Por que um baú?

Bem, quem acompanha minha tentativa de escrever algo que seja bom ao leitor,vai poder voltar aqui, abrir o baú e ler, pensare espero eu que comente nos textos afinal, esse baú é para guardar pensamentos.
Deixe aqui o seu também.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

poltrona 35

Não fazia muito tempo que ele estava ali esperando o ônibus mas algo o inquietava profundamente, por vezes abriu e fechou a mochila pensando e revendo se não tinha esquecido nada, mas não, estava tudo ali, óculos, o livro, a maquina fotográfica, uns tantos cartões de memória e as roupas, as muitas roupas que iria usar na sua peregrinação pelas trilhas, a comida, apouca mas bem programada comida para dos 5 dias e um caderno com lápis para suas anotações, segundo ele, era mais intimo e menos mecânico escrever a mão e certamente no meio da trilha não vai ter uma tomada para recarregar a bateria do seu laptop.
Estava tudo ali na mochila, mas o que o estava inquietando tanto? A passagem? No bolso de trás, o mapa? No bolso largo da mochila, dinheiro? Bem guardado no espaço escondido da mochila... o que era?
Sentou-se mais uma vez no banco, e colocou seus fones de ouvido, tentando apagar suas preocupações ao som de algum clássico do jazz ou Blues... mas nada conseguia apagar ou melhor, aquecer a sensação fria que sua barriga tinha e que o fazia temer por algo estranho em seu dia.
O fiscal parou no ponto e logo uma pequena fila se fez, alguns outros como ele com suas mochilas nas costas, outros tantos apenas com algumas bolsas e malas de viagem, na mochila de um rapaz a sua frente a bandeira da frança, em um outro apenas bugigangas dependuradas e amaradas . Lembrou-se das suas “decorações”na mochila um misto dos dois, a bandeira do Brasil, e algumas fitas de nosso Senhor do Bom fim.
Entrou no ônibus e caminhou até a poltrona que era sua companheira de viagem por longas 6 horas, sorriu ao ver que a poltrona ao lado estava vazia, pensou que poderia por ao lado a grande mochila ou esticar as pernas um pouco... mas logo uma senhora veio sentar-se a seu lado e sua esperança de poder esticar as pernas resumir-se-ão somente as horas que fosse ao banheiro.
A senhora falava algo a seu lado e somente agora ele lembrou-se que estava de fone, tirou envergonhado e a senhora disse
- Nossa sua bolsa é grande hein?
- é sim senhora, para poder carregar tudo que preciso
-Hummm, e ta tudo ai dentro?
-O que preciso nos dias que vou acampar sim
-AAAA acampar, por que na vida tem coisas que não cabem em mochilas né?
Ele gelou... não sabia o que responder... é verdade nem tudo que se precisa cabe em uma bolsa ou mochila...
- Mas eu sei que você ao menos tem ai dentro algo que te lembre as coisas que não cabem ai né?
gelou novamente... era isso que faltava... uma lembrança dela...
- O que foi meu jovem... ficou pálido...
-É que a senhora acabou de me lembrar que falta uma coisa aqui na mochila...
- E você precisa muito disso?
-É, não é um “isso” mas seria bem melhor se estivesse com ela aqui
- Então esqueça o “isso”e lembre-se sempre dela.
- Não senhora... eu nunca posso lembrar dela... por que lembrar é ter um dia esquecido... e eu nunca esqueci dela, apenas de uma coisa que me fazia ver ela mais concretamente.
- Então você tem uma foto dela bem melhor ai na sua mente não é?
- Foto? Não... mas os melhores momentos em filmes... que não perdem a cor nunca.
A senhora olho para ele com os olhos sorridentes e disse.
- Que sorte dessa pessoa... mas esta indo para onde?
- Perder tenpo...
- Como assim?
- Estou indo acampar para tentar esquecer dela...
- ... e por que?
- Por que ela certamente precisa de algo para lembrar de mim... mesmo que seja tempo...
Os dois então voltaram a seu pensamentos pessoais, ele ouvindo alguém cantando em seus ouvidos, a senhora ouvindo um chiado baixo vindo da cadeira ao lado e pensando que houve um tempo em que homens como esse rapaz eram vistos aos montes nas ruas ... e hoje.. só se encontra um ou outro sempre fugindo de suas lembranças...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Alergia



Não adiantava apertar, puxar ou espetar... ele não sentia nada, a ponta do dedo  dormente não sentia sequer a aguda ponta da agulha, o médico de branco do outro lado da mesa espantou-se.

