pouco alimentava os pássaros em seu jardim, hoje o velho solitário estava mais solitário que nunca em uma diminuta caixa, em pó finalmente era ele companhia dele mesmo.
Os irmãos, mas velhos que o velho, as cunhadas, um ou outro sobrinho e sobrinho neto vasculhavam a casa recolhendo fotos, livros discos e filmes, mas tudo parecia perdido e fora do lugar, tudo estava como ele, velho e sozinho.
Em uma das tantas caixas a sua cunhada encontrou um envelope fechado, uma carta, dele para ela... uma carta que nunca foi entregue...
Involuntariamente ela abriu a carta, e mais involuntariamente ela fechou, selou e mandou entregar ao destinario.
A jovem senhora receberá a carta com um susto, o nome do remetente chegara junto com a noticia de que ele morrera de infarto, e ela sentada agora em sua poltrona tremia os dedos para abrir o velho e amarelado envelope.
Mesmo que os olhos dessa senhora não estivessem acostumados a vazar, hoje, assim que abriu a carta e pode ver a data uma nascente muda iniciou.

Minha pequena cereja,


Não sei ao certo quanto tempo a gente não se diz coisas boas, vivemos assim entre nossos enganos e medos, nossas incertezas e vontades mas são esses meses que estamos juntos que me faz ter certeza de que algo bom existe entre nos, talvez seja a loucura desse bobo que por tantas vezes se vestiu de inseguro e assim calou a voz suave de um sentimento que nascia em seu peito, ou talvez seja apenas o eco de uma verdade que repetia tantas vezes em minha cabeça, era eu insuficiente a ti?
Hoje eu tenho certeza de que fiz o melhor, joguei de certa forma e de forma clara com você, porem errei, e meus erros são de certo imperdoáveis, pois hoje esta ai, distante de mim, talvez quem sabe com alguém ao lado e sorrindo, enquanto eu caminho ainda aqui calado e só.
Não por que não tenha tido motivos para ter alguém do lado, ou por que não tenha me faltado oportunidades, mas por que ainda acredito que se algo for verdadeiro o tempo que separa uma duvida de um reencontro é efêmero e vale a pena esperar.
Não vejo teu sorriso, e isso é de certo o meu pior castigo, pois hoje mesmo o sol nascendo, mesmo eu vendo as cores e as formas de tudo que existe, nada disso tem a menor importância sem o seu sorriso a meu lado. Certamente dirá, exagerado, com os olhos fechados e o sorriso aberto como fazia quando estava tímida a meu lado, mas digo eu, não é exagero algum dizer a verdade a quem merece.
E você merece, por cada noite que passamos juntos, por cada beijo que demos, e por cada beijo que sonhei em dar, por seus fios de cabelos revoltos em sua nuca, por sua mão apertando a minha e por nossa ultima noite juntos... e um eu te amo dito como nunca antes ouvi.
A verdade minha pequena é que desde que se foi, me sobra tempo para pensar o quanto eu sou infeliz por ter te perdido... infeliz não no sentido de vitima, mas no sentido de erro, pois esse é sem duvida o erro que carregarei para sempre.
Deixo aqui minha derradeira vontade de te dizer quem sabe a ultima vez
Te amo, “
As mãos da senhora tremiam e mal agüentavam a carta, talvez o peso das frases, talvez outras tantas que ela não leu, talvez fosse cada vogal ali formando junto com as demais letras uma única certeza... ele realmente a amava...
Mas o tempo passou, e hoje ela de olhos vermelhos e mãos tremulas segura a única lembrança que tem dele, a carta e dentro do envelope uma foto dela e dele ainda jovens, abraçados em um momento feliz... que o tempo fez questão de amarelar...

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