- A quanto tempo esta assim!?
- Não sei ao certo... acho que só reparei nisso agora.
- COMO ASSIM!?
- Não sei doutor... isso é ruim!?.
-Meu senhor,  de certa forma a dor é algo bom o senhor não a sentir pode por em risco seu corpo, a dor nos avisa de algo errado.
- Sabe doutor... acho que começou a uns anos atrás...
- Qual foi o primeiro sintoma !?
-Deixei de sorrir.... eu acho.
- ...!?
- É senhor eu comecei a não sentir graça em nada, depois deixei de chorar, no meu trabalho eu não sinto o ar condicionado frio... na rua eu não sentia calor...
- O senhor quer me dizer que não esta sentindo dor, frio, calor, e animo!?
- Isso doutor... eu não sinto mais nada...
- ...?
- Sabe, eu até que via uma vantagem nisso, Eu não sentia vontade de rir, nem de chorar, também não sentia dor... sabe doutor as primeiras dores que parei de sentir são as dores que ninguém quer sentir...
- ... entendo... e depois disso!?
- Depois disso comecei a não sentir mais dor de dente, e as dores do dentista... deixei de sentir quando dava uma topadinha na beira da mesa de centro... ou quando queimava a ponta dos dedos em algo quente... depois deixei de sentir, frio, calor alegria tristeza...
-A quanto tempo isso!?
- ... Desde que senti uma dor muito grande...
-Opa... dor de que? Costas? Cabeça!?
-Não senhor... a dor da perda...
- perda?
- Sim senhor... desde que perdi minha mulher ...eu nunca mais senti nada...
- Meus sentimentos, mas... Senhor... desculpe mas eu não sei o que fazer.... nunca ouvi na história da medicina um caso de analgesia congênita e a síndrome da neuropatia sensitiva autonômica crônica como a sua...
- O que isso quer dizer Doutor?
- Que o seu sistema nervoso esta como se estivesse anestesiado.
- Doutor... então temos um problema maior...- disse o velho levantando da cadeira e caminhando até a porta.
- E qual é senhor? – Disse o médico O acompanhando.
- Eu sou alérgico a anestesia...


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Diálogos que não acontecem



Deitados ali, no colhão no meio da sala com morangos mordidos em uma vasilha ao lado junto com umas duas ou três garrafas de vinho, o sol começava a entrar pela janela, mas os dois de olhos fechados cobriam-se um com o outro e vez por outro tinham a ajuda de um cobertor leve, ela então passando a mão no peito dele com mais carinho do que jamais fez, respira fundo e em um tom quase que pedindo desculpas por acorda-lo pergunta

- Quando a gente vai acordar!?
- Não sei... quando a gente parar de sonhar? – Disse ele afundando os dedos nos cabelos dela
- Então você concorda que é um sonho né?
- sim... um dos melhores eu acho... mesmo com todos os momentos ruins que tivemos ainda é um sonho com um bom final.
- Então talvez seja um filme.... será que falta muito para os créditos? – fingiu procurar algo que sabia que não existia
- Pode ser que sim, pode ser que venha ja ja e venha uma cena extra. – sorriu ao ver os olhos brilhantes dela.
- Será que vai ter continuação!? – Colocou as duas mãos no peito dele e o olhou nos olhos com um longo sorriso no rosto
- Acho que não... poucas continuações foram boas, algumas até estragaram a obra inicial. .- fingiu não gostar da ideia

- E se for uma serie como Guerra nas Estrelas? foram 6 filmes bem legais – piscou o olho e fez um biquinho e uma carinha que pedia que ele concordasse
-... Acho que a gente é mais um livro.. um romance...
- Por que? – Apoiando a cabeça no peito dele e colocando a mão dele em seus cabelos.
- Mesmo no fim ele continua ali, presente... e lendo a gente sonha viaja... – olhando nos olhos dela e fazendo um cafuné leve contrario a hora.
- Isso é verdade... mas também tem fim. – Fechou os olhos sonolenta
- Tudo tem fim não é? – beijou a testa dela
- Até a gente? – disse quase dormindo.
- Ok... quase tudo... – disse em sussurro vendo ela ser novamente dominada pelo sono e mexer  pé enquanto caia no sono. 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pensando sobre mim mesmo.


Diferente dos outros textos esse é bem auto biográfico.
Esses dias eu estava olhando para mim, como quem olha um estranho, um dos raros momentos em que a gente consegue sair de nossa percepção limitada, comecei a lembrar de tudo que passei, das pessoas que conheci de quem ainda mantenho comigo de que deixei sair, de quem afastei  sem querer e de quem afastei por vontade.
Eu olho para trás e vejo meu caminho todo, e sabe o que é mais estranho!? Mesmo tendo escolhido o caminho mais cheio de dificuldades mais complicado, mesmo tendo feito as piores escolhas e cometido muitos erros eu mudaria pouca coisa, talvez evitasse uma grande pedra para ter mais energia na seguinte sei la... mas não faria outro caminho, acho que a vista que tive de onde andei foi a melhor que pude escolher.
Sim foi um longo caminho sozinho, e ainda é sozinho,  mas isso não importa, ou importa!? Se eu sinto falta é por que é importante certo? A gente sente falta do que precisa mesmo que negue pra gente mesmo... e isso serve pra tudo.
Tive poucos  romance na vida, e com essa metáfora de caminho eu os comparo a rios riachos, o primeiro foi uma nascente, por ver pequenas partes a gente pensa que vai ser suave e fraco, mas no fim percebe que é traiçoeiro e violento... e foi mesmo... quando menos esperei o rio desapareceu e foi se meter por debaixo da terra onde eu não gostaria de ir nem em pesadelos...

o segundo foi mais tranquilo, como um rio congelado, eu tinha que pisar com cuidado mas não estava muito feliz com o gelo nó pé ... e ainda tinha medo acumulado do rio anterior... acabei seguindo meu caminho antes de ver ele derreter... foi até bom... o rio seguiu o caminho dele e pelo que sei esta bem...

O terceiro ficou um tempo, foi um bom rio, as veze o encontro e tenho meus momentos de lavar os pés... sabe!? Descarregar as culpas da vida sem ser julgado... em fim virou um rio amigo...

O meu quarto e ultimo rio, o que me marcou mais, é um rio de planícies elevadas, era calmo, mas vinha já de uma longa história, já tinha descido tantos caminhos pelas encostas que agora mesmo sendo largo e raso era assustado, e eu tentei represar esse rio, poderia ter ficado a margem dele quando ele começou a correr forte para outro lado mas eu queria ter o rio... represei , mas ele estourou a represa e mudou o curso... agora eu não tenho nem onde lavar as mãos... e sinto falta do som do rio... sinto mesmo.
Eu escolhi meu caminho, errei com algumas coisas repeti erros algumas vezes... mas no fim eu posso dizer que foi o melhor que pude fazer... hoje olhando por sobre os ombros, e vendo que ainda tenho muito caminho pela frente eu só me arrependo de não ter escolhido manter um pouco do rio no cantil... onde pudesse beber de vez em quando, eu vejo ao longe o rio seguindo o caminho dele, fazendo  um laguinho la no fim... espero que ele seja um ruidoso rio feliz...

Eu tenho que continuar subindo... tentando achar um outro rio pra seguir ou ser acompanhado... quem sabe encontre quem sabe não... eu sei o que devo fazer e melhor ainda... sei o que não devo fazer...

Eu não devo esperar do rio nada além de sua passagem... o rio passa... tudo passa...
O que fica são as marcas e lembranças.


terça-feira, 24 de abril de 2012

U T I

O Café era a única coisa que o aquecia na noite, as longas horas esperando uma resposta haviam pesado em seu corpo que todos os anos que vivera até então, o corredor cheirando a algum produto de limpeza, as pessoas desconhecidas e os olhares complacentes eram tudo que ele vira nos últimos dias, mas aquelas ultimas hora eram ainda piores. - Ela quer ver o Senhor. – Disse uma enfermeira de olhos castanhos que lembravam os olhos da única mulher que ele amou verdadeiramente, - O senhor pode ir vela agora se quiser, mas não pode demorar muito, ela ainda esta muito cansada. Ele acenou levemente com a cabeça e depositou o copo pela metade de café na no balcão próximo a ele, os passos eram lentos, não pele idade, mas para dar tempo a ele mesmo de digerir o que tinha acontecido... Sentou-se ao lado da cama e segurando de leve a ponta dos dedos da pequena menina sussurrou baixo “Oi princesa, estou aqui” os olhos anestesiados dela piscaram uma duas vezes até que um leve sorriso se fez em seus lábios. - Pai! - Sim princesa sou eu. - Por que esta chorando? - Saudades minha linda, saudades. - Não quero ver o senhor chorando nunca... - Tudo bem amor... eu me controlo ta? - Ta, pai... -O que foi princesa? Quer um outro cobertor? -Não... eu só queria ta fazer uma pergunta. - faz, to aqui. - Me fala mais da mamãe? Ele abaixou a cabeça e deu um leve afago na mão dela e entre lagrimas respondeu. - Ela era uma Guerreira, sabe... Sorria o tempo todo, e quando não podia sorrir ela se forçava a sorrir só para confortar quem estava perto... sua mãe me dava sustos, muitas vezes quando chegava em casa ela estava escondida só para me dar susto... -O que foi pai? - ... é que você faz igual a ela, sempre me da sustos. A jovem menina sorri, e olhando nos olhos dele continua a ouvir que ele diz. - Ela cantava as vezes, na maioria das vezes quando estava feliz, mas quando algo a desagradava ela cantava baixinho quase como um sussurro... era assim que eu percebia que ela não estava bem, sabe... ela costumava cantar pra você dormir. - Eu não lembro. - Claro que não filha, você era muito nova... ela que te apelidou de princesa. - mesmo? - Sim, uma manhã de domingo você estava na sua cadeirinha ela olhou pra você toda cheia de pose na cadeira e disse “Amor, a gente tem uma princesa em casa” e você riu quando ela falou isso e ria toda vez que ela te chamava de princesa, ai ficou... a nossa princesa. - Eu lembro da ultima vez que ela me chamou assim... -Não pode filha, você era muito novinha ainda. - estranho mas eu lembro da voz dela... - A voz dela era linda... inesquecível mesmo... Mas princesa você tem que descansar. Depois a gente fala mais. - Pai? - O que princesa? - O que o senhor gostaria de dizer pra mamãe? Algo que o senhor não disse - ... - Pai? -Eu diria que estou com saudades, e que cada dia sem ela tem sido triste e que eu só tenho conseguido suportar eles por que ela me deixou você, me deixou a princesa para cuidar, diria que eu a amo muito mas que você é a minha paixão. - ... pai... ela vai gostar de ouvir isso... -...Princesa? -.... -Princesa!!?? O som continuo e agudo toma conta do quarto e antes que ele diga uma terceira vez os médicos se aglutinam sobre a pequena menina falando dosagens e procedimentos, e no corredor ele chorava, e antes que o médio o desse a noticia ele já sabia que sua pequena princesa havia partido... e que ele estava agora mais só do que nunca.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Curta

Ela entrou em casa, o peso do dia nos ombros, e os acontecimentos recentes ainda na cabeça e tudo que ela queria não era sair do banho e encontrar ele na sala, ou receber um telefonema dele dizendo que tudo tinha mudado e que ele estaria voltando pra ela hoje.. se ela aceitasse ele de volta... tudo que ela mais queria era entrar no banho e que o mundo acabasse em silencio... Tudo que ela queria era encontrar finalmente o verdadeiro sentido de PAZ... já que se peito vivia uma guerra sem fim a tantos anos... tudo que ela queria era conseguir esquecer ele... e para isso... só com o termino de tudo... por isso prolongou o banho o máximo que pode... mas o mundo não acabou e ela continuou a sentir as vontades de sempre... e os receios de sempre, e não esperar o que sempre não aconteceu e nunca iria acontecer.
Em fim... seu mundo acabou.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

João de barro.

Em um ou outra revirada na internet eu encontro umas perolas... uma dessas perolas foi essa musica que ouvi uma vez e cantei como se soubesse a letra de milhares de anos antes...

Espero que gostem tando quanto eu.

João de Barro
O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar
Traz nas asas um novo dia
Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menino aprendi
Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor...